Tarso tenta se reaproximar do PDT
Tarso tenta se reaproximar do PDT
Chama Brizola de adversário das privatizações e acredita na superação dos desentendimentos
O candidato da Frente Popular (PT-PCB-PC do B-PMN) ao governo do Estado, Tarso Genro, sinalizou ontem pela reaproximação com o PDT em função da renúncia de José Fortunati ao Piratini. Ele chegou a propor a criação de aliança em defesa dos interesses do Rio Grande do Sul. 'Se o PDT não tiver candidato próprio, vamos conversar com os dirigentes do partido e mostrar que estamos dispostos a formar uma frente', disse.
Tarso fez questão de elogiar a trajetória política do presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, salientando que é um dos maiores adversários do neoliberalismo e das privatizações. Argumentou que o futuro do país e do Estado é maior do que episódios que afastaram os dois partidos, como a saída do PDT do governo Olívio Dutra e os desentendimentos na eleição municipal de 2000, que culminaram na ida de José Vicente, filho de Brizola, para o PT. 'Não há problemas no que ocorreu em 2000. Se houve atitude que incomodou qualquer aliado nosso, podemos fazer a autocrítica. Brizola já mostrou em várias oportunidades seu espírito público. Não vejo que ele seja um obstáculo', disse. Segundo Tarso, divergências podem ser superadas por pontos comuns.
O candidato do PT enfatizou que os trabalhistas também querem evitar o retorno ao passado, não apoiando candidato responsável pelos problemas enfrentados hoje no Estado. 'É nossa responsabilidade construir novo projeto sem jamais voltar às raízes do modelo neoliberal', enfatizou. Ele fez questão de garantir que não quer interferir nos problemas internos do PDT nem fazer juízo de valor a respeito das decisões tomadas pelos trabalhistas. Porém, foi taxativo quanto ao possível entendimento: 'Pelo passado que tem, o PDT deveria contribuir conosco'. Ele entende que as frentes Popular e Trabalhista (PDT-PTB-PAN) poderiam compor grupo em defesa de programa governamental voltado ao crescimento econômico e à inclusão social. Tarso afirmou que, por respeito à discussão interna do PDT, irá esperar o momento certo para compor a nova frente gaúcha.
Tarso salientou também que o fato de apoiarem candidatos diferentes à Presidência não inviabilizaria aliança no Estado: 'Embora tenhamos juízos diversos, os fundamentos das candidaturas são os mesmos, a oposição ao projeto de Fernando Henrique Cardoso', avaliou, referindo-se a Ciro Gomes, da Frente Trabalhista, e Luiz Inácio Lula da Silva, do PT.
Agenda dos candidatos
HOJE
11 Celso Bernardi (PPB)
10h30min: Dois Irmãos. 14h: Morro Reuter. 16h: Lindolfo Collor. 18h: Estância Velha. 20h30min: Jantar em Porto Alegre.
13 Tarso Genro (PT-PCB-PC do B-PMN)
10h: Cachoeirinha. 14h: Conferência Nacional Programa de Governo - Cultura, em Porto Alegre. 15h: Viamão.
15 Germano Rigotto (PMDB-PSDB-PHS)
10h: Caxias do Sul. 12h30min: Antônio Prado. 14h30min: Reunião com PMDB, em Ipê. 16h30min: Nova Roma do Sul.
22 Aroldo Medina (PL-PGT-PSD)
10h: Reunião do PL. 16h: Santa Maria.
23 Antônio Britto (PPS-PFL-PT do B-PSL)
Visita a Planalto e Nonoai.
40 Caleb Oliveira (PSB)
21h: Lançamento de candidatura, Caixeiros Viajantes, Porto Alegre. 22h: Lançamento de candidatura, em Cachoeirinha.
Alencar afirma que bases da economia vão mal
O candidato à vice-presidência na chapa de Luiz Inácio Lula da Silva, José Alencar, do PL, afirmou ontem, em Curitiba, que o presidente Fernando Henrique Cardoso 'quebrou o país'. A declaração foi feita durante palestra a empresários reunidos na Associação Comercial do Paraná. 'Os fundamentos da economia vão mal e o constrangimento cambial é fruto disso', avaliou. De acordo com Alencar, acertar os rumos do Brasil é 'tarefa para políticos, não para técnicos'.
