Depois das denúncias, PT inaugura comitê








Depois das denúncias, PT inaugura comitê
O episódio envolvendo a reforma do seu comitê de campanha continua incomodando o candidato da Frente de Esquerda ao Governo do Estado, Humberto Costa (PT). Ele diz que só vai considerar o fato superado quando o Tribunal Regional Eleitoral se pronunciar sobre o requerimento protocolado na sexta-feira (05), pelo diretório municipal do PFL, pedindo à Corregedoria Regional do TRE que investigue o suposto uso da máquina administrativa da Prefeitura do Recife para beneficiar a candidatura de Humberto, que é apoiada pelo prefeito João Paulo (PT). “Irão chegar a conclusão de que não houve favorecimento”, previu.

Mas em vez de ficar na defensiva, Humberto preferiu atacar o governador Jarbas Vasconcelos (PMDB), seu principal adversário na eleição, insinuando que os partidos do Governo não podem atirar pedra porque têm “telhado de vidro”. Foi com esse assunto que o candidato petista começou o seu discurso, sábado à noite, na festa de abertura do comitê, na Madalena. “Eles (os governistas) disseram que o PT era igual aos outros partidos. Queria ser dono da verdade e da ética e estava sendo desmascarado. É uma acusação infundada e absurda. Não usamos a máquina pública. Será que não é uso da máquina o que Jarbas fez nesses últimos anos com a propaganda enganosa na TV?
Quanto pagou para Antonio Fagundes mostrar o rumo da mudança?”, questionou.

Humberto atacou o governador ao citar as propagandas institucionais, ressaltando a mais recente, exibida na televisão, cujo protagonista é o ator da TV Globo Antonio Fagundes. E lembrou que, após as denúncias levantadas contra a gestão do PT na Prefeitura de Santo André (SP), os petistas criaram uma comissão para investigar o suposto uso da máquina administrativa do município, que beneficiaria setores do próprio partido. “Apesar do bombardeio, Lula não caiu nas pesquisas. Quem caiu foi o candidato que pagou os arapongas”, discursou.

Humberto Costa insinuou que setores ligados ao candidato governista à Presidência da República, José Serra (PSDB), estão por trás das escutas telefônicas que originaram as denúncias contra o PT paulista. Nas últimas pesquisas, Serra caiu e está tecnicamente empatado com o candidato da Frente Trabalhista, Ciro Gomes (PPS), em segundo lugar.

E foi mais além, desafiou o Governo a mandar os deputados de sua bancada abrirem uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar irregularidades na Lei de Incentivo à Cultura. “O Governo não aguentaria 24 horas porque a corrupção é grande”, denunciou. Jarbas não quis comentar o assunto. O petista afirmou que está com a “consciência tranqüila” e por isso “não vai baixar a cabeça diante dos vagabundos do PFL”. Toda a celeuma em torno do uso da máquina em favor de Humberto Costa foi criada quando o jornal Folha de Pernambuco, na sua edição de quinta-feira (04), publicou fotos mostrando operários trabalhando na reforma do comitê petista com a farda da PCR. Na sexta-feira (05), a empresa Guerra Construções assumiu o “erro” por não ter fiscalizado a obra e evitado que os trabalhadores utilizassem a farda.


Inocêncio mantém o silêncio e a candidatura à reeleição
As sucessivas queixas e reclamações de falta de espaço no partido parecem que vão mesmo cair no folclore político. O “rebelde” deputado federal Inocêncio Oliveira (PFL) deve se enquadrar e ser candidato à reeleição. Essa foi a informação repassada ontem ao JC pelos assessores mais próximos do parlamentar. Os problemas internos que o pefelista alegava estar enfrentando na aliança governista – que apóia a candidatura de Jarbas Vasconcelos (PMDB) – devem ser deixados de lado.

