Byron tenta harmonizar o PPS
Byron tenta harmonizar o PPS
Byron Sarinho assume emergencialmente a direção regional do PPS com a missão de harmonizar o partido e retomar o diálogo com o PT, com vistas às eleições 2002
O diretório estadual do PPS tem novo comando. Um dia depois de anunciar o seu afastamento da presidência do partido, Eduardo Carvalho foi substituído pelo secretário de Desenvolvimento Econômico do Cabo de Santo Agostinho, Byron Sarinho, que assume interinamente o posto até o final de novembro, quando a nova direção será escolhida no congresso da legenda. Diplomático, o presidente recém-empossado se esforçou para amenizar os confrontos internos e esconder embaixo do tapete a mágoa que marcou a saída do seu antecessor. Sarinho afirmou que a renúncia de Eduardo Carvalho - motivada pela antecipação do congresso estadual e a exclusão do seu nome do comando de articulação eleitoral - foi uma decisão pessoal, não provocada por segmentos do partido. Para reforçar seu discurso, o pós-comunista frisou que o comando do PPS lhe foi entregue sob as “mesmas condições” impostas ao antigo dirigente.
“Além de militante, sabemos que estamos lidando com seres humanos e é natural que haja desentendimentos e ressentimentos, mas vamos nos esforçar para manter a harmonia no PPS e manter o Eduardo Carvalho junto às principais articulações do partido. Prefiro não comentar a renúncia dele, mas quero deixar claro que estou assumindo emergencialmente o PPS sem interferir, por exemplo, na comissão eleitoral. Inclusive, a criação desse conselho não teve o propósito de reduzir o poder de ninguém, foi só uma questão de distribuir responsabilidades”, garantiu Sarinho.
Além de apaziguar o ânimo dos correligionários, Byron Sarinho colocou a retomada das conversas com o PT como outra prioridade de sua gestão. Ele limitou uma possível disputa entre os dois partidos, em 2002, à esfera nacional, entre os presidenciáveis Ciro Gomes (PPS) e Lula (PT). Apesar das intensas farpas trocadas por líderes dos dois partidos, Byron disse que a negociação com os petistas, para a construção de um palanque único no Estado, será mantida.
“Vou deixar a poeira baixar e, junto com outras lideranças do PPS, tentaremos pacificar os espíritos e desarmar as posturas dentro do partido. É claro que o PPS não tem opinião única, mas vamos conservar nossa parceria com o PT nas administrações de Recife, Petrolina e do Cabo. Além disso, estaremos conversando com eles e as demais legendas da oposição, com vistas à aliança das oposições em 2002”, ressaltou Byron Sarinho.
Ranilson Ramos ataca petistas e defende aliança só com PSB
O novo presidente regional do PPS, Byron Sarinho, terá trabalho dobrado quando o assunto em questão for a sonhada unidade das oposições. Disposto a jogar terra na retomada das negociações com os petistas, o deputado Ranilson Ramos (PPS) repudiou ontem a possível reaproximação com a legenda - sugerida por Byron - e saiu em defesa de uma aliança com o PSB. Ele justificou sua preferência citando a postura “arrogante” do PT. Ao contrário dos socialistas, ilustrou Ranilson, os petistas “estão de salto alto” e querem impor a candidatura do secretário municipal de Saúde, Humberto Costa, ao Governo do Estado, encabeçando o palanque das oposições.
“Esse pessoal do PT acha que só porque ganhou as eleições do Recife pode vencer qualquer disputa. Na hora em que vão (às negociações) já lançando um nome para concorrer ao Governo (Humberto Costa), é sinal de que não estão com vontade de conversar. Por isso, vou fazer questão de defender, junto à executiva do partido, que a aliança seja feita entre o PPS e o PSB. Por mim, o PT está fora”, disparou.
