Banrisul adota gestão conservadora e lucra R$ 34 milhões no trim








Banrisul adota gestão conservadora e lucra R$ 34 milhões no trimestre
O Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul) fechou o primeiro trimestre de 2002 com um lucro líquido de R$ 34 milhões, enquanto de janeiro a março de 2001 o resultado foi de R$ 10 milhões. O presidente do banco, Túlio Zamin, atribui o bom desempenho à gestão conservadora da instituição e ao aumento de 17% na base de clientes que passou para 2,1 milhões de correntistas. Voltado também para o desenvolvimento social do Rio Grande do Sul, o banco é um dos principais financiadores do agronegócio gaúcho e contabiliza no atua governo R$ 458 milhões aplicados na carteira de crédito agrícola.

O banco ampliou a carteira de crédito geral de R$ 2,7 bilhões para R$ 3,4 bilhões, mas o nível de provisionamento cresceu apenas 0,5%. O cenário econômico com taxas básicos de juros de 18,75% no período também favoreceu o resultado. No primeiro trimestre de 2001 a taxa básica era de 15,4%.

Crédito pulverizado e redução da taxa de risco fazem parte da estratégia adotada pelo Banrisul. Zamin exemplificou que o banco procura aumentar a consignação em folha, uma garantia para pagamento de empréstimos. O volume de crédito concedido à pessoa física pulou de R$ 370 milhões no primeiro trimestre do ano passado para R$ 493 milhões nos primeiros três meses de 2002 e no mesmo período a consignação em folha passou de R$ 110 milhões para R$ 190 milhões. Num mercado cada vez mais concentrado e competitivo esse procedimento também é uma forma de manter a fidelidade da clientela. A instituição procura também facilitar o acesso a seus serviços das pessoas de baixa renda e para esse público criou a conta cidadania que não exige comprovação de renda mas dá direito a um cartão eletrônico para a movimentação.

O banco obteve uma expansão de receita de 48% enquanto os custos administrativos evoluíram apenas 5%. Os ativos totais do Banrisul apresentaram no trimestre um crescimento de 18% em relação ao mesmo período de 2001 e chegaram a R$ 9,5 bilhões. O patrimônio líquido que era de R$ 547 milhões, ficou em R$ 619 milhões e a rentabilidade alcançada foi de 22%, enquanto no primeiro trimestre do ano passado havia sido de 16%.

Zamin acredita que as metas de planejamento estratégico traçadas no final do ano passado serão cumpridas com a rentabilidade de no mínimo 18% do patrimônio líquido. ´O resultado trimestral contempla a sazonalidade, mas dentro do que foi planejado, estamos satisfeitos´.

No exercício de 2001 o lucro líquido do Banrisul foi de R$ 95 milhões. No ano passado as captações de depósitos à vista, a prazo, poupança e fundos de investimentos registraram uma expansão de 13,4%, totalizando R$ 7,3 bilhões.


Carne de porco do Brasil desagrada paladar de consumidores europeus
O professor da Universidade de Madri, empresário e consultor na área de suínos na Espanha, Carlos Buxadé Carbó, disse ontem que falta tecnologia à suinocultura brasileira e que a carne não agrada ao paladar europeu. Ele afirmou que países como o Brasil, Colômbia e México estão com ´febre´ de exportar. ´Estes países deveriam fortalecer seus mercados internos.

Para enfrentar o mercado externo é preciso ter mercado doméstico forte. É a condição para enfrentar as crises internacionais´, disse, diante de um público de 350 pessoas, entre empresários, diretores e gerentes de grandes empresas e produtores presentes à AveSui 2002 - Feira da Indústria Latino-Americana de Aves e Suínos que começou ontem em Florianópolis.

Segundo ele, a carne de porco no Brasil só tem qualidade fitossanitária na região Sul. ´Ainda falta tecnologia organolética (sabor), faltam qualidades nutritivas, marca e apresentação, afirmou o consultor. Carbó disse que as exportações brasileiras só cresceram porque o suíno foi para a Rússia, ´um mercado que não demanda qualidade e que paga pouco´.

Na Europa a carne suína é a mais consumida (45 quilos/habitante/ano). ´Porque é mais saborosa, mais barata e tem uma boa imagem´, disse Carbó. Segundo ele, nos países em desenvolvimento o consumidor tem um conceito negativo da carne suína. ´O consumidor não tem claro que o produto é bom. O suíno tem menor concentração de gordura permanente por quilo de músculo do que o boi. A qualidade dos ácidos graxos insaturados do porco é melhor do que na carne bovina´, disse.