Segundo essas fontes, ontem pela manhã Inocêncio e o vice-presidente Marco Maciel (PFL), candidato a senador, apararam as arestas. Maciel teria feito os afagos desejados pelo parlamentar, ressaltando sua importância para o PFL e, assim, o teria feito recuar pela terceira vez da idéia de sair da vida pública. Inocêncio, no entanto, continua evitando a imprensa. A reunião com Maciel não foi confirmada pela assessoria do vice-presidente, porque não estava na “agenda oficial”. Mas os assessores não descartaram que a conversa tenha ocorrido informalmente. Também circulou a notícia de que o pefelista teria “trocado idéias” com o governador.

O fato é que, de acordo com o Tribunal Regional Eleitoral, o pedido de registro da candidatura de Inocêncio Oliveira foi encaminhado pelo PFL e o seu processo está instaurado. Agora, o documento será remetido a um juiz relator após a divulgação de um edital que será publicado com os nomes de todos os candidatos inscritos. Só se houver irregularidade nessa documentação é que o juiz pedirá a impugnação da candidatura. Hoje, portanto, só uma decisão pessoal de Inocêncio poderá impedi-lo de disputar a renovação do mandato.


TRE COMEÇA A TRABALHAR DE PLANTÃO
A Secretaria Judiciária do TRE trabalha, desde ontem, em plantão permanente, organizando os processos dos cerca de 800 candidatos registrados. Até ontem o candidato que estivesse inscrito na ata de convenção do partido, mas não constasse na lista encaminhada ao TRE, poderia fazer o pedido de registro isoladamente. A expectativa é quanto à publicação do edital, no Diário Oficial do Judiciário, com todos os candidatos registrados. O TRE tem até 23 de agosto para julgar todos os processos e aprovar ou negar o registro dos candidatos.


Campanha do “Real contra o bilhão” vai ser lançada hoje
Alegando não ter dinheiro para financiar a corrida presidencial, Anthony Garotinho lança hoje, no Rio de Janeiro, a campanha “Um real contra um bilhão”, em referência às campanhas “bilionárias” dos adversários. “Estipulei R$ 25 milhões para minha campanha, mas não tenho dinheiro”, justificou o candidato. Os bônus de R$ 1,00 serão comercializados por 1 milhão de pessoas, que deverão ser credenciadas para arrecadar o dinheiro, e nas sedes do PSB. “Não queremos ajuda de banqueiros, queremos ajuda do povo porque é com ele o nosso compromisso”, declarou, acrescentando que a ajuda de empresas, até mesmo empreiteiras, também é bem-vinda.

Em entrevista coletiva, no Hotel Recife Palace, em Boa Viagem, o candidato admitiu que houve falhas na organização dos eventos no Estado. “Os candidatos não precisavam esperar minha chegada. Eles deveriam falar ao longo da programação. Me reuni com eles e disse isso”, lamentou. Garotinho enfatizou que sua campanha não será centrada no público evangélico e avaliou que a fase mais difícil já passou. “Os boatos sobre minha desistência foram terríveis. Sofri uma forte queda junto ao eleitorado das regiões distantes, mas já voltei a reconquistar esse eleitor quando protocolei meu pedido de registro no TSE.”

Neste mês, Garotinho vai investir na preparação do guia eleitoral, que não contará com a participação de evangélicos, e irá priorizar o depoimento de pessoas beneficiadas pelos programas sociais implementados no Rio de Janeiro. “A igreja estará fora das inserções de TV porque todos conhecem minha fé. Vamos investir na humanização para que todos conheçam meu trabalho.” A campanha no Nordeste será conduzida pelo candidato a vice, José Antônio(PSB/MA).

Em um culto realizado na manhã de ontem, na Igreja Batista de Jardim São Paulo, o presidenciável socialista fez uma pequena pregação, onde se colocou como um homem perseguido e responsabilizou a imprensa por sua queda nas últimas pesquisas. Após a visita a Jaboatão, o candidato seguiu para Santarém (PA) e, depois, Rio de Janeiro.


