SARNEY DIZ QUE OS EUA DECIDIRAM DESESTABILIZAR O MERCOSUL
Ex-presidente da República e do Senado, o senador José Sarney (PMDB-AP) fez hoje (dia 20) uma análise dos recentes gestos diplomáticos dos Estados Unidos em relação ao Brasil, sustentando que aquele país decidiu desestabilizar o Mercosul, escolhendo para isso o caminho mais condenável - "o da quebra do equilíbrio estratégico da região".
O senador referia-se às iniciativas de atração do Chile e da Argentina para o Nafta (o mercado comum da América do Norte) e ao anúncio feito pela secretária de Estado dos Estados Unidos, Madeilene Allbright, de que a Argentina será aceita como "sócio militar íntimo" da OTAN (o tratado do Atlântico Norte). Para o senador, toda essa movimentação está direcionada para isolar o Brasil.
- O que se está fazendo ou se pretende fazer compromete o nosso futuro. Espero que o governo brasileiro seja firme e não se submeta diante de intimidações ou ameaças - aconselhou Sarney.
Lembrando que o Brasil ocupa a área mais pacífica do planeta, Sarney disse que o governo brasileiro deve condenar energicamente o envolvimento dessa região no jogo dos blocos militares que estão sendo ressuscitados para exercícios de hegemonia de poder. Em sua avaliação, nunca foi tão necessária a união entre Brasil e Argentina, e nada foi mais valioso nos últimos tempos que o fato de os dois países intensificarem sua parceria comercial.
No entender do senador, contudo, o governo dos Estados Unidos, "não o povo", já conseguiu lançar a discórdia na região. Lembrando que a condição de membro da OTAN assegura à Argentina acesso a armas de última geração, ele disse que o presidente Carlos Menen está sendo usado nessa política dos Estados Unidos, e comentou: "Ele, que foi tão estimado, não pode de nenhuma maneira deixar-se transformar em instrumento de divisão daquilo que construímos".
Conforme o senador, Madeileine Allbright justificou a adesão da Argentina como sócia da OTAN dizendo que se trata de um gesto simbólico. Sarney afirmou que, em política externa, os símbolos sempre consistem em decisões e sinalizam procedimentos. "Basta lembrar que foi também um gesto simbólico que transformou Israel em aliado preferencial dos Estados Unidos", exemplificou.
Ele considerou estranho que, no momento em que o mundo vislumbra um período de paz, os Estados Unidos resolvam levantar o embargo de venda de armas para a América do Sul, autorizem a venda de aviões de última geração para o Chile e considerem a Argentina membro não participante da OTAN. Ante a alegação de que a Argentina faz parte das missões de paz da ONU, Sarney disse que o Brasil faz o mesmo em diversos países em situação de conflito.
Para José Sarney, "o que está em jogo é a soberania do Brasil, ameaçada pelas ações que os Estados Unidos promovem deliberadamente na região". E, no seu entender, o Brasil não pode conformar-se com essa manobra, nem receber como compensação apenas sentar-se no Conselho de Segurança da ONU. Para ele, o que se está pretendendo fazer compromete o futuro da nação. Por isso, "o governo brasileiro não pode e não deve vacilar".
O senador acha que todas as negociações sobre a Alca (Área de Livre Comércio das Américas) devem ser suspensas para que se conheça a extensão dessas manobras norte-americanas. Acha também que o Brasil deve pedir aos Estados Unidos explicações sobre o significado de haver agora sócios da Otan no Cone Sul. "O que significa isso, qual o simbolismo desse gesto?", questionou ele.20/08/1997
Agência Senado
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