China quer técnica que transforma pneu em combustível
China quer técnica que transforma pneu em combustível
A Petrobras está negociando com o governo chinês a venda da tecnologia de produção de óleo combustível e gás a partir da mistura de pneus usados ao xisto pirobetuminoso, mineral existente em São Mateus do Sul (região sul do Paraná, a 140 quilômetros de Curitiba) uma das maiores reservas mundiais.
Desde o início do ano, fabricantes ou importadores brasileiros de pneus são obrigados a recolher e dar destino aos pneus fora de uso.
O programa é desenvolvido pela unidade da estatal localizada no município paranaense, em convênio com os importadores brasileiros de pneus usados para reutilização. Em nove meses, foram reciclados 1 milhão de unidades (5 mil toneladas). Esse volume, no entanto, está muito abaixo da capacidade de processamento da fábrica: 27 milhões de pneus por ano (135 mil toneladas).
Segundo o engenheiro Elio de Jesus Paes, gerente de Planejamento e Controladoria da Unidade de Industrialização do Xisto, além de solução ambiental, a utilização dos pneus também possui viabilidade econômica. “Enquanto o xisto possui 10% de óleo, a borracha tem mais de 50%”, compara Paes. Outra vantagem, de acordo com o engenheiro, é que a mistura gera produtos de melhor qualidade, como um óleo mais viscoso.
Cortados em pedaços, os pneus substituem 5% do xisto utilizado na produção —a cada tonelada processada, são economizados 50 quilos de xisto. Atualmente, a unidade de São Mateus do Sul consome 8 mil toneladas de xisto e 48 toneladas de pneus por dia. Por falta de matéria-prima, a adição de borracha só atinge 12% das 400 toneladas diárias que seriam possíveis.
O aproveitamento do pneu atinge 65% (52% em óleo e gás e os 13% restantes em subprodutos, como enxofre e arame, retirado dos pneus radiais). O restante é utilizado na recomposição do solo nas cavas das minas de onde foi retirado o xisto.
A Resolução 258/99 do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) obriga fabricantes e importadores a coletar e dar destino final ambientalmente adequado aos pneus fora de uso. O processo é gradativo: começa com um para quatro (a reciclagem obrigatória de um pneu para cada quatro novos colocados no mercado) e chegará a quatro por cinco, em 2005.
O custo do processo para a indústria de pneus (coleta, corte e transporte até a Petrobras) é de R$ 200 a toneladas. A coleta é feita principalmente por catadores de lixo, que recebem R$ 0,30 por pneu de carro de passeio e R$ 0,50 por pneu de caminhonete.
Francisco Simeão, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Pneus Remodelados (Abip), diz que apenas os importadores de pneus usados cumprem hoje a resolução do Conama. A Abip processa 100 mil unidades por mês, apenas 3% da produção brasileira.
Simeão é dono da BS Colway, instalada em Piraquara (região metropolitana de Curitiba), a maior empresa de remodelagem do país, que processa 360 mil unidades por ano, importadas da Europa. O processo reconstitui totalmente o pneu, com a colocação de borracha nova, que garantem vida útil de cinco anos.
A BS Colway é responsável pelo fornecimento de 77% dos pneus triturados enviados à Petrobras. Além dela, outros cinco fabricantes –de Paraná, Santa Catarina, São Paulo e Rio de Janeiro—abastecem a unidade de xisto.
Fórum elabora alternativas à paz mundial
O aceno de milhares de lenços brancos simbolizou a luta pela paz no encerramento oficial do segundo Fórum Social Mundial (FSM), na manhã de ontem em Porto Alegre. Uma cerimônia realizada no campus da PUC/RS reuniu milhares de pessoas e teve transmissão ao vivo em telões instalados no Anfiteatro Pôr-do-Sol e no Acampamento da Juventude.
Cerca de 80 mil pessoas participaram desta edição do Fórum Social Mundial. Segundo dados do comitê organizador, havia mais de 50 mil participantes credenciados e 15 mil delegados representando 131 países. Cerca de 15 mil jovens de 52 países estavam no Acampamento Intercontinental da Juventude, montado em um parque. Depois do Brasil, as maiores delegações vieram da Itália, com 979 delegados,
Argentina, com 924, e França com 682 representantes. Uruguai e Estados Unidos também trouxeram mais de 400 pessoas, cada um. A cobertura do Fórum também foi intensa e 2,4 mil jornalistas de 48 países acompanharam as 27 conferências e 700 oficinas realizadas.
