Jucá sugere que vinculação de recursos do BNDES seja rediscutida
Em vez de destinar compulsoriamente 22% dos recursos do BNDES para projetos na agroindústria, o substitutivo de Arruda trocava esse benefício pela obrigação de uma prestação de contas do banco junto ao Senado, ao final de cada exercício financeiro.
O senador Roberto Saturnino (PSB-RJ) defendeu o substitutivo, embora dizendo-se plenamente favorável à idéia do projeto original. Para ele, contudo, em que pese ser bem-intencionado, o projeto não conseguiria o pretendido pelo autor, porque poderia esbarrar na inexistência de bons projetos que demandassem os 22% dos recursos do BNDES. A idéia, para ele, é boa, mas o projeto necessitaria de uma outra redação.
Nessa mesma linha, o senador José Fogaça (PMDB-RS) disse que a proposta iria levar ao engessamento do BNDES, acabando ainda por estimular a má aplicação de recursos, como costuma acontecer quando há recursos previamente definidos para, em seguida, haver a seleção de projetos. O BNDES iria, com a obrigatoriedade de destinar 22% das suas aplicações para projetos agroindustriais, disse Fogaça, "seguir o mesmo rumo da Sudam", estimulando que fossem "inventados projetos" apenas para aproveitar a facilidade da oferta do dinheiro.
Álvaro Dias defendeu sua proposta destacando, principalmente, que ela iria contribuir para gerar mais renda e empregos no campo, detendo os fluxos migratórios rumo aos grandes centros urbanos. Ao defender o projeto de Álvaro Dias, Roberto Requião viu ingenuidade nos argumentos de Fogaça, ressaltando que o BNDES não pode ficar "desengessado" para poder emprestar grande parte dos seu dinheiro a empresas estrangeiras, para que elas comprem empresas nacionais, como vem acontecendo nos últimos anos.
O senador Carlos Patrocínio (PFL-TO) também foi enfático na defesa da proposta de Álvaro Dias, acusando o substitutivo de Arruda de ser "uma coisa completamente sem nexo", uma vez que o Senado já tem acesso à prestação de contas do BNDES. Para o senador Casildo Maldaner (PMDB-SC), a proposta original geraria milhões de empregos e promoveria a interiorização do desenvolvimento no país, posição também defendida pelo senador Lindberg Cury (PFL-DF).
16/08/2001
Agência Senado
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