Alckmin tem 29%, e Maluf, 28%, diz Ibope
Alckmin tem 29%, e Maluf, 28%, diz Ibope
Tucano aparece pela primeira vez numericamente à frente do pepebista; Genoino (PT) subiu três pontos e tem 19%
O governador Geraldo Alckmin (PSDB), candidato à reeleição, subiu três pontos percentuais e apareceu pela primeira vez numericamente à frente de Paulo Maluf (PPB) em pesquisa Ibope de intenção de voto para o governo do Estado de São Paulo.
De acordo com o instituto, Alckmin passou de 26% para 29%, e Maluf oscilou negativamente de 30% para 28%. José Genoino (PT) subiu de novo três pontos percentuais e foi de 16% para 19%.
Essa última pesquisa foi feita dos dias 12 a 14 deste mês e divulgada ontem pela Rede Globo a anterior foi feita dos dias 4 a 7.
Como a margem de erro é de 2,5 pontos percentuais, Alckmin e Maluf já estavam em situação de empate técnico na liderança na pesquisa anterior.
Numa análise das pesquisas feitas desde o início do horário eleitoral, em 20 de agosto, Alckmin e Genoino apresentam tendência de alta, e Maluf, de baixa.
Em pesquisa divulgada em 26 de agosto, Maluf tinha 35%, Alckmin, 24%, e Genoino, 11%.
Nenhum dos demais candidatos conseguiu decolar desde então. Na última pesquisa, Antônio Cabrera (PTB) e Carlos Apolinário (PGT) têm 2% das intenções de voto cada um, e Ciro Moura (PTC), 1%; 7% disseram que pretendem votar em branco ou nulo, e 11% se dizem indecisos.
A pesquisa foi feita em 81 municípios do Estado e teve 1.600 pessoas entrevistadas.
2º turno e rejeição
Nas simulações de segundo turno, Alckmin venceria Maluf por 48% a 39% -na pesquisa anterior, o resultado era 46% a 38%.
Numa eventual disputa entre Maluf e Genoino, os dois estão empatados com 43% das intenções de voto -na anterior, Maluf tinha 43%, e Genoino, 39%.
Segundo o Ibope, a rejeição a Maluf subiu quatro pontos, e 37% dizem que não votariam no pepebista de jeito nenhum. Nesse quesito, Alckmin e Genoino têm a mesma taxa: 14%.
Na disputa ao Senado, Aloizio Mercadante (PT) subiu três pontos percentuais e está com 31% das intenções de voto, o que o deixa em situação de empate técnico com Romeu Tuma (PFL), que oscilou positivamente de 33% para 35%. Orestes Quércia (PMDB) oscilou de 25% para 26%.
José Aníbal (PSDB) tem 9%, Cunha Bueno (PPB), 8%, Adhemar de Barros (PGT), 3%, e Wagner Gomes (PC do B), 2%.
Serra reage a rumor sobre vitória de Lula e radicaliza ataques ao PT
Nervosismo do mercado contamina campanha tucana, que decide antecipar ofensiva contra petista
A possibilidade de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) liquidar a eleição já no primeiro turno -hipótese que agitou o mercado financeiro ontem- levou a campanha de José Serra a antecipar e intensificar os ataques ao petista.
Segundo avaliação feita no comitê de Serra, a alta do dólar ontem se deveu à percepção dos agentes do mercado de que todos os candidatos teriam caído e Lula subido nas pesquisas, o que levaria a eleição às portas de uma decisão no primeiro turno.
O nervosismo do mercado financeiro contaminou a campanha de Serra. Ontem o dólar fechou cotado a R$ 3,217, alta de 1,8%. A ordem no comitê de Serra agora é "bater no Lula", numa inversão da estratégia anterior que era "debater o Lula".
A estratégia de "debater o Lula" previa uma escalada crescente, cujo clímax ocorreria no final do segundo turno. A mudança já deve ser sentida nos programas de rádio e TV de hoje.
Serra passou a tarde discutindo com sua equipe de campanha em São Paulo. Um dos alvos na mira dos tucanos é o procurador Luiz Francisco de Souza, que retomou um antigo caso que envolve amigos e contraparentes de Serra.