O governador Olívio Dutra (PT) disse ontem à tarde que o Fórum Social Mundial 2002 serviu para elaborar alternativas para a construção da paz. “O Fórum não esgotou o tema, mas apontou reservas na humanidade que os projetos de guerra e os neoliberais pensavam ter soterrado”, avaliou. Olívio Dutra lembrou que o primeiro evento, em 2001, levantou grandes questões, como a dívida externa e os paraísos fiscais no Brasil. O governador gaúcho enfatizou que, no decorrer do ano passado, até o Papa se manifestou pelo perdão da dívida, assim como o presidente Fernando Henrique Cardoso falou da necessidade de acabar com os paraísos fiscais.
Marcopolo embarca 264 ônibus este ano
A Marcopolo, fábrica de carroçarias de ônibus, em Caxias do Sul, na região da Serra gaúcha, prepara mais um embarque internacional para esta sexta feira, via porto público de Rio Grande. Desta vez serão 35 unidades, sendo 15 do modelo Paradiso (interurbanos) e 20 do modelo Viale DD (veículos urbanos com dois andares) que serão içados à bordo do navio “Scan Oceanic”, de bandeira alemã, com destino a Durbin, na África do Sul. Com este embarque, e empresa contabiliza a remessa de 264 unidades para o mercado internacional, desde o início do ano.
Ontem, mais 56 unidades em PKD (carroçaria limpa, sem bancos e sem chassis) seguiram a bordo do “Independente” para Altamira, no México, com embarque pelo porto de Itajaí, em Santa Catarina.
Em janeiro, a Marcopolo havia feito outros três embarques no porto público de Rio Grande. Num, foram 91 veículos (23 do modelo Sênior e 40 do modelo Viale para o Kuwait e 28 do modelo Andare para os Emirados Árabes) a bordo do navio Leye de bandeira coreana. Em outro, a empresa caxiense despachou 30 unidades do modelo Viale DD e outros 12 do modelo Paradiso com destino a África do Sul. E mais 40 carroçarias em PKD seguiram a bordo do Pacific Explorer para o México. Desde junho do ano passado, quando foram retomadas as operações por Rio Grande, a Marcopolo somou 650 unidades embarcadas naquele porto gaúcho.
Em dezembro do ano passado, a encarroçadora gaúcha promoveu o embarque recorde, de uma só vez, com destino aos Emirados Árabes e a Arábia Saudita, a bordo do mesmo navio, o Asian Glory, num total de 303 unidades. Essa operação começou em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, dia 19 de dezembro, onde foram embarcadas 176 unidades produzidas na fábrica carioca da Marcopolo. Dia 21, o navio recebeu, já no porto público em Rio Grande, mais 127 unidades fabricadas em Caxias do Sul. A remessa foi a primeira de uma série de 1,5 mil unidades, cuja entrega deve ser concluída em dois anos.
Governo catarinense quer termelétrica
O governo catarinense ainda não desistiu da idéia de implantar a Termocatarinense Norte (TCN), termelétrica a gás natural que deveria ter sido construída pelo grupo norte-americano El Paso no município de Guaramirim, norte do estado. A empresa anunciou em dezembro que não construirá mais a usina e o projeto foi excluído do Programa Prioritário de Termelétrica(PPT). Depois de reunião realizada ontem para discutir o assunto, o presidente do Grupo Executivo de Energia de Santa Catarina (Geenesc), vice-governador Paulo Bauer, anunciou que irá a Brasília no próximo dia 20 para debater o projeto com o governo federal.
Bauer quer saber se, depois das novas medidas anunciadas para o setor elétrico, há possibilidade de o Banco Na cional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) financiar o projeto para a Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc). A distribuidora de energia catarinense acaba de ter seu novo modelo de gestão aprovado, dividindo a companhia em três unidades, voltadas para distribuição, geração e telecomunicações. “A Celesc Geração já está constituída e se o BNDES financiar pode assumir o projeto, em parceria com um operador internacional”, afirmou.
