Diretora ressalta rapidez e perfeição como maiores atributos dos taquígrafos



Transformar a voz dos senadores em palavra escrita. Essa é a principal função da taquigrafia desde o Império, conforme destaca a diretora da Subsecretaria de Taquigrafia do Senado, Denise Ortega de Baère. Segundo ela, a rapidez e a perfeição são os dois principais atributos dos 100 profissionais do setor, que se dividem em três turnos de trabalho e ficam 24 horas à disposição dos parlamentares, por força de dispositivo regimental.

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Subordinada à Secretaria-Geral da Mesa, a Subsecretaria de Taquigrafia é responsável pelo registro das sessões plenárias da Casa e do Congresso. Também registra as reuniões das comissões permanentes e das comissões parlamentares de inquérito, convenções partidárias, conferências, encontros, seminários e outros eventos para os quais seja convidada a participar.

- A gente tem amor por isso aqui, a gente trabalha com comprometimento. Minha mãe trabalhava com o senador Benedito Valadares. Eu era criança e cresci dentro desta Casa - recorda-se Denise, que começou a trabalhar na taquigrafia em 1982 e assumiu a direção do setor em 1995.

Denise destaca conquistas tecnológicas que facilitam o trabalho dos taquígrafos, entre as quais os programas de reconhecimento de voz, que estão sendo testados pela subsecretaria. Entretanto, a diretora salienta as limitações da própria tecnologia em relação ao trabalho taquigráfico.

- A subsecretaria está permanentemente atenta aos progressos tecnológicos. Entretanto, é importante ressaltar que a tecnologia sofre limitações. Em tais momentos, o modelo taquigráfico que compreende unicamente lápis e papel se revela muito eficaz - explica.

O último concurso público para taquígrafos foi realizado pelo Senado há seis anos. Denise explica que a demanda por profissionais aumentou consideravelmente nos últimos tempos e dá uma dica para aqueles que pensam em trabalhar na Casa.

- A prova do concurso exige que a gente escreva 130 palavras por minuto. Tem que ser muito eficiente para vencer a velocidade. Tem que ser ágil, tem que saber um pouquinho de tudo. O taquígrafo tem que saber idioma, história, geografia e expressões latinas, por exemplo. Somos uma pequena enciclopédia - avalia Denise.

História

A diretora explica que a taquigrafia acompanha fatos tão antigos quanto as citações de Davi, no Salmo 44, que datam entre 1000 e 300 anos antes de Cristo, quando se utilizava um sistema de escrita abreviada. A taquigrafia, segundo Denise, também foi responsável, no parlamento romano, pelas Notas Tironianas, confeccionadas por Marcus Tullius Tiron, escravo liberto e secretário de Cícero, que as teria adaptado provavelmente de um sistema taquigráfico grego.

Quando se instalou a Constituinte de 1823, não havia taquígrafos no Brasil. Denise conta que o Patriarca da Independência, José Bonifácio, providenciou a vinda de taquígrafos franceses, que ensinaram o ofício aos brasileiros. Estes, ao dominarem a arte da escrita veloz, adaptaram-na à língua portuguesa e elaboraram os primeiros anais constitucionais. Por esse motivo, José Bonifácio é considerado o patrono da taquigrafia parlamentar.

As notas taquigráficas da primeira Assembléia Nacional Constituinte do Brasil foram elaboradas no dia 3 de maio de 1823, com a presença do imperador Dom Pedro I. Daí por que nessa data é comemorado o Dia do Taquígrafo.

Em discurso alusivo à data, o senador Marco Maciel (PFL-PE) definiu com clareza, no início deste mês, o trabalho dos profissionais da Subsecretaria de Taquigrafia do Senado.

- Os taquígrafos exercitam seu ofício no silêncio. Por isso, muitas vezes não é percebida a essencialidade de sua missão no Parlamento, onde a voz se transforma em palavra da Nação - afirmou.



29/05/2006

Agência Senado


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