Começa a retirada de Roseana
Começa a retirada de Roseana
Novo adiamento do discurso de José Sarney contra governo abre caminho para PFL detonar candidata .
Pela terceira vez – e numa operação que pode marcar o início do fim da candidatura de Roseana Sarney (PFL) à Presidência da República –, o seu pai, senador José Sarney (PMDB-AP), adiou o discurso que promete fazer na tribuna do Senado para atacar o governo federal.
A decisão foi motivada por um pedido de caráter pessoal feito pelo presidente do PFL, Jorge Bornhausen, que trabalha a todo vapor nos bastidores para evitar um guerra aberta contra o presidente Fernando Henrique Cardoso.
O adiamento do discurso, que estava marcado para hoje, é visto como mais um indício de que o PFL começa a preparar a desmontagem da candidatura de Roseana, diante da esperada queda da governadora do Maranhão nas pesquisas de opinião, a pós a divulgação de seu suposto envolvimento, ao lado do marido, Jorge Murad, em desvio de verbas da extinta Sudam.
Sarney, que viaja hoje a Paris, para participar do lançamento do livro Saraminda, de sua autoria, mantém em aberto a possibilidade de falar da tribuna na semana que vem. É possível que Sarney desista definitivamente do discurso em resposta à ação da Polícia Federal, que apreendeu com mandado judicial documentos da empresa Lunus, de propriedade de Roseana e de Murad, que é secretário de Planejamento do Maranhão.
O material apreendido no início do mês em São Luís chegou ontem ao Superior Tribunal de Justiça, em Brasília. Foram entregues seis caixas com documentos, um microcomputador e um envelope contendo vários papéis. O dinheiro encontrado na empresa – R$ 1,34 milhão – foi depositado em agência da CEF, em São Luís.
Maciel elogia ex-presidente da CEF
O vice-presidente Marco Maciel divulgou ontem nota oficial elogiando o desempenho do ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Emílio Carazzai. O executivo demitiu-se domingo do cargo depois das pressões da cúpula do PFL.
Marco Maciel, que o indicou para o cargo, fez o pedido domingo de manhã para que Carazzai cedesse. O ex-presidente da CEF havia anunciado sua decisão na semana passada de permanecer no cargo após a manifestação de apoio do ministro da Fazenda, Pedro Malan, alegando ainda que não era filiado ao PFL.
Na nota, o vice-presidente afirma que deseja manifestar a Carazzai o "reconhecimento pelo excelente trabalho que realizou à frente da instituição. Além de ter realizado notável gestão de saneamento financeiro e de modernização em todas as áreas de atuação da CEF, marcou seus três anos de trabalho por reconhecido tirocínio, competência e seriedade, que caracterizam sua formação de gestor, tanto em funções públicas, quanto na iniciativa privada".
Outro que tentou mas não resistiu à pressão do PFL é o presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Fernando Fontana, que entregará o pedido de demissão ao presidente Fernando Henrique Cardoso até amanhã.
Fontana é da cota do governador do Paraná, Jaime Lerner, que tentou impedir o PFL de romper com o governo de Fernando Henrique, por exigência da governadora Roseana Sarney.
FHC cobra voto do PFL para aprovar a CPMF
O presidente Fernando Henrique Cardoso defendeu ontem a união do PSDB e do PFL, no Congresso, para votar assuntos de interesse do governo.
"Acho que os partidos, ao invés de guerrearem sobre questões que só vão se colocar no futuro, na época da eleição, têm que se unir nas votações em benefício do Brasil", declarou ele, em Fortaleza, após reunião com os presidentes do Peru, Alejandro Toledo, e do Equador, Gustavo Noboa, em que discutiram a necessidade de maiores investimentos econômicos nas áreas de fronteira Peru-Equador onde conflitos militares deram lugar à paz.
Fernando Henrique tem pressa especialmente na aprovação da proposta de emenda constitucional que prorroga a cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Após o rompimento do PFL com o governo, na semana passada, o presidente vive a situação da não ter, pelo menos formalmente, a maioria parlamentar que lhe garantiu relativa tranqüilidade no Congresso em sete anos no poder.
Ele lembrou que, apesar do desembarque dos pefelistas, o presidente nacional do partido, senador Jorge Bornhausen, e o vice-presidente Marco Maciel empenharam sua palavra no sentido de que o rompimento "não implica numa quebra de compromissos com o País e o programa" em torno do qual estiveram unidos desde 1994.
