CHEFE DA FISCALIZAÇÃO AFIRMA QUE NÃO PEDIU MUDANÇA NA CARTA DA BMF
A chefe do Departamento de Fiscalização do Banco Central, Teresa Cristina Grossi, afirmou à CPI do sistema financeiro que partiu dela a iniciativa de pedir à Bolsa de Mercadorias & Futuros uma carta com um alerta sobre as dificuldades enfrentadas por alguns bancos que apostaram na manutenção da política cambial de bandas fixas. Ela garantiu, no entanto, que em nenhum momento pediu para a BMF modificar o texto da carta, exceto para retirar os nomes dos bancos Marka e FonteCindam, para não tornar pública a situação das instituições.Num depoimento de quase cinco horas, Teresa Grossi disse que o secretário-executivo do Comitê de Política Monetária, Alexandre Pundek, participou de uma longa reunião no dia 14 de janeiro, encerrada às 23 h, para tratar do caso Marka a pedido do então presidente do BC, Francisco Lopes. Na última quinta-feira, Pundek garantiu que esteve na reunião por livre iniciativa, e não a pedido de Lopes.Interrogada pelo senador Jader Barbalho (PA), líder do PMDB no Senado, a chefe da Fiscalização informou que sua área "não fez nenhuma fiscalização" no Banco FonteCindam antes do Banco Central vender dólares a preços favoráveis àquela instituição. "Esse trabalho não foi solicitado à Fiscalização. Só foi pedida fiscalização no Banco Marka", frisou. A venda de dólares a preços abaixo da cotação do dia é um dos fatos sob investigação da CPI.Ao senador Eduardo Siqueira Campos (PFL-TO), Teresa Grossi disse que os Bancos Marka e FonteCindam foram fiscalizados no passado pelo BC e nada de irregular foi detectado. "Nós erramos nessa, mas acertamos e muitas outras", assinalou. Depois de lamentar o "reduzido" número de funcionários (cerca de 800 pessoas), os baixos salários e a fuga de servidores atraídos por repartições públicas que pagam mais, a chefe da Fiscalização desmentiu que o ex-dono do Marka tenha tido, no final, um lucro superior a R$ 500 milhões. "Isso não tem o menor fundamento." Ela confirmou que o Marka atuou ainda na Bolsa de Mercadorias & Futuros até o final de janeiro, mas apenas para fechar contratos assinados até a intervenção do Banco Central, que acompanhou todas as operações. Questionada pelo senador Eduardo Suplicy (PT-SP), a funcionária do BC sustentou que, não fosse a venda de dólares ao Marka e ao FonteCindam, "teríamos uma crise de credibilidade bancária, uma quebradeira no sistema financeiro". "Naquele momento, tínhamos absoluta certeza que banda cambial seria mantida", disse. O senador Pedro Simon (PMDB-RS) achou estranho que, ante um risco "tão sério para o país", o ministro da Fazenda e o presidente da República não tenham sido informados da situação pelo BC. Ao senador José Roberto Arruda (PSDB-DF), vice-presidente da CPI, Teresa Grossi informou que a repatriação de aproximadamente US$ 17 milhões que o ex-dono do Marka, Salvatore Cacciola, enviou para o exterior nos dias da crise "envolve tratativas com outros países". Apesar disso, o BC está rastreando para verificar onde o dinheiro foi parar.
03/05/1999
Agência Senado
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