Lula diz que divulgará propostas de governo









Lula diz que divulgará propostas de governo
O pré-candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, vai aproveitar a segunda edição do Fórum Social Mundial, na capital gaúcha, para divulgar um pacote com propostas de governo. Na tentativa de rebater acusações de que o PT é o partido do contra e não apresenta sugestões, foram organizados quatro seminários sobre temas que vão da segurança pública à habitação, passando por debates sobre Área de Livre Comércio das Américas (Alca) e combate à fome.

O projeto de segurança feito pelo Instituto Cidadania - uma organização não-governamental (ONG) capitaneada por Lula - será lançado somente depois do carnaval. De qualquer forma, após o assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel (PT), alguns tópicos já foram divulgados, como o que prevê a chamada "tolerância zero" para crimes e a unificação das polícias Civil e Militar. Embora alguns líderes do PT preguem o endurecimento do discurso, o partido não defenderá no programa a prisão perpétua nem a pena de morte.
Lula criticou o governo federal, que excluiu a segurança pública da lista de 13 propostas prioritárias para votação do Congresso. "Quero enviar para o presidente Fernando Henrique Cardoso o nosso plano", destacou o pré-candidato do PT. "Trata-se do primeiro projeto de segurança feito no Brasil e é bem detalhado: define o papel da União, dos Estados, dos municípios, das polícias e o que é preciso mudar na Constituição", disse.
Ainda ontem, Lula se reuniu com prefeitos petistas, em Porto Alegre. Recomendou a todos que reforcem sua segurança pessoal. "Perdemos dois companheiros em quatro meses", afirmou, referindo-se a Daniel e ao prefeito de Campinas, Antônio da Costa Santos, o Toninho do PT. "Não podemos mais só achar que 'Deus toma conta". Lula e o presidente nacional do PT, deputado José Dirceu (SP), chegaram à capital gaúcha, quarta-feira, cercados por cinco seguranças.


Marcha abre Fórum Social Mundial
A chuva que caiu durante a tarde de ontem deu uma trégua e milhares de pessoas seguiram em uma passeata até o Anfiteatro Pôr-do-Sol, na abertura oficial do II Fórum Social Mundial. Pelo menos cerca de 50 mil pessoas, num ambiente entre carnavalesco e circense, empunhavam faixas e cartazes escritos em português, espanhol, inglês e italiano, liderados por uma comissão de frente em que iam, entre outros, o governador Olívio Dutra, em trajes típicos gaúchos, e o ex-presidente socialista de Portugal Mário Soares.

Autoridades políticas como o presidente de honra do Partido dos Trabalhadores (PT), Luís Inácio Lula da Silva, o prefeito de Porto Alegre Tarso Genro, a vice-governadora de São Paulo, Benedita da Silva e secretários do Estado participaram da caminhada, protegidos pela polícia. No meio do trajeto, o ativista francês José Bové acabou se juntando à comitiva.

A passeata chamou atenção pela diversidade dos grupos participantes, que entoavam gritos de "fora o neoliberalismo e Fundo Monetário Internacional (FMI)". Já no Anfiteatro, Olívio destacou a importância da realização do Fórum pela segunda vez na capital gaúcha. "Este evento adquiriu caráter de permanência e alternativa para os povos oprimidos de todo mundo", disse.

O governador foi muito aplaudido por representantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Partido Socialista Brasileiro (PSB) e do PT. "Porto Alegre é a capital da solidariedade e da diversidade", comemorou o prefeito Tarso Genro.

Uma tentativa de invasão de um prédio por punks, impedida sem confrontos pela Brigada Militar no início da noite, foi aparentemente o único incidente da marcha. No meio do caminho, um grupo de cerca de 80 punks e anarquistas se destacou da manifestação e montou uma barricada com pneus e pedaços de madeira na esquina das ruas Duque de Caxias e Marechal Floriano, perto da avenida Borges de Medeiros.