A aversão do deputado à negociação com os petistas é agravada, também, pelos “sucessivos fracassos eleitorais do PT” em disputas presidenciais e as recentes farpas trocadas entre as duas legendas. Ranilson lembrou as críticas feitas pelo deputado Fernando Ferro (PT) ao senador Roberto Freire (PPS) - em resposta ao pós-comunista, que qualificou o PT como um “potencial adversário” do PPS - para reforçar sua posição.
“O PT já se considera hegemônico, estão de salto alto e ainda querem levar todo mundo à reboque, mas eles se esquecem que já levaram a esquerda brasileira a três derrotas consecutivas. Além do mais, se acham no direito de nos atacar pelos jornais. Isso não existe”, disparou.
Itamar reage à articulação de Jarbas no PMDB nacional
Governador mineiro usa críticas ao Governo Federal para atacar o pacto firmado por Jarbas Vasconcelos com Tasso Jereissati e Roseana Sarney. Amanhã, ele se encontra com Pedro Simon para tratar de sucessão
BELO HORIZONTE – O governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), respondeu ontem, ao discursar no lançamento de uma obra de saneamento, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, à iniciativa dos governadores do Ceará, Tasso Jereissati (PSDB), Pernambuco, Jarbas Vasconcelos (PMDB), e Maranhão, Roseana Sarney (PFL), de tentar viabilizar uma candidatura única da base governista, formada pelos três partidos, à Presidência da República, em 2002. Jarbas também propõe que as prévias do PMDB sejam abertas ao PFL e ao PSDB, o que
consolidaria a aliança.
Candidato declarado às prévias peemedebistas, marcadas para 20 de janeiro, e defensor do rompimento imediato do partido com o Governo Federal, Itamar não fez referências diretas aos três governadores, que reuniram-se anteontem, em Brasília. Contudo, deixou clara, por meio de ataques ao atual modelo econômico e político federal, sua confiança de que o partido deverá ter “candidato próprio e independente” do Palácio do Planalto.
“Nós queremos ver qual vai ser o homem que, nas praças públicas ano que vem, vai defender esse modelo que aí está, um modelo que está sacrificando municípios e Estados. No nosso caso não só sacrifica, ele nos esmaga”, disse.
Embora Itamar não tenha falado diretamente sobre o pacto anunciado por Jarbas, Roseana e Tasso – eles se comprometeram a não disputar entre si, a cabeça de chapa da suposta candidatura da base governista –, auxiliares do governador mineiro fizeram críticas ao acordo.
Para o vice-governador Newton Cardoso, por exemplo, a idéia de abrir as prévias peemedebistas a pefelistas e tucanos “é inconsistente”. O presidente da Companhia de Saneamento de Minas (Copasa), Marcello Siqueira (PMDB), um dos principais aliados de Itamar, disse que a intenção de que as prévias do PMDB incluam PFL e PSDB “é digna de risos”. “A proposta é típica de um cara de pau”, afirmou, referindo-se a Jarbas. A assessoria de Itamar confirmou que amanhã o governador receberá a visita do senador Pedro Simon (PMDB), pré-candidato às prévias, com quem discutirá as estratégias para a união do partido em torno da tese de candidatura independente.
Alheio às críticas, Tasso continuou ontem as articulações em Brasília. Em dois dias, ele conversou com Fernando Henrique, entrou na madrugada num jantar com o ministro da Saúde, José Serra, depois de almoçar com Roseana e Jarbas. Ontem, o dia começou logo cedo, com uma longa conversa com Aníbal na suíte do hotel em que estava hospedado, seguida de um almoço com o presidente da Câmara, Aécio Neves (PSDB-MG).
Governador pernambucano reforça luta pela unidade
Um dia depois de participar da reunião com os governadores Tasso Jereissati (PSDB-CE) e Roseana Sarney (PFL-MA), o governador Jarbas Vasconcelos (PMDB) reiterou a disposição de brigar pela manutenção da aliança governista, incluindo a construção de uma chapa única em 2002. Mesmo assim, ele reconheceu as dificuldades para a implementação das sugestões feitas durante o encontro, especialmente sobre a possibilidade de realização de prévias suprapartidárias.