Alguns rejeitam sugerir projetos
Os deputados Airton Dipp e Vieira da Cunha não quiseram sugerir propostas para programa conjunto com o PPS porque ainda acreditam que o PDT terá candidato próprio ao governo do Estado. 'Defendo projeto liderado por integrante do PDT na disputa ao Palácio Piratini', salientou Vieira. O ex-secretário estadual da Fazenda Orion Cabral discordou da tese de que o programa sugerido pelo presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, será apresentado ao PPS. Salientou que a idéia é propor pontos para o programa de Ciro Gomes à Presidência da República. 'Seriam itens referentes à compensação nacional pelas perdas histórias do Rio Grande do Sul e não para buscar alianças no Estado', avaliou Cabral. Concorda com isso o vice-presidente regional do PDT, Pedro Ruas. Salientou que a campanha à Presidência representa prioridade e que as propostas serão incorporadas ao programa de Ciro. 'A tese de não ter candidato próprio no Estado está vinculada à nacionalização do PDT gaúcho na campanha de Ciro', garantiu Ruas.
Ciro diz que aceita conversar com FMI
O candidato da Frente Trabalhista à Presidência da República, Ciro Gomes, disse ontem que aceita conversar tudo com o FMI, mostrando interesse para que o Brasil encontre saída para a crise econômica. Ele garantiu também que confia nos negociadores brasileiros e que seria o último a atrapalhar os que tentam consertar 'os desastres que o governo cometeu'. Ciro se referiu ao seu adversário da aliança PSDB-PMDB, senador José Serra. Disse que o candidato governista 'está desesperado'. Sobre sua participação nas negociações em torno da regulamentação do artigo 192 da Constituição, que trata do sistema financeiro nacional, salientou que essa questão é com o Congresso Nacional.
Itamar indica ex-ministro para a coligação pró-Lula
Alexandre Dupeyrat, ex-ministro da Justiça no governo Itamar Franco, foi apresentado ontem pela coligação PT-PL-PC do B-PCB-PMN como o representante do governador de Minas Gerais no conselho político da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva. Isso marca a adesão oficial do ex-presidente. Segundo o coordenador da campanha e presidente do PT, José Dirceu, Itamar poderá subir ao palanque de Lula no dia 16 ou 18, durante comício a ser realizado em Belo Horizonte.
Lideranças preparam prioridades para PPS
A iniciativa do presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, de encaminhar propostas ao candidato ao Palácio do Planalto pela Frente Trabalhista, Ciro Gomes, para viabilizar a aliança no Estado movimentou ontem lideranças que já apontam sugestões a serem incorporadas em programa conjunto com o PPS. Apesar de alguns pedetistas ainda confiarem na possibilidade de candidatura própria ao governo, a sinalização de Brizola de apoio ao PPS indica para o entendimento negociado através de Brasília. Em conversas telefônicas ontem com lideranças no Estado, Brizola sugeriu pontos como a retomada das escolas em turno integral e o desenvolvimento econômico da Metade Sul, além da duplicação da BR 386, que liga Canoas a Soledade, viabilizada em seu governo. Também defendeu reforma agrária sem invasão de terras e interferência do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Anúncio do PPS, semana passada, de retomada das escolas em tempo integral, defesa histórica dos trabalhistas, sinalizou para aproximação e poderá facilitar os entendimentos.
O presidente metropolitano do PDT, Nereu D'Ávila, entende que da reunião com Brizola quinta-feira ficou claro que a idéia é apresentar esses pontos básicos a Ciro, que ficaria totalmente responsável pela sua execução em futuro governo no Estado. 'Se Ciro irá negociá-lo, claro que não com o PT, até porque ele é do PPS e nosso candidato à Presidência', ponderou. A mesma opinião tem o deputado federal Enio Bacci. Salientou que as propostas que serão apresentadas dependerão do governo federal, mas que conduzirão, naturalmente, à aproximação com o PPS no Estado.
O deputado João Luiz Vargas passará o final de semana recolhendo sugestões com companheiros de partido em roteiros pelo interior do Estado. De acordo com ele, é fundamental programa de desenvolvimento da agricultura irrigada e a modificação da política tributária da atual administração. O deputado Ciro Simoni pregou a desburocratização de linhas de crédito para apoio dos pequenos agricultores e das pequenas e médias empresas. Para ele, o programa deverá incluir também a garantia de repasses dos recursos da saúde aos municípios. Na avaliação do deputado Giovani Cherini, é necessário priorizar as emancipações. Ele defendeu ainda a criação de condomínios rurais e agrovilas. 'Para que eu apóie um candidato ao governo, além de se comprometer com o nosso programa, ele precisa respeitar a Assembléia Legislativa e valorizar os projetos encaminhados pelos deputados', enfatizou Cherini.
