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Cândido Ou O Otimismo
(Voltaire)

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Tudo o que nos acontece é o melhor que poderia nos acontecer. Demos graças a Deus.
O conselhodePangloss a Cândido pouco aliviou a dor dojovem que acabara de ter a noiva estuprada por 12 mo.
A agonia de uns pode dar prazer a outros e a terceiros representar os fados da existência.
Nem é só se lhe parece, nem é apenas a crueza dos dias penumbrosos. Mas... é a vida.
Cândido seguiu viagem com a amada, a belaCunegundes, não muito satisfeito com os conselhos panglossianos.
Não deixará de ser otimista, mascomeça a pensar na necessidade dedar bons cuidados ao bem, que há de ser encontrado.

O Filósofo Ignorante, Ou as reflexões filosóficas de Voltaire sobre a existência domal no mundo e a fragilidade humana é um estudo fde Marcelo Xavier (marcelo@rabisco.com.br) a partir de Cândido.
Em1755, Lisboa é destruída por terremoto cuja violência impressionou a Europa. Goethe escreve: ?porventura em algum tempo o demônio do terror espalhou por toda a terra, com tamanha força e rapidez, o arrepio do medo?. A natureza do eventoinfluenciao pensamento do filósofo François-Marie Arouet, o Voltaire (1694-1778). Escreveria ?Um dia tudo estará bem, eis nossa esperança / Tudo está bem hoje, eis nossa ilusão?.Os terremotos não tinham ainda causas totalmente conhecidas. Voltaire transformaria a catástrofe no exemplo para criticar o paradigma do "otimismo filosófico" e a doutrina da "Providência Divina". Vigia a "tradição" oriunda de Leibniz dado mal ser elemento necessário de uma perfeição da qual conhecemos somente parte do todo... todo mal particular concorria para o bem universal. Desta forma, se Deus escolheu este mundo num conjunto para dar a existência, devemos acreditar que este é o ?melhor dos mundos?.Aconcepçãoérechaçada porVoltaire... Se tudo está bem, qual é o significado da tragédia? Se o mundo está em ordem, nada garante que a ordem se faça para o bem-estar do homem. E quanto aos inocentes?
Ou, por que Lisboa e não Paris ou Londres?...Se o mundo é um vale de lágrimas, então o universo contradiz o otimismo: como compreender um Deus bondoso que permite a existência do mal? Voltaire cita Epicuro em sua exortação a Lisboa ao concluir que ou Deus quer impedir o mal e não pode, ou pode e não quer, ou nem quer e nem pode. Mas, se quer e não pode, não é Deus; se pode e não quer, não é bom, o que é contrário a Deus...
ParaVoltaire, o mal era a razão corrompida.
A teoria providencialista e a ciência explicam o incidente em Lisboa, mas não o demovem da idéia de que o terremoto é um exemplo da ruptura da razão, um exemplo de como o ser humano é frágil e vive num lugar onde tudo pode acontecer, sem que possamos fazer nada.
A partir disso Voltaire concebe Cândido. A alegoria é pretexto para a investigação filosófica... Afirmar que Deus tem um plano-mestre para o mundo, além de idéia absurda, nos faz cair em contradições se analisarmos sobre a questão do mal. Cândido é um jovem criado por Pangloss, seu preceptor,que lhe oferece uma visão otimista de que todos vivem no melhor dos mundos. Um dia, eles são expulsos do castelo onde viviam, e passam por terríveis atribulações - entre elas, Cândido presencia a destruição de Lisboa. O jovem conclui que, onde quer que esteja, o mal está por toda parte. A solução é ?cultivar o jardim? e trabalhar a fim de suportar todos os revezes, de forma a tornar a existência um pouco mais suportável. Ceticismo? Não de todo, pelo menos no sentido original. O ceticismo clássico não acreditaria na razão e na ciência. Na verdade, Voltaire inventaria ali o ?filósofo ignorante?. Porém, essa ignorância seria o reconhecimento dos limites da razão humana em debater-se sem jamais encontrar uma resposta satisfatória. Ao filosofar sobre o mal em Cândido, por exemplo, ele conclui que ?cultivar o jardim e trabalhar? não seria uma forma de resignação, mas o reconhecimento da ?ignorância? contra o otimismo e a aceitação de que o mundo não seria tão mau quanto parece.De acordo Maria das Graças do Nascimento, em Cândido existem três alternativas para se responder ao problema do mal. A primeira reside no pensamento mágico de Pangloss, onde os males são necessários em favor do bem maior, tese contestada pelo conto. ?Se tudo foi feito por Deus tendo em vista um fim, esse fim é, necessariamente o melhor?, diz. A segunda aparece na boca de Martinho, companheiro de Cândido. Para ele, tudo no mundo é regido por dois princípios, o bem e o mal, sendo que o segundo se sobrepõe sempre ao primeiro, ou recalcando qualquer bem incluso no curso dos acontecimentos. A última alternativa, por sua vez, é apresentada por um religioso muçulmano. Cândido e Pangloss perguntam a ele o motivo de existir tanto mal sobre a terra. O homem responde: ?por que vocês se preocupam tanto com isso??.Se não há certeza dos fins e meios do plano-mestre divino, é preciso que os homens trabalhem, com os elementos que a sua razão contingente e humana lhe permite. E se o terremoto lusitano que atemorizou Goethe renovou o misticismo da velha alma gentil portuguesa, encontrou um inimigo desse pensamento mágico no Marquês do Pombal, todo-poderoso secretário de Estado de D. José I, que reconstruiru Lisboa com grande em singela homenagem à razão... demasiadamente humana no filósofo francês.




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