Crivella declara que vai votar contra o mínimo de R$ 260



O senador Marcelo Crivella (PL-RJ) anunciou nesta terça-feira (15) sua posição -frontalmente contrária- à fixação do salário mínimo em R$ 260, apesar de seu partido ter fechado questão a favor da proposta do governo.

- Quero dizer bem alto o que está sufocado na garganta dessa nossa gente, desse povo brasileiro sofrido e valente: senhor presidente da República, 260 reais para o salário mínimo, não!! - afirmou o senador.

Crivella explicou ter tomado essa decisão por considerar uma farsa o argumento fiscal utilizado pelo governo para não reajustar o mínimo de acordo com as necessidades populares. Na sua opinião, o principal problema está na forma como o Banco Central e o Tesouro Nacional encaram a política econômica do país. Crivella condenou o aumento do superávit primário para pagar a dívida pública, afirmando que ele o superávit é um -sacrifício inútil imposto à sociedade- e que esses recursos deveriam ser investidos no país.

Para o senador, não há nenhuma razão financeira para rejeitar um aumento adicional de R$ 20 ou R$ 40 ao salário mínimo. A crise fiscal, na sua visão, é uma invenção dos neoliberais para destruir deliberadamente o setor público e é coerente com uma posição ideológica de Estado mínimo.

Em aparte, o senador Efraim Morais (PFL-PB) afirmou que a posição de Crivella, contrária à proposta do governo, é uma prova de que ele tem compromisso com o povo trabalhador. O líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), destacou que o esclarecimento de Crivella sobre o tema desmente fofocas a seu respeito de que não cumpriria seu compromisso de votar contra a proposta do governo.

O líder do PFL, senador José Agripino (RN), frisou que a posição de Crivella é a reafirmação de compromisso com a forma mais justa de distribuir renda, que é um reajuste digno ao salário mínimo. Já o senador Edison Lobão (PFL-MA) ressaltou que o Fundo Monetário Internacional (FMI) não pediu um superávit tão elevado quanto o que o governo fixou, inviabilizando um reajuste maior para o mínimo. O senador Eduardo Suplicy (PT-SP), por sua vez, avaliou que é importante que os senadores reflitam profundamente sobre a decisão a respeito do mínimo, para que sejam garantidos aumentos constantes e permanentes, que é o objetivo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, disse.



15/06/2004

Agência Senado


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