amplia crise com o PFL









amplia crise com o PFL
Nova operação de agentes federais em empresa no Maranhão irrita partido e aborta tentativa de reconciliação com governo

BRASÍLIA - Uma nova ação da Polícia Federal na investigação de desvios de recursos da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) minou ontem as tentativas de reconciliação entre o PFL e o governo federal. O relacionamento sofreu intenso abalo há três dias, quando agentes retiraram documentos do escritório de Jorge Murad, marido da gvernadora do Maranhão, Roseana Sarney, candidata do PFL à Presidência. Os policiais vasculharam o escritório da empresa Nova Holanda Agropecuária, em Balsas, sul do Maranhão. Foi lá que surgiram, no ano passado, as primeiras pistas da suposta participação de Murad em irregularidades na extinta autarquia. A Nova Holanda é um empreendimento financiado pela Sudam. Era controlada pela Agrima, empresa da qual Murad foi sócio até 1994.

As declarações do ministro da Justiça, Aloyso Nunes Ferreira, em defesa da atuação da Polícia Federal irritaram o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen. Em nota divulgada ontem, afirma que o partido e a governadora não esperavam ''um aviso prévio'' do Ministério, mas uma leitura atenta dos fundamentos que motivaram a ação. ''Diante da gravidade do fato, se ele ( Aloysio) tivesse lido e estudado o mandado, teria constatado que não havia fundamento legalpara a busca da apreensão'', disse Bornhausen, lembrando que o juiz Tourinho Neto, presidente do Tribunal Federa de Recursos da 1ª Região, acatou, em parte pedido dos advogados de Roseana e mandou lacrar o material recolhido no escritório da Lunus, empresa de Murad em sociedade com Roseana.

O clã dos Sarney decidiu romper imediatamente com o governo Fernando Henrique Cardoso. O ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, irmão da governadora, deixará o cargo depois de um encontro com o presidente. Na quarta-feira, o pai de Roseana, José Sarney, senador pelo PMDB do Amapá e ex-presidente da República, usará a tribuna do Senado para acusar armação de um complô no Palácio do Planalto com objetivo de prejudicar a imagem da filha, candidata do PFL à sucessão presidencial.

O gesto, por ora, se restringe à família. Os ministros da Previdência, Roberto Brant, das Minas e Energia, José Jorge, e do Esporte e Turismo, Carlos Melles, esperam uma decisão partidária. A hipótese de rompimento com o governo será discutida na quinta-feira, numa reunião com a Executiva Nacional que contará com a presença de Roseana. O encontro estava marcado havia uma semana, mas no sábado, o comando do partido pensou em antecipá-lo. Ontem, decidiu-se manter a data prevista. O partido quer tempo. Especialmente para obter informações sobre o conteúdo dos caixotes lacrados com material da Lunus, empresa de Murad vasculhada pela Polícia Federal.

O ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, coordenador da campanha de José Serra, candidato tucano ao Planalto, tentou atuar como pacificador. Esteve ontem no Palácio da Alvorada com Fernando Henrique e telefonou para Bornhausen e Brantao ministro Roberto Brant. Ambos confrmaram a Pimenta que a situação continua muito grave. ''Romper com o governo tem de ser uma decisão coletiva. Mas a posição de liderança de Roseana terá muito peso'', diz Brant. ''Quem achar que o PFL vai deixar Roseana sozinha terá uma surpresa.'' Pimenta foi otimista: ''O PFL saberá distinguir a origem doepisódio. Não há razão politica para afastamento do governo'', disse, à noite.

Pesa também no PFL a situação do vice-presidente, Marco Maciel, que ficaria em situação difícil sem o respaldo do partido ao governo. Maciel defende a aliança e é candidato ao Senado pelo PFL de Pernambuco. Presidente e vice conversaram ontem por telefone.

