Brizola define hoje tática do PDT no primeiro turno
Brizola define hoje tática do PDT no primeiro turno
A tendência é liberar filiados e deixar o apoio a Britto para o segundo turno
A partir das 14h de hoje, a cúpula do PDT gaúcho voltará a se reunir com o presidente nacional Leonel Brizola, em Porto Alegre, para bater o martelo sobre a posição do partido no primeiro turno da eleição.
Líderes pedetistas próximos a Brizola acreditam que a tendência será o partido não lançar candidato a governador, em substituição a José Fortunati, e liberar os filiados para votar em quem quiser. Para o segundo turno, o apoio seria mesmo ao candidato do PPS a governador, Antônio Britto, já que na disputa à Presidência da República o PDT apóia Ciro Gomes (PPS).
Em conversa telefônica com um dos dirigentes do PDT gaúcho nesta semana, Brizola teria deixado claro que na reunião de hoje defenderá o apoio a Britto somente no segundo turno, uma estratégia para evitar nova debandada de filiados que não aceitam apoiar o PPS neste momento. A direção do PDT gaúcho tem consciência de que apoiar outro candidato hoje seria prejudicial porque há muitas resistências entre os filiados tanto com relação ao PT quanto ao PPS.
– Ciro será nosso fiador para que possamos pôr no papel algumas questões que queremos para o Estado – teria dito Brizola.
Outra determinação do líder é a de não sacrificar expoentes do PDT gaúcho que não queiram substituir Fortunati na disputa pelo Palácio Piratini. Com a recusa do deputado federal Alceu Collares em abrir mão da candidatura à reeleição para disputar o governo, a alternativa seria o deputado estadual e presidente regional do PDT Vieira da Cunha. O parlamentar também não tem a intenção de concorrer ao governo, mas admite que caso seja ele o nome escolhido por Brizola não terá escapatória.
Sobre isso, Brizola também foi incisivo e deixou claro que pretende poupá-lo.
– De maneira alguma vamos queimar o companheiro Vieira da Cunha. Não permitirei que isso aconteça. Para ele temos outras destinações políticas – teria comentado o líder nacional do partido.
Na recente reunião que teve com sete líderes do PDT gaúcho, no Rio, Brizola sugeriu o nome de Collares para substituir Fortunati por ter certeza de que o ex-governador seria o mais apropriado para enfrentar Tarso Genro (PT) na disputa.
– Só Collares tem condições de colocar o dedo na cara de Tarso para lembrar que ele mentiu ao prometer que cumpriria todo o mandato de prefeito de Porto Alegre – afirmou Brizola naquele encontro.
Enquanto a fumaça branca não sai da sede estadual do PDT, líderes do PPS têm se empenhado nos bastidores para garantir a aproximação dos dois partidos. O presidente estadual do PPS e coordenador da campanha de Britto, deputado Nelson Proença, e o deputado estadual Paulo Odone seriam os mais assíduos nas conversas com os pedetistas.
Em reunião-almoço, ontem, com empresários cristãos, Britto voltou a abrir portas para uma provável aproximação com o PDT de Brizola. Questionado por um dos empresários sobre a possibilidade de aceitar o apoio do PDT, Britto usou uma frase que provocou risos entre os cerca de 200 empresários presentes.
– Amor não se requer e nem se impõe, amor se conquista – disse Britto.
– Mas isso eu digo só para a minha mulher – retrucou Luiz Arthur Giacobo, vice-presidente da Associação dos Dirigentes Cristãos de Empresas (ADCE), entidade promotora da reunião-almoço.
Brizola desembarca em Porto Alegre hoje, às 13h45min, acompanhado de Vieira da Cunha, que ontem foi a Brasília e ao Rio.
AGENDA DOS CANDIDATOS
O QUE ELES FIZERAM HOJE
Candidatos a governador
ANTÔNIO BRITTO (PPS)
Gravações para rádio e TV e almoço na Associação de Dirigentes Cristãos de Empresas (ADCE), na Capital.
AROLDO MEDINA (PL)
Palestra na Câmara de Indústria e Comércio de Canoas, carreata em Novo Hamburgo e visitas à Fecomércio e a Tramandaí.
CELSO BERNARDI (PPB)
Visitas a Cerro Branco, Candelária, Paraíso do Sul, Novos Cabrais e comício em Cachoeira do Sul.
GERMANO RIGOTTO (PMDB)
Reunião com a Fundação Ulysses Guimarães, encontro com o presidente da Associação Brasileira de Supermercados e encontro em Sobradinho.
JOSÉ VILHENA (PV)
Visita a Gravataí.
TARSO GENRO (PT)
Visitas a Candelária, Faxinal do Soturno, Santa Maria e Santiago.
Candidatos a presidente
ANTHONY GAROTINHO (PSB)
Entrevista ao Jornal da Globo.
CIRO GOMES (PPS)
Caminhadas em Duque de Caxias e São Gonçalo (RJ) e apresentação do programa de governo no Clube Militar.