PSDB vai adotar a tese do “bateu-levou”
BRASÍLIA - Os estrategistas e marqueteiros do candidato tucano à Presidência da República, José Serra, avisam que nen huma crítica ou provocação do PT e muito menos os ataques do adversário Ciro Gomes (PPS) ficarão sem resposta. Mais do que nas carreatas e comícios, liberados desde sábado, o comando do PSDB aposta nos debates entre os candidatos, nas entrevistas e no guia eleitoral, que começa em agosto, para devolver todas as agressões.

“É preciso acabar com essa estória de que tudo é culpa nossa e de jogar tudo no nosso colo”, queixa-se Serra, inconformado com as acusações de arapongagem, antes contra o PFL da ex-governadora Roseana Sarney e agora contra o PT. “Vamos para o confronto e nada ficará sem resposta. Essa vocação para apanhar calado eu não tenho”, completa o publicitário Nizan Guanaes.

Serra também não tem. Tanto que aproveitou sua estréia oficial em Teresina (Piauí), na noite do sábado, para criticar promessas de adversários, como o aumento do salário mínimo defendido por Lula. “O salário vai melhorar na progressão do crescimento da economia. Não falo como os outros candidatos que prometem terreno na lua”, disse. Aliados de Serra afirmam que essa folga dos adversários vai acabar. “O Ciro bate no Serra o tempo todo, mas quando o programa de tevê começar, vamos entupi-lo de pancada”, antecipa um tucano.

Ainda assim, o lema dos tucanos é calma para seguir em frente. Nizan pregou na parede de seu escritório um pôster do técnico Luiz Felipe Scolari, e diz que a cada momento de impaciência se inspira no mestre que soube definir o rumo e manter suas convicções a despeito das críticas. Serra também citou Felipão no Piauí e no comício que fez onte ao lado do governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz (PMDB), na cidade-satélite de Ceilândia.


Ao lado dos tucanos no Ceará, Ciro ataca José Serra e FHC
SOBRAL (CE) – Tecnicamente empatado com José Serra (PSDB) em segundo lugar nas pesquisas, o presidenciável do PPS, Ciro Gomes, escolheu o PSDB como alvo em seu primeiro comício, no sábado, em Sobral (CE). Apesar disso, pediu votos para seu padrinho político, Tasso Jereissati, candidato tucano ao Senado. “Nosso outro senador é esse grande cearense, que todo o Brasil respeita, e por quem peço, até sem necessidade, porque ele merece o voto de todos: Tasso Jereissati”. PPS e PSDB são aliados informais no Estado. Ciro apóia o candidato tucano ao Governo, Lúcio Alcântara.

Sem citar nomes, o candidato do PPS criticou Serra pela volta do que chamou de “epidemias medievais provocadas pela falta de compromisso com a saúde pública preventiva”. Sobraram ainda ataques para FHC. “Acreditei que o Governo FHC, o primeiro, fosse ser a grande mudança de que o Brasil precisava. Acreditei na promessa de melhorar o emprego, a segurança, a agricultura, a saúde e a educação. Mas todas essas coisas pioraram”, completou.


Colunistas

PINGA FOGO - Inaldo Smapaio

Gol contra
Já foi dito aqui nesta coluna que político nenhum se suicida. A exceção para confirmar a regra é o PSDB pernambucano. Vinha se fortalecendo há cerca de dois anos sob o compromisso explícito dos seus chefes de que iria se comportar com “independência” no jogo político estadual. Mas, por excesso de subserviência ao Palácio das Princesas, engoliu o “chapão”, calado, apesar de ele ser contrário aos interesses da maioria esmagadora da bancada estadual.

Recentemente, deputados desse partido que se encontram em dificuldade para renovar o mandato pediram um encontro com o governador só para tratar dessa questão. Um dos mais exaltados era Fernando Lupa, egresso dos quadros do PSB. Ele, Pedro Eurico, Bruno Araújo e Sérgio Pinho Alves (este último já desistiu da reeleição) pediram socorro ao governador, mas em vão. Terão que se cozer com as suas próprias linhas, o que para alguns será fatal.

