Lula se afasta de ACM









Lula se afasta de ACM
Em comício sábado à noite, em Campinas, o candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, tratou como adversário o ex-senador Antônio Carlos Magalhães (PFL). Engajado na campanha da Frente Trabalhista, encabeçada por Ciro Gomes, e desafeto declarado do candidato José Serra (PSDB), em declarações recentes Antônio Carlos, que concorre de novo ao Senado na Bahia, vinha admitindo a possibilidade de apoiar Lula numa eventual disputa com o tucano no segundo turno. Porém, ao pedir voto para os candidatos ao Senado da chapa que apóia sua candidatura, o petista Aloizio Mercadante e Wagner Gomes (PC do B), Lula deu a entender que não espera apoio do baiano.

— Vamos eleger também o Wagner e o Mercadante. Precisamos de gente competente para enfrentar o ACM, que eu sei que vai ser eleito lá pela Bahia — disse Lula em Campinas.

Em julho Antonio Carlos Magalhães admitia apoiar Lula no segundo turno contra Serra com a ressalva de que não interferiria no cenário nacional se não houvesse maus-tratos aos pefelistas baianos. ACM chegou a elogiar Lula, chamando-o de “ótimo candidato” e afirmando que a relação entre os dois era boa. Em resposta, Lula afirmou que o ex-senador teria uma atitude sensata se votasse nele.

Lula evitou outros ataques e insistiu que não pensa em deixar o estilo paz e amor. Referindo-se ao amigo Antonio da Costa Santos, o Toninho do PT, prefeito de Campinas assassinado há um ano, Lula disse:

— Aprendi com o Toninho o jeito meigo de fazer política.

No sábado, antes de seguir para Campinas, Lula pediu votos para Orestes Quércia, candidato do PMDB ao Senado, em evento promovido pela Confederação das Mulheres do Brasil. De mãos dadas com Quércia, adversário histórico do PT em São Paulo e hoje um aliado informal, Lula conclamou o público a votar também em Mercadante. Ao justificar o apoio ao “amigo e companheiro” Quércia, Lula criticou o neoliberalismo e disse que o ex-governador, assim como ele, sempre foi oposição ao governo Fernando Henrique.

Ainda no sábado pela manhã, em comício na periferia da capital, Lula pedira votos para o sindicalista Wagner Gomes. Campinas, além da cidade onde iniciou carreira política, é também um dos principais redutos eleitorais de Quércia. Mais de 25.000 pessoas participaram do comício de Lula no sábado à noite, inclusive cabos eleitorais do peemedebista, mas em nenhum momento ele mencionou o nome de Quércia.

PT obtém vitórias contra Serra e Petrobras no TSE
Lula obteve duas vitórias ontem no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A campanha publicitária da Petrobras foi suspensa pelo ministro Caputo Bastos, atendendo a pedido do petista, que acusou a empresa de interferir no processo eleitoral . Em outra decisão o ministro determinou a suspensão, no programa eleitoral do tucano José Serra, de imagens simulando consulta popular sobre qual dos dois candidatos é o mais preparado para criar empregos. Na representação contra a Petrobras, Lula argumenta que a propaganda, que começou a ser veiculada dia 3, tem o objetivo de rebater críticas feitas em seu horário eleitoral gratuito, do dia 20 de agosto, à construção de plataformas de prospecção de petróleo no exterior, o que estaria deixando de gerar empregos no Brasil.

Os advogados do candidato do PT lembraram que a Petrobras usa a campanha para esclarecer declarações que considera equivocadas e responde ponto a ponto às críticas de Lula. Segundo o PT, a propaganda interfere no processo eleitoral, beneficiando o candidato do PSDB, José Serra. O PT acusou a Petrobras de uso indevido da máquina administrativa e de abuso de poder econômico.

Lula também foi vitorioso no pedido para que o programa eleitoral de José Serra suspenda a simulação de consulta popular sobre criação de empregos. Segundo os advogados de Lula, houve manipulação dos resultados da preferência popular, beneficiando José Serra. Ontem, Serra entrou no TSE com pedido de resposta na propaganda eleitoral do seu adversário Ciro Gomes. O tucano alega que foi ridicularizado no programa da Frente Trabalhista da noite de sábado, quando apareceu prometendo criar 8 milhões de empregos. Em seguida, o cantor e humorista cearense Falcão criticava a proposta.