JOSÉ SERRA (PSDB)
Palestra na OAB, em São Paulo, e inauguração do comitê em Recife (PE).
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA (PT)
Gravações de programas eleitorais para rádio e TV.
O QUE ELES FARÃO HOJE
Candidatos a presidente
ANTHONY GAROTINHO (PSB)
Gravação de programas eleitorais.
CIRO GOMES (PPS)
Visitas a Uberlândia, Governador Valadares (MG), comícios em Aracaju e Itabaiana (SE).
JOSÉ SERRA (PSDB)
Caminhada em Recife (PE) e encontro com profissionais de saúde em São Paulo.
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA (PT)
Gravação de programas eleitorais, em São Paulo.
Candidatos a governador
ANTÔNIO BRITTO (PPS)
Visitas a Santa Maria, Santa Cruz do Sul e Erechim.
AROLDO MEDINA (PL)
2º Congresso Estadual de Advocacia Pública, na Capital, e inaguração de comitê em Cachoeirinha.
CALEB DE OLIVEIRA (PSB)
Gravação de programas para o horário eleitoral, em Porto Alegre.
CELSO BERNARDI (PPB)
Gravação de programas eleitorais e lançamento da chapa majoritária e das candidaturas a deputado federal de Francisco Turra e de Édison Nunes a deputado estadual em Passo Fundo.
JÚLIO FLORES
Panfletagem em frente ao prédio do Banrisul e ato de encerramento da campanha contra a Alca no Largo Glênio Peres.
GERMANO RIGOTTO (PMDB)
Visitas a Santiago, São Vicente do Sul, São Francisco de Assis e Santa Maria.
TARSO GENRO (PT)
Caminhada da cultura e lançamento do programa de governo para o setor cultural, na Capital.
Tarso lança programa para área da saúde
O candidato do PT, Tarso Genro, escolheu a Casa de Saúde, hospital aberto por uma cooperativa de ferroviários e que foi reaberto no ano passado, depois de um período de desativação, para lançar em Santa Maria seu programa para o setor de saúde. Um convênio com o governo do Estado permitiu que o estabelecimento voltasse a funcionar. O candidato foi acompanhado pelo prefeito Valdeci Oliveira (PT).
Entre as metas do programa de Tarso estão qualificação do serviço público de saúde, descentralização e fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e aplicação de mais de 10% da receita tributária líquida do Estado na área.
Tarso visitou também o Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM), vinculado à Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), e o Hospital de Caridade São Roque, em Faxinal do Soturno, que atende a pacientes de 40 municípios da região.
Frente Trabalhista descobre grampos
Uma varredura feita ontem por uma empresa especializada em segurança telefônica constatou que o telefone utilizado pelo candidato a vice-presidente na chapa de Ciro Gomes (PPS), Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, no comitê central da Frente Trabalhista, em São Paulo, assim como o telefone de João Carlos Gonçalves, o Juruna, presidente da Força Sindical, estavam grampeados por um aparelho eletrônico de escuta telefônica.
O telefone de Juruna era utilizado por Paulinho, presidente licenciado da Força Sindical, e está instalado no gabinete da presidência da organização, no Palácio do T rabalhador, no bairro da Liberdade em São Paulo. A frente pretende registrar ocorrência policial sobre a descoberta.
O presidente nacional do PPS, senador Roberto Freire (PE), disse na tarde de ontem que um dos telefones usados por Ciro havia sido grampeado. Não apresentou, porém, evidências da existência da escuta.
Brusa Netto é sepultado na Capital
Ex-deputado foi velado na Assembléia
Sob forte chuva, familiares, amigos e parlamentares prestaram ontem uma última e emocionada homenagem ao ex-deputado estadual Brusa Netto (PMDB), morto na quarta-feira, vítima de uma parada cardíaca.
Considerado um dos pais do MDB gaúcho, o político de 88 anos foi sepultado às 17h7min, no setor 2 do terceiro piso do Cemitério Ecumênico João XXIII, na Capital. O governo do Estado decretou luto oficial por três dias.
O corpo de Brusa Netto foi velado durante toda a madrugada no Salão Júlio de Castilhos da Assembléia Legislativa. À tarde, o arcebispo de Porto Alegre, dom Dadeus Grings, presidiu uma cerimônia de despedida. Amigos e colegas se aglomeravam próximo ao caixão, coberto com as bandeiras do Estado, do PMDB e do Internacional. O senador Pedro Simon (PMDB) lembrou, com as duas mãos sobre o caixão, fatos da vida do morto:
– Um dia antes de sua morte, afirmou que planejava reunir os companheiros de partido no início do ano que vem para retomar a caminhada. Alguém que aos 88 anos pensa em retomar a caminhada é um exemplo – afirmou.
Rita desiste de visitar capital da fumicultura
A mudança de planos da candidata a vice-presidente na chapa de José Serra (PSDB), Rita Camata, que desistiu de ir a Santa Cruz do Sul para ouvir as reivindicações do setor fumageiro em sua visita ao Estado, não surpreendeu os santa-cruzenses.