O candidato José Serra também divulgou nota para rebater insinuações de que a ação da PF no Maranhão seria parte de uma operação para fortalecer seu nome na corrida presidencial. Serra chamou tais insinuações de ''estapafúrdias e malucas''. Disse estar constrangido e afirmou que o PSDB não conhece nem procuradores nem juízes doTocantins, de onde partiu o pedido da devassa na empresa de Murad. ''Reitero o apelo aos candidatospara que coloquemos nossas pretensões notereno dos debates sobre o que cada um fez na vida pública'', disse serra, insistindo na renovação das alianças políticas que ''permitirão a vitória e a governabilidade do País''.

Roseana passou o dia reunida no Palácio dos Leões com advogados, discutindo providências jurídicas e uma resposta às acusações de envolvimento da empresa Lunus nas falcatruas da Sudam. Quer ter acesso ao processo sigiloso.

Jorge Murad, gerente de Planejamento do Maranhão e sócio de Roseana na Lunus, divulgou ontem nota tentando desvincular a governadora das investigações da PF. Nega ter empresas ou contas em paraísos fiscais no exterior, como suspeita o Ministério Público, baseado em extratos de contas de empresas das Ilhas Virgens Britânicas, encontradas num escritório de contabilidade que trabalhava para Murad.


Pressão contra a devassa
Roseana e secretário de segurança telefonaram para juiz que autorizou busca

BRASÍLIA - A governadora do Maranhão, Roseana Sarney, bem que tentou reverter - sem sucesso - a decisão judicial para a apreensão de documentos na empresa Lunus, onde é sócia do marido e gerente de Planejamento, Jorge Murad. Eram 18h de sexta-feira quando o telefone tocou no gabinete do juiz José Carlos do Vale Madeira, da 5ª Vara Civel da Justiça Federal. Do outro lado da linha, a governadora. Em uma conversa rápida e aflita, ela pediu detalhes sobre a ordem judicial que determinava a busca de papéis na empresa.

Madeira autorizou a retirada dos arquivos do escritório de Murad, atendendo a um pedido da 2ª Vara da Justiça Federal de Tocantins. ''A governadora me disse que não tinha informação e estava perplexa com o fato'', descreve o juiz. Ele recomendou que ela procurasse seus advogados.

Roseana quis saber ainda o alcance da decisão judicial. Alegou não conhecer o processo, que tramita em segredo de Justiça. ''Estamos impossibilitados de recorrer'', argumentou com o juiz.

Madeira deve receber hoje da Polícia Federal a lista do que foi recolhido da Lunus, inclusive R$ 1,5 milhão em espécie. O material ficará encaixotado e lacrado na PF do Maranhão à espera de uma decisão dos juízes do Tribunal Regional Federal (1ª região).

Antes de Roseana, outro integrante do governo maranhense entrou em contato com o juiz: o secretário de Segurança Pública, Raimundo Cutrim, delegado da Polícia Federal. Ele e Madeira se conheciam. Trabalharam juntos em Rondônia, na investigação de um assassinato.

Cutrim queria saber se o mandato de busca incluía o contrato social da empresa, que detalha a participação acionária na Lunus. Roseana detém 70% do controle. A decisão judicial não mencionava o documento. Se constasse na lista de objetos, bens e papéis a serem recolhidos, a autorização para a apreensão, segundo Cutrim, deveria ser aprovada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Os advogados de Roseana tentavam impedir a busca reclamando foro privilegiado para a governadora.

Murad e Roseana, agora, esperam o TRF julgar o mérito do pedido de devolução integral do material apreendido. ''O que tínhamos que fazer, já fizemos'', afirma Luiz Carlos Betiol, advogado da Lunus. A defesa alegou inconsistência na decisão do juiz maranhense para autorizar o recolhimento dos arquivos.

O elo entre Murad e as investigações de desvios de recursos na extinta Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) são extratos de contas de seis empresas nas Ilhas Virgens Britânicas, um paraíso fiscal. Supostamente, seriam de propriedade de Murad. Foram encontrados pel a Polícia Federal durante a apuração do caso, em 1999. Para o Ministério Público, os responsáveis pelas empresas seriam ''laranjas'', representantes de fachada encobrindo um esquema de lavagem de dinheiro. Procurada pelo Jornal do Brasil, a presidente de Conselho Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão do Ministério da Fazenda que combate a lavagem de dinheiro, Adrienne Senna, alegou sigilo de informações para não revelar detalhes sobre as contas.


