Requião diz que não se intimida com pedidos de indenização
Em discurso nesta quinta-feira (12), o senador Roberto Requião (PMDB-PR) relatou casos em que teve de pagar indenizações a pessoas que acusou de cometerem irregularidades ou crimes, queixando-se da imprensa por "não contribuir com uma vírgula para restabelecer a verdade dos fatos". Ele garantiu que, apesar disso, não vai parar de "chamar ladrões pelo nome".
O senador lembrou que, em março de 2003, o programa Fantástico, da TV Globo, mostrou imagens gravadas meses antes em que apareciam "o então mais conhecido doleiro e lavador de dinheiro sujo do país", Beto Youssef, um funcionário da Companhia Paranaense de Energia (Copel) e um procurador da empresa Olvepar. No vídeo, contou o senador, os três aparecem sacando R$ 40 milhões da conta da Copel em uma agência do Banco do Brasil em Curitiba.
De acordo com Requião, esse valor era apenas uma parte de um golpe que envolveu o então Secretário de Fazenda do Paraná e presidente da Copel, Ingo Hubert. Ainda segundo o senador, o Ministério Público desvendou a fraude e abriu processo contra os envolvidos. Assim, depois de toda a apuração, Requião referiu-se a Ingo Hubert chamando-o "pelo nome que se dá a quem se apropria do alheio".
- No entanto, como ele não havia sido julgado ainda, e até hoje não o foi, processou-me, e fui condenado a pagar a ele uma indenização por danos morais de R$ 25 mil. O desvio de mais de R$ 106 milhões não foi julgado, mas o denunciante, que defendia o Erário, o governador do Paraná que cumpria a sua obrigação de defesa do interesse público, foi julgado e foi condenado - explicou.
Outro caso comentado pelo senador refere-se a irregularidades que ele teria encontrado ao assumir o governo do Paraná. Uma obra rodoviária havia sido paga duas vezes pelo Departamento Estadual de Rodagem do estado. Quando Requião questionou o empreiteiro da obra, recebeu como resposta que o dinheiro tinha sido desviado para pagar dívidas de campanhas eleitorais.
- Esse caso também não foi julgado, mas eu tive que pagar R$ 40 mil de indenização ao senhor Euclides Scalco, que era tesoureiro da campanha do candidato para o qual supostamente os R$ 10 milhões teriam sido desviados. Ele se sentiu ofendido pela denúncia, processou-me e fui condenado, mas o roubo não foi ainda devolvido ao Paraná. Quer dizer, mais uma vez, o denunciante foi punido e os denunciados não foram julgados - disse.
Requião também comentou uma indenização de R$ 38 mil que teve de pagar a dois delegados acusados de envolvimento com o tráfico de drogas pela CPI do Narcotráfico, em 2002. Quando assumiu o governo paranaense em 2003, Requião afirmou que extirparia "a banda podre da polícia", e citou como exemplo os delegados, que o processaram depois.
O senador comentou ainda outros tantos processos cujas apelações ainda não foram julgadas.
- E assim se acumulam as ações. Sempre o mesmo enredo. Denuncio a falcatrua, a denúncia não é julgada, mas o denunciado vai à Justiça, pede e ganha reparação financeira. Os tais danos morais são ressarcidos, mas os danos aos cofres públicos permanecem impunes - protestou.
O pior, na opinião do senador, é que as indenizações as quais teve de pagar são noticiadas pela imprensa como se fossem a absolvição daqueles por ele acusados.
- Não vou parar de chamar ladrões pelo nome. Se parar com as denúncias, não tem sentido continuar na política. Essas ações são, na verdade, tentativas de me intimidar, de me acuar, de me calar - acrescentou.
12/05/2011
Agência Senado
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