CPI do Banespa investigará gestão Fleury
CPI do Banespa investigará gestão Fleury
Integrantes da comissão resolvem incluir nas apurações fase anterior à intervenção no banco
BRASÍLIA – Os integrantes da CPI do Banespa vão estender as investigações da comissão ao período anterior à decretação de intervenção no banco, ocorrida em 29 de dezembro de 1994. Poderão ser analisados os períodos que envolveram os governos do atual presidente da CPI, deputado Luiz Antônio Fleury Filho (PTB-SP), e do ex-governador Orestes Quércia. A confirmação foi dada pelo deputado Ricardo Berzoini (PT-SP) e pelo relator Robson Tuma (PFL-SP). “Eu defendi, inclusive em uma questão de ordem levantada no fim de agosto, que não existem obstáculos para essas investigações”, disse Berzoini.
O pefelista afirmou que não sentirá constrangimento nenhum em investigar quem quer seja. Isso abre espaço, nas entrelinhas, para convocar Fleury. “Eu também acho que esse período deve ser investigado, como também o processo de privatização do banco, ocorrido em 2000”, observou o próprio Fleury. Pela primeira vez, contudo, ele admitiu que, caso surja algum indício de envolvimento pessoal em alguma irregularidade detectada, poderá abrir mão da presidência.
O diretor de Finanças Públicas e Regimes Especiais do Banco Central, Carlos Eduardo de Freitas, que responsabilizou os governos de Quércia e Fleury pela quebra do Banespa, esclareceu ontem a analogia que fez entre o Banco do Estado do Pará (Banpará) e o banco paulista. Ele disse que não pode estabelecer comparação quanto à emissão irregular de cheques administrativos no Banpará e os problemas ocorridos no Banespa, como também não afirmou que os ex-governadores foram agentes do uso do dinheiro.
Freitas chegou a comentar, no entanto, que nos dois casos relatados “os atos de gestão só poderiam ter sido praticados mediante interferência de interesses políticos estranhos aos objetivos econômicos genuínos dos bancos”.
Arquivamento – A CPI ouviu ontem o depoimento do presidente da Comissão de Inquérito do Banco Central durante a intervenção do Banespa, Antônio Carlos Verzolla. Ele confirmou as informações divulgadas pelo Estado domingo, de que o rombo no banco foi causado por operações irregulares junto ao governo de São Paulo e por empréstimos a 22 empresas que não tinham condições de saldar seus débitos. Verzolla declarou, também, que esses mesmos empréstimos aconteceram, essencialmente, no período de 91 a 93 – no governo Fleury.
Os integrantes da CPI questionaram diversos pontos do depoimento. O principal é a suspeita de que houve alteração no relatório final, para justificar a intervenção e posterior privatização do Banespa. Em 29 de maio de 1995, Verzolla enviou uma carta ao então subprocurador-geral do BC, Manoel Lucívio Loiola, afirmando que o Estado estava pagando em dia a sua dívida com o Banespa, explicitando inclusive os dias de pagamento. Dessa maneira, não se podia incluir essa dívida como créditos em liquidação.
Em 17 de agosto, carta assinada pelo diretor de fiscalização Cláudio Mauch e pelo diretor Alkimar Moura orienta para que a dívida seja incluída como crédito em liquidação. Verzolla admitiu que, se essa dívida não fosse apresentada assim, o inquérito seria arquivado e a intervenção suspensa. “Mas era uma dívida que já estava sendo rolada, com sucessivos empréstimos não saldados”, completou.
Ex-governador nega ser sócio de financeira
O ex-governador Luiz Antonio Fleury Filho (1991-94) afirmou ontem que "não tem sociedade" com a Atlas Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (DTVM), sediada em São José do Rio Preto (SP). Segundo o empresário Hilário Sestini - ex-diretor-executivo da Atlas, entre 1992 e 1997 -, Fleury seria "sócio oculto" da financeira e teria movimentado R$ 32 milhões em 1998 por meio de conta laranja. "Sou amigo do Constantini (José Pascoal Constantini, presidente da Atlas), mas não tenho negócio algum com ele", rebateu o ex-governador, hoje deputado federal pelo PTB e presidente da CPI do Banespa.
Fleury atribuiu o envolvimento de seu nome a "uma briga" entre Constantini e Sestini. "É a coisa mais maluca que já ouvi", afirmou o ex-governador. "Já disseram que sou dono de tanta coisa que nem estou muito preocupado com isso." Fleury lembrou que ele próprio tomou a iniciativa de abrir mão de seu sigilo logo que assumiu os trabalhos da CPI.
A 'briga" entre Constantini e Sestini está na Justiça. O ex-diretor da Atlas entrou com ação na Justiça do Trabalho exigindo o que considera direitos adquiridos pelo tempo em que trabalhou na financeira. Constantini acusa Sestini, perante à Justiça Criminal, de ter se apropriado de 58 quilos de ouro de uma de suas empresas. O advogado do empresário é José Teófilo Fleury Neto, primo do ex-governador.
