Partidos revêem estratégia contra Roseana
Partidos revêem estratégia contra Roseana
A ascensão da governadora nas pesquisas passou a ser acompanhada pela oposição e pelos governistas
A candidatura presidencial da governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PFL), não abalou apenas a coalizão que sustenta o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso.
A oposição, que se preparava para ter um candidato tucano como alvo preferencial na campanha de 2002, teve de repensar a estratégia diante da ascensão irresistível da pefelista nas pesquisas.
Há algumas semanas, quando o nome de Roseana ainda era uma das muitas cartas do jogo governista, líderes de todos os partidos concordavam num ponto: a governadora era um problema dos outros – da oposição, segundo FH, ou da base governista, segundo Lula, candidato presidencial do PT. Alavancada pelo fraco desempenho dos candidatos do PSDB nas pesquisas e por uma forte campanha de TV concebida por Nizan Guanaes, marqueteiro de FH nos pleitos de 1994 e 1998, a governadora correu por fora. No domingo, em Olinda, diante dos milhares de delegados ao 12º Encontro Nacional do PT, Lula admitiu que Roseana o preocupa.
– Não podemos subestimá-la – disse.
O PFL já discute a entrega dos cargos que ocupa no governo, tão logo o PSDB formalize a candidatura de José Serra, ministro da Saúde.
– Os tucanos que lancem Serra. Ele vai terminar em quarto lugar, talvez em quinto – afirma o deputado Inocêncio Oliveira (PFL-PE).
As manifestações dos líderes pefelistas são uma prova de que o partido só aceitará discutir a manutenção da aliança se Roseana estiver na cabeça de chapa. Dividida, a aliança governista fez esta semana um pacto de não-agressão até maio, quando seus componentes tentarão buscar um entendimento.
O novo cenário imposto pelo fenômeno Roseana também passou a ser acompanhado com atenção pelo PMDB. Setores do partido inclinam-se por aderir à candidatura do PFL. O apoio é costurado nos bastidores pelo grupo ligado ao ex-presidente José Sarney, junto com alguns governistas. Desde que a candidatura Roseana se consolidou, Sarney tem mantido conversas com o grupo do governador Itamar Franco. O líder do PMDB do Senado, Renan Calheiros (AL), desconversa quando indagado sobre um eventual apoio a Roseana:
– A candidatura de Roseana é importante para o processo, mas o ideal é que cada um tenha candidato.
– O senador Sarney é uma espécie de 5ª Coluna avançada da Roseana dentro do PMDB. Tem peemedebista arregalando os olhos par ser vice dela – entrega o senador gaúcho Pedro Simon, pré-candidato à Presidência.
Apesar de já ter lançado a pré-candidatura à Presidência do ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, líderes do PPB também admitem uma coligação no futuro, com o partido ocupando a vice de Roseana. Dois nomes são lembrados: Pratini e o governador de Santa Catarina, Esperidião Amin.
Para janeiro, o PFL prepara mais aparições da governadora na TV. Se Roseana conseguirá se manter com os mesmos índices por muito tempo, isso é uma incógnita até para diretores de institutos de pesquisa.
– É muito cedo para avaliar – opina Márcia Cavallari, diretora executiva do Ibope.
Apontada como um novo fenômeno de marketing da política brasileira, Roseana tem semelhanças com Fernando Collor, cuja candidatura também foi construída na TV – o ex-presidente decolou nas pesquisas depois de ter usado o programa eleitoral de três partidos nanicos, seis meses antes da eleição.
– Ao contrário do Collor, ela não está saindo do nada. É o que poderíamos chamar de um novo conhecido – conclui Márcia.
“O governo desmoraliza os policiais”
Entrevista: Celso Bernardi, candidato a governador pelo PPB
Primeiro candidato a ser lançado à sucessão de Olívio Dutra em 2002, Celso Bernardi, 58 anos, já está com a primeira parte da sua plataforma de governo concluída. Em meio a uma crise na área de segurança pública no Estado, o presidente estadual do PPB decidiu dar ênfase ao tema. Um grupo de 25 policiais civis e militares trabalhou nas últimas semanas em alternativas para o setor.