A visita ao Rio Grande do Sul está marcada para a próxima quarta-feira.
Desde os tempos em que Serra era ministro da Saúde, quando implantou medidas restritivas ao consumo do cigarro, e quando se candidatou à Presidência e empunhou a bandeira antitabagista, a população nutre antipatia pelo tucano. Para tentar acabar com a rixa, a coordenação de campanha anunciou que enviaria Rita, uma fumante compulsiva, à cidade ainda este mês.
– Era missão impossível mesmo. O que ela poderia nos dizer? – questionou o presidente do Sindicato da Indústria do Fumo (Sindifumo), Cláudio Henn.
A coordenação da campanha avaliou que não seria boa idéia usar a vice para tentar conquistar o voto da comunidade. Oficialmente, a justificativa é que não há condições de incluir Santa Cruz na agenda.
De acordo com a deputada federal Yeda Crusius (PSDB), responsável pela organização da visita de Rita Camata ao Estado, a desistência foi definida apenas pela dificuldade de deslocamento. Yeda disse que o município foi excluído do roteiro porque Rita ficará apenas um dia no Estado.
– Ela recebeu convites de pelo menos cinco cidades e não tem como cumprir todos em apenas um dia – justificou.
A deserção de Rita também já era esperada pelos moradores de Santa Cruz do Sul.
– Seria uma contradição ela vir para cá. Aqui ninguém vai votar em quem sempre lutou contra o fumo – afirmou a técnica em pré-impressão gráfica da Phillip Morris, Patrícia Tessmann.
Na Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), a notícia da desistência também foi recebida com estranheza.
– É uma pena. Queríamos entregar a ela um levantamento sobre a importância do fumo na economia – disse Hainsi Gralow, presidente da Afubra.
Lula mantém liderança no Ibope
Petista tem 33% das intenções de voto, e Serra cai três pontos
A primeira pesquisa de intenção de voto realizada depois do debate de domingo na TV Bandeirantes registra um quadro de relativa estabilidade na disputa pela Presidência da República.
No mais recente levantamento do Ibope, o único candidato a se movimentar fora da margem de erro foi José Serra (PSDB), que caiu de 14% para 11%. O tucano aparece em terceiro lugar, ao lado do candidato Anthony Garotinho (PSB), que há três rodadas registra o mesmo percentual: 11%.
Isolado em segundo lugar, Ciro Gomes (PPS) oscilou positivamente dois pontos percentuais. Está com 27%, seis pontos atrás de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que passou de 34% para 33%.
A margem de erro do levantamento é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos.
Encomendado pela Rede Globo e divulgado ontem no Jornal Nacional, o levantamento ouviu 2 mil eleitores em todo o país de segunda até ontem. Foi um campo mais longo do que os três dias habitualmente utilizados pelo instituto em suas sondagens de intenção de voto. O objetivo foi captar eventuais reflexos do debate, realizado na noite de domingo.
De acordo com Márcia Cavallari, diretora do Ibope Opinião, o questionário não incluiu perguntas sobre o evento. Para ela, perguntas sobre quem se saiu melhor no debate têm pouca relevância, pois costumam reproduzir a ordem dos candidatos na disputa. Isso não impede, segundo ela, que as repercussões do primeiro confronto televisivo entre os presidenciáveis tenham de algum modo influenciado os resultados.
A diretora do Ibope recomenda cautela na análise da movimentação de Ciro. No levantamento anterior, o candidato do PPS havia recuado um ponto depois de subir por cinco rodadas consecutivas. Para Márcia Cavallari, assim como na semana passada era prematuro falar em estagnação, agora é cedo para dizer que Ciro tenha retomado uma rota de crescimento.
– De novo, será preciso esperar pelo menos mais uma rodada – destacou.
Não houve mudança significativa na simulação de segundo turno. De acordo com os novos números, Ciro venceria Lula em eventual confronto na etapa final por 46% a 41% – no levantamento anterior, por 47% a 42%. Em outras duas simulações, Lula venceria Serra e Garotinho.
Os benefícios do recuo de Serra para a situação de Ciro podem ser percebidos em alguns resultados segmentados da pesquisa. No Nordeste, onde o tucano caiu três pontos, o candidato da Frente Trabalhista subiu sete, entrando em situação de empate técnico com Lula (36% para o petista e 33% para Ciro).
Acordo com FMI divide oposição
Enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aprovou o acordo entre governo federal e o Fundo Monetário Internacional (FMI) na quarta-feira, Ciro Gomes (PPS) e Anthony Garotinho (PSB) criticaram com contundência o acerto do novo anunciado contrato. O acordo vale por 15 meses e inclui o primeiro ano de mandato do próximo presidente.
Confira abaixo as reações dos presidenciáveis:
Tranqüilidade ao mercado
O PT divulgou uma nota oficial em que aprova o acordo firmado entre o governo federal e o FMI, classificado de “inevitável” pela sigla.
“Entendemos que este acordo permite tranqüilizar o mercado e, com isso, dar uma chance, se forem tomadas as medidas corretas, de o país voltar a crescer”, disse o texto.