"Acho que os partidos, o meu inclusive, mas sobretudo o PFL, têm que ter presente esta questão de que nós nos juntamos não por interesses eleitorais", disse Fernando Henrique, enfatizando que ambos os partidos juntaram-se porque tinham um programa para o Brasil. "Eu podia ganhar a eleição sozinho", disse FHC.
O presidente disse ter "certeza" de que contará com o apoio pefelista já nas votações desta semana: "O PFL vai mostrar seu empenho na modernização do Brasil".
Declaração via Internet deve passar dos 95%
Forma de instalar o programa da Receita é simples e facilita todo o trabalho para o contribuinte
Um dos mais altos índices de utilização da Internet na declaração do Imposto de Renda, no ano passado, foi o registrado em Brasília e, agora, espera-se que mais de 95% das declarações sejam entregues via computador.
Até ontem, a Receita Federal computava, de um total de 13 milhões de declarações esperadas em todo Brasil, 252 mil entregues, sendo 234.955 pela Internet. No DF, a expectativa é repetir os números de 2001, em torno de 360 a 380 mil declarantes.
A preferência pelo sistema informatizado é justificada. Gilberto Carrero, supervisor Regional do Programa de Imposto de Renda da 1ª Região Fiscal, lembra que a Internet é segura, rápida e fácil de ser utilizada. "O formulário cai direto no banco de dados da Receita", justifica Carrero. Para instalar o programa, deve-se: entrar no site www.receita.fazenda.gov.br clicar em Declarações IRPF 2002 no item que diz já estar disponível o programa do IR, clicar em Declaração IRPF 2002.
O programa, auto-explicativo, apresenta facilidades, como o aproveitamento de informações da declaração do ano anterior, o cálculo automático de impostos e restituições e a correção de possíveis erros.
Carrero só faz uma ressalva. "Não se deve deixar para enviar a declaração na última hora, pois poderá haver congestionamento nos provedores que atendem a Receita", esclarece.
Quem entregar mais cedo pode ter uma vantagem adicional, caso tenha devoluções a receber. Poderá receber a restituição nos primeiros lotes. A Receita Federal costuma devolver o imposto pago a mais ao longo do ano a partir de junho e segue com lotes regulares até dezembro.
A declaração pela Internet é simples. Para fazê-la basta instalar dois programas no computador, um com o formulário e outro de envio - o Receitanet.
Como há alguns anos a Receita não exige a apresentação de documentos que comprovem receitas e despesas, é preciso que o declarante esteja consciente de que deve guardar os documentos que subsidiaram a declaração por um prazo de cinco anos.
Carrero dá, ainda, uma última dica a quem pretende utilizar a Internet em sua declaração anual. "É preciso muita atenção no preenchimento dos dados cadastrais para não cair na malha fina", explica. Um exemplo é a atualização do endereço. Outro é atenção em pequenos detalhes. Ele cita o caso de mulheres que declaram em um ano com o nome de casada e, no seguinte, com o nome de solteira. "A pessoa não deve cochilar na prestação dessas informações", recomenda.
Cybercafé pode garantir acesso
Quem não tem computador ou Internet em casa ou no trabalho, não precisa se preo cupar. Existem alternativas para facilitar a vida do contribuinte. Uma delas, é recorrer a uma loja, tipo cyber café, onde se paga pelo uso da Internet. Para quem é avesso à tecnologia, a solução é declarar em formulário impresso ou pelo telefone. Neste último caso, porém, existem algumas ressalvas.
No DF, existem alguns locais, como o Cafécontato, na Asa Sul, e o Cyber Café e Espaço Cultural, no Núcleo Bandeirante, onde é possível pagar entre R$ 5 e R$ 8 pela hora na Internet (veja serviço). Se o contribuinte tiver computador em casa, pode gravar o programa de instalação em sua máquina pessoal, preparar a declaração e recorrer à Internet paga apenas para enviar o formulário.
Outra alternativa é entregar o disquete com a declaração em agências do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal ou dos Correios. Os postos da Receita Federal não estão recebendo a declaração, seja em papel ou disquete.
