Proposta de consórcio fluminense era mais cara, diz presidente da Petrobras



A proposta do consórcio Mauá/Jurong para a construção da plataforma da Petrobras PRA-1 superou em R$ 7,39 milhões o valor negociado com o consórcio vencedor CNO/UTC Engenharia, que foi de R$ 988,96 milhões, além de enfrentar problemas de viabilidade técnica da obra. Com essas informações, o presidente da Petrobras, José Eduardo Dutra, detalhou pela primeira vez o que foi proposto pelo consórcio fluminense, cuja desclassificação foi alvo de intensa polêmica entre a governadora do Rio de Janeiro, Rosinha Matheus, do PMDB, e o dirigente da estatal.

Ele explicou que além da planilha de preços encaminhada pelo Mauá/Jurong ao governo do Rio, no montante de R$ 884,531 milhões, cuja carta acabou sendo de conhecimento público, a proposta envolvia outros valores de cotações em separado, como R$ 57,12 milhões de recursos disponíveis na Petrobras para apoio e logística e R$ 8,68 milhões para ações de salvamento. Fora isso, havia o seguro do empreendimento, de R$ 38,01 milhões, e os serviços adicionais de R$ 8 milhões, orçados igualmente em todas as propostas.

Outro aspecto que pesou na escolha do consórcio encabeçado pela Odebrecht foi de caráter técnico. Segundo Dutra, o consórcio Mauá/Jurong não comprovou sua capacidade de içar os módulos para a instalação da plataforma. Pelas explicações técnicas durante audiência na CI, havia um déficit de 1,7% na capacidade do guindaste em relação ao que seria necessário para içar os módulos da plataforma, enquanto a proposta técnica da CNO/UTC apresentava uma folga de 35%. A Petrobras emitiu seu parecer técnico no dia 14 de maio passado, depois de todos os esclarecimentos técnicos prestados pelo consórcio fluminense desde 30 de abril.

A defesa da posição da governadora Rosinha Matheus foi feita pelo senador Sérgio Cabral (PMDB-RJ), que voltou a questionar se a possibilidade de isenção do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) pelo governo do Rio não tornaria a proposta do consórcio fluminense mais vantajosa que a do consórcio baiano. Sérgio Cabral também indagou se houve negativa da estatal para o uso do seu canteiro em São Roque do Paraguassu (BA) ao consórcio fluminense durante a fase de negociação. Dutra respondeu que apenas o consórcio CNO/UTC fez esse pedido.

Produção

Dutra, que adiou várias vezes seu comparecimento ao Senado, agendado desde abril, declarou que o momento foi oportuno para poder explicar as obras em andamento e as que foram licitadas, reafirmando que esses projetos reforçarão a produção de petróleo da estatal e garantirão a auto suficiência em 2006. Ele esclareceu que a produção de petróleo cresceu apenas 3,5% em relação a 2002 porque, em 2003, não houve nenhum novo projeto de produção.

- O simples aumento da produção, sem novos projetos, já é uma façanha - afirmou.

Para 2004 e 2005, estão previstos, segundo Dutra, cinco grandes projetos. A produção de 2005 em comparação com a de 2004, continuou, representará um incremento da ordem de 230 mil barris/dia. Sobre a campanha publicitária feita na assinatura do contrato para a construção das plataformas P-51 e P-52, um dos temas do requerimento do senador José Jorge (PFL-PE) para a audiência, Dutra declarou que o custo foi de R$ 3.407.012,84.

Ele observou que a Petrobras, de acordo com a revista IstoÉ Dinheiro, registrou uma valorização de sua marca de 70% no ano passado, em comparação ao exercício anterior. Um estudo da Interbrand, consultoria em gestão de marcas, indica que o valor da marca Petrobras era de US$ 286 milhões, em 2002, subindo no ano seguinte para US$ 485 milhões. Dutra atribuiu esse resultado à campanha pelos 50 anos da estatal. O orçamento de comunicação da estatal foi de 0,5% da sua receita líquida no ano passado, situando-se, conforme Dutra, dentro da média histórica da companhia.





30/06/2004

Agência Senado


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