Ele afirmou que a União Européia também consumia pouco em 1960, cerca de 15 quilos por habitante ano. Na Dinamarca o consumo atual é de 66 quilos/habitante/ano e na Espanha 62 quilos/habitante/ano. No Brasil o consumo é de 12 quilos/habitante/ano. Ele diz que na Espanha, o consumo de carne por habitante ano é de 103 quilos, sendo a de porco a mais consumida (62 quilos). Em segundo lugar vem a de aves, com 24 quilos/habitante/ano, em terceiro a de boi, com 11 quilos/habitante/ano e em terceiro a de ovinos, com seis quilos/habitante/ano. Carbó afirmou que classe médica em geral não se especializa em nutrição e alimentação. ´Tem médico que ainda diz que carne de porco faz mal´.

O geneticista da Sadia, André da Costa, assegura que não falta qualidade à carne suína brasileira. ´Falta eles abrirem o mercado´, diz. Segundo Costa, só a Sadia investe R$ 10 milhões ao ano em melhoramento genético. ´Apesar das críticas dos europeus, o Brasil saiu do 10º lugar em volume de exportações em 2000 para a quarta posição em 2001´. Para ele, as colocações do espanhol mostram as barreiras econômicas da União Européia ´disfarçadas de barreiras sanitárias e de qualidade´.

O geneticista diz que o Brasil só tem dois grandes concorrentes internacionais num futuro próximo: os Estados Unidos e a China, ´porque são países que têm espaço para criar suínos´. Mas, segundo Costa, a China tem um problema que é o de consumir tudo o que produz e ainda tem que comprar de fora.

O presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), José Adão Braum, afirmou que os europeus talvez não tenham as informações sobre a evolução tecnológica do rebanho, ´hoje altamente qualificado´. Braum disse que infelizmente a imagem que Carbó retratou é a disseminada na Europa. ´Precisamos fazer uma campanha internacional de marketing para promover a carne suína brasileira em sua atual fase´, afirmou o dirigente.

A Sadia está lançando na AveSui o macho HS 107, um animal (resultado do cruzamento de raças puras), que une o que há de mais avançado em termos de desempenho em ganho de peso diário, conversão alimentar, quantidade e qualidade da carne.

Na feira que termina hoje, estão 130 estandes e mais de 200 empresas - nove estrangeiras, da Itália, Estados Unidos e países da América Latina - dos segmentos de genética, saúde animal, nutrição, equipamentos, processamento, embalagens e serviços apresentando seus produtos e novidades para a cadeia produtiva da carne suína e de frango.

A empresa organizadora do evento, a paulista Gessulli Agribusiness, estima que sejam concretizados negócios de até R$ 200 milhões durante o evento, que deve receber um público de 15 mil pessoas. O alvo da feira são desde empresários até produtores. A próxima edição será em 2003, também em Florianópolis, nos dias 14 e 16 de maio. Antes, o evento era realizado em São Paulo com o nome de Flaias (Feira Latino-Americana da Indústria de Aves e Suínos). O gerente da Gessulli, Alexandre Aidar, diz que agora é realizado em Florianópolis a pedido do mercado. A Gessulli é também a editora das revistas Avicultura Industrial e Suinocultura Industrial.

O gerente comercial e administrativo da Inovoject do Brasil Ltda, multinacional norte-americana (sede na Carolina do Norte - EUA) há três anos no País, Marcelo Marques, afirma que a feira é uma grande vitrine. Segundo ele, a empresa quer em cinco a nos conseguir 85% do mercado brasileiro de equipamentos de vacinação de ovos para produção de pintos. Hoje eles participam com 8%. A máquina em exposição permite que se vacine 100% dos embriões e é o carro-chefe da empresa.

A Shering-Plought Coopers está lançando na feira o Genticin , antibiótico para o pinto no primeiro dia. Serve para diminuir a mortalidade das aves nas primeiras semanas. ´Não fechamos negócios aqui, mas é uma grande oportunidade para a apresentar nossos produtos´´ diz o gerente técnico de Avicultura da empresa, Delair Bolis.