Existe ainda a possibilidade de declarar pelo telefone 0300-78-0300. Neste caso, porém, só poderá apresentar a Declaração Simplificada pelo sistema on line ou por telefone a pessoa física residente no Brasil, ainda que ausente no exterior (pelo telefone 55-78300-78300), se cumprir os seguintes requisitos: ter, em 31 de dezembro de 2001, a posse ou propriedade de bens ou direitos de valor total não superior a R$ 20.000,00; e fizer a opção pelo desconto simplificado de 20% dos rendimentos tributáveis, limitado a R$ 8.000,00.
Todos terão desconto para quitar imóvel
Empresa que cobra as dívidas dos mutuários pretende ampliar benefício já existente
Quem tem financiamento habitacional – anterior a 1988 – poderá ter acesso ao desconto de 100% se decidir quitar antecipadamente a dívida.
A Empresa Gestora de Ativos (Emgea), responsável pela cobrança dos débitos dos mutuários, estuda a extensão do desconto – já oferecido a contratos feitos originalmente com a Caixa Econômica Federal – também para os contratos habitacionais originários de outras instituições financeiras, com base na Lei nº 10.150 de 20 de dezembro de 2000.
Estes contratos, com cobertura do Fundo de Compensação de Variações Salariais (FCVS) e assinados até 31 de dezembro de 1987, foram repassados à Caixa Econômica Federal por causa da liquidação dos bancos de origem e cedidos, posteriormente, à Emgea.
Os mutuários que contrataram financiamento com a Caixa já receberam esse desconto. A extensão do benefício ainda depende da análise da situação dos contratos das outras instituições financeiras para que a Emgea tenha garantias do reconhecimento do saldo devedor remanescente, por parte do FCVS, fundo responsável pela sua liquidação.
O benefício também poderá ser estendido aos contratos originários de Companhias Habitacionais, as Cohabs.
Nesses casos, além da análise dos documentos, a decisão depende da concordância dos governos estaduais.
Genéricos derrubam preços de remédios
Os preços dos remédios de uso contínuo (usados para o tratamento de diabetes, hipertensão e colesterol) vêm caindo há cerca de um ano. O principal motivo, segundo o presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Abifarma), Ciro Mortella, é o crescimento da concorrência no mercado farmacêutico. O lançamento dos medicamentos genéricos, há dois anos, também forçou a queda nos preços.
Outro fator que incentivou a redução no custo dos remédios foi a isenção no PIS/Cofins para produtos de uso contínuo, em maio do ano passado. O benefício foi repassado diretamente ao consumidor, baixando os preços de alguns medicamentos em até 10%.
Na opinião do gerente da Drogaria Genérica, Roberto Rivelino, a preferência dos consumidores pelos genéricos tem forçado os grandes laboratórios a reverem a política de preços. "A concorrência entre os laboratórios também ajudou a baixar os preços", diz.
O preço do Renitec 20 mg com 30 comprimidos, medicamento contra hipertensão, caiu de aproximadamente R$ 45, há cerca de seis meses, para R$ 33,90, uma redução equivalente a 24,6%.
No entanto, o concorrente do Renitec, o medicamento genérico Maleato Enalapril, ainda custa mais barato, R$ 20,58.
Outro remédio que teve redução de preço foi o Pravacol 20mg com 130 comprimidos, remédio para controle do colesterol. O medicamento passou de R$ 70 para R$ 49 nos últimos seis meses, uma redução de 30%. O concorrente, embora não seja genérico, também ajudou a puxar o preço para baixo. O Mevalotin, do laboratório Sankyo, manteve o preço menor e cobra R$ 44 para o mesmo remédio.
Ainda de acordo com Rogério Rivelino, também nesse caso os genéricos colaboraram para que os laboratórios revissem os preços. "Os genéricos podem ser utilizados no lugar desses remédios", explica.
No entanto, Ciro Mortella afirma que em fevereiro, quando o governo federal autorizou um reajuste médio de 4,3%, os laboratórios aumentaram os preços, em média, em 4,31%. "Os remédios de uso contínuo são os que tiveram uma movimentação de queda", diz.
Polícia acaba com arremesso de anão
A polícia invadiu um concurso de arremesso de anões promovido por um bar nos Estados Unidos. Policiais e agentes da State Liquor Authority, entidade que fiscaliza os bares, surpreenderam vários clientes do bar Odissey, de Long Island, Estado de Nova York, que pagaram US$ 10 (aproximadamente R$ 25) para participar da "competição".
