Aníbal diz que não se intimida
Aníbal diz que não se intimida
O presidente do diretório nacional do PSDB, deputado José Aníbal, reconheceu sábado, no congresso estadual do partido, que ainda falta muito para ser feito pelo país, mas os antecedentes do atual governo o credenciam a garantir que cumprirá essa tarefa. Segundo ele, o que ainda resta só pode ser realizado pelo ministro da Saúde, José Serra, candidato dos tucanos à sucessão do presidente Fernando Henrique Cardoso. 'Serra quebrou patentes internacionais e desenvolveu, reconhecidamente, o melhor programa contra a Aids do mundo', justificou.
Para Aníbal, ao estabelecer o presidencialismo de coalizão, o governo do PSDB assegurou os sete anos de estabilidade econômica do país. Disse que ele e o partido não se intimidam diante de grupos que tentam desarticular a composição com partidos aliados para garantir a continuidade do projeto de crescimento do país e concorda que há tempo para negociar alianças. Enfatizou, porém, que o PSDB deve mostrar que tem candidato para suceder Fernando Henrique e Serra não está se prestando para qualquer tipo de teste. O presidente do PSDB afirmou que o ministro é o melhor candidato para se expor ao debate público. Propôs ao partido no Rio Grande do Sul que comece a se fortalecer para enfrentar a campanha e se considerou satisfeito com o resultado do congresso na praia de Imbé, reunindo mais de 300 lideranças.
Ciro aposta no PMDB dissidente
Promete não fazer concessões à demagogia e condena excesso de partidarização do Fórum Social
O candidato à Presidência da República pelo PPS, Ciro Gomes, afirmou sábado, em Porto Alegre, que 'a cúpula do PMDB se transformou em ajuntamento de pessoas aliciadas pela máquina de poder do governo com linguagem que faria corar um frade'. Por isso, aposta em dissidentes que passarão a apoiá-lo. Sobre a aliança, confirmou que o PPS está tentando no Rio Grande do Sul e o partido não impõe nada nem aceita veto.
Ciro disse ainda que não haverá dificuldades em obter apoios porque não tem inimigos na política, acrescentando que 'o grande adversário é o modelo que está levando a uma situação insuportável'. Acrescentou que o país tem a menor taxa de crescimento econômico nos últimos 50 anos, a maior taxa de desemprego aberto da história e 53% dos brasileiros trabalham sem carteira assinada. 'Precisamos mudar o modelo por outro', comentou. Para isso, Ciro promete não fazer concessões à demagogia nem se expor em programas populares de TV. Condenou o que julga oportunismo de autoridades do governo e lideranças da oposição ao explorarem a morte de homem público, como o prefeito de Santo André, Celso Daniel, para anunciar medidas em favor da segurança pública. Sobre a tese do governo federal e dos partidos que o apóiam de que a eleição de oposicionista significará pôr em risco a estabilidade, afirmou que não lhe atinge porque ajudou a construí-la como ministro da Fazenda. 'O povo deverá votar com cautela, mas sem medo', acredita.
Ainda que considere o Fórum Social Mundial necessário para debater idéias opostas ao neoliberalismo, condenou o excesso de partidarização que 'amesquinha' o evento. Argumentou dizendo que não participam Leonel Brizola nem as grandes lideranças do PSB. 'Eu mesmo me incomodei em 2001 e somente voltei agora por insistência do senador Roberto Freire', lembrou.
Serra julga aliança indispensável
Candidato tucano avalia que é preciso manter base aliada para garantir maioria no Congresso Nacional
O ministro da Saúde, José Serra, candidato do PSDB à Presidência da República, disse sábado, na praia de Imbé, que é indispensável buscar a formação de aliança ampla para garantir a eleição do sucessor do presidente Fernando Henrique Cardoso. Segundo Serra, nenhum governo consegue administrar se não tiver a maioria no Congresso Nacional e considerou que ainda há tempo para conversar com outros partidos, especialmente os que já compõem a base aliada. Mesmo sem apontar nomes, Serra mostrou como pretende enfrentar os adversários da campanha, especialmente o PT. Destacou que o governo federal garantiu a consolidação da democracia por sua tolerância e seu respeito aos opositores. 'Ninguém precisa de carteirinha de simpatizante para ser tratado de forma igual', lembrou.