“Ninguém acha que a solução desses detalhes será uma coisa fácil, mas ela tem que ser encontrada. Por isso os partidos precisam analisar a melhor forma de encontrar a saída. Se não for com prévias, que seja por meio de outro tipo de consulta”, disse Jarbas, depois de participar de uma solenidade administrativa em São Lourenço da Mata, Região Metropolitana.
Se a composição da chapa governista não está definida, e nem todas as arestas partidárias foram devidamente sanadas, pelo menos um ponto é consenso entre os governadores aliados: a decisão de não acatar a imposição de nenhuma candidatura, nem mesmo se a determinação partir do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
“Não vamos aceitar candidatura do bolso do colete de ninguém. Quando se têm políticos do nível dos que estão discutindo a questão, fica ruim aceitar que o presidente ou qualquer outra pessoa chegue querendo impor alguma coisa. Esta é uma coisa que tem ser feita em conjunto, com conversas, consultando as bases partidárias”, garantiu Jarbas, que reiterou a disposição de trabalhar contra a candidatura do rival Itamar Franco (MG), candidato às prévias do PMDB.
Em São Lourenço da Mata, o governador foi recebido com toda a pompa de candidato à reeleição. Além de fogos de artifício, banda musical, palmas, abraços e gritos de “já ganhou”, Jarbas foi muito elogiado nos discursos. O prefeito Jairo Pereira (PMDB) atribuiu a ele “todas benfeitorias e conquistas do município nos últimos tempos”. Na cidade foi construído um pátio para a feira e recuperado o mercado público. As obras custaram R$ 600 mil.
Jarbas mantém encontro com Bezerra Coelho no Sertão
PETROLINA – O governador Jarbas Vasconcelos (PMDB) inicia hoje uma nova visita ao Sertão do Francisco. Pela manhã, Jarbas vai a Santa Maria da Boa Vista, onde inaugura a Estrada do Projeto Caraíbas e assina a ordem de serviço para a complementação da Estrada da Uva. À noite, participa da abertura da Festa da Uva e do Vinho, em Lagoa Grande.
Amanhã, Jarbas vai a Petrolina, onde se encontra o prefeito Fernando Bezerra Coelho (PPS). Juntos, eles vão assinar dois convênios para conclusão da Estrada da Tapera e revitalização do Parque Josepha Coelho. Personagem principal da crise no PPS, Bezerra se diz animado com o encontro que terá com o governador. Segundo ele, a agenda entre os dois será “meramente de administrativa”. O prefeito vem sendo acusado de querer levar o PPS para a base governista.
“Não se trata de uma reunião política, mas de ações administrativas. Vamos assinar convênios de grande importância para a população de Petrolina”, comentou Bezerra
Teógenes Leitão depõe em CPI
Após sucessivas ausências, o diretor-geral do Departamento de Estradas e Rodagens (DER), Teógenes Leitão (foto), prestou depoimento ontem na CPI instalada pela Câmara de Olinda para apurar supostos desvios de recursos do Governo Federal, na gestão da então prefeita Jacilda Urquisa. O depoimento durou cerca de duas horas e, segundo o presidente da Comissão, vereador Marcelo Santa Cruz (PT), “as declarações dele (Teógenes) confirmaram que uma das obras recebeu os recursos previstos, embora esteja inacabada”, e levantou suspeitas sobre o possível favorecimento à Construtora Pereira de Carvalho. “Ficou claro que a Rua Pedro Álvares Cabral recebeu os recursos para ser construída. Ela deveria ligar a Avenida Fagundes Varela à PE-15. No entanto, mais de 40% da obra estão inacabados”, comentou o presidente da CPI. Teógenes Leitão, por sua vez, classificou o seu depoimento como “tranqüilo” e disse que os entraves para a conclusão da obra “foram as desapropriações”. “Não acredito em desvio de recursos, pois o montante só era liberado pela Caixa Econômica após rigorosa fiscalização dos técnicos da Prefeitura e da própria Caixa”.