Procurador denuncia marido de prima de Serra
BRASÍLIA e NANUQUE (MG). O procurador da República do Distrito Federal, Luiz Francisco de Souza, entra hoje na justiça com uma ação de improbidade administrativa contra Gregório Marín Preciado, marido de uma prima do candidato tucano à Presidência, José Serra, e ainda contra Ricardo Sérgio, ex-diretor do Banco do Brasil, Wladimir Antônio Violi e Ronaldo de Souza. Eles estão sendo investigados pela Procuradoria da República por sonegação e omissão de ganhos nas administração das empresas de consultoria ACP, IRR e Econômica. Ricardo Sérgio foi tesoureiro de campanhas de candidatos do PSDB, entre eles José Serra.

O procurador disse que vai indagar sobre o procedência do dinheiro com o qual a filha do candidato à Presidência da República, Verônica Serra, adquiriu um imóvel no ano passado por R$ 474 mil, enquanto o capital da firma da qual é sócia é de apenas R$ 2 mil. O procurador Luiz Francisco garante ainda possuir documentos que mostram que o candidato José Serra vendeu, em 1995, um imóvel no Morumbi, área nobre de São Paulo, de 820 metros quadrados por R$ 140 mil, o que significa um custo de R$ 169 o metro quadrado. Segundo o procurador há indícios de subfaturamento para omitir ganhos à Receita Federal.

Uma denúncia publicada nos jornais “Folha de S. Paulo” e “Correio Braziliense” de sábado afirma que Serra não teria declarado à Justiça Eleitoral, em campanhas anteriores, sua participação na ACP, em sociedade com Preciado

A denúncia foi interpretada por aliados do candidato José Serra como o fim da trégua entre o PSDB e o PT.

Aliados de Serra diziam durante a semana que o candidato não iria “bater em Lula, e sim debater com Lula”.

Ontem, Serra compareceu por alguns minutos a uma caminhada organizada pelo governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz, candidato à reeleição.

Manifestante é atingida por pára-quedista em Brasília
O evento reuniu cerca de 60 mil pessoas, segundo a Polícia Militar, no Plano Piloto de Brasília. Roriz fez um apelo veemente a seus eleitores para que votem em Serra. Rouco, Roriz gritou ao microfone:

— Peço àqueles que vão votar em mim, que votem em Serra. Não vale a pena eu ser governador se não tiver um presidente companheiro, amigo e solidário em Brasília.

O evento teve um acidente: um dos pára-quedistas contratados para descer no Eixão com bandeiras dos candidatos caiu em cima de uma manifestante. Mas ela não chegou a se ferir gravemente.

Depois de Brasília, Serra voltou a Minas pelo segundo dia consecutivo. O candidato tucano participou de uma carreata com Aécio Neves e a candidata a vice na sua chapa, Rita Camata, em Nanuque, visitou a cidade de Capelinha e participou de comício em Teófilo Otoni. Aécio Neves não esperou Serra para iniciar a carreata pelo centro de Nanuque, depois de esperar por mais de meia hora:

— Ele atrasou porque está tendo problema de teto. Vou indo e a gente se encontra.


Ciro discute com jornalista em comício
MOGI DAS CRUZES (SP). Na saída de um showmício no sábado à noite, em Mogi das Cruzes, no interior de São Paulo, o candidato da Frente Trabalhista, Ciro Gomes, envolveu-se numa discussão com uma jornalista que acabou em tumulto. A chefe de reportagem do “Mogi News”, Viviane de Almeida, teve o seu gravador tomado por assessores do candidato. Ela registrou queixa na Polícia Civil por apropriação indébita.

Viviane perguntou a Ciro sobre um suposto esquema para arrecadar recursos p ara a sua campanha envolvendo o Sindicato dos Metalúrgicos de Suzano e empresas da região.

— Isso é mentira promovida por aqueles que estão a serviço de José Serra, que contrata pessoas para vir nos nossos comícios provocar e agredir — respondeu o candidato.

Enquanto ia em direção ao carro, Ciro foi perguntado por outro repórter se deixara de reagir de forma agressiva às provocações de adversários.

— Aprendi de forma amarga a lembrar que o que está em jogo não é minha dignidade pessoal, mas o destino do Brasil — disse, emendando:

— Tenho de suportar pessoas como ela (Viviane), que estão aqui a serviço do candidato do governo.