Nas conversas com o ministro de Minas e Emergia, José Jorge, e com o presidente da Câmara de Gestão da Crise de Energia (GCE), ministro Pedro Parente, o governo catarinense vai tentar incluir outra vez o projeto no PPT, que permite fornecimento do gás natural a preços inferiores. “Depois de tudo isso vamos definir o caminho que teremos que definir. Mas que a termelétrica vai ser construída, isso vai”, disse o vice-governador, o mais entusiasta defensor do projeto no estado.
O acordo com a El Paso, que se comprometera a construir a usina, não prosperou porque os norte-americanos e a Celesc (que compraria a energia gerada pela TCN) não chegaram a um acordo quanto ao contrato de longo prazo para venda da energia (o chamado PPA). Agora a Celesc e a SC Gás (distribuidora do gás natural em Santa Catarina) vão primeiro apresentar minutas de contratos, antes que seja definido um novo investidor privado para o projeto.
Arroz é desviado de estoque federal
Os arrozeiros gaúchos querem que a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aumente a fiscalização e lacre os pontos de armazenagem do grão no Rio Grande do Sul para evitar desvios do produto pertencente aos estoques reguladores do governo federal. O pleito foi levado ontem ao superintendente regional da Conab, Guilerme Socias Villela, por uma comissão formada por representantes da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz) e Instituto Rio-Grandense do Arroz (Irga). Os orizicultores reclamam que muitos armazenadores privados, fiéis depositários da mercadoria, estão realizando operações ilegais com o arroz do governo, o que baixaria a cotação do produto na atual safra, que está para começar a ser colhida.
Segundo os produtores, os proprietários de silos e armazéns que alugam seus depósitos para o governo estão vendendo o produto agora, no pico da entresafra, para depois repor os estoques na época da colheita, quando a oferta é maior e, os preços, menores.
"Isso é históritoco e os sinais do mercado indicam esta movimentação. O preço da saca agora, na entresafra, chegou a estar perto de R$ 20 e caiu para em torno de R$ 17 a R$ 18. E a cotação na entressafra baliza o preço durante a safra. Isso é apropriação indébita e vai achatar o valor do arroz pago ao agricultor", observa o conselheiro do Irga Juarez Petry, também produtor em Tapes, na região Sul do Estado. Por enquanto, os orizicultores projetam que, durante a safra, a saca do grão vai estar avaliada em R$ 16.
No documento levado à Conab, os representantes do Irga, Farsul e Federarroz pedem ainda um levantamento completo dos estoques de arroz no Rio Grande do Sul. O lacre dos depósitos seria por 60 dias. A movimentação dos estoques de um silo para outro, a chamada transilagem, recurso utilizado como precaução contra possíveis estragos nos grãos, poderia ser executada somente com a presença de técnicos credenciados. Segundo a Conab, o volume de arroz pertencente aos estoques reguladores do governo chegam hoje a aproximadamente 524 mil toneladas, espalhadas por 181 pontos - 154 silos e 27 armazéns. Os produtores calculam que toda a mercadoria está hoje avaliada em aproximadamente R$ 185 milhões. Os arrozeiros alertaram ainda que, caso o governo não se antecipe agora para evitar o desvio do grão e o desequilíbrio do mercado, precisará intervir mais tarde, gastando dinheiro comprar parte do excedente e normalizar a situação. Durante a reunião de ontem, os produtores também pediram informalmente um maior controle sobre as indústrias, para verificar a procedência do arroz beneficiado.
Embora demonstrando interesse pela causa dos produtores, o superintendente da Conab disse que não possui autonomia para atender as exigências da classe. Mas comprometeu-se a levar as reivindicações à superintendência nacional, em Brasília. Mesmo prometendo uma fiscalização mais rigorosa a partir de agora, Villela admitiu durante o encontro que o número de profissionais voltados para a função no Estado é hoje insuficiente para um controle mais eficiente. Aliados aos 11 fiscais gaúchos que estão percorrendo as regiões produtoras, foram deslocados outros três - dois de Goiás e um dos Piauí - para reforçar o trabalho. Inicialmente, o superintendente não acredita na viabilidade do lacre. "Isso poderia atrapalhar o controle fitossanitário do grão armazenado", pondera.
