Alternativa à negociação seria a guerra, diz Gabrielli



As posições do governo e da Petrobras em relação à nacionalização do gás boliviano são complementares, disse nesta terça-feira (16) o presidente da empresa, José Sérgio Gabrielli, durante audiência pública promovida pela Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE). A única alternativa à postura de negociação adotada pelo governo, afirmou, seria a de um conflito aberto com o país vizinho.

- Se o governo brasileiro estivesse agredindo a Bolívia, não poderíamos estar negociando. A outra alternativa é a guerra, e o governo brasileiro não vai fazer isso - afirmou Gabrielli, em resposta ao senador Flexa Ribeiro ((PSDB-PA), que pediu ao presidente da Petrobras uma explicação a respeito das diferenças entre as suas declarações e as do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, relativas à situação na Bolívia. Enquanto Gabrielli tem afirmado que não há previsão de novos investimentos no país, Lula disse que as portas não estão fechadas para isso.

O senador Pedro Simon (PMDB-RS) lamentou a situação "delicada" que vive a América do Sul, em virtude de desentendimentos entre diversos países do continente. Atualmente, observou, apenas o Brasil estaria "preocupado com a integração". Líder do PSDB, o senador Arthur Virgílio (AM) elogiou a Petrobras por ter "cumprido o seu dever" ao anunciar a busca de alternativas ao gás boliviano. E o senador Ney Suassuna (PMDB-PB) defendeu maiores investimentos na pesquisa de gás em território brasileiro.

A utilização pela indústria de gás natural, recordou a senadora Ideli Salvatti (PT-SC), tem efeitos positivos não apenas sobre o meio ambiente, por meio da redução da poluição, mas também sobre a qualidade dos produtos. As cerâmicas produzidas em Santa Catarina, observou, ganharam mercado internacional a partir do uso de gás. Por isso, ela quis saber se já estaria a caminho a auto-suficiência brasileira no produto.

Em resposta, o ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, disse que a Petrobras está fazendo o "dever de casa" e que o país está buscando uma política de "independência energética", que seria anterior à auto-suficiência. O senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) criticou, porém, declaração do diretor da Petrobras Ildo Sauer, segundo as quais o governo da Bolívia cairia em três meses se não mantivesse o abastecimento de gás ao Brasil. Para o ministro, a declaração teria sido mal interpretada.

A senadora Serys Slhessarenko (PT-MT) defendeu a continuidade das negociações com a Bolívia para que se encontre uma solução pacífica. Posição semelhante à da senadora Ana Júlia (PT-PA), para quem o governo brasileiro agiu bem ao "respeitar a auto-determinação dos povos e não querer colocar o Exército" na questão.

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) lembrou que há 300 mil bolivianos em São Paulo e defendeu o livre trânsito de pessoas na América do Sul, uma vez que a integração deve "levar em conta os seres humanos". O aumento do consumo de energia pelo Brasil foi motivo de preocupação do senador Sibá Machado (PT-AC), no caso de maior crescimento da economia brasileira.

O senador Valdir Raupp (PMDB-RO) defendeu a rápida construção do gasoduto entre Urucu (AM) e Porto Velho (RO) para abastecer a capital do seu estado. Por sua vez, o senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE) disse que respeitava a soberania da Bolívia, embora criticasse os "excessos" verbais do presidente Evo Morales. A reunião foi comandada pelo presidente da CRE, senador Roberto Saturnino (PT-RJ).

16/05/2006

Agência Senado


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