Eles também tentaram invadir uma casa abandonada no mesmo local, mas foram impedidos pela Brigada Militar. Os policiais isolaram a área e a retirada ocorreu sem conflito. Vestidos de negro, cor do anarquismo, e ocultando o rosto com lenços e até máscaras contra gases, desde cedo os punks se misturaram a representantes do Partido Comunista do Brasil (PC do B), militantes do PSB, petistas e pacifistas de várias partes do mundo.


Superávit primário do setor público foi de R$ 43,655 bilhões
O superávit primário do setor público em 2001 foi de R$ 43,655 bilhões, segundo o Departamento Econômico do Banco Central. O valor equivale a 3,75% do PIB e supera em R$ 3,455 bilhões a meta de R$ 40,2 bilhões, acertada com o Fundo Monetário Internacional. Em 2000, o superávit primário do setor público tinha sido de R$ 38,157 bilhões, que correspondiam a 3,55% do PIB. No ano passado, o governo central (governo federal, Banco Central e INSS) teve um superávit primário de R$ 21,980 bilhões (1,98% do PIB), contra os R$ 20 231 bilhões (1,92% do PIB), em 2000. Os governos regionais (governos estaduais e municipais) tiveram no ano passado um superávit de R$ 10,471 bilhões (0,90% do PIB), contra o superávit de R$ 6,026 bilhões (0,57% do PIB) alcançado em 2000. As empresas estatais, federais e municipais fecharam o ano passado com um superávit primário de R$ 11,205 bilhões (0,94% do PIB). Este resultado é menor do que o superávit de R$ 11,7 bilhões (1,06% do PIB), registrado em 2000.

O déficit nominal do setor público, sem levar em consideração os efeitos do câmbio, fechou o ano passado em R$ 42,788 bilhões, segundo o Departamento Econômico do Banco Central. O valor correspondia a 3,54% do PIB e é maior do que déficit nominal de R$ 39,806 bilhões (3,64% do PIB) alcançado em 2000. No ano passado, o governo central (governo federal, Banco Central e INSS) teve um déficit nominal de R$ 25,273 bilhões (sem câmbio), o equivalente a 2,06% do PIB, contra um dé ficit de R$ 25,016 bilhões (2,28% do PIB) alcançado em 2000.

Os governos regionais (governos estaduais e municipais) tiveram um déficit nominal no ano passado de R$ 24,257 bilhões (2,04% do PIB). O valor é maior do que o déficit nominal dos governos regionais de R$ 22,921 bilhões (2,09% do PIB) registrado em 2000. As empresas estatais federais, estaduais e municipais ainda tiveram um superávit nominal sem câmbio de R$ 6,742 bilhões (0,55% do PIB), contra um superávit de R$ 8,132 bilhões (0,74% do PIB)alcançado em 2000. O resultado nominal do setor público em 2001 levando em conta a variação do câmbio foi um déficit de R$ 61,970 bilhões, o que correspondia a 5,30% do PIB. Em 2000, o déficit nominal com câmbio foi de R$ 49,285 bilhões, que equivaliam a 4,49% do PIB.


Liquida Porto Alegre começa na segunda-feira
Os consumidores da Capital têm bons motivos para ir às compras nos próximos dias. De segunda-feira ao dia 23 de fevereiro, 4,5 mil pontos comerciais estarão participando da sexta edição do Liquida Porto Alegre, promoção da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) que oferece vantagens reais para os clientes. A estratégia inclui descontos de até 50%, maior flexibilidade no prazo de pagamento e brindes para aqueles que comprarem nas lojas credenciadas.

Considerado o segundo maior esforço de vendas do ano, perdendo apenas para o Natal, o Liquida deverá representar crescimento de 5% nas vendas em relação a fevereiro do ano passado. Além da possibilidade de obter incremento nos negócios, as empresas que aderirem à promoção terão prazo adicional de 30 dias para o recolhimento do ICMS gerado com as vendas do período.