No discurso aos tucanos gaúchos, durante congresso estadual, Serra revelou parte da estratégia que pretende adotar para a campanha eleitoral. Vai enfatizar a conquista da estabilidade econômica, lembrando que há sete anos a sociedade não sabe o que é inflação alta. Conforme ele, a geração de jovens não conviveu com a histeria inflacionária dominante durante mais de 15 anos no país. 'Sabemos que estabilidade não enche barriga, mas também temos consciência de que sem ela não poderemos pôr em prática a nova etapa do projeto', completou. Nesse aspecto, disse, o grande desafio do próximo governo será o desenvolvimento econômico e a geração de empregos.
Para Serra, apenas a atual base governista tem condições de fazer essa defesa porque ela é experiente na administração do país. O ministro comparou as realizações com uma garrafa que está cheia até a metade. 'Propomo-nos a encher a outra parte', acrescentou. Disse que a campanha será um grande teste e nela caberão somente o debate de idéias, as propostas e a biografia.
Lula acredita que receberá o apoio do PDT
O candidato do PT à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, acredita que poderá receber apoio do PDT e ganhar as eleições ainda no 1º turno. Ele afirmou ontem, em Porto Alegre, que o presidente nacional do PT, José Dirceu, procurará em breve o presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, para tentar aliança. Lula disse estar convencido de que o PSDB e o PFL formarão chapa única ao Palácio do Planalto e sugeriu que o mesmo aconteça com os partidos de oposição. 'O jogo político não está definido e, até junho, mês das convenções partidárias, muita coisa poderá ocorrer. O tempo se encarregará de mostrar a Brizola o que é melhor para o Brasil', comentou Lula, durante evento do II Fórum Social Mundial. O candidato petista reconheceu que a maior dificuldade de relacionamento com o PDT é no Rio Grande do Sul devido aos atritos registrados no ano passado.
'Brizola tem ressentimentos porque muita gente, incluindo o seu filho José Vicente, veio para o PT. Ele precisa entender que as pessoas são livres. Jacó Bittar era prefeito de Campinas quando entrou no PDT, mas nem por isso eu rompi com os trabalhistas', lembrou Lula. Segundo ele, o relacionamento com o PDT tornou-se mais grave pela influência do deputado federal Alceu Collares. 'Nem a direita teve coragem de fazer campanha tão anti-PT como a deflagrada por Collares', reclamou Lula, referindo-se à eleição para a Prefeitura de Porto Alegre em 2000. Ele reconheceu que os dois partidos viveram momentos de enfrentamento no ano passado com a CPI da Segurança Pública, relatada pelo deputado Vieira da Cunha, do PDT. Ainda assim, Lula mantém esperança de retomar o diálogo: 'Torcemos para que essas feridas cicatrizem e possamos estar juntos de novo'.
Ex-secretário de Fleury assassinado em S. Paulo
Rui Silva, de 74 anos, ex-prefeito de Assis e ex-secretário de Esportes e Turismo no governo de Luiz Antônio Fleury Filho, foi assassinado ontem em São Paulo. Segundo o Centro de Operações da Polícia Militar, Silva foi baleado por volta das 10h, em sua casa, no bairro Morumbi. Pelo menos três homens invadiram a residência, renderam a copeira e se dirigiram para outro cômodo, surpreendendo Silva. Eles fugiram sem levar nada. O deputado federal Fleury Filho acompanha o caso.
Suplicy propõe diálogo interno
O senador Eduardo Suplicy, do PT, aproveitou a manhã de sábado, em Porto Alegre, para caminhar no Parq ue Moinhos de Vento e resolver os últimos detalhes da visita que faz a cidades do Paraná a partir de hoje. Acompanhado de Mônica Dallari, uma das coordenadoras de sua campanha, Suplicy declarou estar disposto a participar de encontros com o presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, antes da prévia do partido, dia 17 de março. O senador entende que essas reuniões são importantes para ele e o próprio Lula e terão o objetivo de fortalecer o partido. Antes de deixar o Estado, Suplicy dividiu o final de semana entre a programação do II Fórum Social Mundial e o show do filho Supla, realizado sábado à noite na praia de Atlântida.