IPC de Curitiba sobe em abril com combustíveis
O aumento de 9,12% no preço da gasolina foi o principal responsável pela variação de 0,38 pontos percentuais no Índice de Preços ao Consumidor (IPC) registrado no mês de abril em Curitiba e Região Metropolitana, em relação ao mês de março, segundo pesquisa do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) divulgada ontem. No acumulado do ano, a região de Curitiba tem um índice inflacionário de 2,27%.

O índice medido em abril ficou em 0,78%, enquanto que em março era de 0,40% e em fevereiro não passou de 0,20%. Os números refletem, na prática, o aumento no custo de vida das famílias curitibanas que recebem até 40 salários mínimos.

De acordo com o economista e técnico do Ipardes, Gino Schlesinger, ´o problema é que os combustíveis têm uma participação de aproximadamente 50% na formação do índice. A gasolina responde sozinha por 0,21%. Portanto, qualquer aumento influi para elevar o custo de vida´. Em contrapartida, o aumento do grupo transportes e comunicação, que engloba os preços dos combustíveis, foi de 0,87%.

´Com base nesses números nós acreditamos que vai ser muito difícil que as metas imflacionárias estipuladas pelo Banco Central para este ano, entre 3,5% e 4%, sejam cumpridas´, afirmou o diretor do Centro de Estatística do Paraná, Arion Foerster.

Entre os grupos pesquisados o Vestuário foi o que teve maior aumento, com uma variação positiva de 5,74%. Os analistas acreditam que este aumento tenha sido provocado pelo fim das promoções e liquidações de verão e pela chegada da coleção de inverno às prateleiras.

De acordo com a pesquisa do Ipardes, o único grupo que apresentou queda em abril foi o de Despesas Pessoais, com - 0,12%. Entre as principais quedas estão os preços das passagens de avião (com -10,99%) e o automóvel de passeio importado zero quilômetro, com variação negativa de 5,28%.


Petrobrás produz mais gás em Urucu
A Petrobras vai investir US$ 183 milhões na ampliação das instalações na bacia petrolífera de Urucu, no rio Solimões, no decorrer dos próximos dois anos, para aumentar a produção de petróleo, gás de cozinha e gás natural. Desse total, US$ 55 milhões só serão realizados após o fechamento de venda do gás natural com as empresas que farão o transporte e a comercialização do produto.

Os primeiros mercados de gás natural de Urucu serão os de Manaus e Porto Velho. No mercado amazonense, o transporte e a comercialização serão feitos pela estatal Companhia de Gás do Amazonas (Ciga), que procura parceiros para um negócio de pelo menos 3 milhões de metros cúbicos por dia do produto, na primeira fase de atendimento às termoelétricas de Manaus. Para Porto Velho, está planejado a construção de um gasoduto de 550 quilômetros entre Urucu e Porto Velho, atualmente em fase de análise pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Essa obra custará em torno de US$ 2,5 milhões. O atual governo do Amazonas é contra a construção de gasoduto no território amazonense.

Por isso, a Cigás havia escolhido a Amercian Commercial Barges Lines (ACBL), especializada no transporte de produtos de alto risco por barcaças. A ACBL não cumpriu com os prazos de deposito de capitalização da Cigás e foi sacada do negócio. A Cigas está preparando um novo edital de chamamento empresarial para selecionar um novo sócio. O grupo Petrobrás não participou da primeira concorrência porque não teria condição de cumprir com as exigências do edital da Cigás.

´Estamos preparados para entregar o gás natural para consumo. Só dependemos de decisões que cabem agora a outras instâncias´, disse ontem o gerente geral da Unidade de Negócios de Exploração da Bacia do Solimões (UNB-Sol), Bento Daher Júnior. A construção do gasoduto Urucu-Porto Velho, por ser uma obra interestadual, depende de um parecer sobre impacto ambiental do Ibama, o qual pode ficar pronto dentro de 45 dias.

Daher Júnior disse que até 2004, estará funcionando a terceira unidade de processamento de gás natural de Urucu, com capacidade de 10 milhões de metros cúbicos por dia, contra os atuais 7 milhões. A finalidade dessa unidade é aumentar a produção de gás de cozinha (GLP) em 500 toneladas por dia a partir do próximo ano, para atender mercados do Norte e Nordeste do País. Enquanto não for comercializada, toda a produção de gás natural de Urucu será reinjetada nos poços. A reserva de gás de Urucu está estimada em 90 bilhões de metros cúbicos.