– Aprovo porque a situação exigia que o Brasil pegasse – concordou Lula.
O candidato petista criticou pontos que poderiam restringir a liberdade do futuro presidente. Ele citou o rebaixamento do piso das reservas para US$ 5 bilhões e a manutenção da meta de superávit primário em 3,75% do PIB até 2005 – ou seja, quanto o país se compromete a economizar para pagar os juros da dívida externa.
Lula prometeu respeitar a meta em 2003, mas afirmou que tentará mudá-la no futuro.
Nada de comemoração
O candidato Ciro Gomes (PPS) classificou, ontem à noite, o acordo do Brasil com o FMI como um “desastre”. Ciro disse que não compartilha com “a absurda propaganda que parece comemorar o que foi simplesmente um desastre para o país”:
– Temos de comemorar que o Brasil aumentou sua dívida em US$ 30 bilhões e não foi para investir em casas populares, submarino nuclear ou reequipar a aeronáutica? Não.
A afirmação foi feita em palestra no Clube da Aeronáutica, no Rio. Ciro ressalvou, no entanto, que o Brasil não tinha outra saída senão firmar o acordo, e que a ausência do empréstimo provocaria “uma brutal e definitiva desvalorização da nossa moeda”.
A posição do candidato se chocou com a opinião externada por seu principal assessor econômico, Mauro Benevides Filho. Para ele, a assinatura do acordo resolvia a questão conjuntural brasileira de curto prazo.
Preocupação com o futuro
O candidato do PSB, Anthony Garotinho, disse que o próximo governo terá de ir “quase de joelhos” ao FMI.
– Ninguém deve comemorar uma ida ao banco para pegar dinheiro emprestado para pagar dívidas. Nossa avaliação é de preocupação. Pelas nossas estimativas iniciais, o Brasil precisará de US$ 18 bilhões para fechar suas contas neste ano. Vamos supor, então, que ele utilize os US$ 6 bilhões do FMI e mais os US$ 10 bilhões de reservas cambiais, ainda assim faltarão US$ 2 bilhões – afirmou Garotinho, que prevê uma “crise dura” para o próximo governante.
O economista Tito Ryff, integrante da campanha do PSB, discordou do candidato e afirmou que o dinheiro do FMI está disponível a um baixo custo e que “qualquer governo o utilizaria”.
Alívio para a situação
O candidato governista, José Serra (PSDB), afirmou que o Brasil estava passando por sérios problemas financeiros e precisava do acordo.
– A vaca estava caminhando para o brejo – disse, referindo-se à economia do país.
O candidato acredita que o acordo deverá fazer com que o ataque especulativo retroceda e o dólar caia:
– O acordo alivia nossa situação neste momento complicado de nervosismo com o processo eleitoral, pois traz dólares a custo baixo. É mais barato pegar dólar com o Fundo do que em bancos internacionais.
Mulheres revivem duelo de 2000
Em Pelotas, a polarização política é reeditada na eleição para a Assembléia por Leila Fetter e Miriam Marroni
Dois anos após uma das mais acirradas eleições à prefeitura de Pelotas, as mulheres das famílias Fetter e Marroni voltam a perseguir o voto no terceiro maior colégio eleitoral do Estado.
Candidatas a uma vaga na Assembléia Legislativa, Leila Fetter (PPB) e Miriam Marroni (PT) emprestam charme à campanha e revivem a disputa de 2000. À época, Leila debutava na política num disputado pleito para a prefeitura com o então deputado federal Fernando Marroni (PT), marido de Miriam. Assessorada pelo marido e também deputado federal Fetter Júnior (PPB), Leila perdeu a eleição no segundo turno. Miriam se reelegeu vereadora. Experimentadas em pleitos locais, as duas concorrem este ano a uma cadeira no parlamento estadual.
Depois da eleição de 2000, Leila se concentrou na conclusão da tese de mestrado em Desenvolvimento Social, na Universidade Católica de Pelotas (UCPel). Durante um ano e meio, investigou as raízes da colonização na zona sul do Estado no século 19, seu apogeu econômico e decadência.
Apesar de reeleita para a Câmara, Miriam começou este ano como secretária de Direitos Humanos do governo do marido. No entanto, com dois meses de mandato, acusações de nepotismo obrigaram-na a retornar ao Legislativo municipal.
Com raízes rurais, Leila defende o setor primário e não vê sentido no feminismo exacerbado. Forjada no sindicalismo, Miriam prega o fim das segregações e é fervorosa militante dos direitos da mulher.
Diferenças ideológicas à parte, a vida particular das duas guarda semelhanças. São servidoras públicas federais e, a despeito da maior relevância política dos maridos, negam-se a gravitar em torno das órbitas dos cônjuges. E em casa, comandam um séquito feminino.
Leila é mãe de Fabiana, 24 anos, Bruna, 21 anos, Natália, 20 anos e Rebecca, 12 anos. Miriam é mãe de Camila, 18 anos, e Otávia. A família, porém, está prestes a aumentar. Otávia está grávida e, até o final do mês, dará à luz Maria Eduarda, a primeira neta de Miriam.
