AMORIM NEGA NA CAE QUE TENHA NEGOCIADO VOTO COM O BANCO CENTRAL



O senador Ernandes Amorim (PPB-RO) negou, nesta terça-feira (dia 4), que tenha votado a favor da indicação de Teresa Grossi para a Diretoria de Fiscalização do Banco Central em troca da garantia do BC de reexaminar a dívida do Banco do Estado de Rondônia (Beron).
- Não negociei o meu voto. Se isso ocorre dentro do Senado, não passa perto do meu gabinete - disse o senador, durante reunião da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE), em resposta ao senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que pediu explicação sobre o episódio ao representante de Rondônia. Suplicy também solicitou a presença do presidente do Banco Central na comissão.
De acordo com Suplicy, Ernandes Amorim teria dado a entender, em entrevista à TV Senado, que havia votado a favor da indicação de Teresa Grossi depois de ter certeza de que a dívida do Banco do Estado de Rondônia seria reexaminada pelo Banco Central.
Ernandes Amorim admitiu que chegou a manter contato com o presidente do BC, Armínio Fraga, mas disse que em nenhum momento fez qualquer menção sobre troca de voto. "Apenas relatei a situação dramática por que passa o banco do meu estado e, em resposta, ele prometeu que enviaria técnicos do Banco Central para analisar a fundo a questão", afirmou.
Há cinco anos, segundo relato do senador, o Beron sofreu uma intervenção do Banco Central e, de lá para cá, os problemas financeiros do banco só cresceram. A dívida, informou Amorim, saltou de R$ 50 milhões para R$ 600 milhões, tornando a situação do banco insustentável.
- As declarações que concedi à TV Senado foram dadas em defesa dos interesses do Banco do Estado de Rondônia. Com relação ao meu voto referendando o nome de Teresa Grossi para a Diretoria de Fiscalização do Banco Central, não tenho nada a esconder. Votei a favor por tratar-se de uma funcionária de carreira indicada por um presidente que vem desenvolvendo um excelente trabalho à frente do BC - afirmou Ernandes Amorim.
O líder do governo, José Roberto Arruda (PSDB-DF) admitiu que foi procurado pelo senador Moreira Mendes (PFL-RO) para que marcasse uma entrevista com o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, que contaria com a presença dos três senadores de Rondônia e do governador.
Arruda afirmou que uma coisa é pedir uma audiência e outra é vincular votos ao resultado dessa audiência.
- Foi isso que deixei bem claro em entrevista à TV Senado, antes da votação, ou seja, que se (o senador) estivesse vinculando essa audiência ao voto, que votasse contra - afirmou Arruda.

04/04/2000

Agência Senado


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