"O amadurecimento da campanha deve fazer desta a melhor edição do Liquida", afirma o presidente da CDL, Atílio Manzoli Jr. Os números reforçam a dimensão que o evento tomou nos últimos anos. O volume de consultas ao banco de dados da CDL, que revela a intenção de compra dos consumidores, cresceu cerca de 70% na comparação de fevereiro de 2001 com o mesmo mês de 1996, primeiro ano da promoção. Para o presidente da CDL, o Liquida Porto Alegre organizou a liquidação em um novo formato e permite a mobilização dos consumidores.

O objetivo, diz Manzoli Jr., é consolidar Porto Alegre como a capital de vendas do Mercosul. "Estamos fazendo um trabalho forte na linha de comunicação", destaca Vilson Noer, coordenador do Liquida. Além dos shopping centers da Capital, a campanha vai contar com 13 associações de bairro.

A participação é aberta a todos os segmentos e não é necessário que a empresa seja filiada a CDL. As inscrições ainda estão abertas e podem ser feitas na sede da CDL (Rua Senhor dos Passos, 235 - 1º andar). O cadastro dá direito a um kit básico para decoração do ponto-de-venda e os kits adicionais estão à venda na entidade.

A CDL vai premiar uma vitrine de shopping center e uma de loja de rua. O critério de escolha leva em consideração a melhor decoração relativa à campanha. A iniciativa busca estimular mudanças no visual das lojas e na disposição dos produtos, de forma a atrair o consumidor. Também será escolhido o melhor vendedor do Liquida Porto Alegre.


Indústria prevê aumento de produção
A indústria começa a se recuperar da retração do ano passado e está normalizando suas atividades no primeiro trimestre. De acordo com a Sondagem Conjuntural feita pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) com 1.285 empresas, até março haverá aumento de produção, de demanda e de emprego, apesar da diminuição de compras, típica desta época do ano.

Indicadores divulgados ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) confirmam que nos próximos seis meses haverá realmente avanço no faturamento, compra de matérias-primas e de exportação na indústria, mas prevêem uma leve redução do nível do emprego.

A disposição para contratar, revelada por 21% das indústrias consultadas pela FGV, surpreendeu o coordenador da pesquisa, economista Salomão Quadros. No primeiro trimestre do ano geralmente as dispensas na indústria superam as contratações, mas na pesquisa apenas 19% informaram intenção de demitir. "As empresas podem ter promovido, no ano passado, corte de pessoal além do necessário e agora começam a corrigir seus quadros", avalia Quadros.

Segundo o coordenador da sondagem da CNI, Renato Fonseca, 25% das pequenas e médias indústrias e 19% das grandes revelaram disposição de reduzir a folha de pessoal, embora boa parte da indústria têxtil e da metalúrgica ter informado que irá contratar. Apesar disso, os indicadores de caráter geral - sobre a economia, setor de atividade e sobre a empresa do entrevistado - ficaram todos acima de 60 pontos na sondagem. Isto não ocorria desde o primeiro trimestre de 2001, período anterior à série de choques enfrentados pela economia brasileira.

Salomão Quadros, da FGV, destacou que, dentre as empresas ouvidas, 45% disseram esperar uma situação melhor para seus negócios neste primeiro semestre e 11% disseram estar se preparando para um cenário pior. O saldo entre as melhores e a piores perspectivas, de 32 pontos porcentuais, é bem maior do que o de outubro, que era de 12 pontos.

Isso indica uma tendência de melhora de desempenho, mas ainda é bem inferior do que o do início do ano passado, que registrou 54 pontos. A pesquisa, trimestral, é feita há mais de 35 anos.

Quadros destaca o primeiro trimestre de 2001 como um marco, no qual a indústria vivia um momento de tranqüilidade. Mesmo assim, havia mais empresas prevendo que a demanda seria fraca do que o contrário, embora a grande maioria apostasse na normalidade. Agora, ainda há mais empresas apostando em demanda fraca, mas a previsão de aumento (11% das indústrias) chegou ao mesmo nível do início do ano passado.