Jáder poderá ter bens bloqueados
O Ministério Público do Pará protocolou ontem no Tribunal de Justiça uma ação civil pública de ressarcimento, com pedido de liminar, contra o ex-senador Jáder Barbalho e outras 13 pessoas, para que sejam devolvidos aos cofres públicos R$ 5.574.722,09. O dinheiro teria sido desviado do Banco do Estado do Pará (Banpará) por meio de 21 cheques administrativos, emitidos no período de outubro de 1984 e agosto de 1985, quando Jáder era governador do Pará. Na ação, o Ministério Público pede à Justiça a indisponibilidade dos bens imóveis e a quebra dos sigilos bancário e fiscal de todos os citados.
Garotinho acusa Benedita de desvio
O governador do Rio, Anthony Garotinho (PSB), acusou ontem a vice-governadora Benedita da Silva (PT) e o coordenador da Ação da Cidadania, Maurício Andrade, de terem desviado R$ 500 mil, que teriam sido doados pela Telemar ao Estado. A denúncia do governador aconteceu um dia depois que Benedita anunciou que assumirá o Governo, a partir de abril, quando Garotinho prometeu deixar o cargo, para disputar a Presidência da República. Os R$ 500 mil teriam sido doados para a construção de um restaurante popular. “Maurício Andrade recebeu o dinheiro e nunca prestou contas”, disse Garotinho, que informou que a doação foi feita “enquanto Benedita coordenava os programas sociais do Governo”. A petista tinha cargo no Estado até o ano passado, quando o PT rompeu com Garotinho.
Pedido de impeachment é arquivado
O pedido de abertura do processo de impeachment contra o governador do Espírito Santo, José Ignácio Ferreira (PTN), foi rejeitado ontem à noite na Assembléia por 17 votos a 13. O governador é acusado de cobrança de propina para a liberação de benefícios fiscais, formação de caixa dois durante a campanha, empréstimo irregular e conivência com esquema de desvio de verbas públicas. Ele nega todas as acusações. O secretário de Comunicação do Governo, José Nunes, afirmou que Ferreira vai fazer tudo o que estiver a seu alcance para que as investigações se encerrem e “a população conheça as dimensões das irregularidades e os verdadeiros responsáveis”. O arquivamento do processo foi garantido pelos deputados que migraram para o PPB e para os nanicos PGT, PTC e PRTB, depois que PFL e PSDB (partidos da antiga base aliada) fecharam acordo a favor do impeachment.
Artigos
O Brasil e a fome
CARLOS WILSON
O Brasil foi signatário em Roma, em 1996, de um compromisso junto à Cúpula Mundial de Alimentação, segundo o qual, todas as nações do mundo se propõem reduzir pela metade a fome no mundo até o ano de 2015. Passados cinco anos, pode-se afirmar que não há hoje no País uma política de combate à fome. Os poucos programas conhecidos são de caráter estritamente emergencial e totalmente desarticulados com as diretrizes mais gerais de política agrícola e segurança alimentar.
Para se ter uma idéia, o Governo federal enviou cestas básicas aos 964 municípios que decretaram estado de emergência ou calamidade decorrente da seca. Em um primeiro momento, nada menos que 757 prefeituras deixaram de entregar alimentos aos necessitados, impossibilitados diante de uma imensa burocracia que discriminava miseráveis habilitados e famintos desabilitados. A irresponsabilidade em lidar com a fome dos brasileiros não é privilégio do presidente Fernando Henrique Cardoso. Durante o governo do presidente José Sarney foi criado um programa que pretendia distribuir um litro de leite por família com renda abaixo de dois salários mínimos. Criado em 1986 durou até 1991 e, segundo avaliações do governo que o sucedeu, apresentou sérios problemas de desvio na administração. Houve quem dissesse que de cada 10 litros de leite apenas sete chegavam às famílias necessitadas.