Ciro pediu ao cinegrafista que o acompanhava para registrar a cena. Foi quando começou o tumulto e a jornalista teve o gravador tomado. A jornalista afirmou que os assessores disseram que só queriam ouvir a fita e que a devolveriam.

— Meu jornal recebeu uma denúncia e eu só queria uma informação. Fiz uma pergunta e o que veio foi aquela covardia — disse ontem Viviane.

Ontem à noite, Ciro visitou a Congregação Israelita Paulista (CIP) na comemoração do Yom Kippur. Por coincidência, encontrou-se com os candidatos tucanos ao governo paulista, Geraldo Alckmin, e ao Senado, José Aníbal. Ciro disse que não guarda mágoas e não cultiva ódios por ninguém.

— Sempre peço perdão pelos meus pecados — afirmou Ciro.


Carteira determina risco do fundo
Quem pensa em investir num fundo de ações deve tomar cuidado. Antes de tudo, é preciso saber que nem todos eles são iguais: existem os que têm mais ou menos risco. A composição da carteira e o perfil do fundo têm influência direta sobre sua rentabilidade.

— Nem todos os fundos de ações aplicam 100% dos recursos em papéis de empresas. Eles também podem aplicar em títulos públicos. Mas para se enquadrar na categoria renda variável, devem investir até 51% em ações — diz Fernando Barroso, analista da Mercatto Gestão de Recursos.

Aplicações ligadas a índice têm risco menor
Ao investir também em renda fixa, o gestor busca proteger o investidor, pois quando a bolsa enfrenta perdas, a diversificação de ativos pode garantir a rentabilidade do investimento. Mas isso significa que o comportamento dos títulos do governo também afeta a rentabilidade dos fundos que não investem 100% da carteira em ações.

Existem dois tipos básicos de fundos de ações: os passivos e os ativos. Os primeiros têm por objetivo espelhar o comportamento de um determinado índice, que será usado como seu referencial de rentabilidade (no jargão do mercado, benchmark ).

Entre os referenciais, estão o Ibovespa (índice da bolsa paulista que reúne as ações mais negociadas, como as do setor de telecomunicações), o IBX (ações de empresas mais conservadoras, como bancos, que oscilam menos) e o IGC (índice de governança corporativa, composto de ações de empresas que dão prioridade ao bom relacionamento com os acionistas minoritários).

Apesar de serem índices de bolsa, eles têm rentabilidade bem diferente. Nos últimos 12 meses, o Ibovespa desvalorizou-se em 3,54% e o IBX e o IGC renderam 8,89% e 13,84%, respectivamente, de acordo com dados do site Fortuna.

Os fundos passivos em Ibovespa, por exemplo, devem replicar as oscilações do índice da bolsa paulista, sejam elas para cima ou para baixo. Para isso, formam uma carteira idêntica à da bolsa.

— Como seu objetivo é acompanhar o índice, eles não oferecem grandes riscos, sendo mais indicados para investidores conservadores. Aqui, o risco maior é o da bolsa cair — explica Fábio Cardoso, diretor da consultoria Adinvest.

Estratégia do gestor deve constar no regulamento
Já os fundos ativos têm como meta obter uma rentabilidade superior à do seu referencial. Para isso, os gestores selecionam os papéis, não precisando, necessariamente, seguir a composição do seu benchmark. Eles também utilizam estratégias mais agressivas, como aplicações no mercado futuro de ações.

— A maneira como o gestor buscará esse excedente de rentabilidade varia de fundo para fundo, mas deve constar no regulamento da aplicação — diz Fernando Buarque, analista de renda variável da corretora Ágora Senior.

Segundo ele, como esse fundo expõe o aplicador a riscos mais elevados em nome de uma rentabilidade maior, só é recomendado para perfis de moderado a agressivo.

Fábio Cardoso lembra que, tão importante quanto a carteira do fundo, é saber que investimentos em ações, sejam eles via fundos ou compra direta de papéis, são estratégias de longo prazo.


Artigos

Erro estratégico
Alfried Karl Plöger

A indústria brasileira, a mais desenvolvida da América Latina e segundo setor na composição do PIB nacional, tem papel preponderante na inserção pró-ativa e competitiva da economia nacional na globalização.