Sestini disse ter denunciado a suposta participação de Fleury na Atlas em carta ao Banco Central, há cinco meses - a denúncia foi arquivada porque Sestini não dispõe de documentos que comprovem o que diz. O empresário Constantini atua há cinquenta anos no ramo de jóias em Rio Preto. Seu filho, Matheus, informou que a Atlas DTVM foi criada há mais de 10 anos.
Segundo ele, Sestini foi diretor até 1994. A partir daí, ele tornou-se sócio, com participação de 30% sobre o lucro líquido da empresa. "Ele fez ameaças de morte à nossa família", revela Matheus.
Justiça recebe hoje ação contra Jader
BRASÍLIA - O Ministério Público do Pará entra hoje na Justiça do Estado com ação de ressarcimento contra o ex-senador Jader Barbalho (PMDB-PA) e seu suplente, Fernando de Castro Ribeiro. Os promotores querem que Jader devolva R$ 5,1 milhões, desviados do Banco do Estado do Pará (Banpará).
Além dos dois, serão citados na ação a deputada federal Elcione Barbalho (PMDB-PA), ex-mulher de Jader, e seu pai, Laércio Barbalho, que é primeiro suplente de senador. Laércio disse ontem, novamente, que não assumirá uma cadeira no Senado - deve enviar à Mesa Diretora o comunicado oficial, abrindo mão da vaga, já na próxima semana.
Em Belém, o advogado de Jader, Sábato Rosseti, afirma que não existe "amparo legal" na ação. Segundo Rosseti, os promotores estariam se baseando apenas no relatório da 5.ª Câmara do Ministério Público Federal, que concluiu ter havido "indícios" de desvio de recursos
Aécio solicita abertura de inquérito contra Medeiros
Esse pode ser o primeiro caso a ser enquadrado no novo Código de Ética, a ser promulgado hoje
BRASÍLIA – O presidente da Câmara, Aécio Neves (PSDB-MG), determinou ontem abertura de inquérito interno contra o deputado Luiz Antônio de Medeiros (PL-SP), acusado de envolvimento em um esquema de desvios de recursos doados à Força Sindical por empresários. “Há indícios suficientes para investigar”, disse Aécio. Esse será o primeiro caso a ser examinado pelo recém-criado Conselho de Ética da Casa, previsto no Código de Ética e Decoro Parlamentar que será promulgado hoje.
A Corregedoria-Geral da Câmara informou que o deputado e seu ex-assessor Wagner Cinchetto deverão ser ouvidos. Cinchetto, envolvido na fraude, foi autor das primeiras denúncias contra Medeiros.
Para o corregedor-geral, Barbosa Neto (PMDB-GO), as acusações publicadas nos jornais são “provas suficientes” para recomendar que Medeiros, que foi o primeiro presidente da Força Sindical, sofra processo por quebra de decoro, que pode resultar até na cassação. Barbosa disse que pedirá à Justiça documentos sobre o caso, incluindo os relativos à movimentação de conta no Commercial Bank de Nova York, na qual teria sido depositado parte do dinheiro, cerca de US$ 1 milhão.
Desde cedo, o movimento na Casa sobre o caso era grande. Antes de Jair Meneguelli (PT-SP) protocolar pedido de investigação contra Medeiros, Aécio já orientara Barbosa a fazê-lo.
Para líderes governistas e da oposição, o caso é muito grave e deve ser aberto processo. No pedido, Meneguelli diz que, depois de confirmada a denúncia, ficará provado que Medeiros mentiu sobre a participação no esquema e recebeu “vantagem indevida”. “Nós já tínhamos recebido a informação de que o esquema havia sido montado por Medeiros, mas faltavam provas”, declarou. “Agora há provas e um processo sigiloso no Supremo Tribunal Federal.”
Medeiros passou o dia em São Paulo, reunido com seu advogado e não deu entrevista. Ele deve ir para Brasília hoje. A Força Sindical também não quis se manifestar.
Pelo Código de Ética, o conselho terá 60 dias para concluir o processo por quebra de decoro e encaminhar projeto de resolução definindo punição. O prazo pode subir para 90 dias se o caso for de cassação. Hoje Aécio vai pedir que os líderes indiquem os 15 titulares e 15 suplentes do conselho, para instalá-lo na semana que vem.
Obras Inacabadas – O plenário da Câmara decidiu ontem prorrogar a CPI das Obras Inacabadas por mais 40 dias. Mas, ao contrário do que pretendiam alguns de seus integrantes, Damião Feliciano (PMDB-PB) deverá continuar na presidência da CPI, mesmo acusado de tentativa de extorsão a empreiteiros. O PT e o PFL vão tentar forçá-lo a renunciar, argumentando que está sob suspeição.