Fortunati vetado a integrar o fórum
O presidente da Câmara Municipal de Porto Alegre, José Fortunati, do PDT, foi surpreendido sábado com um comunicado, por telefone, sobre o veto que recebeu para participar como painelista do Seminário Controle Social e Orçamento Público, organizado dentro do II Fórum Social Mundial. O convite havia sido formulado pelo secretário-geral do Instituto de Estudos Socioeconômicos, Flávio Schuc, no dia 24 de janeiro. Fortunati disse que não vê outra razão para a decisão senão o fato de ter rompido com o PT e se tornado candidato ao governo do Estado pelo PDT. 'Um outro mundo é possível se respeitarmos o próximo na sua pluralidade de idéias, raças e crenças', protestou.
Garotinho quer Alencar como candidato a vice
O governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, do PSB, convidou ontem o senador José Alencar, do PL de Minas Gerais, para ser o seu vice na chapa à Presidência da República. Garotinho fez a proposta durante encontro do PL em Uberlândia, dirigindo-se à platéia de mais de 400 líderes. Alencar se disse honrado com o convite, mas lembrou que a decisão depende da direção nacional do PL. O senador registrou ainda o carinho dispensado por Garotinho ao partido em Minas, ao se deslocar para Uberlândia.
Prefeito de Belo Horizonte hospitalizado outra vez
O prefeito de Belo Horizonte, Celio de Castro, do PT, voltou para o Hospital Mater Dei na tarde de ontem. De acordo com o boletim divulgado pelo hospital, assinado pelos coordenadores da equipe médica, Ivan Cunha Melo e Jefferson Penna, o prefeito foi internado por causa do seu quadro clínico de trombo-embolismo pulmonar. O tratamento foi iniciado com anticoagulantes. O estado de saúde de Castro é estável, dispensando cuidados intensivos. Ele havia recebido alta dia 13 de janeiro após 66 dias de internação.
Rosinha sofre acidente de carro, mas passa bem
A secretária estadual de Ação Social e primeira-dama do Rio, Rosinha Matheus, sofreu acidente sábado na rodovia Rio-Santos, quando viajava de Angra dos Reis para a capital, acompanhada das filhas e de uma babá. O carro com os seguranças de Rosinha bateu na traseira do Santana em que ela estava. Os médicos que atenderam a primeira-dama no hospital disseram que o seu estado era bom. O governador Anthony Garotinho cancelou a reunião que teria à noite em Varginha, Minas, e retornou para o Rio.
Vasconcelos aponta enrascada
O governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos, do PMDB, que luta pela manutenção da aliança nacional de sustentação do governo federal (PSDB, PFL e PMDB), disse ontem que o seu partido se meteu em uma enrascada. 'O PMDB é governista e inventou de lançar candidato, deixando confuso o partido e o eleitor', avaliou. Para o governador, o primeiro erro do partido foi o de se decidir pela realização de prévia.
Convicto de que sem a aliança a base governista não ganha a eleição presidencial, Vasconcelos acredita no diálogo como solução para manter a unidade. Não aceita falar sobre a proposta do PSDB de que ele seja candidato a vice na chapa liderada pelo ministro da Saúde, José Serra. 'Isso em nada ajuda, neste momento, no plano nacional', enfatizou.
Vasconcelos informou que viajará a Brasília no dia 19 deste mês para conversar com os líderes do PMDB sobre a sucessão. Ele está disposto a procurar o senador Pedro Simon e o ministro do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungmann. Ele tentará demovê-los da idéia de disputar a indicação para se candidatar à Presidência. 'Só não tenho condições de falar com o governador Itamar Franco, também pré-candidato', disse Vasconcelos.