Gravações
O comitê do tucano dispõe de gravações que revelariam o grau de envolvimento do procurador com o PT. Mas no final da tarde de ontem ainda não havia decisão se essas gravações já seriam utilizadas nos programas de hoje.
Por outra vertente, devem ser questionados a coerência de Lula e os dados que o PT apresentou em seu programa de governo.
Exemplo: em seu programa, o PT diz que pretende criar empregos em número suficiente para absorver quem está desemprego e os jovens que entram no mercado de trabalho. Anualmente, esse número é de 1,5 milhão de jovens, ou seja, 6 milhões em quatro anos. Como Lula tem dito que vai criar 10 milhões de empregos, isso implicaria reconhecer que o número de desempregados é de 4 milhões.
Outro aspecto discutido ontem se refere às promessas que Lula tem feito para conquistar o apoio de militares e servidores públicos, entre outros, e classificadas de oportunistas pelos tucanos.
No que se refere aos servidores (civis e militares), o comitê de Serra trabalha com os números do último PNAD: a renda média dos trabalhadores de fato caiu, mas a dos servidores públicos aumentou 2% no período compreendido entre 1999 e 2001.
Para a campanha tucana, Lula recorre hoje à mesma técnica de FHC na eleição de 98: evitar o debate. Para o PSDB, atualmente, o ideal é que Ciro e Anthony Garotinho (PSB) não caíssem mais ou Serra voltasse a subir nas pesquisas. Ou que o quadro atual fosse congelado, com Serra em segundo. Avalia-se até que o trabalho de "desconstrução" de Ciro tenha ido além do que eles queriam.
Aprovação a programa de Ciro cai com Patrícia Pillar
Pesquisa mostra avaliação do horário eleitoral feita por eleitores que tem telefone
O programa de Ciro Gomes (PPS) obteve suas duas aprovações mais baixas no horário eleitoral gratuito na TV em dias em que o tema principal foi sua mulher, a atriz Patrícia Pillar.
A aprovação é medida pelo Datafolha em seu rastreamento eleitoral a série de pesquisas feitas por telefone nos dias seguintes às exibições dos programas dos presidenciáveis no horário eleitoral.
Segundo o instituto, o programa de Ciro de 7 de setembro foi avaliado como ótimo ou bom por 39% dos entrevistados, e o do dia 12, por 41%.
A taxa de "ótimo/bom" vinha em cerca de 60% nos primeiros seis programas, exibidos em agosto. Até aí, Patrícia Pillar aparecia como apresentadora de propostas do candidato do PPS.
Em junho, a presença da atriz em programas da frente que apóia Ciro foi apontada como um dos fatores para a alta do candidato nas pesquisas até agosto.
No dia 30 de agosto, Ciro disse, em entrevista, sobre o papel da atriz na campanha: "A minha companheira tem um dos papéis mais importantes, que é dormir comigo". A frase foi usada por adversários. No dia 7, sem mencionar diretamente o fato, Pillar deu depoimento que ocupou a maior parte do programa de Ciro. Disse que seu amor por ele não é cego.
No dia 12, foi a vez de Ciro ocupar quase todo o programa para falar de Patrícia Pillar, também fazendo referência indireta ao fato.
Nos programas de setembro até sábado, as aprovações mais altas foram nos dias 10, 48%, e 14, 52%. No dia 10, o depoimento de Pillar apareceu só no programa da tarde, que é menos visto. No dia 14, Ciro não falou da mulher.
Procurador diz não ter prova contra Serra
O procurador Luiz Francisco de Souza disse ontem que não tem indícios ou provas para denunciar à Justiça o presidenciável José Serra (PSDB-PMDB) por envolvimento numa negociação polêmica entre o empresário Gregorio Marin Preciado, seu contraparente, e o Banco do Brasil.
Em 1995, Serra e Marin venderam um terreno que tinham em sociedade no Morumbi, em São Paulo. Naquele ano, o banco cobrava do empresário, na Justiça, o pagamento de uma dívida que se aproximou de R$ 80 milhões. Depois, Marin obteve um desconto do débito de R$ 73 milhões.