Roberto Campos morre no Rio, aos 84 anos
Ex-ministro, que havia sido internado em estado grave em julho, faleceu às 20 horas em sua casa
RIO – O ex-ministro do Planejamento Roberto de Oliveira Campos, de 84 anos, morreu ontem, por volta das 20 horas, de enfarte agudo do miocárdio, quando conversava com a filha Sandra em seu apartamento, em Copacabana, na zona sul do Rio. Diplomata, ex-senador, ex-deputado, Roberto Campos foi um dos mais importantes defensores do pensamento econômico liberal no Brasil e destacou-se não só na área acadêmica, como na administrativa, redesenhando as instituições econômicas do País nos anos 60.
O corpo de Campos será velado na Academia Brasileira de Letras (ABL), no centro do Rio. O enterro será às 15 horas, no mausoléu da ABL, no Cemitério São João Batista, em Botafogo.
Roberto Campos havia sido internado no fim de julho, em situação de altíssimo risco, na Clínica São Vicente, na Gávea, zona sul. Ele ficou na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). Na clínica, o ex-ministro ainda contraiu uma grave pneumonia, que provocou desequilíbrio renal e insuficiência respiratória. Ele conseguiu, porém, se recuperar e voltar para a casa.
As complicações de saúde, entretanto, começaram no ano passado. Em fevereiro de 2000, ele foi internado no Centro de Tratamento Intensivo (CTI) da Clínica São Vicente com crise de hipoglicemia – falta de açúcar no sangue – e hipertensão. Ele sofreu uma isquemia cerebral, que limitou a sua capacidade de falar e de escrever. Além de sofrer de diabete, Campos fazia tratamento cardíaco.
Três meses depois dessa passagem pela clínica, foi internado para uma cirurgia de hérnia umbilical. Nos últimos meses, antes de ser internado na São Vicente em julho, ele já estava escrevendo bilhetes, mas ainda tinha dificuldades para falar.
Até sofrer a isquemia, Campos revisava o livro de memórias A Lanterna na Popa, lançado em 1994. Seu objetivo era incluir novos episódios, ocorridos de 1994 até 2000. No livro, ao longo de mais de 1.400 páginas, Campos mescla acontecimentos de sua vida pessoal com a história econômica e política do Brasil desde a época do presidente Getúlio Vargas.
“O Campos era como Napoleão, que nunca morreu para os franceses. O Brasil, sem dúvida, perde um dos seus maiores intelectuais do século 20. Estamos todo de luto hoje”, disse o ministro Francisco Dornelles, do PPB, mesmo partido do ex-ministro. O presidente da ABL, Tarcísio Padilha, também comentou a morte de Campos: “Um escritor e um homem público que aliou cultura humanista à visão de um político com acuidade nos exames das questões do país.”
Posições firmes – Economista e diplomata, Campos integrou no fim dos anos 30 a delegação brasileira na conferência de Bretton Woods, que criou as bases do sistema financeiro internacional. Também foi senador pelo PDS e deputado pelo PPB do Rio. Articulista de alguns dos maiores jornais do País, era considerado uma referência do pensamento liberal nacional.
Nos anos 60, foi ministro do Planejamento no governo Castello Branco. Campos foi um dos principais responsáveis pela introdução da correção monetária na economia e pela criação do Banco Central e do Sistema Financeiro da Habitação, além de ter feito transformações profundas no sistema de arrecadação do Imposto de Renda.
Em 1992, como parlamentar, e, por coincidência, também internado com um grave problema de saúde, Roberto Campos saiu do hospital, sob acompanhamento médico, para votar na histórica sessão que afastou do cargo o presidente Fernando Collor, no processo de impeachment. Seu voto foi contra o presidente, que perdeu o cargo.
Roberto Campos foi eleito para a Academia Brasileira de Letras (ABL) em 23 de setembro de 1999. Ocupou a cadeira n.º 21, na sucessão do dramaturgo Dias Gomes. Tomou posse em 26 de outubro do mesmo ano.
Polêmico, Roberto Campos defendia apaixonadamente as suas idéias, com erudição, ironia, mordacidade e em tom, muitas vezes, provocador. O comportamento lhe valeu a antipatia da esquerda brasileira, que sempre o criticou e atacou com dureza, chamando-o de “Bob Fields” – numa tradução irônica de seu nome para o inglês. O ex-ministro chegou a definir-se como “liberal firme”.
Até o fim da vida, foi partidário radical da privatização de empresas estatais – que considerava “dinossauros”, espectros do passado, sem espaço nem sentido na vida econômica contemporânea –, da saída do Estado da vida econômica do País e da atração do capital estrangeiro, que considerava essencial para o desenvolvimento e o crescimento nacionais.