Villela revelou ainda que, a cada ano, diminuem o número de casos de desvio de arroz no Rio Grande do Sul. E, até ontem, os fiscais não tinham encontrado qualquer indício de irregularidade nos estoques vistoriados. "Mas hoje (ontem) pela manhã nosso pessoal foi impedido de entrar em uma cooperativa", contou Vilella, preferindo não revelar a cidade onde os servidores da Conab foram barrados e prometendo medidas para executar a vistoria. O Irga também colocou técnicos do instituto à disposição para reforçar o controle em silos e armazéns no Estado. A próxima movimentação dos arrozeiros gaúchos está prevista para amanhã. Desta vez a reunião será diretamente em Brasília, com o superintendente nacional da Conab, Vilmondes Olegário.
No Rio Grande do Sul, a previsão para é de uma colheita de aproximadamente 5 milhões de toneladas de arroz. O Estado, que representa 48% da produção nacional do grão, conta com aproximadamente 14 mil agricultores. As lavouras se concentram principalmente na Metade Sul gaúcha, onde são encontradas as terras mais apropriadas para a cultura.
Pesquisa aponta que 15% dos paranaenses abrem negócios
Um em cada sete paranaenses está tentando consolidar um negócio. São 976,5 mil pessoas, 14,9% da população estadual na idade adulta, entre 18 e 64 anos. Essa é a principal conclusão de uma pesquisa inédita sobre o grau de empreendedorismo, divulgada ontem, em Curitiba. O estado tem 9,56 milhões de habitantes.
O Paraná foi a única unidade da federação pesquisada individualmente no Programa GEM (sigla em inglês para monitoramento global de empreendedorismo), que reúne organismos públicos e privados e pesquisa o tema em 29 países, entre eles o Brasil. A explicação para a exclusividade paranaense é que o estado sedia o Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP), instituição privada sem fins lucrativos, que realizou a pesquisa no Brasil.
O grau de empreendedorismo paranaense supera levemente a média brasileira, que é de 14,2% da população e envolve 16,33 milhões de pessoas. O Brasil se classificou em quinto lugar entre os países pesquisados, atrás de México, Nova Zelândia, Austrália e Coréia. A pesquisa leva em conta qualquer iniciativa de início de negócio, desde a do desempregado que compra um carrinho de cachorro quente até o industrial que abre uma nova fábrica.
Na avaliação de Marcos Mueller Schlemm, professor de Administração da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Paraná e coordenador do programa GEM no Brasil, o estado é beneficiado por quatro fatores principais: educação científica e tecnológica de qualidade; programas de apoio desenvolvidos por universidades e órgãos governamentais; melhor infra-estrutura que outros estados (principalmente em telecomunicações, energia e fornecimento de água) e diversidade étnica que contribuiu para formar uma imagem positiva de quem aplica em novos negócios.
“No Brasil, há uma cultura desfavorável. O empreendedor é mal visto, como quem só qu er tirar benefício pessoal do investimento”, afirma Schlemm, PhD em administração. “A formação paranaense, com forte influência européia, ajudou a melhorar essa imagem.”
Os principais fatores negativos obtidos na pesquisa, que entrevistou 2 mil paranaenses, foram a alta carga tributária, a dificuldade de acesso a financiamentos, os juros elevados e a divulgação deficiente de programas governamentais de incentivo à abertura de empresas.
O acesso ao crédito oficial é tão difícil que apenas 12,93% dos investidores entrevistados obtiveram o dinheiro em programas governamentais e 10,27% buscaram empréstimos em bancos e instituições privadas. A maioria absoluta recorreu a recursos próprios (50,19%), ou ao círculo familiar (13,31%).
Em tempos de desemprego e crise econômica, o empreendedorismo no Paraná é fortemente marcado pela necessidade. Dos entrevistados, 42% responderam que decidiram investir por falta de outra opção (no Brasil esse fator representa 40% do total). Os que se tornaram empreendedores vislumbrando uma oportunidade de negócio representam 45% do total paranaense.
“Acreditamos que grande parte dos que iniciaram negócios por necessidade estejam na informalidade”, avalia Lúcio de Fraga Brusch, superintendente do IBPQ. Essa questão não foi abrangida pela pesquisa.
Do total de empresas abertas no Paraná, 68% são nascentes (com até três meses de existência) e 32% são classificadas como novas (criadas há até 42 meses). O índice de “mortalidade” dessas empresas não foi calculado. Pesquisa do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) apontou que mais de 70% dos empreendimentos abertos no Brasil não chegam ao quinto ano de vida.