Artigos

Crime e a crise de autoridade
Maria do Rosário

A execução do prefeito de Santo André, Celso Daniel, do PT, expõe a fragilidade do País diante do crime organizado e evidencia a falta de uma política nacional de segurança pública. Ao que tudo indica, esse crime relaciona-se aos atos de violência cometidos anteriormente contra vários prefeitos petistas do Estado de São Paulo. Tal episódio, somado às outras formas de violência que têm vitimado milhares de pessoas diariamente, reforça a impressão de que estamos em plena guerra civil. Na verdade, assistimos à progressão da violência para além de qualquer limite admissível e à generalização da insegurança. Esse tipo de desordem pública caracteriza-se pela predominância do crime e da contravenção, que dominam setores de grandes centros urbanos, definindo, assim, um espaço de desafio à autoridade civil. O que está ocorrendo é a falência da autoridade pública, à medida que esta não vem promovendo ações eficazes no sentido de restituir ao Estado o monopólio da força e, principalmente, de restaurar o primado da autoridade legitimamente constituída. Se não há uma chance razoável de respostas legítimas por parte da polícia e se o poder público não é mais capaz de se sobrepor ao crime organizado, este se torna mais ousado, mais provocador, contestando, minuto a minuto, o controle do território metropolitano pelo governo. Em algumas áreas de São Paulo e do Rio de Janeiro, não há mais governo. Vive-se, nessas amplas e populosas faixas do espaço urbano, uma situação gravíssima de dissolução do aparelho estatal. Os principais determinantes da falência da autoridade pública e da perda de comando do governo sobre a autoridade policial são a corrupção e o corporativismo, que opõem um obstáculo à mudança. Não é por acaso que parte do problema deriva da mesma arquitetura constitucional que consagrou os privilégios corporativistas no Brasil e se mostra bastante resistente à reforma nas áreas administrativa, judiciária e policial. A barreira mais conhecida é aquela que impede a unificação das polícias. A maior parte das pressões corporativistas que aprisionam os inseguros cidadãos nessa arapuca de privilégios que alimenta o estado de desordem vem de grupos instalados nas administrações estaduais. Mas há uma barreira federal que cabe ao presidente dobrar, fazendo uso de sua autoridade: a interferência descabida das Forças Armadas na definição do perfil das polícias e na regulamentação do tipo de armamento que elas podem ter. Essa interferência, aliada aos parcos recursos destinados à segurança, produz inaceitável desigualdade de condições de atuação entre os bandidos e os policiais, empurrando estes últimos para as avenidas da informalidade, onde buscam as armas que lhes faltam nas mesmas fontes que abastecem o banditismo. Tais obstáculos corporativistas estaduais e federais impedem a criação de polícias metropolitanas e municipais eficazes. As guardas civis, hoje, são um risco à imagem das prefeituras, à integridade da população e dos próprios guardas. Um país como o Brasil precisa contar com uma polícia municipal armada e preparada para enfrentar a criminalidade, sobretudo, nas suas 200 maiores cidades.

Para dar início a um processo de combate à violência criminosa, é necessário reconhecer que, em lugar de elevar a duração das penas, o Brasil deveria proceder a uma profunda modificação nos instrumentos com os quais o Estado pode contar para transformar a realidade. São eles a Febem, a Polícia, o Judiciário e o sistema prisional. Não mudaremos o quadro vigente enquanto a Febem continuar atuando como uma fábrica de criminosos, a Polícia permanecer desmotivada, despreparada e dividida entre facções, enquanto o Judiciário mantiver um funcionamento moroso e quase inacessível ao povo, e o sistema penitenciário conservar-se desumano e vulnerável. A execução de Celso Daniel não advém do desemprego ou da pobreza. Não se trata da violência típica das situações sociais adversas. É um crime que nasce da dissolução da ordem pública e de fissuras graves na ordem social. Se, para combater a violência cotidiana, é fundamental corrigir a atual distribuição de renda, para combater o crime organizado é preciso promover uma política nacional de segurança, devolvendo ao Estado a autoridade que lhe foi roubada.