O Banco do Brasil ajuizou ação de cobrança no dia 25 de julho de 1995 contra as empresas Gremafer e Aceto, de Marin. Segundo levantamento d o procurador, Serra e o empresário, que é casado com uma prima do tucano, teriam vendido o terreno em setembro daquele ano. "Tenho evidência de que o terreno pertencente aos dois foi vendido de forma irregular para evitar uma execução de dívida da empresa de Gregorio Marin Preciado com o Banco do Brasil", disse Luiz Francisco.
"Mas não tenho evidência de que o sr. Serra interferiu para que o BB não executasse esse imóvel. Por isso deixei ele de fora. Eu menciono os fatos, mas por ética e correção, resolvi não colocá-lo como réu na ação", afirmou.
Em maio deste ano, quando a Folha noticiou o caso, Serra disse que não procedia a informação de que ele vendeu o imóvel depois que o Banco do Brasil passou a cobrar judicialmente o empresário Marin.
Serra disse que o terreno foi vendido em 25 de abril de 1995, antes, portanto, de o Banco do Brasil fazer a cobrança judicial, em julho daquele ano. Como a venda foi parcelada em cinco vezes, ela somente foi registrada em cartório em setembro, já que o pagamento foi finalizado em agosto.
Serra, na época, informou ter o instrumento de compra e venda com firma reconhecida em 25 de abril daquele ano no cartório de notas de São Bernardo do Campo.
Luiz Francisco promete ajuizar hoje uma ação por improbidade administrativa contra Marin e ex-dirigentes do Banco do Brasil devido à redução da dívida. Serra deve ser citado na ação. Procurado pela Folha, Marin não foi achado para comentar a intenção do procurador de processá-lo.
O procurador classificou a venda do imóvel durante a execução da dívida como uma irregularidade de gravidade "média". Mas disse que as circunstâncias da venda "são estranhíssimas".
Segundo ele, as citações sobre o presidenciável na ação contra Marin "não são ilações". "A gente não está fazendo ilações sobre o sr. Serra, estamos só descrevendo na ação fatos que mostram o envolvimento dele com essas pessoas que obtiveram benefícios, principalmente com Gregorio Marin Preciado", afirmou.
PT
O coordenador político da campanha de Serra, deputado Pimenta da Veiga (PSDB-MG), disse ontem que nem o PT nem Luiz Francisco podem negar "o evidente vínculo político que os une".
Luiz Francisco disse que pediu sua desfiliação do PT em junho de 1995. Pimenta, no entanto, distribuiu uma cópia do "Diário da Justiça" segundo o qual o procurador só se desfiliou em 1997.
"Custo a acreditar que um procurador com nítidos vínculos partidários vá propor, a 15 dias da eleição, uma ação judicial com tão clara motivação política", disse Pimenta.
Tucano diz que Luiz Francisco ajuda o PT
O candidato tucano à Presidência, José Serra, atacou ontem no Rio o procurador da República no Distrito Federal Luiz Francisco Fernandes de Souza. Serra afirmou que ele "é um procurador ligado ao PT" e que "está fazendo uma jogada eleitoral."
Souza disse que apresentaria ontem uma ação por improbidade administrativa contra os empresários Ricardo Sérgio e Gregorio Marin Preciado. O primeiro arrecadou fundos para campanhas passadas de Serra. O segundo é casado com uma prima do presidenciável.
A acusação principal é a de que Preciado teria se beneficiado de uma operação lesiva aos cofres públicos quando Ricardo Sérgio ocupava um cargo na diretoria do BB (Banco do Brasil). Segundo Souza, o nome de Serra está citado no texto da ação. O procurador afirmou também que há indícios de que Serra teria vendido em 1995 um imóvel no Morumbi (zona oeste de São Paulo) e declarado valor menor à Receita Federal.
"Não há problema algum. Isso é um rumor eleitoral para beneficiar o candidato do PT [Luiz Inácio Lula da Silva". Luiz Francisco é militante do PT. Foi durante quatro anos filiado ao partido. Essa é uma jogada eleitoral. Ele é uma pessoa reconhecidamente parcial no seu trabalho. Me admiro que se dê credibilidade a isso."
Sobre supostos erros nas suas declarações de Imposto de Renda à Receita, Serra disse que "não há rigorosamente nada errado".