Para empreender um processo consistente de desenvolvimento, o país tem como um dos fatores condicionantes o fortalecimento da indústria. O desenvolvimento da indústria também é fator preponderante para definir o peso do Brasil no cenário mundial devido a outra questão básica: o domínio dos processos produtivos e tecnologia de ponta são imprescindíveis neste novo século como diferencial competitivo.

Hoje, dependência da produção é sinônimo de subserviência. Assim, não é incidental ou fortuito o fato de a maioria das nações emergentes, como o Chile e a China, terem políticas industriais muito consistentes e exeqüíveis. Aqui, é como se a nação não tivesse pela frente o imenso desafio de promover o reposicionamento estratégico de seu parque industrial, para garantir níveis adequados de competitividade. Contudo, o país não tem uma política industrial definida, a começar pela ausência de mecanismos eficientes de financiamento.

Grandes volumes de recursos financeiros, que poderiam ser destinados ao financiamento da produção, são absorvidos na manutenção do serviço da dívida pública. Para manter esta ciranda, paga-se no país a mais alta taxa de juros reais da economia mundial. Em julho, a taxa básica brasileira, descontada a inflação, atingiu 10,3%, mais de quatro vezes maior do que a média dos chamados países emergentes, que é de 2,5%.

O mercado de capitais, uma das mais importantes fontes de financiamento da produção no mundo civilizado, está cada vez mais frágil e distante desse importante papel de vetor do crescimento sustentado. As empresas que ousaram investir para se manter competitivas arcam hoje com os absurdos juros nacionais ou com dívidas em um dólar que já supera os R$ 3.

É preciso deixar claro que, quando falam em política industrial, os empresários não se estão referindo à prática anacrônica do protecionismo, de privilégios fiscais ou reservas de nichos mercadológicos. O que todos desejam é o estabelecimento de condições efetivas de tornar suas empresas capazes de enfrentar a concorrência, cada vez mais acirrada, que caracteriza a globalização.


Colunistas

Panorama Político – Tereza Cruvinel

Como fazer?
Os candidatos à Presidência da República estão deixando os eleitores a ver navios com suas promessas. Todos são pródigos em anunciar as coisas boas que farão. Mas nenhum diz como fará para ampliar os gastos públicos, nas áreas social e de infra-estrutura, e ao mesmo tempo reduzir o risco-Brasil. Para obter o voto os candidatos estão varrendo a realidade para debaixo do tapete.

O economista Raul Velloso diz que não há como o país crescer 4,5% do PIB ou 5% ao ano, como propõem José Serra e Luiz Inácio Lula da Silva, sem a redução do risco-Brasil. E a redução deste risco, ditado pelo mercado financeiro internacional, depen de de corte nas despesas e da realização de reformas estruturais. Sobre essas questões os candidatos não se pronunciaram até agora.

— Os candidatos estão dizendo onde vão aumentar os gastos, mas não o que vão cortar para fazer o que prometem. Eles só vão falar disso depois de ganharem as eleições — afirma.

O que os candidatos não estão dizendo aos eleitores é como o futuro governo vai abordar duas questões cruciais para o mercado financeiro: a da previdência e a da assistência social. Na questão da previdência o desequilíbrio mais grave ocorre no setor público, onde há um rombo entre as contribuições dos servidores e os benefícios que eles recebem quando se aposentam. Quais as perguntas que estão no ar?

Luiz Inácio Lula da Silva estaria disposto a eliminar certos privilégios, desafiando sua base sindical no setor público? José Serra teria apoio no Congresso para fazer as mudanças que o presidente Fernando Henrique Cardoso não conseguiu fazer em oito anos? Ciro Gomes conseguiria unir Jorge Bornhausen e Leonel Brizola para realizar essa tarefa? Anthony Garotinho teria força política para comprar essa briga?

Quanto aos gastos na área social, parece que o céu é o limite. Todos os candidatos têm afirmado, pelos palanques Brasil afora, não só que vão manter os atuais gastos como pretendem aumentá-los. A promessa é viável, mas desde que sejam feitos cortes de despesas em outras áreas. As respostas a esses temas, sobre os quais os candidatos silenciam, terão de ser dadas imediatamente após a posse do presidente eleito. Somente quando isso ocorrer saberemos, de verdade, como fazer.