Enquanto o governador de Pernambuco busca união com a base aliada, o prefeito do Recife, João Paulo, defende que o PT deve aproveitar o descontentamento no PMDB para atrair aliados à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva.
Marchezan confia nas negociações
O presidente regional do PSDB, deputado Nelson Marchezan, disse durante congresso estadual do partido, realizado sábado, que o ministro da Saúde, José Serra, saberá conduzir o processo de negociações com os partidos aliados. Para Marchezan, Serra tem todas as condições de formar a melhor aliança que garantirá a governabilidade do país. Marchezan também criticou o Fórum Social Mundial, dizendo que o evento excluiu outros pensamentos. Saudou o elogio do lingüista norte-americano Noam Chomsky, durante o fórum, à política brasileira para combater a Aids. 'Se quisessem tratar das questões da saúde, deveriam ter convidado o ministro Serra para participar', comentou.
PSDB traça roteiro para a campanha
A duas semanas de José Serra deixar o Ministério da Saúde e se dedicar à candidatura para a Presidência da República, o PSDB começa nesta semana a traçar o plano de campanha e a fazer roteiros de viagens. Segundo o presidente nacional, José Aníbal, o PSDB marcará encontros com Serra pelos próximos três meses. O objetivo, disse Aníbal, é expor o candidato o máximo possível. Os dirigentes querem chegar à pré-convenção, prevista para o dia 24 deste mês, com decisão preliminar do roteiro da campanha. Na reunião desta semana, os tucanos também pretendem atualizar o andamento das alianças nos estados.
Tucanos gaúchos fazem proposta
O congresso estadual do PSDB, realizado sábado na praia de Imbé, definiu as linhas básicas da tese que o diretório defenderá dia 24 deste mês no encontro nacional, em Brasília. O coordenador do grupo, deputado Jorge Gobbi, que promoverá encontro nesta semana para detalhar o documento, disse que a proposta gaúcha é ajustar as principais linhas programáticas do partido, preservando o que está dando certo. Entre elas, destacou a saúde, a educação, o urbanismo e as políticas municipais. A valorização do cooperativismo faz parte dos itens que serão acrescentados como prioridade no programa de governo. O congresso também escolheu os delegados que representarão o Rio Grande do Sul no encontro nacional. Além do presidente regional do PSDB, deputado Nelson Marchezan, foram indicados os deputados Gobbi e Adilson Troca e o coordenador da bancada na Assembléia Legislativa, João Gilberto Lucas Coelho. O congresso estadual também reuniu as lideranças do Litoral Norte para traçar estratégias que visem organizar o partido nos 20 municípios da região. Atualmente, os tucanos estão estruturados em nove e administram apenas uma prefeitura, a de Imbé.
Paralelamente ao congresso estadual, o PSDB fez o lançamento de 140 painéis em Porto Alegre mostrando ações do governo federal. Também foi apresentada campanha publicitária que questiona a Prefeitura de Porto Alegre, que não assinou o convênio do programa Bolsa-Escola com o governo federal.
Artigos
Acerca da verdade verdadeira
Marco Antônio Barbosa Leal
Um tanto incrédulo, deparei-me, na edição de 26 de janeiro p.p., do CP, com o artigo 'Um Sistema Eficiente', de autoria de desembargador do TJ, abordando temática já discutida à exaustão: a (in)conveniência de agregar-se critério outro à antigüidade para designar, entre os juízes estaduais, os que devam somar a jurisdição eleitora l às suas funções específicas.
Em respeito aos leitores e à 'verdade verdadeira' propalada, esclareço, ainda uma vez:
A resolução nº 123/01-TRE prestigia o parâmetro da antigüidade, mantendo-o preponderante. Igualmente não traz à consideração qualquer critério subjetivo ao cogitar de produtividade, já que essa é medida por números que os próprios juízes fornecem. O exigido, é que seja a labuta eleitoral deferida ao magistrado que figure entre os mais antigos e se apresente operoso e célere no labor jurisdicional.