A atividade mais procurada pelos paranaenses é o comércio (34% das opções), seguida da indúistria de transformação (16%) e do ramo de hotéis e restaurantes (10%). Os técnicos do IBQP calculam que, se metade das empresas criadas sobreviverem e empregarem apenas uma pessoa (a média nacional é cinco), elas serão responsáveis pela geração de quase 500 mil postos de trabalho.
As regiões de Curitiba (com 16,3%) e Cascavel (15,8%) foram as que apresentaram melhor grau de empreendedorismo. O menor foi verificado na área de Ponta Grossa, com 8%.
A pesquisa brasileira custou R$ 500 mil e foi patrocinada pelo Sebrae. Em todo o País, foram entrevistados 4 mil pessoas, metade delas no Paraná. Além dos questionários, os pesquisadores entrevistaram 36 especialistas e utilizaram dados estatísticos oficiais.
Artigos
Criatividade, seriedade e determinação na luta contra o crime
Ney Leprevost
Que o Brasil vive uma verdade situação de desespero provocada pela ousadia do crime organizado não é novidade pra ninguém. Que a maioria das medidas adotas pelas autoridades para combater o crime não tem se mostrado completamente eficazes também já se tornou óbvio. A novidade é que agora os responsáveis pela elaboração da legislação e pela sua execução no combate ao banditismo também estão sofrendo os medos que os simples mortais sofrem há muitos anos.
Os assassinatos de prefeitos no interior de São Paulo estão provocando um debate nacional sobre as medidas que devem ser aplicadas para diminuir a violência no país. Publicações respeitadas nacionalmente como as revistas Veja e Isto É trazem o tema em suas matérias de capa. As propostas que surgem são muitas. Entre elas podemos destacar, como bastante coerentes, a unificação das polícias, o combate a corrupção policial e política, melhores salários e equipamentos para os policiais, tecnologia avançada no levantamento de dados sobre a criminalidade e mudanças na legislação estabelecendo punições mais rígidas para os condenados.
Nós particularmente, entendemos que a guerra contra o crime só será vencida com participação efetiva da sociedade e principalmente dos governantes. O exemplo deve vir de cima, a classe política tem a obrigação de combate a corrupção, que mesmo que indiretamente, gera violência. Outra providência imediata é o investimento maciço na educação de nossas crianças. As possibilidades de um adolescente que freqüentou a escola aderir ao “exército do crime” é menor do que a dos que não tiveram chance de receber educação e preparo.
Outra questão que merece ser analisada é a proposta de reformarmos nossa Constituição Federal com objetivo de instituirmos no Brasil a prisão perpétua com trabalhos forçados para criminosos de alta periculosidade. Afinal, temos que admitir que existem elementos tão cruéis que devem ser afastados definitivamente do convívio social. Por questões religiosas, filosóficas e até pragmáticas não concordamos com os que apregoam a instituição da pena de morte. Até porque corríamos o risco de condenar pessoas inocentes.
Portanto a maneira de mantermos nossa gente livre de estupradores, seqüestradores, latrocidas e outros belzebus do gênero e trancafiá-los separadamente dos criminosos comuns e obrigá-los a trabalhar para garantir seu sustento dentro do cárcere. Quanto aos presos comuns, estes menos perigosos, nosso Código Penal incentiva o trabalho ofertando para os que o exercem a diminuição da pena. Esse é um ponto positivo. Porém, em um sistema penitenciário arcaico como o brasileiro, nem todos os presídios estão aptos a oferecer oportunidades dignas de trabalho aos detentos.
É aqui, que vale ressaltarmos o exemplo do Paraná. Quando estivemos à frente da Secretaria Estadual de Esporte e Turismo reativamos um projeto antigo que estava abandonado. Trata-se do “ Pintando a Liberdade”, através do qual os detentos recebem treinamento, maquinaria e material para confeccionar bolas, redes e sacolas esportivas para as escolas públicas do Estado. Além do detento ocupar a cabeça com uma atividade produtiva ele também aprende um ofício para exercer após o cumprimento de sua pena. E ainda recebe um salário, por produção, para ajudar a sua família. De cada 3 dias trabalhados, o detento ficará preso um dia a menos. O “ Pintando a Liberdade “ é prova de que com soluções criativas e boa vontade é possível melhorar o nosso sistema prisional.