Dia do Perdão
Ele esteve no Rio pela manhã para participar de duas cerimônias da comunidade judaica, que ontem celebrou o Yom Kippur (Dia do Perdão), data mais sagrada do calendário judaico. À tarde em São Paulo o candidato tucano participou de três eventos em comemoração ao Dia do Perdão.
No clube A Hebraica, Serra fez rápido discurso no qual disse desejar a todos para o próximo ano: "Trabalho, trabalho, trabalho". Ele havia sido orientado pelos representantes da comunidade judaica a evitar temas de campanha.
No evento, o tucano se encontrou com a prefeita Marta Suplicy (PT). O candidato do PPB ao governo paulista, Paulo Maluf, passou pelo local e saiu antes da chegada de Serra. Os dois não se encontraram.
No início da noite, Serra se encontrou com o rabino Henri Sobel na Congregação Israelita Paulista. O candidato não quis falar com a imprensa.
Huck anima comício do PSDB
Em Minas, o apresentador da Globo pediu votos para o tucano e para Aécio
Bem no clima do "Caldeirão do Huck", programa que comanda aos sábados na TV Globo, o apresentador Luciano Huck animou o comício dos candidatos do PSDB a presidente, José Serra, e a governador de Minas, Aécio Neves, anteontem, em Teófilo Otoni (MG). Antes, ele havia participado de comício na cidade mineira de Capelinha.
"Boa noite. Não ouvi boa noite. Aí galera do fundão." Assim Huck começou seu discurso, fazendo sua estréia nos palanques desta campanha eleitoral.
"Tenho uma relação pessoal com o Serra há muito tempo, nunca escondi isso, e sou amigo do Aécio. Mas, antes de subir ao palanque, pedi ao Nizan [Guanaes, marqueteiro do tucano] que não usasse minha imagem no programa eleitoral", disse Huck à Folha. A TV Globo proíbe seus artistas de participar do horário eleitoral e de explorar sua imagem na campanha.
O apresentador diz que participa de um grupo, ligado à campanha de Serra, que elabora uma "agenda jovem" para o candidato. "Sugerimos, por exemplo, o projeto do cursinho [pré-vestibular] gratuito", diz, sobre uma das propostas de Serra.
No palanque, Huck referiu-se a Serra como "grande amigo" e a Aécio como "irmão de sangue". Em Capelinha, o discurso foi semelhante: "[Serra e Aécio] são gente honesta e morrendo de vontade de fazer um Brasil melhor para todos nós".
Huck terminou seu discurso anunciando uma atração musical: "Daqui a pouquinho, tem Leonardo ao vivo aqui, galera."
O cantor sertanejo, autor de uma música usada como jingle na campanha tucana, estava no programa de Gugu Liberato (SBT) -que apóia Serra e participa de seu horário eleitoral- antes de viajar a Teófilo Otoni. Gugu, que já havia anunciado na TV o show de Leonardo, disse ao cantor, que partia num helicóptero para o comício de Serra: "Mande um abraço ao nosso amigo".
Ibope dá vitória a Zeca do PT no 1º turno
Candidato à reeleição, o governador de Mato Grosso do Sul, José Orcírio dos Santos, o Zeca do PT, venceria no primeiro turno com 50% dos votos, segundo pesquisa do Ibope realizada entre os dias 9 e 11 deste mês.
Em segundo lugar aparece a deputada federal Marisa Serrano (PSDB), com 31%; e em terceiro está o vice-governador Moacir Kohl (PDT), com 5%. Juntos, os outros três candidatos não ultrapassam 3%.
Perto dos votos, longe do trabalho
Campanha eleitoral esvazia Congresso Nacional e Assembléias Legislativas, diminui número de sessões e atrapalha votações
O envolvimento de deputados e senadores na campanha eleitoral esvaziou o Congresso Nacional e as Assembléias Legislativas espalhadas pelos Estados.
Em Brasília, Câmara e Senado vivem "recesso branco". Os congressistas trocaram a capital pela campanha em suas bases eleitorais. As ausências estão autorizadas por um acordo dos líderes com os presidentes das duas casa s, Aécio Neves e Ramez Tebet, que também fazem campanha.