Ciro Gomes lança quarta-feira, em São Paulo, seu programa de governo. Espera com isso dar novo impulso a sua campanha e voltar a sonhar com o segundo turno.

Contando carneirinhos
Os principais dirigentes do PT estão contando quantos votos serão necessários para que um candidato vença as eleições no primeiro turno.

Estão aptos a votar 115,2 milhões de brasileiros. Se considerarmos o comparecimento nas eleições presidenciais de 1998, 78,51%, e de 1994, 82,23%; e se considerarmos que os votos brancos e nulos seguirão constantes, como em 1994 (18,77%) e em 1998 (18,7%), então teremos entre 73.576.418 e 77.062.653 de votos válidos.

Para vencer em 6 de outubro, qualquer candidato terá de obter uma votação mínima entre 36,8 milhões e 38,6 milhões. Esta votação nominal é superior às do presidente Fernando Henrique Cardoso em 1994 e 1998.

Tendo como base os votos válidos de 1998, as intenções de voto da última pesquisa Ibope (39%) e uma migração dos indecisos proporcional a esse índice, Lula teria hoje 31,5 milhões de votos. Para vencer no primeiro turno, Lula depende de capitalizar para si eventuais perdas de Ciro Gomes e de Anthony Garotinho, ou de ambos.

Perdas e ganhos
Não há um herdeiro natural para os pontos que Ciro Gomes perdeu nas últimas semanas. As pesquisas feitas pelo Ibope mostram que os ganhadores variam conforme o estado. Ciro perdeu seis pontos em São Paulo, enquanto Lula e Garotinho cresceram três pontos cada um. Ciro perdeu sete pontos na Bahia, Lula e Serra ganharam cinco cada um. Ciro perdeu 11 pontos em Pernambuco, Serra subiu oito e Garotinho, cinco.

Saindo do inferno
Os aliados de Anthony Garotinho estão confiantes de que nas pesquisas desta semana o candidato do PSB supera Ciro Gomes. Argumentam que Garotinho cresceu na pior fase, quando era quase discriminado e tido como fora do páreo. O desafio, segundo o secretário-geral do PSB, Alexandre Cardoso, é convencer os eleitores de que Garotinho é o único nome da oposição que tem competência para governar o país.

O INESC divulga hoje versão atualizada de suas projeções nas eleições para a Câmara e o Senado. Os novos números indicam que o PSDB não deve passar dos 80 deputados e que o PTB deve eleger no máximo 30 deputados.

DE PASSAGEM por Brasília, o representante do Brasil na diretoria do Banco Mundial, Paulo Paiva, constata que “o mercado financeiro absorveu o Lula”.

O PUBLICITÁRIO Nizan Guanaes falava pelos cotovelos na madrugada de quinta-feira, quando foi interrompido pelo candidato José Serra:

— Estou tão cansado que não consigo ouvir sequer uma idéia nova.


Editorial

PASSO À FRENTE

A indústria brasileira acumulou nos últimos anos ganhos expressivos de produtividade porque foi submetida à competição. Muitas empresas tradicionais de fato não conseguiram sobreviver nesse processo de transformação, o que ocasionou o fechamento de fábricas e perdas de empregos. Mas também surgiram diversas indústrias no país, e um grande número das que já estavam instaladas no país se modernizou.

As mudanças foram rápidas e, de certa maneira, traumáticas para aqueles que se haviam habituado com políticas de proteção e reservas de mercado — até necessárias na fase inicial da industrialização, para viabilizar a substituição de importações, mas que, por terem se estendido demasiadamente, levaram a economia a conviver com problemas estruturais sérios, entre os quais uma inflação crônica e aguda.

Sem abertura para a competição, o Brasil não teria vencido a superinflação. Isso não significa que o governo não deva ter políticas industriais; ao contrário, com o setor exposto à competição, precisa mais do que nunca de apoio para adotar novas tecnologias.

Nesse sentido, foram tomadas iniciativas inteligentes nos últimos anos, como o sistema de pontuação nos leilões da Agência Nacional de Petróleo favorável às empresas de exploração e produção que se comprometerem a encomendar mais bens e serviços no país. Ou os diversos fundos setoriais de financiamento à pesquisa. Políticas específicas e pontuais precisam ainda ser adotadas para impulsionar certos segmentos.

Mas não é o caso do recuo ao protecionismo, reservas de mercado ou subsídios.


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09/16/2002


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