O mais estranho nisso tudo é que a nota oficial do PSDB através da qual o presidente do partido, Augusto César, anuncia o seu apoio ao “chapão”, cita seis vezes o nome Jarbas. O partido reconhece que o “chapão” é prejudicial aos seus candidatos proporcionais, mas covardemente se curvou e perdeu a legitimidade para reclamar.

Troca inócua
O “xodó” de Jarbas na cidade do Cabo sempre foi o prefeito Elias Gomes (PPS). Para se ter uma idéia dessa ligação, dois integrantes da equipe dele (Byron Sarinho e Mirtes Cordeiro) só não foram secretários de estado porque não quiseram. Alheio ao fato, o deputado Lula Cabral trocou o PFL pelo PMDB para se aproximar do governador, mas se deu mal. Com a entrada do PPS na aliança, o “jarbista” daquele município continuará sendo o prefeito.

Cheque voador
Um deputado tucano que é candidato à reeleição comprou uma Belina, dois anos atrás, em Alagoinha, para doá-la a um cabo eleitoral que disputaria a prefeitura. Pagou com
um cheque sem fundos e vive se escondendo do credor. Se não liquidar o débito até agosto, corre o risco de ver o “borrachudo” estampado nas páginas dos jornais.

Nos braços do PFL
Roberto Freire não é o único integrante do ex “Partidão” que acabou nos braços do PFL por força das circunstâncias da política local. O advogado e ex-deputado federal Marcelo Cerqueira, que foi assessor de Fernando Lyra no Ministério de Justiça, aceitou ser o vice de Solange Amaral, que é a candidata do PFL ao governo do Rio.

Em troca do mandato faz-se qualquer coisa
Em campanha eleitoral candidato faz tudo. Na festa de São Pedro, em Timbaúba, o deputado Antonio Moraes (PSDB) foi visto dançando quadrilha em praça pública e fazendo pirotecnia num terreiro de xangô.

Partido de Vidal elegerá apenas um deputado
Há uma grande revolta no PSDB porque o PSDC do vereador Luiz Vidal saiu do “chapão” para se aliar ao PPS, por determinação de Jarbas. É só o efeito psicológico. O partido fará apenas um deputado, dentro ou fora do “chapão”.

Área de todos
Foi-se o tempo em que o Sertão do São Francisco era território exclusivo da família “Coelho” de Petrolina. Cadoca e Raul Jungman (PMDB) também estão plantados na região disputando apoio e votos com Osvaldo (PFL) e Clementino Coelho (PPS). O diferencial é a Codevasf, controlada há uma década pelo pefelista.

Disputa interna
Herbert Gomes, filho do prefeito do Cabo e candidato a deputado estadual, disputa com Ranílson Ramos o 1º lugar no PPS. Como Ranílson andou dizendo que tem 35 mil votos para reeleger-se, o filho do prefeito caiu em campo. Conseguiu o prefeito de Bonito (Laércio Queiroz) e o vice de Palmares (Edvaldo Carijó).

Sarney está coberto de razão: “Antigamente”, escreveu ele, “os candidatos podiam fazer promessas, suscitar esperanças, criar sonhos no coração do povo. Hoje, nem isso está sendo permitido. Do mercado, com o mercado e pelo mercado - é o compromisso de fé dos vivandeiros do mercado”.

Pelos cálculos dos próprios deputados estaduais, a campanha deste ano custará R$ 600 mil para quem já tem mandato e em torno de R$ 1 milhão para quem está começando do zero e não tem base eleitoral. Há alguns endinheirados no PMDB que já gastaram muito mais do que isto. Vereador de 500 votos vale, para esses, R$ 15 mil.

Apesar de ACM, que controla um terço do PFL, Serra conseguiu o apoio de 13 secções regionais desse partido à sua candidatura presidencial, entre as quais Pernambuco, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. ACM está com Ciro mas se o ex-ministro não for para o segundo turno... votará em Lula.