Encontradas bombas no aeroporto de Vitória
Presidente passou pelo local
Na noite do dia 31 de julho, 38 horas antes de o presidente Fernando Henrique Cardoso desembarcar no Espírito Santo, seguranças do Aeroporto de Vitória encontraram 14 bombas em lixeiras do terminal.
Os explosivos eram semelhantes ao que explodiu na sede da seção capixaba da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), na semana anterior. A informação só foi divulgada na quarta-feira.
A investigação, que corre sob sigilo, está a cargo dos agentes federais que integram a missão especial designada pelo Ministério da Justiça para combater o crime organizado capixaba. As bombas, parecidas com rojões de festa junina, estavam acondicionadas em sacolas plásticas em duas lixeiras próximo à entrada do saguão do aeroporto, localizado no bairro de Goiabeiras, zona norte de Vitória.
Os pacotes foram encontrados durante vistoria de rotina feita pelos seguranças da Infraero. Eram 21h. No dia 2, às 11h, o presidente desembarcou no aeroporto para uma rápida visita à capital capixaba, que durou pouco mais de duas horas. Do aeroporto, FH seguiu de helicóptero para Aracruz, município do norte capixaba, para participar da inauguração da terceira fábrica da Aracruz Celulose.
As bombas serão periciadas nos próximos dias, conforme informou o delegado Paulo Rubim, coordenador da missão especial. Segundo a polícia, os explosivos são iguais ao que foi detonado num banheiro da OAB-ES, no fim da tarde de 25 de julho. Ninguém ficou ferido no atentado, que foi atribuído a integrantes do crime organizado. Também nesse caso, a investigação está sendo feita pela Polícia Federal.
A OAB foi autora do pedido de intervenção federal no Espírito Santo, sustentado em documentos que indicam a infiltração do crime organizado nas instituições capixabas. O pedido foi arquivado pelo procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro. Como alternativa, o governo federal enviou a missão especial ao Estado. A polícia, agora, tenta descobrir se há ligações entre o atentado à entidade e as bombas descobertas no aeroporto.
Apreendidos móveis doados pela Câmara
A Polícia Civil de São Leopoldo, no Vale do Sinos, apreendeu na quarta-feira móveis do Conselho de Desenvolvimento Comunitário (CDC), que foram doados pela Câmara de Vereadores quando Joni Jorge Homem (PFL) era o presidente da casa, em 2000.
Um inquérito policial é conduzido pelo delegado Heliomar Atahydes Franco, que investiga os crimes de improbidade administrativa e peculato (uso de recursos públicos para fins privados).
Uma sindicância sobre o caso havia sido aberta pela atual presidente da casa, Iara Cardoso (sem partido). Os móveis, entre eles 70 cadeiras estofadas, adquiridos na gestão de Joni Homem por R$ 14 mil e que seriam utilizados para equipar o gabinete da bancada do PFL, não estão registrados no patrimônio da Câmara. Parte dos móveis foi doada ao CDC. O presidente da entidade, Rodimar Couto, disse na quarta-feira que foi assinado termo de doação. Homem não foi localizado por Zero Hora.
Artigos
FMI: amor e ódio
José Arthur Assunção
São US$ 30 bilhões para efetivamente salvar a pátria. O Fundo Monetário Internacional (FMI) fechou um acordo inédito com o Brasil. É o maior desembolso, até hoje, do organismo multilateral para o país e o mais importante é que não seremos obrigados a cumprir novas exigências. Lembro daquele ditado que diz que “quando a esmola é grande, o santo desconfia”.
Mas o fato é que o mundo não podia deixar o Brasil quebrar. Só Deus sabe o que aconteceria se a crise brasileira chegasse, um dia, ao ponto em que chegou a da Argentina. Já existe um sobressalto mundial ante a inércia da economia americana, que vem patinando há algum tempo. A chamada locomotiva do mundo não está empurrando mais. Imaginem se o Brasil decreta uma moratória. Poderia ser uma quebradeira, em efeito dominó, pelos quatro cantos do planeta.
Não acho que os candidatos oposicionistas irão abraçar o acordo desde já, mas também não irão bater nele
Parece então que enfim os Estados Unidos acordaram e decidiram dar uma mão aos seus irmãos do Sul. Não que George W. Bush e os seus estejam com compaixão de brasileiros, argentinos e uruguaios. O fato é que estão com muito medo dos efeitos globais de deixarem importantes economias latino-americanas a ver navios. O resultado foi o vultoso empréstimo ao Brasil, a ajuda dada ao Uruguai e a perspectiva de um acordo, mais rapidamente do que se imaginava, com a Argentina.
Creio que ninguém, em sã consciência, pode ser contra o novo acordo do governo brasileiro com o FMI. A história brasileira recente apresenta um componente de amor e ódio intenso nos últimos 20 anos. Desde que o então ministro do Planejamento, Delfim Netto, iniciou as primeiras negociações com o Fundo Monetário em 1982, as pessoas ou são contra ou são a favor. Ninguém fica indiferente quando se fala de FMI.