Colunistas

ADÃO OLIVEIRA

O presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), reafirmou que os outros partidos da base aliada do Palácio do Planalto devem esperar até maio para decidir quais serão os candidatos a presidente e a vice-presidente pela coligação que hoje sustenta o presidente Fernando Henrique Cardoso. "Temos de ter um candidato que vença a eleição", disse. Para ele, PSDB, PFL, PMDB, PPB e PTB devem aguardar a pesquisa de opinião do fim de maio para fecharem a chapa.

Base unida
Bornhausen aceita outro candidato que não seja a governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PFL), caso esteja em situação melhor do que a dela. "Espero que ela continue indo tão bem como agora mas pesquisas de janeiro não é a de maio", disse o senador. "O importante é mantermos a base unida e a condição de governabilidade", afirmou.

Ânimos exaltados
Os ânimos entre as legendas aliadas, porém, estão exaltados. Principalmente porque o ministro da Saúde, José Serra, convidou o governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos (PMDB), para ser o candidato a vice-presidente na chapa. O PFL respondeu, imediatamente: se for fechado qualquer acordo entre as duas siglas, considera que a tentativa de manutenção da aliança foi rompida.

Coligações
Daí para a frente, procurará fazer coligação com outras agremiações, como o PPB, com a vantagem de ter Roseana muito bem cotada entre os eleitores. Esse clima de beligerância causou preocupação. O ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, defende a candidatura única dos partidos governistas. Para ele, é o único caminho para reduzir o risco de derrota nas próximas eleições presidenciais.

Aliança
"Fora disso, a eleição ganha contorno que não é bom para o nosso campo", alertou. Ele recusou-se a falar sobre quem seria o candidato do grupo a presidente ou a vice, e também não quis se manifestar sobre a tentativa do PSDB de conquistar o PMDB, oferecendo à legenda a candidatura a vice-presidente. "O que devemos buscar é a ampla aliança que envolva PSDB, PFL, PMDB, PPB e PTB", disse o ministro das Comunicações.

Imagem
Para Pimenta da Veiga, o governo deverá chegar às eleições com uma boa avaliação diante da opinião pública e isso dará grandes chances a um candidato governista. Mas, se a base estiver dividida, a opinião pública poderá ser confundida. Ele disse que o fato de algumas das siglas da base terem lançado candidaturas próprias não torna o processo irreversível.

Ruptura improvável
Veiga considera que a ruptura com o PFL é improvável nesse momento. "A união começa a correr riscos, mas a ruptura ainda é a hipótese menos provável. "Bornhausen pensa igual ao ministro das Comunicações. Para ele, a movimentação dos candidatos é natural. Deverá ser afunilada em maio. Aí, quem quiser manter a aliança terá de respeitar a vontade dos eleitores.

CARLOS BASTOS

Pedro Simon vai lutar até o final
O senador Pedro Simon está impressionado com o trabalho para solapar a candidatura própria do PMDB que é realizado por integrantes da própria cúpula partidária. Mas está determinado ir até o final para obter a condição de candidato do partido à Presidência da República. Assim, caso a prévia consiga ser inviabilizada pela direção nacional peemedebista, Simon está decidido a apresentar seu nome à convenção nacional no meio do ano. Por outro lado, ele resolveu engrossar o movimento liderado pelo ex-governador de São Paulo, Orestes Quércia, para convocar uma convenção extraordinária do PMDB, que está marcada para 3 de março, e que confirmaria a realização da prévia do dia 17 de março. Simon entende que o momento vivido por seu partido é muito difícil, especialmente pelo trabalho maléfico desenvolvido por Geddel Vieira Lima, Michel Temer, Moreira Franco & Cia. Acha, contudo, que há condições para resistir.