Votações, só em caso de urgência. Neste mês o Senado até realizou sessões deliberativas. Na Câmara só houve discursos. Na quarta-feira passada, dia de maior movimentação em tempos de votação, o plenário era ocupado por estudantes de Samambaia (cidade-satélite de Brasília).
O esvaziamento se repete nas Assembléias. Em São Paulo, os líderes de cada bancada têm feito acordos para votar "pacotes" com os principais projetos. O número de sessões ordinárias caiu de cinco para três por semana.
No Paraná, houve tentativa de punir as ausências, descontando as faltas dos salários dos deputados, mas a medida não foi bem recebida pelos políticos.
A punição foi adotada pelo presidente da Assembléia Legislativa, Hermas Brandão (PSDB), que resolveu reduzir de quatro para duas as sessões da casa durante a campanha eleitoral, mas condicionou as ausências ao corte dos salários dos faltosos. A maioria não seguiu a recomendação.
Os 54 deputados estaduais paranaenses recebem salário bruto de R$ 6.280. A cada falta, R$ 670 são descontados. Não houve alteração, porém, nos R$ 7 mil adicionais que os parlamentares recebem como "ajuda de custo" de despesas de gabinete.
Os descontos anunciados provocaram protestos. Para Geraldo Cartário (PSL), trata-se de "é demagogia em véspera de eleição". Luciana Rafagnin (PT) foi a única a ter salário integral. "O desconto é péssimo, mas pelo menos a campanha vai bem", disse Irineu Colombo (PT), que teve descontada mais da metade do salário.
Na Assembléia do Pará, as sessões foram reduzidas de quatro para duas por semana por causa das eleições. Dos 41 deputados, apenas um não concorre a algum cargo nestas eleições.
Por conta do redução das sessões em 50%, os deputados deixaram de votar o pedido de abertura de uma CPI que investigaria o crime organizado no Estado.
Em Pernambuco, os deputados estaduais terão um dia a menos de trabalho até o fim das eleições.
A decisão foi tomada pela Mesa Diretora da Casa, em acordo com líderes da oposição e do governo. Ficou estabelecido que as reuniões plenárias serão realizadas somente nas tardes de segunda a quarta-feira, e não mais até a quinta-feira, como ocorria.
Segundo levantamento feito pelo Departamento de Assistência Legislativa da Assembléia, o quórum médio diário durante o mês de agosto foi de 30 parlamentares. A Assembléia tem 49 deputados.
A última sessão ordinária na Assembléia Legislativa de Minas Gerais ocorreu no dia 28.
O presidente da Assembléia, deputado Antônio Júlio (PMDB), já havia causado polêmica no meio político mineiro ao propor, meses atrás, que os deputados só participassem de votações durante um dia da semana na campanha.
A Assembléia do Ceará reduziu pela metade o número de sessões no período eleitoral passou de quatro dias por semana para dois.
A redução não foi suficiente para os deputados comparecerem às sessões. Na última semana, não houve sessões por falta de quorum nos dois dias --apenas 3 dos 41 deputados não disputam nenhum cargo neste ano.
Ainda assim, o presidente da casa, Welington Landim (PSB), que também é candidato a governador, reconvocou os deputados para uma nova sessão na próxima terça-feira. Não há previsão de punição no caso de novas faltas.
No Amazonas, a maioria dos deputados votou a favor da redução do número de sessões de três para apenas um dia da semana, para se dedicar à campanha.
No Rio, foi mantida a agenda normal das sessões, realizadas três vezes por semana. Em agosto, só faltou quórum mínimo (36 deputados) para uma sessão.
Artigos
Mais Estado, não menos
Clóvis Rossi
SÃO PAULO - Que me perdoem os perfeitos idiotas neoliberais, que continuam ativos, mas a edição de ontem desta Folha é uma demonstração acabada de que o Brasil precisa de mais e não de menos- Estado.
Para começar, precisa de mais -e não de menos- funcionários públicos. Afinal, os Estados Unidos, paradigma da eficiência econômica com baixa intervenção estatal, têm 16% de empregados públicos em sua força de trabalho, contra apenas 11,5% do Brasil, conforme dados da Organização Internacional do Trabalho relatados por Chico Santos.