Diante de tal situação, o presidente Fernando Collor extinguiu o programa. Ou seja, em nome dos três litros que seriam desviados em 10, puniu-se as famílias que recebiam o alimento. Fernando, o Henrique, também recentemente acabou com o programa de distribuição de cestas básicas para a população carente. O programa era considerado caro e responsável pela depressão do comércio local.
Segundo a FAO, o total de famintos no Brasil que, entre 1979 e 1981 era de 15% da população, caiu para 10% entre 1996 e 1998. Mesmo assim são 16 milhões de brasileiros que passam fome. Dados da Fundação Getúlio Vargas contidos no relatório batizado Mapa do Fim da Fome atestam que há 50 milhões de indigentes no Brasil. Diz ainda o conceituado instituto brasileiro que, com uma transferência anual de R$ 21 bilhões, poderia se erradicar a miséria e, conseqüentemente, a fome no País.
Segundo os dados da FGV, a sociedade brasileira tem condições plenas de erradicar a fome. Há muitos pobres no Brasil, mas é fácil aliviar a pobreza e a indigência porque o País tem renda. Em outras palavras: falta foco, objetivo, vontade política. Não dinheiro. Segundo o Ipea (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas), o custo de erradicação da pobreza seria de apenas 3%. do PIB. Hoje gasta-se cerca de 21% do PIB em programas ditos sociais. Ou seja: dinheiro há, mas ele não chega àqueles que realmente precisam dele. No ano passado, 36 milhões de pessoas morreram de fome em todo o mundo. Cerca de 826 milhões de criaturas estão crônica e gravemente subalimentadas. Quase um sexto do planeta. Trata-se de um genocídio silencioso.
Um assassinato em massa cometido por uma ordem mundial em que só come quem pode pagar.
Enquanto isso, e aqui salta aos olhos o caso específico do Brasil, os recursos do Estado são drenados pela corrução ou para o pagamento de dívidas internacionais, cuja origem se perdeu na história. Governar é administrar escassez. Recursos existem. Alocá-los é uma questão de prioridade. E que prioridade maior e mais premente pode haver do que a fome de milhares de brasileiros?
As políticas públicas adotadas pelos governantes brasileiros são em sua maioria compensatórias. Políticas estruturais de combate à pobreza, como distribuição de renda e geração de empregos são poucas, quase inexistentes. Para piorar a situação, a Fundação Getúlio Vargas sinaliza um aumento da pobreza nos próximos anos devido aos efeitos da crise econômica, agora ainda agravada pela incerteza no cenário internacional, e pela crise energética.
O resultado da modernização do Estado pretendida por Fernando Henrique Cardoso implicou na extinção dos órgãos de fomento regional. Isso provocou uma conturbação imensa na economia, sobretudo do Nordeste e, conseqüentemente, mais êxodo rural, mais violência, mais fome e mais miséria. E, tudo que o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso consegue articular é a idéia de distribuir dinheiro e não alimentos.
Colunistas
Pinga-Fogo - Inaldo Sampaio
Inserção nacional
A reunião de Tasso, Roseana e Jarbas, em Brasília, para tratar de sucessão presidencial, não terá consequência prática mas reinseriu o governador de Pernambuco no plano da política nacional. Aliás, essa é uma tradição do nosso Estado que não vem de hoje. Nossos governadores de um modo geral, uns um pouco mais e outros um pouco menos, sempre exerceram algum tipo de influência no jogo do poder nacional. Roberto Magalhães foi figura de proa na campanha indireta de Tancredo, Arraes teve papel destacado no palanque de Lula nas três últimas eleições presidenciais e Joaquim foi aliado de primeira hora do ex-presidente Fernando Collor.
Jarbas andou meio distanciado do processo político nacional porque a presidência do seu partido estava nas mãos de Jáder Barbalho. Agora, que o PMDB está sob controle de Michel Temer, ele reinseriu-se no processo, tendo sido uma peça importantísima no abortamento da candidatura de Itamar Franco à sua presidência.