Ex-secretário de Educação do governo Amaral de Souza, deputado estadual (1987-1990), deputado federal (1991-1994) e candidato ao governo do Estado em 1994, Bernardi também é o primeiro a falar abertamente em programa de governo. Casado com Marlene e pai de dois filhos, o dirigente do PPB conversou com Zero Hora na última quinta-feira. A seguir, os principais trechos da entrevista:
Zero Hora – Por que o senhor escolheu a segurança pública como primeiro ponto do seu programa de governo?
Celso Bernardi – Porque é o maior problema que os gaúchos estão enfrentando. Isso demonstra claramente que o atual governo foi omisso, incompetente. Temos um secretário que sabe filosofar muito, mas não sabe agir, é frouxo. O governo está desmoralizando os policiais civis e militares e está desmontando todo a estrutura da Polícia Civil, da Brigada Militar. Prova disso é que em 1998 a segurança entrava em sexto, sétimo lugar entre os maiores problemas apontados pelos gaúchos. Hoje está em primeiro.
ZH – Qual é o conteúdo desse plano de segurança?
Bernardi – Se eleito, a primeira medida será desmembrar novamente a Justiça da Secretaria da Segurança. Vamos resgatar a auto-estima, a motivação, a dignidade do policial. Isso não se faz apenas dando-lhes um salário mais justo, mas também opções de trabalho, fazendo com que as pessoas possam ter entusiasmo. Estou criticando o atual secretário José Paulo Bisol porque ele está trazendo para dentro da secretaria atividades que deveriam ser feitas pela Polícia Civil e pela Brigada. O 190 é um exemplo. Tirou da Brigada e trouxe para a Secretaria da Segurança, provocando uma queda de qualidade no serviço. Temos um problema de efetivo também. Fizemos um estudo para ver como é que vamos repor 6 mil brigadianos no policiamento ostensivo. Pelo nosso plano, a cada ano de governo serão contratados mil novos brigadianos. Nossos estudos mostram que teremos um gasto com essa reposição, incluindo salário, vale-refeição, fardamento, munição de R$ 111 milhões em quatro anos. Nós também vamos colocar como prioridade o cumprimento do artigo 126 da Constituição do Estado. A sociedade participará através dos conselhos de defesa e segurança da comunidade. Temos de fazer também com que a polícia seja realmente profissional, que fique fora de questões ideológicas. O chefe de Polícia e o comandante da Brigada devem ser escolhidos por meio de lista tríplice encaminhada à Assembléia.
ZH – A oposição, incluindo seu partido, critica a postura da Brigada Militar nas invasões de terra e manifestações. Qual a orientação que o senhor daria para a Brigada Militar?
Bernardi – A polícia militar não terá posição contemplativa. Não temos o direito de ficar assistindo a atos violentos. A Brigada tem de ser repressiva, em nome da ordem. Não podemos confundir movimento social com baderna, com terrorismo, com desrespeito à propriedade.
ZH – O governo Britto contou com recursos das privatizações e aumento de impostos para investir. O atual governo teve três vezes rejeitada a proposta de aumento de ICMS e não privatizou. Como aumentar a receita e diminuir o déficit do Estado?
Bernardi – A economia suporta o tamanho do nosso Estado? Essa é a pergunta que tem de ser respondida imediatamente para quem quer governar o Rio Grande do Sul. Temos hoje gastos de 73% com pessoal, 13% com a dívida e um custeio de 10%. Sobram pouquíssimos recursos para investimento. Esse governo vai entregar o Estado com um déficit da ordem de R$ 3 bilhões. Precisamos de um governo de ousadia na área de investimentos, mas sem aumentar os impostos. Essa palavra fica proibida no nosso governo. Temos de adaptar o nosso sistema tributário
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