Diversas
Pedro Simon tem atuado em consonância com o presidente regional do partido, deputado Cézar Schirmer, que também integra a Executiva Nacional do PMDB.

Um grande aliado do senador gaúcho em todas as horas tem sido o prefeito de Joinville, Luiz Henrique, a principal liderança peemedebista em Santa Catarina.

Por outro lado, Simon está abrindo diálogo com setores que apóiam o governador de Minas Gerais, Itamar Franco, como Orestes Quércia, ex-governador de São Paulo, e Roberto Requião, ex-governador do Paraná.

Setores do PMDB gaúcho estão preocupados com o distanciamento do ex-ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, que tem vinculos muito fortes com o grupo governista do partido.

Nesta campanha houve também a reaproximação do senador Pedro Simon com o ex-governador Leonel Brizola, que foi promovido por Cézar Schirmer e Airton Dipp, e se iniciou num demorado encontro realizado por ambos meses atrás.

Apesar de Simon ter refluido em suas afirmativas de que não admite concorrer novamente ao governo do Estado, sabe-se que mesmo não sendo escolhido candidato na prévia nacional do PMDB, ele continua decidido a não disputar a sucessão gaúcha.

Sabedor de que haverá uma grande pressão da base partidária em torno de seu nome, o máximo que Simon tem admitido é não reiterar sua determinação de não concorrer, nada mais que isto. Pessoas que lhe são próximas, sabem de que ele se sente muito bem em Brasília e seu principal objetivo é influir e participar da política nacional.

Última
O PT comemora amanhã, no Mercado Público, os 22 anos de fundação. As comemorações constarão de visitação às bancas a partir das 12 horas e exposição de fotos e vídeo sobre a trajetória do partido. Às 21 horas acontece jantar nos restaurantes do Mercado. Os convites serão vendidos a preços diferenciados, que reverterão para formar o fundo para a compra da sede própria do partido.


FERNANDO ALBRECHT

Festas no Moinhos...
As churrascarias e restaurantes da cidade estão botando gente pelo ladrão. Também a Calçada da Fama, na rua Fernando Gomes, e os bistrôs da Padre Chagas, receberam visitas do pessoal fashion do Fórum das Autoridades Locais. A francesada, principalmente. Eles adoraram a nossa Recoleta. As mulheres visitantes também se apaixonaram pelos bistrôs como o Z. E não só por eles.

...e outras no parque
Já no Acampamento da Juventude do Parque Maurício Sirotsky, que muitos insistem em chamar de Harmonia, as festas obviamente têm outro caráter. Nem por isso menos calientes. Por volta das 21h de quarta-feira a rádio do acampamento passou a pregar algumas incluidinhas sociais. “Vamos todo mundo se querer, o Fórum é para isso”. Outro bordão: “Vamos correr pelados, vamos se querer”.

O site baixo
Os desavisados que acessam o site do Fórum Social Mundial esquecendo que no final não deve ir com.br e sim org.br vai levar uma baita susto. É que em vez do FSM vai aparecer um certo Penis Foundation, com direito a fotos do dito cujo em várias versões e tamanhos. Só podem estar de sacanagem com o Fórum. Coincidência é que não é.

Confirmado
No dia 16 a página informou que eram fortes os rumores que a Gerdau havia comprado mais uma siderúrgica, o que foi desmentido pela empresa. Mas era isso mesmo. O JC de ontem informou que a Gerdau fez acordo com a Natsteel para comprar os 24,8% da participação da empresa de Cingapura na Açominas. Ou seja, a Gerdau agora é dona.