Sua estratégia político-eleitoral é que parece equivocada porque ele fala uma linguagem e a cúpula do PMDB outra. Ou seja, enquanto ele defende a reedição da aliança com os mesmos quatro partidos de 98 para a sucessão de FHC, 80% das bases peemedebistas são declaradamente favoráveis a uma candidatura partidária.
Até que enfim...
Pode parece mentira mas não é. Após mais de um século de espera o plenário da Assembléia Legislativa terá um toilete feminino. A decisão de mandar construí-lo foi do 1º secretário João Negromonte, curvando-se às pressões de Teresa Duere (PFL), única mulher com assento na Casa. Ela utiliza o toilete das taquígrafas mas sempre defendeu um privativo para as representantes do sexo feminino. Em 30 dias, aproximadamente, ele estará pronto.
Hora imprópria
João Paulo (PT) escolheu uma hora imprópria para viajar para o exterior. Reunidos em Brasília, ontem, para discutir as emendas de bancada, nossos deputados federais destinaram R$ 10 milhões para Paulista, outros R$ 10 milhões para Jaboatão e R$ 7 milhões para Olinda. Para o Recife, que tem mais habitantes do que as três juntas, só R$ 11 milhões.
Às vias de fato
A reunião da bancada federal para discutir as emendas coletivas quase termina em pancadaria. Inconformado porque uma emenda de sua autoria não foi acolhida pelos colegas, Carlos Batata (PSDB) partiu para cima do secretário Sérgio Guerra. Quem pôs ordem na casa foi Inocêncio Oliveira, com o seu habitual “tá querendo o quê?”
Corte do ponto dos faltosos ainda não foi a solução
Mesmo com a introdução do “corte do ponto”, o comparecimento dos deputados à Assembléia Legislativa continua baixo. Ontem, Augusto Coutinho (PFL) discursou para um plenário quase vazio. Só “Toquinha” (PMDB) o ouviu.
Tucano vermelho defende Jarbas e o presidente
Nem PMDB nem PSDB. Quem usou a tribuna da Assembléia para defender Jarbas e FHC dos ataques de que foram alvo no programa político do PTB foi Pedro Eurico (PSDB). Ele lembrou que Carlos Wilson já foi aliado de FHC.
Pedra no caminho
A candidatura do capitão PM (da ativa) Gilberto Pires a deputado estadual, tendo como base o município de Carpina, está incomodando Carlos Lapa. O líder do PSB está recolhendo assinaturas para propor uma emenda à Constituição do Estado proibindo policiais civis e militares de se candidatar a cargo eletivo.
Dever de ofício
Mais uma lei de iniciativa da Assembléia sofre veto total do Palácio das Princesas. É a que autorizava o Governo do Estado a celebrar convênio com prefeituras para que as guardas municipais pudessem fazer “policiamento ostensivo”. Pela Constituição, elas se destinam apenas “à proteção de bens, serviços e instalações”.
Namoro ainda não existe, mas Jarbas Vasconcelos e Fernando Bezerra Coelho (PPS) vão estar amanhã, lado a lado, no Centro de Convenções de Petrolina. O governador vai liberar R$ 1,8 milhão para duas obras da prefeitura: conclusão de uma rodovia de contorno e um parque municipal.
Só para o cumprimento da decisão do STF, que mandou pagar o resíduo de 11,98% aos funcionários dos poderes Legislativo e Judiciário referente à conversão, errônea, da URV para Real, a Secretaria da Fazenda de PE terá que desembolsar R$ 107 milhões em 2002: R$ 81 milhões para o TJ e R$ 26 milhões para a AL.
O ex-petista Jarbas Barbosa brilhou ontem de manhã no “Bom dia Brasil” (Rede Globo). Foi entrevistado por Alexandre Garcia sobre a produção de vacinas contra a bactéria antraz. Ele deixou o PT local a convite de Serra para chefiar o Departamento de Epidemiologia do Ministério da Saúde.