Mesmo que não se saiba o sentido da sigla, as três letras despertam geralmente um ódio exacerbado do brasileiro. Mas, de uns tempos para cá, tem gente dizendo que é bom. O leitor então precisa saber se esse novo acordo trará benefícios ou malefícios ao Brasil.
No curto prazo, não restam dúvidas de que o acordo, o maior de todos os tempos do Brasil com o organismo, trará mais segurança para que o país passe, com folga, pela sempre turbulenta época de eleição. O dólar não vai estar mais pressionado, o risco-país vai desabar, a bolsa vai ter melhor desempenho e até os juros poderão cair.
Tudo isso porque a confiança será restaurada. O que disserem mais do que isso será pura falta de visão ou unicamente vontade de desestabilizar a economia. Não acho que os candidatos oposicionistas irão abraçar o acordo desde já, mas também não irão bater nele. Afinal, US$ 24 bilhões estarão disponíveis para o próximo presidente. E quem não quiser essa proteção adicional para passar incólume pelo primeiro ano de governo só pode estar brincando.
O que realmente importa é que o novo acordo, como ressaltei, é o de maior pujança já feito pelo FMI com o Brasil. Mostra algo muito importante: o mundo não quer e não pode deixar o Brasil quebrar. Resta agora, aos nossos governantes, tanto o atual quanto o próximo, avançarem nas reformas e criarem uma base que se sustente no futuro sem as incertezas atuais. Não podemos ficar sempre tendo que fechar acordos às pressas com o FMI para controlar crises. Mas agora a hora é de respirar e ficarmos atentos na hora do voto em 6 de outubro.
Colunistas
ANA AMÉLIA LEMOS
Negócio da China
Tão importante quanto o acordo assinado quarta-feira com o Fundo Monetário Internacional, garantindo uma transição tranqüila e neutralizando o ataque especulativo que, há poucas semanas, desvalorizou o real em relação ao dólar quase na proporção do peso argentino, será o que pode ser firmado hoje, em Brasília, com a República Popular da China. Essa parceria comercial interessa diretamente ao agronegócio porque o Brasil poderá iniciar exportações de carne bovina e de frangos, já neste ano, para o maior mercado consumidor do mundo, com uma população de 1,2 bilhão de habitantes, estima o ministro da Agricultura, Pratini de Moraes.
Os exportadores de frango estão entusiasmados, mas lembram que a China também é produtora e exportadora dessa carne. Mas como a economia chinesa está crescendo na média de 7% a 8% ao ano, o consumo interno é ilimitado e a alimentação dos frangos depende da importação da ração, o que torna a concorrência favorável ao Brasil nessa parceria que está sendo festejada pelo governo brasileiro.
Pelo acordo a ser assinado pelo ministro Pratini de Moraes e pelo ministro da Supervisão de Qualidade, Inspeção e Quarentena da China, Li Chang Jiang, o Brasil exportará carne bovina e de frangos (mas quer vender, também, suco de laranja e bebidas alcoólicas), enquanto a China venderá ao mercado brasileiro frutas como pêra e lichia.
Na noite de quarta-feira, durante o lançamento do 1º Simpósio Internacional dos Criadores de Búfalos, que será realizado na primeira semana de setembro, em Belém do Pará, o ministro chinês ouviu do colega brasileiro notícias animadoras, no plano sanitário: a Região Norte, maior produtora de carne bubalina, antecipará a condição de zona livre de aftosa com vacinação de 2004 para 2003. O setor tem marketing agressivo para iniciar a exportação dessa carne. A produção atual atende apenas ao mercado interno. O presidente da Associação Paraense de Criadores de Búfalos, Roberto Fonseca, garante que, vencida a questão sanitária, será possível vender o quilo dessa carne, nos Estados Unidos, a US$ 22. Isso sim, pode-se dizer, será um negócio da China.
JOSÉ BARRIONUEVO
Vieira avalia futuro do PDT com Brizola
Leonel Brizola retorna hoje à tarde ao RS determinado a evitar novo adiamento. Chega acompanhado do presidente do PDT, Vieira da Cunha, que fez ontem à noite uma escala no Rio de Janeiro, ao regressar de Brasília, para uma discussão prévia com o líder maior dos trabalhistas. Vieira só conversou com Brizola à noite. Candidato ao Senado pelo Rio, o ex-governador fez um roteiro com Ciro e Jorge Silveira, candidato ao governo, pelos municípios de Duque de Caxias e São Gonçalo.
Decisão ocorre hoje
A disposição de Brizola de apoiar Britto já no primeiro turno, dentro de um programa de governo, esbarra ainda na resistência de alguns setores do partido que já começam a aceitar a idéia de não ter candidato próprio a governador, mas consideram importante preservar a individualidade do PDT. (No dia 6 de outubro, eles preferem concentrar esforços na eleição de deputados estaduais e federais). Deixariam, no caso, o apoio ao ex-governador para o segundo turno.
