Arruda diz que minimizou o significado de violar o voto



"Fui ingênuo, sim, minimizei as conseqüências do episódio. Eu e o senador Antonio Carlos Magalhães, presidente à época". Com essa afirmação, o senador José Roberto Arruda (PSDB-DF) observou, em seu discurso, que não se tinha dado conta do real significado de violar o sigilo de uma votação secreta.

Ele disse esperar que o episódio leve a Casa a acabar com o voto secreto - "essa excrescência, origem de tudo isso". E observou que quem tem direito ao sigilo do voto é o eleitor, que escolhe seus representantes. Os parlamentares, na opinião de Arruda, têm que votar em aberto, sem medo, para que a sociedade possa acompanhar seu desempenho e avaliar seu trabalho.

Arruda confessou que, mesmo quando a comissão de sindicância ouvia os funcionários envolvidos na violação do painel, ainda não se tinha dado conta da dimensão dos fatos.

- Pensava sinceramente se o sigilo do voto secreto existia mesmo, se era respeitado efetivamente nessa Casa. Tive dúvidas - observou.

Arruda contou ter refletido, na ocasião, sobre a votação secreta realizada para a escolha do novo presidente do Senado, no último mês de fevereiro. Disse que alguns senadores teriam combinado previamente, com as respectivas lideranças, mostrar suas cédulas de votação para o registro de um fotógrafo, que se instalaria estrategicamente na galeria do Plenário, a fim de registrar esses votos com uma teleobjetiva.

Segundo Arruda, essa foi a forma encontrada pela mencionada liderança para garantir que não haveria defecções e que todos votariam num dos candidatos. Ele questionou se não é essa também uma forma de violar o sigilo do voto. E admitiu que pode ser até mais grave, porque feita antes da manifestação de vontade e por tirar, além da espontaneidade, as duas características fundamentais do voto secreto - a individualidade e o próprio sigilo.

23/04/2001

Agência Senado


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