O concurso funcionava como uma prova de arremesso de peso, segundo publicou o jornal Newsday em sua edição de ontem. Havia cerca de 200 pessoas presentes. Dois anões eram erguidos e arremessados pelos competidores. "Havia uma área (de arremesso) no bar onde eles colocaram dois colchões de ar. Os anões usavam capacetes", contou o detetive Bruce Pescitelli, da polícia de Amityville.
Pescitelli disse que um promotor soube do evento ao ouvir um anúncio no programa do famoso radialista Howard Stern, no "rei da baixaria". Ele, então, foi disfarçado ao bar e depois chamou a polícia. Um dos anões arremessados, Lester Green, é atração do programa de Stern. Nem ele e nem o outro anão, Dominic Lucci, sofreram qualquer punição da polícia. Já o dono do bar, Tony Alfanom, foi multado em US$ 600 (R$ 1,5 mil) por realizar o concurso, que acabou sem campeão.
Legalizado em alguns Estados norte-americanos, o arremesso de anões é proibido em Nova York.
Artigos
A lógica tecnocrática
Eduardo Brito
Nada é tão linear, aparentemente, quanto o raciocínio tecnocrático, em geral, de raízes acadêmicas. Toma-se uma base de dados, aplicam-se determinados modelos e, pronto, lá se tem um bonito silogismo e a norma administrativa decorrente. Pena é que a realidade nem sempre se coaduna com essa história toda.
Exemplo acabado está na chamada flexibilização das normas trabalhistas, eufemismo utilizado para a dissolução de conquistas dos trabalhadores. Trata-se de um projeto difícil de engolir, aprovado a duras penas pela Câmara dos Deputados e atualmente sob exame do Senado. Deverá ser engavetado por uns tempos, mais pela pressa de se garantir a prorrogação da CPMF e menos pela indignada resistência de um grupo de senadores.
A linha de raciocínio dos tecnocratas-acadêmicos é precisa. Um, os direitos trabalhistas previstos na CLT oneram as empresas. Dois, as empresas andam submetidas a concorrência crescente e, portanto, precisam cortar custos. Três, forma relativamente simples de cortar custos é reduzir os gastos com mão-de-obra. Quatro, o desemprego vem crescendo. Portanto, deve-se reduzir os direitos trabalhistas, desonerando as empresas para que possam competir, sem demitir. E o desemprego tenderá naturalmente a diminuir.
Certo? Dentro da linearidade academico-tecnocrática, sim. No mundo real, esse teimoso, não.
A verdade é que os próprios tecnocratas forneceram os elementos para mostrar que as coisas não funcionam dessa forma. O chamado contrato temporário de trabalho, uma espécie de amostra grátis da flexibilização, foi criado dentro da mesma linha de raciocínio – e não pegou.
Dizem que o Brasil é o único país do mundo em que existem leis que pegam e leis que não pegam. É preferível fazer o raciocínio inverso e constatar que existem leis que não guardam qualquer contato com a realidade. Não têm mesmo como pegar. O contrato temporário de trabalho é uma delas. Embora disponibilizado aos empresários, eles próprios o rejeitaram, até porque existem fórmulas mais simples de chegar ao mesmo resultado. O contrato temporário não funcionou.
Partiu-se portanto para a flexibilização. O número de direitos trabalhistas que vão para o espaço é muito maior. A promessa implícita, dentro do mesmo raciocínio, é a de que, desonerada a empresa, mais empregos oferecerá.
Trata-se de um sofisma, embutido no mesmo raciocínio aparentemente linear. Talvez a retirada de direitos funcionasse se aí residisse a única causa do desemprego. Nessa hipótese, até o contrato temporário teria funcionado e gerado empregos, ao contrário do que realmente ocorreu.
O problema está em que há muitas razões para a redução de empregos. Estão na lista a automação, a abertura às importações, a recessão, os juros altos e por aí a fora. Esses fatores têm peso muito maior que os pobres dos direitos trabalhistas. Caso se conseguisse – ou se pudesse, ou se quisesse – neutralizar todos eles e mesmo assim o desemprego ficasse em alta, vá lá que se golpeassem os direitos sociais.