Mulher apenas não disputará Planalto
As mulheres marcam presença em todas as disputas eleitorais de outubro, exceto à Presidência. Números parciais do Tribunal Superior Eleitoral informam que 558 disputarão com 4.083 homens as 513 cadeiras da Câmara dos Deputados. A proporção ao Senado é de 40 mulheres para 287 homens. Os pretendentes disputam 54 vagas. Nos legislativos dos estados e do Distrito Federal serão preenchidas 1.059 vagas buscadas por 1.929 mulheres e 11.032 homens. Elas concorrem à eleição em 12 dos 27 governos dos estados. Dos 202 candidatos, 18 são mulheres e 184 homens.
Paulinho: 'Só saio se eu for tirado'
Paulo Pereira da Silva, do PTB, vice na chapa de Ciro Gomes à Presidência, disse ontem: 'Só saio se eu for tirado'. Ele divulgou nota respondendo à nova denúncia divulgada na última revista IstoÉ de que teria intermediado pagamento de suborno ao sindicalista Marcos Cara. Paulinho salientou que 'ficou perplexo' e contestou a versão de que estaria para desistir da candidatura. Informou que foi procurado terça-feira por Cara, que lhe disse que o sindicalista Wagner Cinchetto teria mais denúncias, 'além das que sempre faz, irresponsavelmente, nos períodos eleitorais e poderia silenciar se conversássemos com ele'. Paulinho garantiu que deu liberdade a Cinchetto para falar o que quisesse.
Rita fará campanha no Estado semana que vem
A candidata à vice-presidência pela aliança PSDB-PMDB, deputada Rita Camata, virá ao Estado provavelmente no dia 10. Está previsto, em Porto Alegre, encontro de mulheres. Também deve ir a outras cidades gaúchas, entre elas Santa Cruz do Sul, onde estão concentradas indústrias de beneficiamento do fumo. O objetivo da visita de Rita será aproximar a candidatura do tucano José Serra do setor, pois o candidato promoveu campanha antitabagista quando ministro da Saúde, incluindo fotos de fumantes que adoeceram nas carteiras de cigarro.
Pesquisa aponta empate técnico à Presidência
Pesquisa IstoÉ/Toledo & Associados à Presidência divulgada ontem mostrou empate técnico entre Ciro Gomes, da Frente Trabalhista, e Luiz Inácio Lula da Silva, do PT. Pela primeira vez, Ciro está na liderança, com 34,3% das intenções de voto. Lula fez 33,6%; José Serra, da aliança PSDB-PMDB, 13,8%; e Garotinho, do PSB, 9%. Na simulação de 2O turno, Ciro teria 52,8% das intenções de voto e Lula, 39,2%. A pesquisa ouviu 3.108 eleitores entre 25 e 27 de julho em todo o país. A margem de erro é de 1,8%.
Serra atribui crise à incerteza da urna
José Serra, candidato da aliança PSDB-PMDB à Presidência da República, afirmou ontem que as oscilações do dólar nos últimos dias se devem principalmente ao nervosismo e à incerteza em relação ao futuro governo. Citou também a instabilidade em economias como a dos Estados Unidos. O tucano atacou o candidato da Frente Trabalhista, Ciro Gomes. 'Ele tem assumido posições ambíguas, terroristas e catastróficas, gerando insegurança no mercado', disse. Para Serra, Ciro tem superestimado o volume da dívida interna e ameaçou fechar contas para remessa de recursos ao exterior caso se eleja. 'As afirmações de Ciro provocaram especulações e procura maior por dólar', acusou.
TRE recebe o 1º lote de 'colas eleitorais'
Chegará segunda-feira ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) o primeiro lote de 'colas eleitorais', 1 milhão do total de 10 milhões, fru to de parceria com a Assembléia. O ato de entrega será às 14h30min, na sede do tribunal. A 'cola' será fundamental a fim de que os eleitores votem corretamente em 6 de outubro, pois terão de teclar 25 vezes para eleger seis candidatos. Além do dia da votação, o material auxiliará para treinamento nas 173 zonas do Estado.
Vieira descarta acerto com o PT
O presidente regional do PDT, Vieira da Cunha, considerou ontem inoportunas as declarações do candidato do PT ao governo, Tarso Genro, pregando reaproximação. Ele argumentou que 'um profundo abismo' separa PDT e PT. 'Isso foi cavado pelo próprio PT, com os episódios das eleições de 2000 e o tratamento dado ao PDT no governo. Fomos fundamentais na vitória de Olívio Dutra', argumentou. Segundo Vieira, como os desentendimentos são recentes não haveria chance de aliança. Ponderou que não é hora de iniciar conversações. Disse que foi procurado pelo presidente do PPS, Nelson Proença, e que não retornou a ligação porque é preciso primeiro resolver problemas internos.
