Requião defende voto misto em listas fechada e aberta para deputados




Voto misto com uma lista fechada incluindo candidatos escolhidos pelo partido e uma outra lista aberta; mandato no Senado, sem direito a voto, para ex-presidentes da República; financiamento de campanha através de uma fórmula parecida com a utilizada na Lei Rouanet; direito de resposta automático para que políticos e cidadãos possam responder a injúrias, calúnias e difamações veiculadas pela imprensa. Esses são alguns dos pontos que o senador Roberto Requião (PMDB-PR) defenderá na reforma política.

O senador entende que o modelo atual propicia casos como as eleições de Tiririca e Enéas que, canalizando votos de protesto de parte da população, elegeram para o Parlamento deputados com quase nenhuma representatividade. Já o sistema majoritário (são eleitos os mais votados), opinou Roberto Requião, tem como principal problema o fato de eliminar o voto de opinião e a possibilidade de um movimento programático eleger um número maior de parlamentares.

- Estou propondo um voto misto, um voto em que se teria uma lista fechada, democraticamente escolhida pelo partido, e uma lista aberta. A lista fechada eliminaria a possibilidade dos votos do Enéas e do Tiririca elegerem deputados sem votos, porque só contabilizaríamos a proporcionalidade da participação de cada partido suportada no voto na legenda partidária. A lista aberta só elegeria na medida em que a lista fechada garantisse a proporcionalidade - argumentou Roberto Requião.

A respeito do financiamento de campanha, Requião sugere que as empresas possam fazer doações em troca de incentivos fiscais. O senador exemplificou sua proposta: um senador teria direito de captar até R$ 3 milhões. Uma empresa que pudesse oferecer R$ 30 milhões daria os R$ 3 milhões, ou o valor que completasse esse teto, ao senador e ainda ficaria com R$ 27 milhões para oferecer a outros candidatos. Roberto Requião acredita que seria uma forma descentralizada de utilização dos recursos públicos.

Salário mínimo

O reajuste do salário mínimo também foi tema do pronunciamento de Roberto Requião. Ele antecipou que votará a favor de qualquer valor acima dos R$ 545 propostos pelo governo. Na sua avaliação, é possível um aumento maior se forem adotadas medidas como o aumento do depósito compulsório dos bancos, a contenção da expansão do crédito consignado, a implantação de taxas para a importação e o controle da desvalorização do dólar. Requião também revelou que se posicionará contrário ao dispositivo que faculta ao Executivo definir por decreto o piso salarial do país.

- Já vivemos com as medidas provisórias que, de certa forma, desmoralizam o Congresso Nacional. Se ao lado delas, agora, formos fazer delegação legal por decreto, não sei mais qual a verdadeira utilidade do Legislativo. A proposta de aumento constante do salário mínimo com base no crescimento do PIB dos dois últimos anos, mais a inflação, pode até ser interessante, mas não a ponto de retirar do Congresso o direito e o dever de discutir a cada ano o salário mínimo, conforme determina a Constituição - opinou Roberto Requião.

Outro assunto abordado pelo parlamentar foi a notícia de que o governador do Paraná, Beto Richa, estaria alardeando um suposto "furo" nas contas do governo daquele estado. Como ex-governador que entregou o comando do Executivo paranaense a Beto Richa em janeiro, Roberto Requião negou qualquer problema nas contas públicas e classificou a acusação como uma tentativa do atual governador de "esconder a sua incompetência".

Para Roberto Requião, a administração Beto Richa é a continuidade do governo Jaime Lerner, que teria deixado o Paraná em um "completo descalabro". Requião disse que quando sucedeu Lerner no governo não se falava em "furo", mas na destruição do estado. Ele informou que, ao contrário do que o atual chefe do Executivo estaria afirmando, o Paraná teve aumento de receita e um crescimento significativo do ICMS.



21/02/2011

Agência Senado


Artigos Relacionados


Lista fechada e voto distrital misto em exame na CCJ

'Distritão', lista fechada e voto distrital misto estão na pauta da Comissão de Reforma Política

Presidente defende reforma política com voto distrital misto

Dornelles defende voto distrital para deputados

VOTO DISTRITAL MISTO NA PAUTA DA CCJ

Lúcia Vânia quer voto facultativo e financiamento misto para ampliar participação da mulher na política