Maluf perde na Justiça e terá de depor amanhã
Para juiz, crimes atribuídos a ex-prefeito não prescreveram e ele deve ser interrogado
O ex-prefeito Paulo Maluf (PPB) sofreu ontem novo revés no caso Jersey - investigação sobre existência de aplicações financeiras na Ilha de Jersey em nome do pepebista e de seus familiares. Por meio de despacho de três páginas, o juiz Fernando Moreira Gonçalves frustrou expectativa de Maluf, que planejava conquistar o benefício da prescrição de crimes atribuídos a ele pela Procuradoria da República. Para Gonçalves, "a imediata decretação da extinção da punibilidade, como pretende a defesa, poderia coarctar a realização das diligências já determinadas e impedir a busca da verdade real". O juiz considera que a análise da extinção "deve aguardar a conclusão das diligências já determinadas para o esclarecimento dos fatos".
O reconhecimento da prescrição levaria ao arquivamento automático do processo aberto pela 8.ª Vara Criminal Federal para apurar suposto envolvimento do ex-prefeito no desvio de US$ 600 milhões destinados ao pagamento de precatórios. A procuradoria sustenta haver ligações entre essas operações com títulos públicos e a suposta remessa de valores para o exterior. Com a decisão do juiz, o interrogatório de Maluf, marcado para amanhã, está mantido.
O principal objetivo do pepebista era neutralizar o pedido de formal cooperação judicial - para quebra do sigilo e bloqueio de bens - encaminhado há uma semana pelo Ministério da Justiça aos governos da Suíça e de Jersey.
Segundo a defesa, ele estaria sofrendo "flagrante violação de garantias fundamentais do devido processo legal".
Os advogados argumentam que os delitos imputados a Maluf na ação da 8.ª Vara, falsidade ideológica e crime de responsabilidade, prescreveram em 29 de novembro e em 30 de dezembro de 2000, respectivamente - levando-se em conta o fato de que o ex-prefeito
completou 70 anos em 3 de setembro, o que reduz à metede o prazo prescricional. Para reforçar a tese, os advogados juntaram parecer do jurista Damasio de Jesus.
Gonçalves anotou que o Ministério Público Federal "afirma a existência de contas bancárias mantidas pelo acusado no exterior, sem declaração às autoridades brasileiras". Em setembro, o juiz decretou a quebra do sigilo bancário de Maluf e dos familiares dele.
O juiz observou: "Por entender que há indícios da existência das referidas contas bancárias, este juízo decretou a quebra de sigilo bancário do investigado, a expedição de ofícios ao Citibank e ao Ministério da Justiça, para esclarecimento dos fatos". Segundo Gonçalves, "caso as diligências já determinadas confirmem a existência das referidas contas, a denúncia já oferecida neste processo poderá ser aditada, agravando a acusação ora imputada ao réu e modificando a capitulação legal dos fatos para delito ainda não atingido pela prescrição".
O governo suíço deverá receber, nos próximos dias, o pedido oficial do Brasil para que Berna inicie investigações contra Maluf.
FHC vai à Europa como porta-voz de emergentes
Em viagem no fim do mês, presidente levará ponto de vista de líderes da AL sobre cenário internacional
PARIS - Durante sua visita à Espanha e França, no fim do mês, o presidente Fernando Henrique Cardoso deverá ser o intérprete dos demais países emergentes da América Latina, fortemente penalizados pela crise econômica norte-americana e com situação agravada diante dos efeitos colaterais causados pelos recentes atentados nos Estados Unidos. O chefe de Estado brasileiro - que já se reuniu com outros dirigentes latino-americanos e esteve anteontem com o presidente da Argentina, Fernando De la Rúa - deverá avistar-se com os principais dirigentes desses dois países.
Na França, no dia 30, o presidente brasileiro, a convite do presidente da Assembléia Nacional francesa, o deputado socialista Raymond Forni, deverá ocupar a tribuna do Parlamento para falar da conjuntura política e econômica internacional, privilegiando sua evolução mais recente. Espanha e França estão entre os países da Europa que mais investiram no Brasil nesses últimos anos e onde se concentram, atualmente, fortes interesses de empresas privadas. Os últimos dois dirigentes estrangeiros convidados a falar da tribuna da Assembléia Nacional da França foram o primeiro-ministro britânico Tony Blair e o presidente da Argélia, Abdelazis Bouteflika.
Fernando Henrique desembarca em Paris no dia 29, vindo de Madri, depois de avistar-se com o primeiro-ministro José Maria Aznar e o rei Juan Carlos. Ele tem um encontro de trabalho, seguido de um jantar no Hotel Matignon, com o primeiro-ministro Lionel Jospin e, no dia 31, almoça no Palácio do Eliseu com o presidente Jacques Chirac. Ontem, as autoridades francesas confirmaram a agenda e destacaram a oportunidade da visita num momento delicado, cujos acontecimentos políticos e econômicos se precipitam, podendo acelerar mudanças substanciais nas relações internacionais.
Comitiva - Esse é o caso do processo de globalização. Dirigentes socialistas, entre eles o próprio Jospin, preconizam a necessidade de uma regulamentação mais restrita para evitar, por exemplo, que certos fluxos de capitais especulativos possam continuar prejudicando o desenvolvimento de países emergentes. O que se objetiva é criar instrumentos que permitam que os frutos da globalização possam beneficiar todos e não apenas os países mais industrializados. Isso explica o fato de a taxa Tobin ou de uma alternativa dessa mesma natureza estar sendo novamente debatida na Europa.
