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Reengenharia Do Tempo
(Rosiska Darcy de Oliveira)

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             O livro "Reengenharia do Tempo" traz embutida uma crítica severa à cultura difundida pela sociedade de mercado, que atribui um preço a todas as coisas e torna invisível o que não anuncia seu preço. Tempo não é dinheiro na reengenharia do tempo. O livro é uma maneira de reintroduzir o debate sobre o sentido da vida. A organização do tempo é a exteriorização de um debate íntimo ? e público ? sobre a felicidade, o bem-estar e a responsabilidade moral. Trata-se de saber quem queremos ser e em que tipo de sociedade queremos viver.
            A presença maciça das mulheres no mundo do trabalho foi para elas uma transgressão. As mulheres continuaram a fazer o que sempre fizeram, adicionando aquilo que era reservado aos homens. O que impôs uma aceleração de ritmos: o dia das mulheres não caberia dentro de um dia. Surge a idéia de reengenharia do tempo. Assim, o mundo do trabalho e a sociedade precisam se reorganizar em razão da família que mudou. O objetivo comum é recuperar o poder sobre o tempo.
            O excessivo trabalho cria contradições, na medida em que seus objetivos acabam se tornando conflitivos. A vida privada fica em segundo plano e as conseqüências acabam voltando-se contra a própria sociedade.
            A idéia de uma criança desassistida comove a sociedade. A idéia de uma pessoa idosa desassistida toca muito menos. os idosos valorizam e necessitam muito de contato humano, de conversa, da possibilidade de atualizar-se na convivência com os mais jovens e troca de experiências. E isso acontece quando seus filhos estão no momento profissional mais intenso.
            Os ganhos de tempo só se legitimariam moralmente se fossem empregados na dedicação aos outros. E o que dizer, na vida privada, do amor, das alegrias e celebrações de são fontes de felicidade? Dessa maneira, é como se os adultos não tivessem vida amorosa e sexual. O estresse do tempo perturba a vida sexual e afetiva dos casais, o que pode tornar o convívio difícil e incômodo. Ao contrário dos americanos ? que preferem o trabalho a estar em casa ? faz-se necessário o tempo para os amantes.
            O tempo para si é o tempo dedicado ao lazer, é mais uma oportunidade para meditação, para planejar o presente e a vida futura, para concretizações de sonhos e projetos pessoais.
            A passagem sobre ?O Recruta Suíço? nos leva a vermos que isso só era possível graças à participação efetiva das mulheres. Também mostra a relação entre o público e o privado, a complexidade da noção de igualdade.
            A socialização das crianças e os cuidados com os doentes são tarefas que continuam sendo feitas por mulheres. Só que hoje, como funcionárias públicas. Tarefas antes realizadas na esfera privada e familiar. Tal fato não se trata da revalorização da vida privada para as mulheres e sim para o conjunto da sociedade.
            As mulheres continuam realizando as velhas tarefas e hoje são remuneradas para isso. Vão acumulando novos cargos, novas tarefas. Ou seja, além do salário remunerado, restam as obrigações do lar que não são compartilhadas.
            A reengenharia do tempo não seria um benefício feito às mulheres, mas um benefício que a sociedade como um todo e cada um estaria fazendo a si mesmo. Na sociedade de hoje, o compromisso com a igualdade é uma impostura.
            As empresas americanas impõem cada vez mais uma espécie de devotamento integral, que relega a vida privada a um lugar secundário. Inverte-se o sentido original do trabalho. Os funcionários mais desejados são os que não têm residência fixa, não dormem nunca, não têm filhos e não têm um minuto a consagrar a vida privada. A idéia de trabalhar menos estaria na incompreensão, principalmente pelos que se declaram apaixonados pelo trabalho.
            Um trabalho sobre si mesmo pode revelar que a vida tem outro sentido que não o de ganhar dinheiro, que o sucesso se mede mais pelo sentimento de felicidade que pelo salário.
            O tempo liberado do trabalho poderia ser o da produção de si mesmo, de uma nova relação com os outros, da construção de um outro sentido para a vida e de uma sociedade coerente com esse sentido. Trabalhar menos para que todos trabalhem mais, sobretudo, para que todos tenham tempo para si.




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