É essa vontade sincera de melhorar a segurança pública no Brasil que devemos cobrar de nossos governantes. Pois se a sociedade e o poder público trabalharem com criatividade, seriedade e determinação essa guerra pode ser vencida. Aqui não é o Afeganistão e muito menos a Colômbia. Aqui é o Brasil! E a nossa bandeira está escrito Ordem e Progresso.
Colunistas
NOMES & NOTAS
Competence
A agência de publicidade Competence comemorou ontem a conquista do “ prêmio image” do Festival de Now York de propaganda com uma campanha de imagem da Volkswagen na região Sul. Partindo do conceito de que o automóvel Volkswagen consegue manter o maior valor na revenda e menor custo de manutenção, a Competence usou ainda a marca da campanha nacional: “Voce Conhece, você confia” para dar uma visão regionalizada com a frase: “O carro de tradição gaúcha” reforçando a idéia da sigla CTG, nos anúncios, que é a abreviatura do Centro de Tradições Gaúchas. A idéia da campnha regionalizadas foi bem recebida pela direção da volkswagen. Mesmo com uma forte exposição de mídia da General Motors, devido a instalação de sua fábrica em Porto Alegre, a volkswagen conseguiu manter a liderança de mercado em venda e lembrança da marca em 2000 e 2001. A volkswagen vendeu no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul 83,5 mil carros em 2001, o que significa 21.4% do total das vendas da montadora. A Volkswagen quer levar adiante o projeto de campanhas de imagem regionalizada através da agência Competence, que possui escritórios em Porto Alegre e Curitiba.
Florescer
Raul Randon, presidente do grup o Randon, um dos maiores grupos gaúchos, realiza mais um sonho nesta quinta-feira. Será inaugurado o Programa Florescer, dirigido a crianças de 7 a 14 anos. Com sede no parque industrial da Randon em Caxias do Sul (RS), o centro além de atividades pedagógicas inclui transporte e alimentação para filhos de funcionários da empresa e das duas escolas públicas de bairros próximos.
Boicote
Formandos de Medicina da Federal debatem essa semana a possibilidade de boicotar o Provão. Nada contra o MEC. Será apenas um protesto à falta de equipamento da universidade e de orientação por parte de alguns professores. Os estudantes avaliam que o boicote poderá despertar a atenção do MEC ao curso de Medicina – ano passado já houve um boicote semelhante - podendo ocorrer uma intervenção do Ministério no curso, o que será positivo para os futuros formandos.
Restauração
A Alberto Pasqualini Refap S/A, refinaria localizada em Canoas (RS), destinou R$ 2,8 milhões para restauração da antiga Escola Militar de Rio Pardo, um prédio em estilo neoclássico erguido há 154 anos em Rio Pardo e tombado pelo Patrimônio Histórico gaúcho. O colégio teve alunos ilustres como Getúlio Vargas e os marechais Eurico Gaspar Dutra e João Batista Mascarenhas de Morais. O trabalho de restauração vai durar 15 meses.
Turismo
Quem passar o carnaval no litoral poderá desfrutar um passeio extra, na Quarta-feira de cinzas. A Serra Verde Express irá fazer o caminho inverso, no sentido Paranaguá-Curitiba. A litorina funcionará também, mas com saída de Curitiba. Os preços serão promocionais.
Happy hour
O Hotel-escola Centro Europeu inova. Por apenas R$ 5,00 pode-se desfrutar de 30 pratos diferentes, das 17:30h às 19:30h e com estacionamento grátis.
Veterinária
A médica veterinária Lis de Oliveira Sousa, chefe do Núcleo de Epidemiologia da Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Tocantins, chegou ao Paraná para um estágio de três dias. “O Paraná tem larga experiência e um grandioso trabalho desenvolvido na área de epidemiologia”, reconhece o diretor-presidente da Agência de Defesa daquele Estado, Reynaldo Soares de Oliveira Silva. Lis está estagiando com a médica veterinária Maria do Carmo Pessoa Silva, chefe da seção de epidemiologia da Secretaria da Agricultura do Paraná.
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02/06/2002
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