Fernando Henrique deverá ser acompanhado por uma pequena comitiva, incluindo a primeira-dama, Ruth Cardoso, e o secretário-geral da Presidência, Aloysio Nunes Ferreira, que viveu durante alguns anos no exílio, na França, na época do regime militar.
PMDB perde 6 dos 8 deputados paulistas
Apesar de legenda sair enfraquecida, troca-troca não altera composição de forças na Assembléia
O balanço final do troca-troca partidário na Assembléia Legislativa de São Paulo praticamente não alterou a composição de forças no Estado, mas representou uma perda significativa para o que já foi o maior partido na Casa. O PMDB elegeu oito deputados em 1998, mas agora restam apenas dois. A legenda já presidiu a Assembléia paulista e elegeu governadores - Franco Montoro, Orestes Quércia e Luiz Antonio Fleury Filho. No período de 1991 a 1994, tinha 14 parlamentares. Hoje, pode tornar-se "nanico" no Parlamento paulista.
Os deputados Lobbe Neto e Milton Vieira acabaram de deixar a legenda, para filiar-se ao PSDB e ao PFL, respectivamente. Lobbe Neto saiu depois de 20 anos no partido. Há motivos para a mudança. A fragilidade do PMDB, exposta nos quadros há mais de duas legislaturas, a perda da liderança em junho - quando o partido passou a ter quatro deputados - e o "namoro" com o PSDB influenciaram o deputado na hora da decisão.
Jorge Caruso e Rosmary Corrêa são os últimos representantes da legenda na Assembléia. Para Caruso, líder do partido, ficou somente quem "realmente era PMDB" . Os que saíram queixaram-se de que a indefinição de um nome para a disputa ao governo do Estado prejudica os planos para reeleger-se ou disputar uma vaga de deputado federal.
O presidente estadual do partido, Orestes Quércia, já revelou a interlocutores que só disputaria as prévias pela candidatura ao governo do Estado se o governador de Minas, Itamar Franco, for candidato à Presidência.
Caso contrário, Quércia deve concorrer a uma vaga de deputado federal.
O maior golpe para a representatividade do partido hoje, na avaliação de Caruso, é não integrar a Comissão de Constituição e Justiça da Assembléia.
Além disso, o PMDB terá uma microestrutura com número reduzido de funcionários.
Apesar da crise, Caruso acredita que o PMDB poderá reerguer-se nas próximas eleições. Ele explicou que com uma bancada de cinco deputados o partido já pode participar das comisssões. Mas a preocupação é que se tenha de fato candidato próprio no Estado e para disputar a Presidência.
Movimentação - Apenas nesta legislatura, 28 deputados estaduais paulistas trocaram de legenda. As últimas mudanças foram, além de Lobbe Neto e Milton Vieira, as de José Augusto, que deixou o PPS e foi para o PSDB, e Eduardo Soltur, que trocou quatro vezes de legenda - foi do PFL para o PL.
Só o PT manteve o mesmo quadro das eleições: 14 deputados. O PDT, que havia crescido em 1998 de 2 para 7 deputados, hoje tem apenas 1 representante. O PFL tinha conseguido eleger 11 parlamentares, mas hoje tem 9. O PTB recebeu 6 deputados. O PPS teve a adesão de 3 parlamentares e o PSDB, de 5. O PL ganhou 4 deputados.
Partido procura dissidentes para elaborar projeto social
BRASÍLIA - O PMDB escolheu a inclusão social como sua nova bandeira nas eleições de 2002 e está recorrendo a dissidentes do PSDB que abandonaram o ninho tucano para ajudar na construção do programa de governo a ser defendido na corrida presidencial. Foi este o objetivo da recente visita do presidente do partido, deputado Michel Temer (SP), ao ex-ministro das Comunicações Luiz Carlos Mendonça de Barros, na qual se discutiu a essência do projeto do PMDB para o País, que irá ao ar amanhã, em rede nacional de rádio e TV.
Nos vinte minutos do horário do PMDB, a direção nacional deixará claro que o partido quer a estabilidade do real, tão defendida pela equipe econômica, mas também a moeda estável no bolso dos excluídos. "O PMDB não pode adotar um discurso de oposição ao governo do qual participa, mas terá um discurso crítico e equilibrado, reconhecendo o que foi feito e fazendo reparos aos erros cometidos", resume Temer.
Assessor especial do Planalto, Moreira Franco uniu-se a Temer na tarefa de montar o programa que será debatido por peemedebistas de todo o Brasil, ouvindo economistas, sociólogos, técnicos da administração federal, atuais e ex-colaboradores do presidente Fernando Henrique Cardoso. Mas a visita ao ex-ministro Mendonça de Barros não foi uma simples formalidade. A decisão de ouvi-lo remete a um racha interno do PSDB, entre a equipe econômica e o grupo dos chamados "desenvolvimentistas".