Artigos
A agricultura e as eleições
Carlos Adílio Maia do Nascimento
Há diversos fatos em nosso dia-a-dia que são tão evidentes que, se falados, a impressão é de que comentá-los é pura perda de tempo. Assim, 'a agricultura é a base da nossa sobrevivência'. Precisamos de grãos, frutas, verduras. Queremos alimentos sadios. A humanidade necessita alimentos para viver e pretende alimentos bons. A chuva cai do céu, as águas (ainda) têm seu ciclo natural. As sementes de soja, arroz, milho, as mudas de hortaliças, as laranjeiras também caem do céu? Ou atrás das propaladas 'safras recorde' está um trabalho altamente profissional, complexo, que envolve um extensa cadeia de insumos, planificação e, sempre, uma importante parcela de dependência das condições climáticas?
A agricultura é um setor da produção que, além de ser estratégico para o país, gera-lhe divisas na balança comercial. Carece, no entanto, de definições políticas. É de se repetir mais e mais vezes: a agricultura é necessária, a agricultura é essencial. A agricultura é fator de segurança nacional. Para ter o grão, é necessário que alguém o plante, cuide, colha, beneficie. Quanto tempo ainda poderá o agricultor plantar com prejuízo?
O Brasil não tem política agrícola. Sem poder contar com esse instrumento balizador, a agricultura tem sido, nos últimos anos, um esforço individual dos produtores, submetidos, de forma caótica, a incertezas de decisões tomadas em geral de forma intempestiva. Agora que se avizinham as eleições presidenciais, é o momento de buscarmos exercer o espaço de cidadania que o regime democrático nos oferece. Aqui falamos dos agricultores; porém, cada um dentro de seu enfoque tem, nas eleições, a oportunidade de direcionar o futuro de seu país. Não apenas ouvindo o que os candidatos dizem, mas apresentando-lhes suas pautas de reivindicações, fazendo com que se comprometam com as necessidades setoriais.
Para o pleno exercício desse direito, é necessária uma profunda discussão setorial para avaliação de sua situação, das causas que levaram a ela e de qual a melhor política para o setor, tanto no comércio interno como no externo. Definida essa pauta, é necessário obter com clareza dos candidatos sua opinião: concordam e se comprometem? Não concordam, mas assumem que têm para o assunto uma política diferente? E qual é? É a oportunidade que o setor t em para buscar para si um exercício mais tranqüilo de seu trabalho.
Colunistas
PANORAMA POLÍTICO - A. Burd
VOLTAM À VITRINE
Com a provável retirada da candidatura de Paulinho da Força Sindical, dois gaúchos voltam a ser cogitados para vice na chapa de Ciro Gomes: Alceu Collares e Sônia Santos. O ex-governador tinha sido incluído na lista por Leonel Brizola desde os primeiros entendimentos da Frente Trabalhista. O PTB insistiu e ficou com a vaga. Agora, o PDT se sente com mais cacife para indicar. Mesmo assim, o PTB não entregará de mão beijada. Vai sugerir Sônia Santos, que se destacou há dois meses durante as negociações entre os três partidos no eixo São Paulo-Rio-Brasília, a ponto de surgir como pré-candidata. Só não se confirmou porque a Força Sindical ameaçou deixar a campanha presidencial se Paulinho, seu presidente, não fosse o escolhido.
SAI E NÃO SAI
Ciro Gomes tenta se livrar dos problemas de parceria antes que comecem debates em rádio e TV. Cobrança dos adversários no ar pode ser golpe fatal. José Martinez admitiu sair; porém, Paulinho resiste.
NO FORNO
Lideranças de PMDB, PPB, PSDB, PDT e PTB jantaram ontem à noite. Na mesa, a sucessão estadual. No forno, um possível entendimento. Resumo: podem criar um fato novo contra a bipolarização.
VAI QUE É TUA
O PDT abre o Festival de Gentilezas: 'Aceite, por favor, a candidatura ao governo do Estado'. A resposta sem pestanejar: 'A honra cabe a vossa excelência'. Mais uma arremetida: 'Sempre cogitamos seu nome'. Nova esquiva: 'Não está nos meus planos. Já fiz vários sacrifícios'. Conclusão: o que nos outros partidos disputam até a tapas no PDT é recusado com cerimonial e salamaleque de fazer inveja ao Itamaraty.