O pragmatismo eleitoral fez com que o PT perdesse em Alagoas a sua candidata ao governo, a combativa senadora Heloísa Helena. Ela foi uma das estrelas do partido que prestigiram no Recife a posse de João Paulo. Abdicou da candidatura por uma questão de princípios: negou-se a fazer aliança com o PL, que é controlado lá por usineiros.


Editorial

SAÚDE NÃO ESTÁ BOA

Mesmo com todo o inegável esforço realizado durante o Governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, a saúde do brasileiro não está boa. Ganhamos um tour de force com a indústria farmacêutica internacional, no caso da quebra de patente para medicamentos do coquetel da Aids, chamando a atenção do mundo inteiro para o excelente programa nacional de prevenção e combate a esse mal. Ganhamos, com muito atraso, o direito de dispor da oferta de remédios genéricos. Consolidamos e demos continuidade aos programas de vacinação em massa. Mas o brasileiro ainda é vítima de doenças há muito extintas em países civilizados, vencidas inclusive em nosso país, em momentos mais felizes, mas que voltam com força, como se tivesse sido vão o trabalho pioneiro de Oswaldo Cruz e outros sanitaristas e infectologistas, já cem anos atrás e durante o século 20.

Não estamos mais na ditadura militar, quando, nos anos 70, o Governo estendeu sua feroz censura a notícias sobre uma epidemia de meningite, tentando escamotear a tragédia (talvez vista como subversão da ordem e ataque terrorista), o que só contribuiu para pôr o mal fora de controle. Notícias, providências, vacinação, só puderam surgir depois que a doença chegou a bairros elegantes e a casas de militares.

Não estamos mais num Governo ditatorial. Pode-se publicar notícias sobre os males que afetam a nossa saúde. E como, infelizmente, são freqüentes tais notícias! Nem por isso o Governo tem menos obrigação de prevenir e combater doenças como a malária, a dengue, o cólera, a febre amarela, a filariose, a esquistossomose, a leishmaniose, a doença de Chagas; endemias e epidemias.

A meningite meningocócica está hoje sob controle, graças a programas de vacinação de crianças iniciados desde o ano daquela fatal censura ditatorial. Nos últimos anos, porém, voltou o cholera morbus, uma doença medieval. E sobretudo a dengue. Por um momento, ela pareceu debelada, mas o corte de verbas específicas para sua prevenção e a catastrófica situação de falta de saneamento básico nas grandes aglomerações demográficas permitiram que a dengue se tornasse uma endemia, como a esquistossomose e outras que assolam o País. Uma endemia democrática, pois atinge ricos e pobres, e que não mata, a não ser em alguns casos de sua versão hemorrágica; mas maltrata e debilita muito. Não tem um remédio específico, sendo necessário fazer prevenção acabando com o mosquito Aedes aegypti, que carrega o vírus, e através da informação e conscientização das pessoas sobre cuidados com depósitos de água onde ele prolifera. Dizem os poderes públicos que falta verba.

Epidemias inesperadas (apesar de trabalho eficiente das autoridades sanitárias) têm caráter restrito e ocorrem também em países desenvolvidos. Não é o caso de que fala o médico infectologista Caio Rosenthal: “Nós, porém, temos agendada para breve a epidemia da febre amarela, com perspectivas sombrias”. Ele observa que o mais surpreendente é que as endemias que assolam o País têm cura, e com remédios baratos, e todas estão mapeadas. Apesar disso, milhares e milhares de brasileiros morrem, todos os anos, de malária, hanseníase, tuberculose, leishmaniose, doença de Chagas (essa com 6 mil óbitos por ano). “É assustador pensar que morrem mais pessoas por ano dessas endemias do que o total de mortos por Aids nos 20 anos de sua presença entre nós”, lamenta ele; acrescentando que isso é “o Brasil que anda para trás, e ninguém quer ver”. Sua receita é simples: tratar as águas, canalizar córregos e esgotos, fornecer água potável à população, trocar o barro das casas por tijolo; enfim, investir em saneamento e higiene básicos. Ou “não sairemos do Terceiro Mundo”.


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07/08/2002


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