Assim como o ministro da Saúde, José Serra, Mendonça de Barros é um expoente do grupo desenvolvimentista que acabou perdendo para o ministro da Fazenda, Pedro Malan, a briga em favor de uma política mais ousada de redução de juros e incentivos ao setor produtivo para acelerar o crescimento.
Os tucanos não se ofendem com a decisão do PMDB de incluir a palavra dos dissidentes do PSDB na montagem do programa. "Fico muito satisfeito em saber que, se a gente não pôde manter o Luiz Carlos, pelo menos um aliado o fez", disse o líder do governo no Congresso, deputado Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM).
Serra diz que 'no mínimo' tentará vaga ao Senado
RECIFE - O ministro da Saúde, José Serra (PSDB), disse ontem, no município de Cabo de Santo Agostinho, que é "cedo para caraminholas eleitorais".
Apesar da declaração e de reafirmar que só fala em eleição ano que vem, ele garantiu que disputará pelo menos uma vaga ao Senado. "Sou senador e disputo, no mínimo, o Senado." Indagado se não ficaria em desvantagem em relação ao também presidenciável tucano Tasso Jereissati, governador do Ceará, que já começou a trabalhar sua candidatura, Serra deu de ombros:
"Quem comenta isso é o Tasso, não eu."
Serra esteve no município para lançar o Programa Bolsa-Alimentação. Pregou a manutenção da aliança governista: "É necessária, sem a menor dúvida", disse.
"Quem vai ser o candidato é uma outra discussão." Acompanharam Serra o ministro do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungmann, e o governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos, ambos do PMDB e muito elogiados pelo ministro.
Artigos
Confissões de Bin Laden
JOSÉ NÊUMANNE
Os primeiros bombardeios sobre o Afeganistão produziram dois efeitos importantes. Um foi o implícito reconhecimento público pelo terrorista Osama bin Laden da autoria intelectual dos atentados contra o World Trade Center e parte do Pentágono, em 11 de setembro. Em pronunciamento gravado em vídeo e transmitido pela TV Al-Jazira pouco depois do ataque, o fanático milionário saudita não disse explicitamente ser o autor, mas o que ele falou já basta para dar a entender isso ao espectador isento, definitiva e claramente.
Depois que ele afirmou que a América "foi atacada por Deus", a Quem rendeu "graça e gratidão", os Estados Unidos ficaram dispensados de apresentar à opinião pública do resto do mundo as evidências que dizem possuir de que os terroristas que se suicidaram para trucidar mais de 6 mil civis inocentes, trabalhando ou viajando pacificamente, cumpriam religiosamente ordens suas.
Ele mesmo se encarregou de expor ao ridículo os especialistas que têm acorrido em massa aos noticiários da TV por assinatura para reclamar da precipitação da retaliação militar de americanos e britânicos, manifestada, por enquanto, nos maciços bombardeios aéreos.
Outra conseqüência relevante do pronunciamento do chefão do Al Qaeda foi a delimitação clara, objetiva e sem disfarces dos dois lados do conflito aberto com os atentados. "Esses eventos dividiram o mundo em dois campos: o campo dos fiéis e o campo dos infiéis", disse. Ou seja, não se trata da luta legítima dos pobres palestinos por um pedaço de terra em sua pátria secular invadida. Nem uma represália à infância vietnamita marcada pelas queimaduras de napalm. Muito menos uma vingança pelo apoio ianque aos partidários de Allende fuzilados no Estádio Nacional em Santiago - como querem fazer crer os desgarrados da guerra fria, que tentam apedrejar a águia americana com tijolos retirados das ruínas do Muro de Berlim. Está tudo muito claro: a guerra declarada por Bin Laden é contra aqueles que não crêem no que ele crê.
Com o jeito manso dos obcecados por suas próprias fantasias macabras, ele prometeu matar a América de susto, não porque seu povo é rico e orgulhoso, pretensa justificativa que lhes querem dar os simpatizantes do lado de cá, mas só porque o cidadão americano é livre para crer e descrer. Como Che Guevara, o médico argentino que tentou submeter a América Latina a seus caprichos sanguinários em nome da justiça social, com quem já chegou a ser comparado, ele não aceita que alguém deixe de cumprir os dogmas de seu credo. Neste terceiro milênio, ele mandou matar as americanas porque elas não cobrem o rosto, fumam, bebem, falam de igual com os homens e ainda, suprema ousadia, escolhem os próprios parceiros sexuais, não se submetendo a casamentos arranjados pelo clã. Quem achar que aqui há exagero pode consultar os manifestos denunciando os maus-tratos contra as mulheres afegãs que circulavam pela Internet, assinados pelas mesmas ONGs que hoje consideram a retaliação militar ocidental uma agressão intolerável às pobres massas muçulmanas.