Projeto reduz queimadas
Harmonizando o convívio dos nativos com a Floresta Amazônica, o projeto ´Fogo: Emergência Crônica´ tem conseguido reduzir o desmatamento e as queimadas nessa região do País. O uso do fogo para como método de limpeza antes do plantio, por exemplo, diminuiu entre 52% e 88% em 11 dos 24 municípios de Mato Grosso, Pará e Acre que compõem o projeto. Os números são expressivos quando comparados com os dados de queimadas nos estados que abrangem o projeto.

Acompanhamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária mostra que, no ano passado, a incidência de focos de incêndio nestes estados aumentaram 82,3% no Acre, 27,4% em Mato Grosso e 57,7% no Pará, totalizando 57,7 mil dos 135,2 mil registrado em todo o País. O programa, que começou a ser desenvolvido em 1999, é fruto da parceria da organização não-governamental Amigos da Terra com o Departamento de Cooperação e Desenvolvimento do Ministério das Relações Exteriores da Itália. ´Alcançamos resultados positivos na prevenção´, afirma Roberto Smeraldi, diretor da Amigos da Terra. Para diminuir os índices de queimada, o programa começou tratando as doenças respiratórias de moradores da região causada pela fumaça das queimadas.

Assim, mil agentes de saúde percorreram a região fornecendo informações de prevenção e redução do impacto do fogo. Grande parte desta redução é fruto de ações de educação ambiental, treinamento de técnicas de manejo de pastagem, formação de agentes de saúde comunitários para o tratamento de doenças respiratórias e a negociação de protocolos municipais sobre o fogo. Os acordos são firmados entre os diversos setores da sociedade. Assim, o sindicato rural de determinada região pode se comprometer que os fazendeiros irão intensificar a utilização da agricultura em áreas já desmatadas, evitando a abertura de novas áreas, e a prefeitura pode se comprometer com a criação e manutenção de brigadas municipais voluntárias ou profissionais.

´Diferente de outras campanhas, esta é voltada especificamente para cada município´, explica Sérgio Guimarães, coordenador do projeto em Mato Grosso. Segundo ele, há um comprometimento da população local, que não quer mais conviver com a fumaça do fogo. Por isso, ocorrem redução significativa de focos, como no caso de Guarantã do Norte (MT), que passou de 536 para 49 focos anuais. Uma vez minimizada a ameaça do fogo, os agentes do programa foram atrás da resolução de outro problema: a melhoria da qualidade de vida dos moradores da floresta.

Por isso, o projeto criou objetos com baixo custo, fruto dos resíduos da floresta, para serem comercializados pelos moradores. Em Alta Floresta (MT), o programa conta com o apoio de uma indúst ria local de móveis, que utiliza estes resíduos. Estima-se que de cada metro cúbico de madeira maciça 35% é transformado em produto acabado e o resto é resíduo que, muitas vezes, é queimado. Em Marabá (PA), fazem-se brinquedos e jogos educativos. Outra iniciativa foi chamar o desing Luís Galvão para criar produtos capazes de serem exportados. Parte dos resultados deste trabalho pode ser conhecida em uma exposição na Embaixada da Itália, em Brasília (DF), que ocorre até o próximo dia 17.


RS inaugura o primeiro estúdio público do país
Músicos sem condições de gravar seu trabalho em CD terão a oportunidade de utilizar o primeiro estúdio público de gravação do País, pagando preços mais acessíveis que os convencionais. O estúdio de áudio é totalmente informatizado e digitalizado e vai começar a funcionar em um mês na Fundação Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore (IGTF), da Secretaria Estadual da Cultura. Localizado no Centro Administrativo do Estado, que concentra a maioria das secretarias gaúchas, o estúdio vai se chamar César Passarinho, em homenagem a um dos grandes intérpretes da música regional.

Segundo o presidente do IGTF, Eraci Rocha, em um mês deve ser anunciada a regulamentação de uso do espaço com a definição dos preços a serem cobrados. Os valores devem corresponder a um terço do valor médio de um estúdio profissional (que cobra mais de R$ 45,00 a hora) e serão reinvestidos na manutenção e compra de equipamentos novos. A regulamentação também vai definir como será feito o agendamento dos interessados. ´A idéia preliminar é que o estúdio tenha uma função social e terá preferência quem tiver maior necessidade de uso´, comenta.

