NA CCJ, RELATOR QUER MAIS RESTRIÇÕES ÀS ARMAS
- Não tenho dúvida quanto à necessidade de adotarmos uma legislação severa e rígida restringindo o uso de armas de fogo. Não há uma só pesquisa de opinião em que a violência não seja a primeira ou segunda preocupação da sociedade e, no raiz do problema, está a banalização da arma de fogo - declarou Calheiros, que também apresentou substitutivo em seu parecer.
Ex-ministro da Justiça, Renan Calheiros acredita que a legislação sobre armas em vigor, de 1997, caducou rapidamente e acabou privilegiando a clandestinidade. Segundo dados por ele apresentado, existem pouco mais de dois milhões de armas legalizadas e cerca de 20 milhões irregulares.
- Armas para quê, para quem? Se elas não servem para defesa, já que o cidadão de bem é sempre o surpreendido e o bandido tem destreza no manuseio, a quem está servindo a nossa complacência com a proliferação das armas? É tempo de tratar o problema de acordo com a gravidade do diagnóstico - ponderou, ao apresentar estatísticas que apontam, por exemplo, que 89% dos crimes no Brasil são cometidos com armas de fogo.
Diante do argumento de que a proibição da venda geraria desemprego e redução da arrecadação na indústria de armamentos, Calheiros sustenta que os fabricantes nacionais já exportam 90% da produção.
- Para nós, uma verdade está muito clara: uma arma de fogo nas mãos de qualquer pessoa, por mais bem intencionada que seja, representa um permanente risco de vida para todos os demais. Uma lei proibindo a venda de armas é o primeiro e decisivo passo para reduzirmos a violência - afirmou.
Caso a CRE vote o parecer de Piva nesta terça-feira (dia 7), os projetos poderão ser incluídos na pauta da CCJ ainda esta semana, quando os senadores da comissão apreciarão o parecer de Calheiros.
07/02/2000
Agência Senado
Artigos Relacionados
RESTRIÇÕES AO USO DE ARMAS SERÁ APRECIADO NA CCJ NO DIA 7
Senadores defendem restrições a armas de fogo
Projeto com restrições às armas de fogo volta à pauta da CRE
CRE discute combate ao tráfico de drogas e restrições ao comércio e porte de armas
Para Virgílio, restrições ao porte de armas coroa convocação extraordinária
César Borges quer mais campanhas publicitárias contra armas ilegais