Tortura-me, aliás, nesse passo, ver o vocábulo produtividade anatematizado por parcela da magistratura, como se mensurar a capacidade de produzir possa ser feito, honestamente, em todas as atividades humanas, menos na judicante.
Sustentar tenha o juiz, com serviço atrasado e volumoso, o direito de receber mais serviço só por ser o mais antigo, é negar à sociedade o que ela mais reclama: rápida prestação jurisdicional com a pronta solução dos conflitos, ao invés de desculpas esfarrapadas justificando a perpetuidade dos feitos. Fazê-lo em nome da 'transparência' e da 'cidadania' só demonstra o quanto o sentido das palavras pode ser distorcido e posto a serviço dos interesses individuais.
A produtividade invocada visa, essencialmente, à evitação das famosas 'heranças', pelas quais tem sido legada aos sucessores invencível carga laboral, por vezes ascendendo ao milhar, sem qualquer explicação razoável, peculiaridade, imprescindível aclarar, presente em ambos os graus de jurisdição.
Nessa perspectiva, não há, para o Judiciário, alternativa politicamente válida e moralmente digna, senão a intransigente defesa dos direitos e valores pertencentes ao povo, mesmo que sob o injusto assédio de terceiros - de quaisquer terceiros - independentemente da condição ostentada.
Colunistas
PANORAMA POLÍTICO - A. Burd
NO ABC DA CAMPANHA
1) Presidenciável José Serra já aprendeu o bê da campanha eleitoral, o á-bá ainda não. Entrou em quartos do hotel onde se realizou o congresso do PSDB para cumprimentar camareiras. Não se negou a posar com hóspedes para fotos. O relacionamento com repórteres é que anda sofrível, repetindo a soberba ministerial e brasiliense, quer dizer, sempre imperial e arrogante.
2) Serra lembrou: em 1964, Rio Grande do Sul fez a diferença. Elegeu-se presidente da União Nacional de Estudantes graças ao apoio aqui recebido.
3) O ex-vice-governador João Gilberto Lucas Coelho não está autorizado por Serra a se candidatar a cargo nenhum no Estado, mesmo que queira. Serra afirmou que exige tê-lo na coordenação nacional de sua campanha.
NÃO CONVENCEU
Ciro Gomes fez nova investida, sábado à noite, em Canela, para tentar convencer o deputado Sérgio Zambiasi a concorrer ao governo do Estado. Concordaram em tudo, mas concluiu que Zambiasi não irá.
RAJADA
'Ele deve lavar a boca antes de mencionar corrupção aqui', disparou Ciro Gomes, referindo-se ao secretário do Tesouro dos EUA, Paul O'Neill. Mais: 'É problema que enfrentaremos, não um estrangeiro'.
O QUE DISSE - Lula na entrevista de ontem: 'Filho não tem de torcer para o mesmo time do pai, nem estar no mesmo partido', referindo-se ao conflito entre Brizola e o filho José Vicente, que entrou no PT; 'se algum partido de esquerda fizer aliança equivocada com a direita, a história o julgará', num recado-touca que serve a muitas cabeças; 'o começo dos debates este ano será decisão do PT', para provar que não aceita imposições.
REZARAM JUNTOS
Na missa que antecedeu a procissão de Navegantes, na Igreja Nossa Senhora do Rosário, o prefeito Tarso Genro ficou sem o texto da liturgia e recorreu ao que estava em mãos do vereador José Fortunati, ao seu lado. Rezaram juntos. Depois, Tarso combinou primeira visita ao gabinete do presidente Fortunati.
TENTAR NÃO CUSTA
O ex-governador baiano Waldir Pires tem sido o pombo-correio na manobra de aproximação com Leonel Brizola. Pires está hoje no PT, mas já foi do PDT e, mesmo tendo saído, mantém a porta aberta. Até agora, não recebeu de Brizola nem o aceno tradicional de 'vou pensar' .
MAIS UM
Representantes do Partido Socialista francês, que vieram ao Fórum Social, tratam de se aproximar do PT. Antes falavam só com o PDT.
