CPI do Banestado quer ouvir Silveirinha e Youssef
A CPI mista do Banestado vai tomar o depoimento do ex-secretário estadual de Administração Tributária Rodrigo Silveirinha Corrêa, condenado a 15 anos de prisão por crimes de sonegação fiscal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. O pedido foi feito pelo relator, deputado José Mentor (PT-SP), e, por decisão dos parlamentares tomada nesta quinta-feira (6), o fiscal será ouvido em diligência no Rio de Janeiro, na sede da Justiça Federal do estado, na próxima terça-feira (11).
Para investigar o mesmo assunto, o chamado Propinoduto - esquema de remessa de dinheiro para o exterior que utilizava as contas CC-5 com a participação de fiscais da receita do Rio de Janeiro -, a CPI aprovou requerimentos de Mentor para argüir outros envolvidos no escândalo: o fiscal Carlos Eduardo Pereira Ramos, o ex-secretário da Fazenda do Rio de Janeiro Carlos Antonio Sasse, Fernandes Mesquita (ex-empregado dos empresários Alexandre Martins e Reinaldo Pitta), Arilson da Silva Dias, Valdir Ferreira de Freitas, Germano Silva Filho e Paulo Henrique Sekiguchi.
Também foram aprovados requerimentos do relator solicitando a transferência de sigilo de processos da Justiça Federal do Rio de Janeiro relativos à CPI do Propinoduto, realizada pela Assembléia do Estado; a autorização para feitura de cópias dos documentos das apurações feitas pela Polícia Federal (PF) sobre o assunto e o livre acesso dos membros e assessores da CPI do Banestado ao recinto onde serão realizados os depoimentos.
Os representantes do banco suíço Discount Bank and Trust Company, Ronaldo Adler e Herry Rosemberg, e a funcionária da Coplac - empresa representante no Brasil deste banco - Marlene Rozen também foram convocados. Os três são acusados de intermediação para abertura de contas dos fiscais no exterior e estavam presos. No momento, estão em liberdade por força de habeas corpus.
Doleiro preso
A CPI do Banestado também quer ouvir o doleiro Albert Youssef, preso no último domingo (2) pela Polícia Federal em Curitiba (PR). Segundo o presidente da comissão, senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT), a CPI estava pronta para ouvir o acusado esta semana, mas decidiu adiar o depoimento, por recomendação do juiz que cuida do caso de Youssef no Paraná. O juiz contou que o doleiro tem se negado a prestar qualquer esclarecimento sobre sua participação no esquema, reservando-se o direito de permanecer calado. A CPI ficou de decidir na próxima reunião se o preso será ouvido no Paraná ou em Brasília.
O deputado Dr. Hélio (PDT-SP) lembrou que o convocado é listado como detentor de 40 contas no Banestado, todas abertas em nome de laranjas. Youssef também é acusado de transferir parte dos recursos desviados da extinta Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) por meio dessas contas, como primeira etapa da lavagem de dinheiro. Na opinião de Dr. Hélio, a CPI do Banestado tem relevante interesse em ouvir Youssef, pois a atuação do doleiro pode ter se estendido para outros estados.
O senador Heráclito Fortes (PFL-PI) também apresentou requerimento aprovado pela comissão em que pede a transferência do sigilo de todos os documentos apreendidos quando da prisão de Albert Youssef.
06/11/2003
Agência Senado
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