No p incel
A Secretaria de Educação realizou, em outubro de 2001, as provas de Ensino Supletivo de 1º e 2º Graus, com 20 mil candidatos. Três meses depois a secretaria não tem qualquer resultado, deixando no pincel quem fez vestibular e precisa concretizar sua matrícula. A SEC fornece apenas declaração dizendo que o estudante foi aprovado, apontando as matérias, mas informando que o certificado será entregue oportunamente, sem apontar data. A declaração não está sendo aceita pelas universidades.

Demanda reprimida
Correu mundo a foto dos invasores do edifício da Borges de Medeiros. O perigo é que os empresários da construção civil dos outros países cheguem à conclusão que é grande negócio entrar no mercado brasileiro de moradias populares. Demanda é que não falta. E o Banco Mundial está aí mesmo para financiar.

Do mel para o fel
A primeira aparição de José Fortunati já como presidente da Câmara Municipal de Porto Alegre obteve uma reação de desagrado, visível com as poses dos vereadores petistas Marcelo Danéris e Sofia Cavedon. Na noite de quarta-feira quase deu o chamado desforço físico entre alguns edis. Após a votação, o vereador Estilac Xavier (PT) procurou Isaac Ainhorn (PDT) para reclamar do seu voto a Fortunati. “No meu aniversário me deste um vinho francês, hoje me serviste um cálice de fel”. Pois é, não existe vinho. Ainda mais francês.

Azambuja e Pont I
Dois editais de notificação publicados pelo Ministério da Educação chamam atenção pelos nomes envolvidos. Quem assina é o gerente de Contabilidade e Acompanhamento de Prestação de Contas do Fundo Nacional de Desenvolvimento de Educação (FNDE) e em um é citado como “residente em lugar incerto e não sabido” Carlos Sá Azambuja, ex-prefeito de Bagé.

Azambuja e Pont II
Sobrou também para o ex-prefeito Raul Pont no segundo edital. Azambuja deve recolher ao FNDE R$ 2.651,91; a conta de Pont é bem mais salgada: R$ 982.071,00. O não pagamento implicará na inclusão no Cadastro de Débitos do Governo Federal (Cadin). As quantias referem-se a créditos impugnados “em decorrência de irregularidades na aplicação de fundos federais”.

Parcerias em Canoas
O prefeito de Canoas, Marcos Ronchetti (PSDB), presta hoje contas de sua administração em 2001 em reunião-almoço na CIC. Também assinará convênios com o Centro Universitário La Salle, Faculdade Ritter dos Reis, Fundação Universidade Federal do Rio Grande, Unisinos, UFSM, Ufrgs e Ulbra. São várias parcerias de peso numa tacada só em um município que toca bala.

Transporte clandestino
A propósito da denúncia do deputado Kalil Sehbe (PDT) sobre o transporte clandestino de passageiros, o diretor-geral do Daer, Hideraldo Caron, esclarece que o Daer realiza blitze às sextas e sábados. O fiscal confere se o veículo tem o registro, o laudo de vistoria do veículo, a lista de passageiros com nome e identidade. A multa é de 80 Ufirs para cada item não apresentado. O fato é que as empresas legais seguem se queixando.

Miúdas
Over.Com vence pela quarta vez a concorrência para cuidar da campanha publicitária Liquida Porto Alegre.

A Matriz conquista a conta da ADVB; na gestão anterior, eram várias agências.

Ex-desembargador Arnaldo Rizzardo é um dos juristas escolhidos pela Revista dos Tribunais para comentar o novo Código Civil.

A gaúcha Schuster Móveis & Design marca presença no Prêmio Brasil Faz Design 2002, em Milão.

Instituto Multidisciplinar de Direito Aeronático (Idaer) será instalado dia 5, no Country.

O Il G não só manteve como ampliou sua categoria no novo endereço da Felicíssimo de Azevedo.

A e21 foi premiada pelo segundo ano consecutivo no The New York Festival (cases de marketing).