Reunião do PMDB favorece Itamar
O governador de Minas Gerais, Itamar Franco, e a ala de oposição do PMDB saíram vitoriosos da convenção extraordinária do partido realizada ontem em São Paulo. Com o número mínimo de 247 delegados, foram aprovadas medidas como a que reduz de 50% para 20% o quorum exigido para a prévia do dia 17, na qual será escolhido o representante na corrida presidencial. A cúpula da legenda não reconheceu a reunião de hoje e marcou um novo encontro para sexta-feira.

''Essa nova convenção tornou-se inócua'', afirmou o governador. ''Se houvesse um mínimo de pudor daqueles que dirigem nosso partido, eles respeitariam esta decisão''. A executiva nacional do PMDB tentou - sem sucesso - impedir na Justiça a convenção de ontem.

Apesar da ''vitória'' no encontro, Itamar não garantiu que vai levar sua candidatura à Presidência até o fim. Disse que não quer analisar a situação agora e não descartou a formação de uma chapa com senador Pedro Simon (RS) para disputar a prévia.

O ministro do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungmann, que também está na disputa, foi ignorado por Itamar. O governador referiu-se a ele apenas como ''o outro candidato'', e atribuiu o fato à falta de memória. ''Deu um branco'', justificou.


Caso Daniel está perto do desfecho
Quase um mês e meio após o assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel, a investigação se aproxima do desfecho. A polícia concentra suas forças na captura de José Edson da Silva, de 27 anos, apontado como autor dos disparos por Itamar Messias dos Santos, preso no fim de semana. Um dos principais suspeitos do caso, Itamar admitiu participação no seqüestro e disse que o prefeito foi escolhido por acaso. Informou ainda que Edson tirou Daniel do cativeiro, levou-o até a Estrada da Cachoeira (região metropolitana de São Paulo) e o executou com sete tiros.

Há duas semanas, a polícia esteve na casa do suposto assassino, em Capão Redondo (Zona Sul), e apreendeu um fuzil AR-15, munição e três coletes à prova de bala. O delegado do Departamento de Investigações sobre Crime Organizado (Deic), Edison de Santi, afirmou que José Edson é o braço direito do chefe da quadrilha, Ivan Rodrigues da Silva, o Monstro.

Itamar prestou depoimento na madrugada de sábado no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). A ordem na Secretaria de Segurança Pública é manter o sigilo no caso. Rodolfo Rodrigo Oliveira, o Bozinho, também foi preso. Os dois estavam num ônibus que vinha de Camaçari (BA).


“Todo mundo sai perdendo”
O carioca Marcos Coimbra já trabalhou no governo de Minas Gerais na década de 70, foi consultor político da Unesco nos anos 80 e deu aula em meia dúzia de universidades durante quinze anos. Mas ganhou projeção e asfalto político fazendo pesquisa de intenção de voto. Daquelas que todos os partidos e candidatos encomendam, mas a maioria não gosta muito dos resultados. ''É natural, as pesquisas balizam decisões partidárias e sempre vão influenciar o eleitor, não importa a época.''

Diretor e sócio do instituto Vox Populli, Coimbra acompanha os morros e ladeiras dos números desde a primeira eleição direta após o regime militar, em 1989. Já se espantou com o expressivo desempenho do apresentador Sílvio Santos a sete meses da eleição em 1989, acompanhou a trajetória crescente de Fernando Henrique cinco anos depois e percebeu com razoável antecedência que não haveria segundo turno em 1998. Aos 52 anos, PhD em Ciências Sociais pela Universidade de Manchester, Inglaterra, tomou um susto com a recente determinação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que obriga os partidos a respeitar nos Estados a coligação que fizerem para a eleição presidencial. ''Todo mundo sai perdendo'', constata.