A fé cega e a faca amolada do terror de Osama bin Laden não pretendem chamar a atenção para uma causa nem vingar a opressão ou uma ofensa de um inimigo real, alvos objetivos das bombas dos anarquistas russos, da bala do sérvio que matou o arquiduque da Áustria e provocou a 1.ª Grande Guerra ou dos atentados do IRA e da ETA. Ele mesmo fez questão de desautorizar todos os palermas que, do lado de cá da trincheira, se deixam embalar pelas velhas canções de protesto contra a supremacia ianque, ao dizer: "A América nunca mais sonhará e não viverá em paz até que a paz reine na Palestina."
É preciso reconhecer que parte desse objetivo já foi alcançada e ele mesmo começou sua arenga constatando que "a América se encheu de medo, de norte a sul, de leste a oeste, graças a Deus". O pânico que seus atentados espetaculares estão causando no mundo civilizado provoca prejuízos econômicos, desemprega trabalhadores e obriga Estados democráticos, inclusive o maior deles, os Estados Unidos, a convencerem seus cidadãos a abrirem mão de um pedaço da privacidade e de um naco da liberdade para ganharem uma nesga de tranqüilidade. A fantasia que os fundamentalistas querem destruir não é um sonho cristão, judeu ou gentio, mas a busca da prosperidade e do bem-estar coletivo num ambiente em que todos tenham a capacidade e o direito de escolher o próprio destino. É o resultado da lenta e árdua construção não dos prédios monumentais que ruíram, mas da civilização urbana se impondo sobre a barbárie tribal.
Por tudo isso, o discurso de Bin Laden autorizou os bombardeios sobre o Afeganistão. E avalizou as palavras de seu arquiinimigo George W. Bush de que quem não estiver contra ele com ele estará.
Colunistas
RACHEL DE QUEIROZ
Levanta os olhos e olha o céu
Você passa um mês, dois meses longe do Rio e, quando volta, a cidade o surpreende, tão bela, tão clara, tão linda. Em outras cidades do mundo, mesmo bonitas, não têm este escândalo de luz e cor, este acordar com céu claro, mesmo nos dias em que algum nevoeiro tenta embaçar a paisagem. Aqui da minha sala, o céu parece entrar de casa adentro, o mesmo céu que é sombrio porque vai chover ou é lavado por um sol insolente que se imagina dono do mundo.
Já tenho viajado por aí, Europa, América, em suas diversas latitudes. Todos os lugares alternam tempo bom com tempo ruim e as pessoas aceitam um céu enfarruscado porque faz parte do programa: naquele período do ano ninguém pode esperar outra coisa. Quem nesse assunto de tempo parece com a civilizada Europa é o meu Ceará. Lá só chove com tempo certo, que chamamos de inverno, de janeiro a maio. Aí vêm os fins d'água e o céu limpo como se houvesse sido escovado. É no começo do inverno que se limpam os roçados para a planta nova. Pegado o inverno é que aparece a primeira vagem de feijão verde e as espigas de milho novo apresentam os caroços tenros: é o delírio da criançada e dos adultos também. Mas este ano não houve nada disso. Lá é tudo certo como na Europa e na América do Norte. Tudo tem o seu tempo e a sua hora. Só que este ano deu tudo errado. Em dezembro o pessoal brocou e preparou os roçados, como deve ser, ao primeiro borrifo de chuva em janeiro, plantou as sementes de milho, feijão e os mais afoitos até de algodão, mas aí a chuva sumiu. E perdeu-se tudo o que fora plantado.
Aqui no Rio ninguém entende de tempo, mesmo porque na hora marcada para tempo quente, esfria durante a noite e a gente tem de puxar um cobertor. No Ceará, o cobertor, quando existe, é uma espécie de instrumento de tortura com que cobrimos as crianças com febre, como uma punição às suas travessuras. E, se eu me queixo das chuvas no Rio, que dirá quem enfrenta o tempo em São Paulo. Nordestino quando vai para lá sofre e estranha quando vê o povo do sul arrenegar quando o sol se some. Dizendo que o céu está bonito quando lavado de nuvens e reluzente de sol. A gente, cearenses, estranha a palavra "bonito", porque lá o sol é que é o inimigo. O bicho feio que mata as plantas e seca as águas.
Custei a me acostumar com o pessoal daqui. Não sabem que o tempo é lindo quando o céu está pejado de nuvens gordas de água, nos garantindo chuva. E isso só acontece nos primeiros meses do ano. Se não chover até março, em abril já nos declaramos em seca e começamos a lotar os ônibus a caminho de outras terras. Este ano, por exemplo, ainda não começou a evasão. Mas, acabando-se a pequena reserva de feijão e milho, como é que vai ser? Não adianta nem Deus fazer chover agora porque isso não garantirá nova safra. Os donos dos caminhões e dos ônibus já amolam os dentes porque, sendo assim, começa a safra deles. Mesmo que chovesse agora não remediaria o prejuízo nem faria voltarem as esperanças. O que nos resta é dizer como eles dizem: seja o que Deus quiser.