Editorial

COMÉRCIO DO R$1,99 É O INIMIGO A SER CONQUISTADO

O Fórum Social Mundial traz milhares de visitantes a Porto Alegre, enquanto, no final de semana, seu comércio estará fechado, por conta do feriado de amanhã, Navegantes, e do domingo. Porém, os lojistas têm mais com o que se preocupar. Nas praias, os comerciantes amargam não apenas a ausência dos turistas argentinos, 1,2 milhão deles não vieram ao Brasil, deixando de gastar US$ 2 bilhões, mas também a concorrência, que julgam desleal, do comércio conhecido por R$ 1,99, hoje arredondado para R$ 2,00, "por absoluta falta de troco", segundo cartazes no Litoral Norte. Seja nas praias ou na Capital, este tipo de atividade veio para ficar, trazido por novas situações. Primeiro, a estabilidade macroeconômica, com o combate à inflação, restrita a índices aceitáveis. Depois, a globalização, por onde chegaram não somente produtos Made in Taiwan, Made in Japan ou Made in China, com nota fiscal, mas, principalmente, aqueles contrabandeados pela tríplice fronteira Brasil/Paraguai/Argentina e via Bolívia, ligada por rodovia ao Brasil.

Pois um dos países emissores das quinquilharias, o Japão, dá, outra vez, demonstração de inteligência. Sem armas para derrotar o comércio dos "100 ienes", os lojistas nipônicos trataram não de dormir com o inimigo, mas aliar-se a ele. Com isso, os preços dos varejistas têm estado em queda livre na Terra do Sol Nascente, trazendo deflação, onde quem mais ganha são os consumidores. A tal ponto que o chamado preço-fixo não é mais usado. Aqui, são as lojas do R$ 1,99. Lá, as lojas dos 100 ienes, multidões comprando, freneticamente.
As indústrias Daiso foram as pioneiras neste que é um estrondoso sucesso, com mais de dois mil estabelecimentos espalhados pelo Japão, batizados de "Loja de 100 ienes Daiso". O faturamento subiu de 23,3 bilhões, em 1995, para 200 bilhões de ienes, em 2000, crescimento de 850%. O lucro faz com que, a cada mês, outras 40 unidades de 100 ienes sejam abertas no país, somente pela Daiso. O preconceito com as lojas de R$ 1,99 existente no Brasil também ocorria no Japão, a priori considerados de má qualidade os artigos. Por isso a Daiso investiu na compra em escala cada vez maior, com o que, incrivelmente, alguns produtos são ofertado mais baratos no varejo do que na indústria que os produziu. Se um varejista puder comprar mil artigos de um atacadista a 1.000 ienes por unidade, será melhor adquirir centenas de milhares de peças e forçar a queda do preço. Os pedidos vão aumentando de tal forma até que seu valor ficará abaixo de 100 ienes, permitindo revendê-los com lucro. Preços baixos, boa qualidade e variedade são a chave do sucesso das lojas R$ 1,99 ou 100 ienes, em Tóquio ou em Porto Alegre, Tramandaí, Pelotas e Caxias. Yano Hirotake, presidente da Daiso, diz que as pessoas se divertem nas lojas de 100 ienes, sabem que as coisas lá valem mais do que são vendidas. A maioria das casas de 100 ienes ocupa apenas um andar, mas a Hiperloja Daiso, de Funabashi, é imensa, com sete pisos, incluindo subsolo e área de varejo com 5.600 metros quadrados, inaugurada em 2001. Portanto, se os lojistas brasileiros estão sofrendo com a concorrência desenfreada, onde o que mais vale é o preço, devem se precaver e, eventualmente, aderir ao sistema. Mas, por uma questão de justiça, que o governo federal tranque, mais e mais, nossas fronteiras ao contrabando dos falsificados, de eletroeletrônicos, tênis e roupas, que estão chegando da Coréia, do Japão e da China, abrindo empregos lá e fechando aqui, conforme alertou, em oportuna campanha, a Federação das Indústrias do RS. Além, é claro, de combater o roubo de cargas e no comércio formal.


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02/01/2002


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