Na hora de avaliar a decisão do TSE abandona o tom calmo que costuma usar: ''É o exemplo de como cinco pessoas, mesmo cheias de boa vontade, podem aumentar o problema que queriam resolver''. Apesar das críticas, Coimbra acaba dando gás novo para os interessados no Planalto. Lula, do PT, enfrentará a eleição ''menos difícil'' da vida pública, a governadora Roseana Sarney apresenta ''melhor potencial de crescimento'' e os demais candidatos, abaixo de 20% nas pesquisas de intenção de voto, ainda têm muito onde garimpar: o número de indecisos, hoje, equivale a dois terços do eleitorado brasileiro.


Alta da gasolina já chegou aos postos
Diferença de preço entre revendas alcança 26%. Economia pode ser de R$ 15, o suficiente para ir do Rio a Teresópolis

O consumidor deve ficar ainda mais atento no momento de abastecer o tanque do carro. Com o reajuste da gasolina, que vigora desde sábado nas refinarias, aumentou a diferença de preços entre os postos do Rio. É preciso pesquisar, já que em algumas bombas a alta foi de 3%, enquanto em outras é possível encontrar os mesmos preços praticados antes do anúncio do reajuste.

Apesar de o combustível ter subido 2,2% nas refinarias, o Autoposto Sol de Copacabana, localizado na Avenida Atlântica em frente à praça do Lido (Zona Sul do Rio), foi além e aumentou o litro da gasolina comum de R$ 1,649 para R$ 1,699 (3%). O gerente Alexandro Souza Machado informou que o posto sequer esperou o recebimento do estoque novo para alterar os preços. O Sol de Copacabana tem bandeira da BR Distribuidora.

Já o Posto Trinta - que fica na Avenida Amaro Cavalcante, 195, no Méier (Zona Norte da cidade) - ainda cobra R$ 1,349 pelo litro da gasolina, mesmo valor praticado ao longo das últimas semanas. O posto tem bandeira Esso.

A diferença entre os valores cobrados nos dois revendedores é de 26%. Levando-se em conta um carro com capacidade média de 45 litros, a economia do consumidor que optar pela revenda mais barata será de R$ 15,75.

Considerando-se o valor médio de R$ 1,493 do litro da gasolina no município - apurado em pesquisa da Agência Nacional do Petróleo (ANP) no período entre 17/02 e 23/02 -, com a diferença no bolso o consumidor poderia abastecer mais 10,5 litros de gasolina. Como um carro faz, em média, 10 quilômetros por litro, com R$ 15,75 daria para se percorrer uma distância em torno de 100 quilômetros, o correspondente ao percurso entre Rio e Teresópolis.

Concorrência - Com a competição no mercado, mesmo alguns postos que já receberam o combustível mais caro optaram por não repassar a alta dos preços para os motoristas. É o caso do posto Excede - de bandeira Shell, na Avenida Epitácio Pessoa, Lagoa (Zona Sul) -, que há 15 dias cobra R$ 1,599 pelo litro da gasolina. ''O reajuste da Petrobras não vai ser repassado'', garante o gerente do estabelecimento, José Gonçalves da Silva.

No posto São João, da Ipiranga, que fica na Rua Bartolomeu Mitre, Leblon (Zona Sul), também não houve aumento para o consumidor. O preço do litro permaneceu em R$ 1,598 durante o fim de semana. O subgerente do estabelecimento, Afrânio Martins, diz que vai receber o combustível com o novo preço hoje. Entretanto, ainda não há qualquer comunicado sobre mudanças de valores.

Mas, além do preço, o consumidor precisa se informar sobre a procedência da gasolina que compra. O levantamento semanal da ANP, disponível no site da agência {www.anp.gov.br}, pode ajudar. A última pesquisa mostra, por exemplo, que o Autoposto Sol de Copacabana não apresentou nota fiscal de compra do combustível. Isso n


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