Eraci Rocha diz que a reivindicação pelo espaço é antiga por parte dos músicos gaúchos e que a procura é grande antes mesmo da abertura ao público. Além de atender à comunidade, o estúdio vai servir para reproduzir fitas ou discos antigos (inclusive os de 78 rotações) em CD ou MP3 (principal formato em que as músicas circulam na Internet). O projeto vai ajudar a abastecer o Museu do Som Regional, também inaugurado este ano.

´Temos a maior produção fonográfica do País e estamos trabalhando para resgatar e manter este acervo´, informa Rocha. O presidente do IGTF solicita que a comunidade colabore, emprestando ou doando discos de artistas do Rio Grande do Sul ao instituto.


Empresários de SC discutem logística
Empresários e industriais de Santa Catarina vão se reunir regularmente para melhorar o setor logístico. Ontem, em Florianópolis, ocorreu a primeira reunião da Câmara de Logística da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc). A partir de agora, o grupo, liderado pelo vice-presidente da entidade, Alcantaro Corrêa, vai reunir-se a cada dois meses para discutir formas de melhorar a estrutura de logística das empresas do catarinenses.

´Essa é uma preocupação ainda muito recente. Por isso, há muito o que fazer. E a câmara servirá justamente para buscarmos soluções conjuntas de problemas que aumentem os custos internos e atrapalhem a competitividade das companhias locais´, afirma o dirigente.

A Fiesc também aproveitou a primeira reunião para lançar o infra-log, informativo eletrônico sobre infra-estrutura e logística que será feito pela entidade. O material será distribuído aos empresários por e-mail e estará disponível na página que a federação mantém na internet (www.fiescnet.com.br).


Artigos

Deveres do Estado e o processo de desestatização
Diogo Lopes Cavalcante

O papel do Estado brasileiro sempre ocasionou, principalmente em nossa história recente, discussões cansativas e por vezes sem fundamento. Erroneamente, sempre se partiu de ideologias partidárias ultrapassadas e frágeis, para não dizer testadas e descartadas. Entretanto, nem sempre se observou a dinâmica sócio-econômica do Estado brasileiro nem as previsões normativas existentes, com destaque a Constituição Federal. Convencionou-se sair do nada fundamentalmente e aportar em algo irreal e desvinculado da realidade. Eis que a literatura está cheia de obras que aduzem um regime totalitarista ou a um regime fechado de Estado. Nessa linha, levantar certas prerrogativas e esclarecer o período de desestatização sofrido pelo Estado brasileiro é indispensável a um entendimento da sociedade - destinatária das mudanças.

Inicialmente é necessário introduzir o conceito da economia como uma via de mão única. A dinâmica do capital é imperativa em sempre exigir formas diferenciadas de gestão do mercado e não readaptações e reengenharias de políticas falidas ou anteriormente eficientes. Assim, falar atualmente em fechamento de mercados e estatização da economia é o mesmo que ignorar séculos de investigação empírica. Deve-se, sim, entender que a conjuntura internacional pós-queda socialista impôs uma nova ordem. O Brasil, mais do que nunca, tem a oportunidade de se aproximar às novas medidas tomadas, a exemplo, pelos países europeus. Estados em que ficou mais do que provado a deficiência participativa do capital no processo de união dos mercados e concorrência aberta. Contudo, mesmo assim, muitos ainda insistem na velha idéia da economia fechada, de ´one big ring´; o que nos distancia cada vez mais da dinâmica econômica internacional.

Historicamente, pode-se dividir a história sócio-econômica brasileira em três fases: desestatização livre, estatização e desestatização gerenciada (em curso). Inicialmente, o Brasil vivia período de precariedade social e econômica sob parâmetros de extrema fragmentação. Assim, viu-se a necessidade da estatização visando crescimento e desenvolvimento do País. Estatizou-se setores como o de energia elétrica, saneamento, petróleo, mineração, comunicação, saúde, educação e habitação. Programa iniciado por Getúlio Vargas com primazia à infra-estrutura e ao início da pirâmide industrial com a indústria de base seguida da de bens de Juscelino Kubtschek, e das iniciativas desenvolvimentistas dos governos militares. Enfim, exigia-se iniciativa estatal pela falta de recursos e pela falta de capacidade administrativa privada.