INSISTE
O vereador Sebastião Melo voltou à carga: sábado encontrou-se com o ministro José Serra para reclamar da falta de providências. Em julho do ano passado, denunciou o uso do dinheiro do SUS para a compra de prédio, pela Prefeitura de Porto Alegre, destinado à vigilância sanitária. Melo julga que negociação foi ilegal.
DIFERENÇA
Prêmio Nobel da Paz de 1992, Rigoberta Menchú Tum lembra: mortos têm categoria. Mataram mais de 200 mil indígenas na Guatemala e a Bolsa de Nova Iorque não caiu.
ANTIINVASORES
Lanchonete multinacional junto à Praça da Alfândega manterá até amanhã segurança redobrada e sustentáculos das cortinas de ferro prontos para serem acionados. A Brigada Militar já fez operações de treinamento na parte externa.
APARTES
Jogada ensaiada: Raul Jungmann retira pré-candidatura se Jarbas Vasconcelos for o vice na chapa de Serra.
Exclusão de Fortunati revela que Fórum é bom de jogo: responsabilidade é passada de um para outro.
Pé na estrada: lideranças do PMDB percorreram oito coordenadorias do Noroeste no fim de semana.
Prefeitura de Sta. Maria será assumida pelo vice Paulo Pimenta nos 30 dias de férias de Valdeci Oliveira.
Mensagem do vice-governador Miguel Rossetto contra o Fórum Econômico foi lida em Nova Iorque durante o ato com mais de 10 mil pessoas.
Bancada do PTB em pé-de-guerra: não abre mão de indicar o novo diretor administrativo da Câmara.
Notícias no momento em que ocorrem e comentários: Câmera 2, a partir das 22h30min de hoje, na TV Guaíba.
Roseana quer candidato do PFL ao governo de cada estado. Sonha.
Contratos com candidatos incluirão: marqueteiro não é milagreiro.
Editorial
UMA BOMBA DE TEMPO
O governo do peronista Eduardo Duhalde deu uma resposta decisiva para o duro golpe sofrido na sexta-feira, quando a Suprema Corte, na tentativa de esfriar os ânimos voltados contra a Justiça, declarou inconstitucional o confisco dos depósitos bancários, o chamado corralito. A decisão abriu um precedente para a liberação total dos depósitos e foi um choque para o governo provisório de Duhalde, que imediatamente fez um alerta contundente e afirmou que a Argentina estava à beira da anarquia.
Os planos foram acelerados ao longo de um atribulado fim de semana, e o ministro da Economia, Jorge Remes Lenicov, anunciou o tão esperado e adiado plano econômico para tentar tirar a Argentina da profunda crise financeira e social, na qual está mergulhada. Com pouco mais de um mês na liderança de um país em convulsão permanente, Duhalde lança agora um plano econômico considerado amplo para estruturar a desvalorização do peso e descongelar a economia argentina, quase paralisada desde dezembro.
O plano trará a pesificação de todas as dívidas contraídas em dólares, na proporção de 1 peso para 1 dólar; a flutuação total do dólar, a emissão de pesos e a flexibilização gradual do corralito. Também foram confirmados os feriados bancário e cambial hoje e amanhã. O ministro Lenicov confirmou ainda que o governo deverá encaminhar ao Congresso o orçamento nacional deste ano, que prevê déficit fiscal de 3 bilhões de dólares. Esses dois dias de feriado servirão para tranqüilizar a sociedade argentina e naturalmente diminuir as tensões e assim desacelerar os ânimos. A Argentina necessita com urgência reerguer-se social e economicamente para que tenha estabilidade. Este governo não pod e sucumbir a mais um golpe político como já ocorreu neste início de um 2002 turbulento para os argentinos.
A governabilidade não pode ficar à mercê de facções políticas. Esperemos que mais esta turbulência passe. A preocupação do governo é manifestamente a favor dos 14 milhões de argentinos (numa população de 36 milhões) que têm os direitos básicos ameaçados. Como o próprio Eduardo Duhalde afirmou há alguns dias, há uma bomba de tempo funcionando e é preciso desarmá-la cuidadosamente.
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02/04/2002
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