Pelo menos em matéria de educação familiar a esquerda brasileira é refinada. Lula (PT) mandou sua filha, Lurian, estudar em Paris, uma filha de Roberto Freire (PPS), Martha, estudou na Rússia, dois filhos de João Paulo estudam em Paris e um filho de Paulo R ubem Santigo (PT) é bolsista na Alemanha. Cursa filosofia e música.
Editorial
Feriados compulsórios
Atravessando os efeitos de uma seca e com uma economia fragilizada, a Região Nordeste torna-se, agora, vítima do seu desejo de crescer, com a decretação de três feriados compulsórios (22 de outubro, 16 e 26 de novembro) pela Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica (GCE). É a aplicação do Plano B de economia compulsória, em sua etapa, vamos dizer assim, de advertência.
Se, apesar disso, a Região terminar o mês de novembro sem cumprir a meta de 20% de redução do consumo, ou a precipitação das chuvas nas cabeceiras do Rio São Francisco não for suficiente para garantir níveis “aceitáveis” de água nos reservatórios das hidrelétricas, será desencadeada uma nova fase do Plano, e teremos os apagões programados.
Para aqueles que estão acostumados a acompanhar, ao longo do tempo, como as decisões da União (ou falta delas, no momento oportuno) têm contribuído para ampliar os desníveis regionais, a realidade agora vivida não parece ser apenas uma solução técnica para um problema imprevisível, mas uma punição injusta aos que tiveram menor poder para barganhar investimentos financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a produção de energia alternativa.
Claro que a Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica se sentiu obrigada a tomar medidas excepcionais para que não entre em absoluto colapso o fornecimento de energia para as regiões submetidas ao racionamento. E nem podemos afirmar que tenham razão os governadores que protestam pelo fato de que tais medidas venham punir primeiramente a região mais carente, prejudicando mais ainda mais seu processo de industrialização modernizante. Este foi deflagrado, sob a égide da Sudene, como medida compensatória das perdas históricas da agroindústria açucareira, produtos têxteis e oleaginosas com base em matéria-prima local. Extinta a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste, a região ainda espera o funcionamento da agência substitutiva prometida pelo Governo. Sem ela, o que se tem visto são protestos emocionais de alguns governadores inconformados, mas que não representam o consenso da Região nordestina.
Por que a Companhia Hidro-Elétrica do São Francisco (Chesf) está autorizada a adquirir, apenas, 95 megawatts de pequenas geradoras? Por que algumas sugestões de emergência, anunciadas pela imprensa, não foram concretizadas para o Nordeste? Mais do que dinheiro, o que parece estar faltando é um fórum adequado para a discussão destes problemas, ou pelo menos boa vontade para explicar à população nordestina o que está de fato acontecendo.
Novas dificuldades são impostas, de cima para baixo, a uma região com 47 milhões de habitantes, mas com 50,12% de sua população ganhando uma renda familiar de meio salário mínimo, através de feriadões já decretados e novas ameaças de apagões.
Ainda estamos longe de uma avaliação precisa das conseqüências negativas sobre a economia nordestina, provocadas por um plano de racionamento que, segundo se afirma, na melhor das hipóteses se estenderá até abril de 2002. Um dos Shopping Centers pernambucanos chegou a conseguir uma redução média de consumo de energia de 28%. E, apesar do esforço, sua administração conta com grandes prejuízos futuros pela sucessão de falsos feriados. Muitos particulares economizaram mais de 50%, num esforço de colaboração, mas isso de nada adiantará, se houver apagões.
E pelo menos um Estado nordestino, o de Sergipe, alcançou uma redução média de 24% no consumo de energia e, ainda assim, terá sua economia prejudicada pelas medidas decretadas, ou anunciadas pelo Governo federal.
Os maiores prejuízos serão os das empresas que não podem interromper a sua produção. Mesmo quando dispõem de geradores próprios, terão de pagar serviço extraordinário nos dias dos feriados agora decretados.
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10/18/2001
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