O trabalho da OIT mostra que, entre os 64 países pesquisados, o Brasil é o 58º em matéria de empregados públicos, o que desmonta o mito alimentado pelos perfeitos idiotas neoliberais de que a máquina pública brasileira tem gente em excesso.
Uma coisa -verdadeira- é o fato de o Estado prestar, no Brasil, serviços deficientes, para dizer o mínimo. Outra é achar que, por isso, há gente demais trabalhando para o poder público. O que há é ineficiência, não inchaço, demonstra a OIT.
O Estado brasileiro precisa também gastar mais, prova o estudo feitos pelos repórteres Ranier Bragon e Fernanda Krakovics. Nele, verifica-se que 67 projetos do programa "Avança Brasil", do governo Fernando Henrique Cardoso, receberam só 36,7% das verbas previstas.
Ora, se são projetos estratégicos, de um governo que não se destaca pelo amor ao estatismo e se a verba já estava consignada, não há como escapar da constatação de que o problema do país é gastar mais -e não menos- em programas públicos.
Não, não se trata de defender mais intervenção do Estado na economia ou que o Estado volte a produzir aço ou a gerir hotéis. Trata-se, primeiro, de colocar as coisas na sua real perspectiva e, segundo, de cobrar que o Estado faça o que deve fazer, sem a "fracassomania" a que foi induzido pelo coro ensurdecedor dos perfeitos idiotas neoliberais.
Colunistas
PAINEL
Morrer na praia
O comitê de José Serra convocou uma reunião de emergência para amanhã. O objetivo é definir estratégias para evitar a vitória de Lula no primeiro turno.
Palmo a palmo
A possibilidade de Lula vencer no primeiro turno foi detectada em pesquisa interna do PSDB feita no final de semana. O petista teria apenas dois pontos a menos do que a soma do percentual dos outros candidatos.
Manual de sobrevivência
Pimenta da Veiga, coordenador da campanha de Serra, chamou governadores, prefeitos e parlamentares serristas para a reunião. "Não podemos nos esquecer que Jospin achava que venceria no segundo turno na França e nem chegou lá", diz o deputado Jutahy Júnior (PSDB).
Água fria
O PT está animado com o crescimento de Lula, mas tem um receio: se o petista não ganhar no primeiro turno, a sensação de frustração poderá abater os militantes e prejudicar a campanha no segundo turno.
Palavras cruzadas
O Ministério Público quer fazer o seguinte exercício com os nomes dos autores das emendas secretas ao Plano Diretor- encampadas pelo PT na Câmara de SP e vetadas por Marta após forte pressão: cruzar as listas dos financiadores das campanhas desses políticos com a dos beneficiários pelas emendas.
Impressão digital
O decreto de FHC que estabelece normas para as audiências concedidas a particulares pelo governo começou a vigorar na última quinta. Já há parlamentar se queixando. Se levar algum convidado para uma audiência, o parlamentar antes deverá preencher um formulário.
Sete anos depois...
O objetivo do decreto de FHC é moralizar as audiências e evitar "contrabando" de pedidos (quando um deputado leva a tiracolo um empreiteiro, por exemplo). A norma prevê uma "testemunha" para os encontros e o registro de assuntos tratados.
Goodbye
A caixa postal do celular de Roberto Jefferson (PTB), aliado de Ciro, toca a música "Hello", de Lionel Richie. "Foi minha mulher que escolheu", explica.
Mudança de calendário
O governo e a oposição já entraram em acordo para aprovar p rojeto de emenda constitucional que muda o dia da posse do novo presidente de 1º para 6 de janeiro. A proposta será votada após o primeiro turno. A data atual dificulta a participação de autoridades estrangeiras.
Peso-pesado
O boxeador Acelino Popó contracena com o "Super-ACM", personagem criado para a campanha do pefelista, que tenta voltar ao Senado após o caso da violação do painel. "O Super-ACM parece comigo até nas cores das luvas", diz Popó, levantando os braços do boneco.
Custo cidadão
A produção de quatro filmetes de 30 segundos cada um da campanha "Voto e Cidadania" custará R$ 560 mil à Câmara dos Deputados, presidida por Aécio Neves (PSDB). Os VTs não têm artistas famosos e foram filmados principalmente em estúdio.