No entanto, visto que o Estado cumpriu seu papel ainda que parcialmente, abre-se novo espaço a continuidade do desenvolvimento e crescimento nacional. A iniciativa privada neste momento possui todas as ferramentas necessárias frente a um Estado falido e incapacitado para acompanhar o mercado e servir satisfatoriamente o cidadão. Ficou provada a má-gestão dos recursos; a mistura política na economia ocasionou corrupção generalizada e corporativismos intermináveis. Deste modo, fugindo de déficits primários ainda mais profundos e oportunizando a gestão privada, o Estado se retira da economia passando a um papel gerencial e normativo suficiente para garantir e defender certos direitos sócio-econômicos. Cumpre-se o mesmo papel só que com um grau oneroso bem inferior. Paradigma que muitos apontam como Globalização e Neoliberalismo.

Diferentemente do que colocam muitos estudiosos, a desestatização não é uma conspiração alienígena para nos escravizar frente ao capital externo. Ela é, sim, um novo entendimento em que não é necessário a presença do Estado em setores como logística, energia elétrica, telecomunicações, siderurgia, petroquímica, entre outros. O compromisso do Estado está, sim, em induzir o desenvolvimento econômico do País por meio de medidas e controles rígidos.

Deve-se manter a presença, ainda que em certos casos concorrentemente, em questões como de saneamento, segurança, justiça, educação, saúde e previdência. Deve-se mais do que nunca investir e estimular a educação e a pesquisa e tecnologia. Um país do tamanho do Brasil deve se posicionar no mercado internacional e se estruturar para eventos como a terceira revoluçã o industrial. A preparação é indispensável para sermos competitivos.

Nessa linha, distintamente do que muito se prega juridicamente, a constituição brasileira exige apenas um posicionamento ativo do Estado frente aos setores nomeados acima e elencados no Título VIII (Da Ordem Social) da Constituição Federal, antecedido a ´ordem econômica e financeira´ (Título VII). Listar outros direitos fundamentais não vincula um papel ativo do Estado mas, sim, necessário em bases gerenciais e normativas. Além disso, deve-se entender que o sistema jurídico tem surtido muitas mudanças frente ao processo de desestatização. Criam-se as agências reguladoras e outros mecanismos para garantir o papel do Estado na tutela dos direitos do cidadão.

Enfim, o processo de desestatização afirma um novo projeto nacional de desenvolvimento a preencher o vazio da década perdida (80). Deve ser cumprido da melhor forma e mais rapidamente possível para uma inserção competitiva da economia brasileira e uma quebra de gastos excessivos. Contudo, deixando para outra oportunidade a prerrogativa forma, a prerrogativa velocidade impõe uma ordem no processo de privatização, quebra de monopólios e concessões. Ordem que inicia com o governo de Collor e segue com Itamar até Fernando Henrique Cardoso. Logicamente que outras medidas de urgência como estabilidade econômica e quebra inflacionária acompanham o processo, mas isso também será deixado de lado.

A privatização inicia com a criação do Programa Nacional de Desestatização (PND) em 1990, pela Lei 8.031, complementada pela 9.291/91. Inicialmente, 68 empresas integraram o programa, número alterado com exclusões e inclusões. O BNDES, por sua vez, foi designado para gerir o Fundo Nacional de Desestatização (FND) e, em 1995, criou-se o Conselho Nacional de Desestatização (CND). Foram também estimulados o processo em nível de Estados com a negociação de dívidas e o saneamento das contas.

O processo foi iniciado por um dos setores mais deficitários, o industrial, mais especificadamente o siderúrgico, com o setor de mineração ao fim (Vale do Rio Doce). Seguidamente partiu-se para o setor de serviços públicos, até como objetivo de melhoria nas prestações, motivo pelo qual se partiu aos transportes (RFFSA) e eletricidade. Após, adentrou-se no setor das finanças com um processo complicado de saneamentos e ajustes. E, finalmente, atualmente, fechando o ciclo, parte-se para o setor de telecomunicações com as telefônicas entre outras. Além disso, o processo de quebra de monopólios e concessões encontra-se bastante adiantado com o quase término também das companhias estaduais, com certas resistências em casos como o da Companhia Paranaense de Energia (Copel). Entretanto, ainda há uma luz amarela em certas questões como é o caso Petrobrás. Ainda não está claro como ficará este setor, tido como o mais estratégico e importante da economia brasileira. Há ainda a possibilidade de não-venda, a exemplo do que o Chile efetuou com o setor do cobre.