Vitoriosa esta proposta, o PDT apenas desistiria de apresentar candidato, mas sem um acoplamento formal à candidatura de Britto.
PPS aguarda quieto
Para o PPS, as duas propostas são boas. Na hipótese de o PDT não formular o pacto com Britto e Ciro cogitado por Brizola, há um consenso de que o adversário comum dos pedetistas é o PT de Tarso e de Lula, em nível nacional e estadual. Britto e a cúpula do PPS estão em compasso de espera, em respeito à decisão a ser tomada hoje. Afinal, não podem aprofundar negociações com quem não decidiu ainda o que vai fazer.
Britto promete manter Fórum Social
O Fórum Social Mundial, que reúne apenas setores de esquerda em Porto Alegre, será mantido se Britto (PPS) for eleito governador. Com uma alteração, diante da programação que já está sendo montada pelo Palácio Piratini para o final de janeiro, ao longo de cinco dias: deixará de ser exclusivista para abrigar todas as posições políticas, dentro do princípio democrático. Realizado com recursos públicos, o FSM vai para a terceira edição.
A promessa de Britto foi feita ontem durante o almoço em palestra para a Associação dos Dirigentes Cristãos de Empresa (ADCE), que reuniu nas últimas cinco semanas os principais candidatos a governador. Segundo os organizadores, a Igreja da Pompéia teve um público maior ontem, no encerramento do ciclo, do que nas palestras anteriores.
Secretariado será plural
Questionado sobre o secretariado a ser montado para o próximo governo, se for eleito, Britto explicou que pretende convocar uma equipe plural, com o que existe de melhor nos demais partidos. Esta coalizão, segundo o palestrante, é indispensáve l para a governabilidade do Estado.
O candidato do PPS ao Piratini também disse que não vai combater a intolerância com intolerância, prometendo fazer um governo olhando para a frente:
– Todos os carros que eu conheço têm um retrovisor pequeno e um pára-brisa bem grande para olhar para a frente. Não vou governar pelo retrovisor.
Mesma indagação
A cobrança que Ciro faz em relação a Serra, Tarso deverá repetir no RS em relação a Britto, que foi o primeiro governador a promover privatizações, o que dificulta hoje uma aproximação mais rápida do PDT.
O presidenciável do PPS voltou a cobrar de Serra uma resposta para a pergunta feita no debate da TV Bandeirantes no último domingo, sobre o destino do dinheiro da venda das estatais. No confronto entre os presidenciáveis, Serra não respondeu ao questionamento de Ciro.
Mãe discursa para Marchezan Júnior
Pela primeira vez, Maria Helena, viúva de Nelson Marchezan, fez um discurso em campanha eleitoral. Foi na terça-feira à noite, no Clube dos Caixeiros Viajantes, perante 800 pessoas, no lançamento da candidatura de seu filho, Nelson Marchezan Júnior, que concorre à Câmara dos Deputados. Primeira a falar, assegurou ao filho que estava aberto o caminho para a vida pública: bastava seguir o exemplo de ética e de trabalho que o pai deixou como herança maior.
Serra melhor no RS
Com 19% entre os gaúchos, José Serra preserva ainda no RS um dos seus melhores índices, bem acima dos 11% obtidos na pesquisa do Ibope divulgada ontem retratando a cotação do tucano em todo o país. Talvez por esta razão não programou nenhuma visita para os próximos dias ao RS, sendo representado apenas pela vice, Rita Camata, que estará em Porto Alegre quarta-feira.
O tucano é apoiado por quatro partidos no Estado: PMDB, PSDB e PPB. Apesar do apoio expresso do partido de Pratini de Moraes, a maior parte das bases do PPB está com Ciro (11 pontos à frente de Serra), que é do PPS de Britto.
Ilusão ótica
A imagem de Ciro Gomes começou a ser substituída ontem, nos outdoors de Porto Alegre, por Germano Rigotto, candidato a governador do PMDB, que apóia Serra. O deputado caxiense intensifica a campanha na tentativa de romper a polarização. Estabeleceu como meta, para ser viável eleitoralmente, chegar a 10% até o final da próxima semana. Com o início da propaganda eleitoral no rádio e na TV, pretende se tornar opção efetiva para o eleitorado gaúcho, até hoje concentrado apenas em Britto e Tarso.
Em nome do diálogo
O velório de Brusa Neto, na Assembléia, gerou, entre adversários políticos, o clima de diálogo que o ex-deputado sempre defendeu em vida. Pedro Simon, amigo de Brusa desde o início da carreira, em Caxias do Sul, conversou com David Stival, presidente estadual do PT, Miguel Rossetto, vice-governador, ex-deputado Guido Moesch e outras ilustres figuras do PPB, e com ex-companheiros que trocaram o PMDB pelo PPS, como o senador José Fogaça. Com Fogaça, Simon redigiu uma moção para ser aprovada no Senado em homenagem ao amigo comum.
