ARMÍNIO NA CAE: "INFELICIDADE" DO BERON PODE SER REDISCUTIDA "EM OUTRAS INSTÂNCIAS"



O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, classificou nesta terça-feira (dia 9), em depoimento na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), como "uma infelicidade" o grande crescimento da dívida do Banco do Estado de Rondônia (Beron) durante o regime especial de administração determinado pelo Banco Central, de outubro de 95 a setembro de 98, quando a instituição foi liquidada. "Infelicidade", acrescentou, foram as sucessivas renovações da administração especial do BC "por pressões do governo estadual à época e de parlamentares", ao invés de se decretar logo a liquidação extrajudicial. Questionado pelos senadores Moreira Mendes (PFL-RO) e Ernandes Amorim (PPB-RO), Armínio Fraga disse ver possibilidade de rediscussão da dívida "em outras instâncias" superiores ao Banco Central. O presidente da CAE, senador Ney Suassuna (PMDB-PB), observou que agora os senadores devem buscar os caminhos indicados, ou seja, o Ministério da Fazenda e até a Presidência da República.O senador Moreira Mendes, o primeiro a falar na CAE, acusou o ex-governador Valdir Raupp de "quebrar o Beron na conversa", por ter feito declarações sobre a situação financeira da instituição, provocando uma corrida de correntistas. Após a implantação do regime especial de administração pelo Banco Central, "como num passe de mágica a dívida de R$ 31,6 milhões no início de 95 para R$ 460 milhões em setembro de 97". Atualmente, a dívida do estado de Rondônia com o governo federal já soma R$ 678 milhões, acrescentou.- Rondônia se encontra à beira da falência por causa dessa dívida. Todo débito deve-se à administração do Beron pelo Banco Central. Não entra na cabeça de ninguém que essa dívida deva ser paga pelo povo do estado. O Tribunal de Contas do estado já estudou o caso e concluiu que R$ 390 milhões desta dívida são improcedentes - afirmou Moreira Mendes.Armínio Fraga apresentou um histórico do caso, admitindo que, na época da primeira administração especial, se constatou "um furo de caixa" de R$ 58 milhões. No primeiro mês, os interventores constataram uma "deficiência patrimonial" de R$ 30,56 milhões e, ao longo de dois anos, ajuste em operações de crédito resultaram em novas dívidas R$ 41 milhões. Até a liquidação extrajudicial, a dívida já era aumentara em mais R$ 381 milhões por causa de "juros altos" e "prêmio de risco" que o Beron era obrigado a pagar na rolagem de sua dívida, além de despesas com pessoal (demissões). O presidente do Banco Central concordou que o Beron foi obrigado a pagar R$ 127 milhões em juros e mais R$ 73 milhões por "prêmio de risco". Com pessoal, a dívida chegou a R$ 165 milhões. "Basicamente uns R$ 350 milhões da dívida vêm disso: juros altos, risco elevado e pagamento de pessoal. Vejo mais infelicidade do que culpabilidade no caso", sustentou Armínio Fraga. O senador Ernandes Amorim, um dos primeiros a denunciar o "crescimento abusivo" da dívida do Beron, pediu ao presidente do BC interferência para que haja uma "solução política" para "essa dívida absurda". Armínio Fraga prometeu levar o caso ao ministro da Fazenda. Para Ernandes Amorim, "nessa história alguém vai ter que perdoar alguém".

09/05/2000

Agência Senado


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