Enfim, a desestatização não é mais um processo distante da economia brasileira, é um processo presente que já determinou inúmeras conseqüências. Trata-se de um fenômeno de modernização do Estado brasileiro com vistas à abertura total dos mercados. É um novo modo de pensar o Estado e de admitir que ele pode desempenhar muito bem as suas funções participando em termos gerenciais e normativos, restando a forma mínima para certos setores em que atuaria concorrentemente a iniciativa privada.


Colunistas

NOMES & NOTAS

Xisto na China
Os executivos da Unidade de Negócio da Industrialização do Xisto mantida pela Petrobras em São Mateus do Sul, na região metropolitana de Curitiba, estão bastante otimistas com o resultado da missão comercial recentemente enviada à China. Empresários e representantes do governo chinês confirmaram interesse no processo de transformação do xisto desenvolvido pela Petrobras, como a Gazeta Mercantil Sul antecipou em janeiro deste ano. A tecnologia também permite a produção de óleo combustível e gás a partir da mistura de pneus usados ao xisto pirobetuminoso, mineral que tem na região uma das maiores reservas mundiais. O processo foi apresentada na Feira Brasil-China de Comércio. ´As negociações já estão em estado avançado para o licenciamento´, afirma o consultor técnico da Unidade do Xisto, Waldir Martignoni. A China é um país com grandes reservas de xisto, farto potencial de exploração e pouca tecnologia para desenvolver esse tipo de atividade. O governador da província chinesa de Heilongjiang virá à unidade da Petrobras ainda este mês.

Tecnologia
A Câmara Municipal de Curitiba aprovou projeto de lei que prevê a criação do Conselho Municipal de Ciência e Tecnologia. O projeto foi apresentado em 1998 pelo então vereador Gustavo Fruet (PMDB), atualmente deputado federal pelo Paraná, e encampado depois pelo vereador Celso Torquato. O objetivo é envolver a comunidade científica, o setor privado e a sociedade civil organizada na formulação da política municipal de ciência e tecnologia, visando a aproximação entre o conhecimento científico e sua aplicação prática. ´Sendo a capital do Estado, a cidade tende a concentrar ações na área de desenvolvimento científico e tecnológico, devendo envolver mais a comunidade e potencializar suas ações´, afirmou Fruet. A criação do conselho ainda depende da sanção do prefeito Cássio Taniguchi (PFL).

Campeão
O Chevrolet Celta, produzido pela fábrica da GM em Gravataí (RS), comemora mais duas vitórias. Com 10.033 unidades vendidas no varejo, o modelo registrou novo recorde de vendas em abril, superando a melhor marca até então, de 10.025 unidades, registrada em julho de 2001. O pioneiro sistema de vendas pela Internet desenvolvido pela General Motors do Brasil também foi consagrado em abril com outro recorde. O Chevrolet Celta atingiu seu melhor resultado nas vendas on-line, com 7.933 unidades do total de 10.033. O melhor resultado anterior tinha sido verificado em agosto de 2001, com 7.912 unidades comercializadas através da Internet.

Mais rigor
A Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab) do Paraná e a Procuradoria Geral de Justiça do Estado têm agora um acordo de cooperação técnica que garantirá mais rigor no combate à irregularidades cometidas contra o meio ambiente. O secretário Deni Schwartz e a procuradora-geral de Justiça, Maria Tereza Uille Gomes, assinaram convênio que confere à secretaria a competência de comunicar ao Ministério Público irregularidades constatadas pela fiscalização que possam gerar danos ao meio ambiente, à saúde animal e vegetal, à vida humana e à economia.

Gás natural
Os diretores técnico-comercial, Henrique Teixeira Moura, e Administrativo-Financeiro, Rogério Bezerra Lima, da Companhia de Gás de Santa Catarina (SC Gás) estão no Chile, onde visitam as instalações da rede de distribuição de gás natural da Metrogas, em Santiago. O objetivo da viagem é conhecer o sistema de distribuição daquele País, uma vez que a empresa prepara-se para implantar o fornecimento de gás natural residencial e comercial em Santa Catarina.


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05/09/2002


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