TEM ESPERANÇA
O movimento de aproximação de Tarso Genro com PDT é gesto correto de político que não fecha porta. Mesmo tendo enfrentado os trabalhistas no 2O turno da eleição à Prefeitura de Porto Alegre em 2000, jamais partiu para agressão. Plantou e agora tem uma chance de colher.
AGORA SIM
Ciro Gomes espera que tenham sido superadas as divergências internas e, a partir desta semana, possa agendar sua vinda ao RS sem a necessidade de usar perneiras altas.
CHAMAS ALTAS
Pegou fogo a reunião da Comissão de Saúde e Meio Ambiente da Câmara Municipal na manhã de ontem. O presidente do Sindicato Médico do RS, Paulo de Argollo Mendes, tentou esclarecer na defesa do interesse público e acabou agredido por governistas. Fato lamentável.
VOCABULÁRIO ERUDITO
Vereadores abriram ontem o dicionário das regras de polidez durante reunião da Comissão de Economia e Finanças. O que se ouviu: 'Moleque', 'representante dos banqueiros', 'é vossa excelência', 'devolvo o elogio'. O trailler do clima político a ser vivido neste semestre.
O VIRA-VIRA
Secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Paulo O'Neill, que jogou muita lama no Brasil e na Argentina, agora elogia o trabalho da equipe econômica do ministro Malan. Como é mesmo que psiquiatras enquadram essas mudanças súbitas?
APELO
O prefeito de Caxias do Sul, Pepe Vargas, da Democracia Socialista, acha que 'o PT Amplo, o Pólo de Esquerda e a Rede precisam fazer mais campanha e parar com intrigas que visam somente à disputa interna'.
APARTES
Assembléia Legislativa promete sessão plenária agitada na terça-feira.
Governo brasileiro consegue vender apartamento do ex-juiz Nicolau em Miami: 835 mil dólares.
Palanque de Garotinho caiu ontem no Rio quando ele discursava chamando o presidente FHC de frouxo.
Lambança no ar: Rosinha Matheus, esposa de Garotinho, diz que Marta usou Suplicy e o descartou.
Porto Alegre terá Corredor da Cavalgada, de Belém Velho a Belém Novo. Projeto entra 2a-feira na Câmara.
Deputado Vieira da Cunha declara-se veemente, não irreverente, sobretudo com Brizola, o seu chefe.
Eletricitário aposentado alerta: os colocadores de galhardetes em postes se expõem e correm perigo de vida.
Deu no jornal: 'Argentinos têm mais de 28 bi de dólares debaixo do colchão'. E não conseguem dormir.
Tesoureiros de campanhas gostariam de ter coceira na mão esquerda, um dos sinais de estar vindo dinheiro.
Editorial
ABATE DE AVIÕES
Neste país em que a cada momento estão as autoridades verificando terem cometido enganos relativamente a pessoas e fatos, não raro obrigadas a pedir perdão depois, é deveras preocupante o decreto que FHC ou já assinou ou pretende fazê-lo, autorizando abate de aviões considerados clandestinos. A medida seria tomada com base em lei do Congresso datada de 1998, pendente de regulamentação até hoje pelas controvérsias que tem despertado. De um lado, a Aeronáutica a dizer de sua perplexidade quando suspeita de alguma aeronave por não ter autorização que reprima vôos clandestinos; de outra, pressões políticas internas e até externas contra a lei - como a do ex-ministro José Gregori, da Justiça, e de organismos de defesa dos direitos humanos. Entendem que a legislação contraria a Constituição, para a qual ninguém pode ser condenado sem processo formal, além de excluir a pena de morte.
A discussão recomeçou depois que o presidente Fernando Henrique, há poucos dias, inaugurou em Manaus parte da estrutura do Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam), organismo que, como diz o próprio nome, zela pelas fronteiras da região mais submetida, no país, ao tráfico de drogas. É essa uma das mais meritórias tarefas dadas à FAB, pois resguarda o território nacional de ser rota de traficantes que usam a floresta amazônica como zona de pouso de seus aviões. A benemerência do serviço de patrulha aérea, porém, não poderá servir de motivo para autorização do abate, iniciativa na qual avulta a risco de enganos, como tem acontecido tanto no Brasil como no exterior.
O abate, antes das cautelas recomendadas, é uma temeridade só desculpável depois da comprovação do caráter delituoso do vôo. Os pilotos da Força Aérea e o pessoal do controle de terra têm meios adequados para levar os suspeitos a um aeroporto legal da área. Em caso de erro, ninguém se eximirá de culpa: nem os congressistas que fizeram a lei, nem o presidente que a regulamentou por decreto de decisão pessoal, muito menos quem executar a violência que corresponde a uma sentença de morte.
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08/03/2002
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