O exercício de lógica linear dos tecnocratas pode ser feito, porém, por outra via. Aliás, a verdadeira. Como é mais do que notório, em qualquer medida econômica há os que ganham e os que perdem. O contrato temporário de trabalho e a tal flexibilização não fogem à regra. Nos dois casos os ganhadores são os mesmos e os perdedores são os mesmos. Só que com o contrato temporário o ganho é uma merreca. Por isso mesmo foi desprezado. Já com a flexibilização o prêmio é bem maior. Tem quem ganhe. Certamente não será o empregado e muito menos o desempregado.
Colunistas
CLÁUDIO HUMBERTO
Filha de FHC na berlinda
"Olho por olho, dente por dente": o PFL faz uma investigação sumária dos sinais exteriores de bem-estar de familiares do presidente Fernando Henrique. Obteve certidão do cartório do 1º Ofício de Registro de Imóveis do Distrito Federal (em poder da coluna) atestando que Luciana Cardoso, filha e secretária particular de FhC, é dona de dois belos apartamentos situados num dos melhores endereços de Brasília, a SQS 105, adquiridos após a posse do pai. Os apartamentos 503 e 504 são vizinhos e foram transformados num só, com seis quartos e duas suítes.
Batom na cueca
Palavra de um tucano indignado: o araponga conhecido por "Jota Cristo", protagonista do escândalo do grampo telefônico no BNDES, e hoje exercendo função de confiança na Agência Brasileira de Inteligência, chefiou a operação que vasculhou a vida de Roseana Sarney. Já se sabe de tudo, do hotel em que se hospedou ao carro que alugou.
Passando a limpo
O presidente do PFL, Jorge Bornhausen (SC) viaja hoje a São Luís. Quer "passar a limpo" com Roseana Sarney as más notícias do fim de semana. A cúpula do PFL se inquieta com os sinais de desestabilização e alimenta as especulações sobre a desistência da sua candidata.
Campo minado
O Instituto Datafolha realiza hoje a amanhã, em todo o País, sua pesquisa de campo para apurar a intenção de voto dos brasileiros para a Presidência da República. O resultado - que deve registrar queda de Roseana Sarney – será divulgado domingo.
Ex-ministro acionado
José Carlos Barros, fazendeiro paulista ajuíza ação popular contra o ex-ministro Carlos Melles (Esporte e Turismo) e a União, pelo uso indevido de um avião da FAB, para levar o exibicionista à sua cidade. O ex-ministro vai ter que ressarcir os cofres públicos pelo uso do avião. Papai do Céu já castigou Melles com um grande susto: em São Sebastião do Paraíso (MG), o piloto foi obrigado a fazer um pouso de emergência.
Coisa de principiantes
Inexperiente na dura vida de oposição, a cúpula do PFL está prestes a fazer uma bobagem, que pode agravar a ira de um dos mais ácidos críticos de Roseana Sarney: quer obrigar na Justiça o comentarista Arnaldo Jabor a avisar o distinto público, antes de iniciar suas análises, que é padrinho de um neto de FhC. E grande amigo do presidente.
Saída esperta
O presidente de Furnas Centrais Elétricas, Luiz Carlos Santos, estava na marca do pênalti há meses, segundo um ministro com gabinete no Planalto. FhC não o despachou antes porque ficou na expectativa de um pedido de demissão. "A crise do PFL o salvou do vexame", diz o ministro.
Vice serrista
Não há vice mais adequado para o tucano José Serra que o sr. Aedes aegypti, o mosquito da dengue que ele legou ao Brasil.
Insuspeito
Palavra de colegas que se lixam para o corporativismo: é profissional íntegro o procurador da República Pedro Taques, que investiga as denúncias de maracutaias na Sudam. Segundo eles, Taques não serviria de instrumento a interesses eleitorais, muito menos tucanos.
Injustiça no Itamaraty
Projeto sob exame da Advocacia Geral da União prevê aumento de até 716% para os diplomatas de carreira, no Itamaraty, mas mantém arrochados os salários do pessoal administrativo. Diplomata iniciante vai pular de R$ 449 para R$ 3.221 mensais, mas os oficiais de Chancelaria em final de carreira continuarão amargando o salário-base de R$ 542.
Vide bula
José Serra não precisa se preocupar. Os dossiês do PFL são genéricos.