Estou repetindo esta velha cantiga como quem assobia no escuro para disfarçar o medo. Os sintomas e perigos estão à vista. Afinal, seria castigo demais para a nossa sofrida humanidade se outro conflito mundial rebentasse por aí. Quem ousaria pensar meses atrás que as duas torres gêmeas de New York viriam abaixo por ação humana (ou desumana )? Os fatos estão cada vez mais imprevisíveis. Parece que são ditados por uma imaginação mórbida e não determinados pelas realidades conseqüentes. Creio que é o caso de dizer como a velha Chiquinha Leite: que não é mais momento de agir, e sim de ajoelhar, bater no peito e implorar socorro aos poderes lá de cima. Também se pode sugerir aos ouvidos complacentes de Nosso Senhor que, dar um fim aos Talebans, seria uma medida justa e misericordiosa.
Editorial
Imaginação para salvar o Mercosul
Brasil e Argentina estão empenhados, de novo, numa grande operação de salvamento do Mercosul. Até o ministro argentino da Economia, Domingo Cavallo, parece estar convencido, afinal, de um dado simples e muito importante: a união aduaneira tem personalidade própria, é parte de empreendimentos internacionais e não se pode extingui-la, de um dia para outro, sem grandes custos para seus integrantes. Será mantida, portanto, a Tarifa Externa Comum (TEC), um instrumento de negociação do Mercosul com a União Européia, com os Estados Unidos e - por que não? - com o conjunto dos sócios da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Não deixa de ser curioso que ele tenha incluído, em seu comentário, a referência à OMC. Afinal, nas negociações globais de comércio, os países do bloco têm-se apresentado separadamente, ainda que mantenham posições comuns e combinadas em relação a vários pontos de grande interesse, como o comércio agrícola.
Para preservar a TEC, no entanto, será preciso, segundo concluíram os ministros, admitir salvaguardas temporárias no interior do Mercosul. Esse instrumento é em princípio incompatível com uma união aduaneira, mas, nas condições presentes, talvez seja um recurso inevitável. "Demonstrações de flexibilidade são importantes e é com esse espírito que estamos dispostos a enfrentar esta situação", disse em São Paulo, ontem, o ministro da Fazenda, Pedro Malan. "Não temos posições fundamentalistas."
Malan e Cavallo falaram à imprensa depois de uma reunião da qual participaram, também, os ministros do Exterior dos dois países, Celso Lafer e Adalberto Rodríguez Giavarini, e o ministro brasileiro do Desenvolvimento, Sérgio Amaral.
As salvaguardas só poderão ser temporárias, como ficou claro na entrevista.
Tomada a decisão política, falta, ainda, resolver como se poderá aplicá-las, concretamente, e para isso estão previstas mais duas semanas de discussões.
Não faz muita diferença, neste momento, discutir em que medida o real é pressionado pela crise argentina e em que medida sua desvalorização afeta a economia do país vizinho. Ficou acertado que o Brasil deverá contribuir para atenuar a crise argentina - o que interessa a todos os sócios do Mercosul - e resta somente encontrar meios razoáveis para isso. Não se pode imaginar que a solução consista, simplesmente, em restrições indiscriminadas à exportação de produtos brasileiros.
A admissão de salvaguardas temporárias, como forma de preservação da TEC, pode revelar-se uma solução inovadora. Não por acaso, o presidente Fernando de la Rúa, depois de se encontrar com seu colega Fernando Henrique Cardoso, em Brasília, na segunda-feira, havia feito um apelo à criatividade para o aprofundamento da integração regional. Por enquanto, pelo menos uma proposta nitidamente criativa foi apresentada pelo ministro Sérgio Amaral. Ele convidou empresários argentinos para participar da missão comercial brasileira que deverá visitar o Japão em novembro.
É preciso que iniciativas desse tipo sejam levadas a sério por brasileiros e argentinos e, mais tarde, envolvam também paraguaios e uruguaios. A integração regional será muito mais eficiente se envolver, além dos negócios internos ao bloco, da Tarifa Externa Comum e das negociações de acordos com os parceiros de fora, atividades conjuntas voltadas para a conquista de mercados.
Não se pode esperar, no entanto, que o problema argentino se resolva facilmente. A cooperação brasileira pode atenuar a crise, mas a retomada do crescimento econômico argentino dependerá de outros fatores. O presidente De la Rúa reafirmou o compromisso com o regime de câmbio fixo. O governo, além disso, permanece empenhado em reduzir a zero o déficit público. Manter os dois compromissos, numa economia em recessão há mais de três anos, vem-se tornando cada vez mais difícil. O rebaixamento do crédito argentino de longo prazo, anunciado ontem pela Standard & Poor's, certamente não facilita a superação do problema. Essa questão provavelmente exigirá, em breve, uma nova e mais criativa intervenção do Fundo Monetário Internacional.
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