ROSANE DE OLIVEIRA
Arroz e feijão
Pode ser presidente da República alguém que não sabe o preço do feijão? Do arroz? Do pãozinho? Da passagem de ônibus? Da taça, pão e manteiga? Do cafezinho? Da cesta básica? De uma caixa de pílulas anticoncepcionais? Pode, claro, mas a repercussão que teve a resposta negativa de José Serra à pergunta da jornalista Ana Paula Padrão se sabia o preço do arroz e do feijão sugere que os candidatos montem seu kit de sobrevivência nos debates e decorem os preços em regime de urgência.
É provável que nem Serra, nem Lula, nem Ciro Gomes, nem Garotinho tenham na ponta da língua os preços da maioria dos gêneros de primeira necessidade. Aquele que for obrigado a confessar sua ignorância em público, porém, perderá pontos junto a uma camada do eleitorado.
Quem faz pesquisa de preços para saber onde comprar arroz e feijão por alguns centavos a menos ficou indignado por Serra não saber quanto custa o alimento mais tradicional do brasileiro. A esses eleitores um “superávit de 3,75% do PIB” é grego, mas para um candidato a presidente é muito mais importante saber o significado dessa exigência do FMI nas contas do país do que saber o preço do frango ou da banana.
Mesmo quem não sabe o preço do arroz e do feijão, porque não freqüenta supermercados, acha que Serra teria obrigação de saber. Acharia o mesmo se a pergunta tivesse sido feita a Lula, Ciro ou Garotinho. Mais do que o preço de cada produto, seria importante saber se os candidatos têm idéia do pouco que se pode comprar com o salário mínimo.
O mais preocupante nesta campanha é o mercado de ilusões que os candidatos estão criando, sem indicar as fontes de recursos que financiarão as promessas. Todos os quatro acenam com o crescimento da economia, como se isso dependesse apenas da sua vontade. E vendem a idéia de que millhões de empregos serão criados porque essa será a prioridade a partir de janeiro de 2003.
Editorial
PONTE PARA A TRANSIÇÃO
O acordo firmado entre o Brasil e o Fundo Monetário Internacional (FMI), que já ontem comentamos editorialmente aqui, não é essencial apenas para que a racionalidade se reinstale plenamente no tormentoso cenário interno ou para que o realismo torne a preponderar em um mercado de câmbio distorcido. É igualmente fundamental para que as nações emergentes, em especial nossos vizinhos do Mercosul, voltem a contar com alguma margem de perspectiva de superação de suas dificuldades. Ao socorrer a principal economia da América do Sul e uma das 12 maiores do mundo com uma soma de recursos absolutamente inusual, bem acima das estimativas de analistas experimentados, a ser sacada por dois governos, um dos quais ainda a ser eleito, a instituição demonstrou mais do que confiança nas potencialidades brasileiras. Evitou a propagação de uma crise financeira que provavelmente assumiria proporções transcontinentais se não fosse estancada a tempo, com uma força desestabilizadora semelhante à dos terremotos financeiros que sacudiram a Ásia e a Rússia em 1997 e 98, alastrando seus efeitos, como uma onda sísmica, por vastas regiões do globo.
Não são essas as únicas características relevantes do pacto a ser definitivamente sacramentado pela direção do FMI no início de setembro. É de se ressaltar a rapidez sem precedentes com que as conversações foram conduzidas e o ensejo que a partir de agora se oferece à equipe econômica para reativar as linhas de crédito externas – em particular as dirigidas às exportações –, em sua maioria suspensas no momento em que nossos problemas financeiros atingiram níveis próximos ao descontrole. Um outro aspecto a considerar é que o próximo mandatário chegará ao poder respaldado por um volume de dinheiro a baixo custo da ordem de US$ 24 bilhões, já que somente US$ 6 bilhões serão sacados antes de 2003. É preciso também ter em mente que a operação de salvamento não requererá maior disciplina fiscal do que o superávit primário de 3,75% do Produto Interno Bruto (PIB), valor já anteriormente pactuado e aliás inscrito na Lei de Diretrizes Orçamentárias.
Resta esperar que o acordo com o FMI permita a redução dos juros e da relação entre a dívida e o PIB
Convém lembrar igualmente que todos os candidatos à Presidência da República foram informados das grandes linhas do acordo ainda quando de sua gestação, já que é ele antes de tudo uma ponte que se supõe segura para a transição política. Um derradeiro cuidado foi o de não amarrar as mãos do futuro governante do país, eis que a cada trimestre os termos do contrato serão reavaliados com o FMI. É evidente que não se exigiria dos concorrentes que assinassem em branco um documento que não conheciam. Por isso mesmo, com exceção de Anthony Garotinho, que ainda ontem deu a entender, um tanto acacianamente, que o fato de o Brasil estar necessitando de mais dinheiro não é um bom sinal, os demais expressaram ou apoio inequívoco, ou disposição para honrar o novo compromisso. Transposto o período de turbulências mais agudas para a economia nacional, resta esperar que o acerto com o Fundo permita gradual decréscimo da relação dívida-PIB, redução progressiva dos juros e o paulatino reencontro do país com sua vocação ao crescimento.
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08/09/2002
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