Cheiro mortal
Moradores do bairro Marco Dois, em Nova Iguaçu, denunciam o descaso da Feema com a fábrica Embellezze Cosméticos, do deputado tucano Itamar Serpa (RJ). Há mais de 15 anos ela polui o ambiente com excesso de amônia, provocando graves problemas respiratórios. As autoridades do meio ambiente ainda não sentiram o cheiro.
Rede do terror
A execução de Michael Nassar e da mulher Marie Noel, em São Paulo, foi notícia no Líbano. A cunhada do libanês garantiu ao Daily Star, de Beirute, que não foi assalto. Suspeita-se do ex-líder falangista Samir Geagea, que há 11 anos prendeu Nassar por roubar a milícia. O dono da empresa Solidere deixou uma fortuna de US$ 100 milhões.
Papo de aranha
O governo brasileiro pediu à escocesa Julie Hamilton ajuda na preservação da gigantesca aranha Golias, ameaçada de extinção. É mais uma tarântula, das mil espécies que a moça tem em casa. As Golias viram petisco para "nativos" da Amazônia, que as assam. Ela não conhece a empoeirada gaveta do procurador-geral Geraldo Brindeiro.
Tribunais na tela
Um bom programa, e de graça. O inesquecível filme "Um Lugar ao Sol" em que Montgomery Clift perde a cabeça e a vida por Elizabeth Taylor, será exibido nesta quarta-feira, às 18h, na Escola de Magistratura, centro do Rio. O desembargador Cármine Savino Filho debaterá em seguida com o psiquiatra forense Talvane de Moraes.
Poder sem pudor
Truta tucana
Em discurso no Senado, sexta-feira, Carlos Wilson (PTB-PE) comparou o episódio da invasão à empresa de Roseana Sarney, em São Luís (MA), ao escândalo Watergate, que acabou na renúncia do presidente Richard Nixon, nos anos 70. Foi aparteado pelo tucano Geraldo Mello (RN):
– Isso é história de pescador de águas turvas...
Carlos Wilson completou, rápido no gatilho:
– ...mas que nessas águas tem truta, isso tem.
Editorial
A POLÍCIA DEVE DAR O EXEMPLO
Brasília tem a melhor polícia do País, com mais recursos e salários condizentes. Números à parte, basta rodar por outras grandes cidades para perceber que os policiais do Distrito Federal têm níveis cultural e intelectual melhores. Aqui é um dos poucos lugares em que o cidadão não sente receio de homens da lei, pois sabe que será tratado dignamente. Todo policial civil do Distrito Federal tem curso superior. A Polícia Militar, que exige apenas o 2º grau completo, também caminha nesse sentido. No último concurso, 70% dos aprovados tinham diplomas universitários. Sinais de que o mercado de trabalho está estreito, mas é bom para a segurança pública, que ganha bons quadros.
Dados como esses tornam ainda mais infelizes e descabidos incidentes como os de domingo, quando um delegado da Polícia Civil e um soldado da PM envolveram-se em um conflito de trânsito que por pouco não acaba em morte. O saldo da briga foi uma coronhada, mas nada garante que alguém com uma arma em punho não caia na tentação de puxar o gatilho.
E o mais grave é que os dois estavam sem razão. O PM errou ao estacionar o carro no meio da rua, ocupando um lugar público indevidamente como se fosse dele. E o delegado, investido de sua autoridade e sentindo-se protegido pela arma que levava, partiu para a violência ao encostar seu carro no do PM, empurrando-o para tirá-lo do local. A primeira opção de uma pessoa treinada foi a agressão, não o diálogo.
Essa não foi a primeira vez que policiais travestem-se de super-homens e passam a acreditar que podem tudo. Os donos de bares e casas noturnas do DF queixam-se muito de seu comportamento, principalmente depois de alguns goles a mais.
É certo que policiais são seres humanos, e, como tal, estão sujeito a erros. Mas erros de pessoas armadas e inebriadas pela sensação de autoridade tendem a ser mais graves que os de pessoas comuns.
Os policiais do Distrito Federal são educados e bem pagos. E deveriam ser treinados para resolver conflitos, nunca criá-los. Portanto, não é possível admitir incidentes entre as diferentes polícias. A punição deve ser exemplar, deixando de lado amizade e espírito corporativo. A população vai se sentir mais segura se souber que os homens armados com o dinheiro dela são controlados com rigor, para agir sempre dentro da lei.
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03/12/2002
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