Cristovam rejeita PAC como "vacina" contra recessão



Para o senador Cristovam Buarque (PDT-DF), o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) não é capaz de atuar como uma "vacina" contra os efeitos da recessão norte-americana sobre a economia brasileira. Essa afirmação contraria avaliação feita pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, durante divulgação do balanço da PAC nesta terça-feira (22).

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- Essa crise certamente chegará ao Brasil, apesar de isso não ser culpa do governo - declarou Cristovam nesta quarta-feira (23), acrescentando que, "no mundo globalizado, não há vacina contra crises localizadas em países grandes".

Na sua opinião, a única saída para evitar a transmissão dessa crise internacional seria o fechamento das fronteiras, impossível hoje para o Brasil e o mundo. Cristovam concordou, no entanto, com declaração feita pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que a economia brasileira apresenta "sólidos fundamentos", o que pode atenuar os impactos da desaceleração dos Estados Unidos.

Oportunidade

Segundo Cristovam, a recessão norte-americana poderá fazer com que mais capitais internacionais migrem para o Brasil, ao contrário do que prevêem diversos analistas do mercado financeiro.

- Talvez o mercado norte-americano fique em uma situação tão dramática que isso resulte na vinda de capitais para o país. Mas poucas pessoas estão vendo essa possibilidade - admitiu.

O senador pelo Distrito Federal ressaltou que o governo deveria aproveitar a situação para reorientar a economia brasileira, como ocorreu em 1929, quando o Brasil se transformou de país agrícola a industrial. Para isso, defendeu mais investimentos públicos em educação, ciência e tecnologia - inclusive para que a pauta de exportações venha a apresentar mais produtos com maior valor agregado em termos tecnológicos.

Nesse contexto, Cristovam criticou o PAC, argumentando que o programa prevê poucos investimentos em ciência e tecnologia. Segundo ele, o raciocínio por trás do PAC "é o de que a infra-estrutura necessária para dinamizar a economia se resume a estradas, portos e hidrelétricas".

- Esses itens são necessários, inclusive porque criam a base, mas não são inovadores; eles não dão o salto - disse.

O senador frisou ainda que "cabe ao Estado ser o elemento dinamizador no setor de ciência e tecnologia, porque não se pode esperar muito do setor privado".

- O governo tem de financiar as pesquisas nesse setor - destacou.



23/01/2008

Agência Senado


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