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Sobre A Modernidade, De Charles Baudelaire
(Giselly Greene)

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É estranha a relação literária que mantenho com Baudelaire. Apesar de admirá-lo por ter sido sempre tão coerente em seus escritos, devo admitir que jamais o considerei um dos meus favoritos. Não é um escritor cuja obra se queira reler a todo o momento (como ocorre com Kafka, Maugham, Dostoievski, Camus, Tolstoi e tantos outros), o que é curioso, pois o gênero no qual mais produziu escritos foi o de poesias, o que por si só já lhe daria um caráter de aderência/ empatia maior com o leitor. No entanto, creio que isso só ocorra mesmo comigo, que nunca fui grande fã de poesia. De qualquer forma, isso não tem importância, apesar de que este ensaio foi o único livro dele que li com algum prazer. No entanto, sei que o problema está concentrado em mim, não na obra em si."Sobre a Modernidade" é uma justíssima ode ao artista plástico autodidata e homem do mundo Constantin Guys, que Baudelaire descreve como um homem de personalidade marcante, singular e extremamente original. E, ao longo do ensaio, explica o porquê de sua admiração, afinal, tudo aqui em fundamento. Nele, Baudelaire analisa os elementos constituintes da obra de Guys, sempre lançando seu olhar crítico e preciso e defendendo suas idéias com argumentos apropriados e convincentes.Uma grande sacada de Guys, segundo Baudelaire, é seu método de desenhar, que talvez por ser bastante simples, funciona plausivelmente. O método consiste de desenhar a partir de uma imagem que se guardou na memória, não em copiar de um modelo a partir da natureza, algo que apenas os artistas mais experientes podem fazer.O autor também aproveita para comentar sobre o conceito de beleza e sobre as dificuldades em defini-la. O conceito baudalairiano é dualista, sempre constituído por um elemento eterno e por um circunstancial, numa união do clássico com o moderno. Afirma que não há nenhum exemplo de beleza que não contenha esses dois elementos, pois só juntando ambos é possível alcançar o real encanto de um objeto. Aqui ele destaca também a definição de Stendhal, afirmando que ele foi quem mais se aproximou da verdade com sua filosofia de "o belo é a promessa da felicidade", em contrapartida a muitos críticos menos coesos que passaram longe da real significação.Segundo Baudalaire, todas as modas (nem tanto os modismos) são válidas, pois cada uma delas caminha em direção ao belo. Ou seja, mesmo que muitas não cheguem nem perto de alcançar seu alvo, valem pela intenção, já que todas são "sintoma do gosto pelo ideal que flutua no cérebro humano".No capítulo sobre maquilagem, ele diz que ela não deve ser usada no intuito de imitar a natureza, mas de aperfeiçoá-la. Outra afirmação (com a qual novamente não pude deixar de concordar) foi a de que a maquilagem não serve como um embelezador do feio (ou assim visto), mas apenas para enfatizar a beleza natural do ser. E arremata com outra declaração, sobre a função do pó-de-arroz, que "esconde" todas as manchas da tez, aproximando o humano das divindades.Mas a parte crucial é aquela na qual ele assevera que a natureza nada ensina ao homem (que até então vinha buscando solucionar a questão do belo através da natureza), apenas o atrapalha, pois o "obriga" a fazer coisas que ele nem sempre quer, mas apenas precisa (tais quais as funções fisiológicas, como sentir frio, sede, sono, etc...). Isso levaria o homem a cometer atos condenáveis e um exemplo bastante incisivo que ele cita é o da "filosofia que nos ordena a alimentar nossos pais pobres e enfermos. A natureza (que é apenas a voz de nosso interesse) manda abatê-los." Com isso, ele deixa claro que a virtude não é normal do ser humano, ela sempre precisa ser ensinada, enquanto que o mal é praticado sem esforço, sem que se precise aprender nada a respeito de como praticá-lo. Realmente, não vejo como discordar, pois basta olhar em volta para perceber que é realmente isso o que ocorre.Por fim, o que se denomina Modernidade, que o autor definiu como uma qüintessência de caráter que a arte possui (a de Guys, especialmente), é a capacidade que os artistas precisam ter para obter o eterno a partir do transitório, ou seja, a essência do belo.



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