Distâncias
A título de comparação, a campanha do TSE "Vota Brasil" -que tem 25 filmetes e 25 spots de 60 e 30 segundos, documentário de dez minutos, vídeo de treinamento de eleitores (2.800 cópias), jingle (letra e música), três pronunciamentos de Nelson Jobim e criação de cartazes e folhetos- custou R$ 1,7 mi.
Outro lado
A assessoria da presidência da Câmara disse que a Casa concordou com o orçamento da agência Denison Brasil, contratada por licitação. A agência afirmou precisar de autorização do cliente para falar do assunto.
TIROTEIO
Do presidente do PSDB, José Aníbal, sobre o estilo "paz e amor" da campanha de Lula:
- O Lulinha "peace and love" está fazendo uma campanha servil. Está de acordo com tudo: a ditadura foi boa, o Sarney foi ótimo, tudo foi ótimo. É uma campanha primitiva. Não é possível que o Brasil vá optar pelo Kid Vaselina.
CONTRAPONTO
Como os romanos
No centenário de JK, comemorado na semana passada, o presidente do TST, Francisco Fausto, lembrou-se de uma história contada pelo amigo e conterrâneo Câmara Cascudo.
Juscelino Kubistchek era presidente (1956-1961) e na primeira viagem a Natal (RN) pediu a amigos comuns para visitar o escritor. Cascudo tinha uma mania: enquanto estava em casa não tirava o pijama. Na manhã do dia da visita, a assessoria do presidente foi à casa de Cascudo e informou que JK tinha todo interesse em visitá-lo, mas a agenda estava cheia e ele só poderia estar ali às 14h.
Cascudo disse que não tinha problema. Informou "apenas" que iria receber o presidente de pijama, para espanto dos assessores. Às 14h chegou JK, de terno. Olhou para o escritor e disse:
- O senhor fica de pijama e eu tiro os sapatos e fico de meia.
E tirou.
Editorial
SEGURANÇA SEM RAZÃO
O advogado criminalista Eduardo Pizarro Carnelós, que deverá assumir nesta semana a presidência do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, órgão ligado ao Ministério da Justiça, disse o óbvio quando afirmou que a emoção é a maior inimiga de uma discussão racional sobre os problemas de segurança pública. Mas às vezes o óbvio precisa ser dito, sobretudo quando, em períodos eleitorais como o atual, candidatos de todas as tendências políticas se põem a repetir o que pesquisas dizem que a população quer ouvir, sem preocupar-se com a exequibilidade ou a correção daquilo que propõem.
Em entrevista à Folha, Carnelós teve a coragem de criticar a moda vigente de defender penas mais duras para todos os delitos. Oportunamente, lembrou que um dos problemas da legislação brasileira é que ela prescreve cadeia para condutas que não mereceriam esse tipo de tratamento.
O resultado é conhecido: pessoas que cometeram pequenos delitos e que poderiam perfeitamente ser punidas e recuperadas fora das prisões, vão para o ambiente carcerário, onde, aí sim, têm a oportunidade de iniciar-se numa carreira criminosa.
Infelizmente, postulantes aos mais variados cargos transformaram os justos anseios da população por mais segurança num discurso comum que, se for aplicado, só resultará em mais violência, sem nem passar perto de resolver as enormes dificuldades do setor.
O falso consenso em torno da segurança pública, que se baseia apenas em preconceitos, é tamanho que acabou por apagar as distinções que sempre marcaram os discursos de esquerda e de direita. Hoje, não é difícil encontrar candidaturas dos dois pólos do espectro ideológico defendendo mais ou menos as mesmas plataformas, que incluem invariavelmente um tratamento mais rigoroso para "os bandidos".
Se aumentar as penas ou piorar as condições de carceragem fossem um freio efetivo ao crime, o Brasil deveria, já há vários anos, ter-se tornado território livre de bandidos.
Topo da página
09/17/2002
Artigos Relacionados
Alckmin sobe três pontos e passa Maluf
Alckmin sobe para 31%, Maluf cai para 29%, e Genoino vai a 22%
Ibope põe Serra em segundo
Lula 60% e Serra 31%, diz Ibope
Ciro sobe e Lula cai no Ibope
Ibope confirma subida de Ciro