Derrota de caciques regionais alegra FHC
Derrota de caciques regionais alegra FHC
O presidente Fernando Henrique Cardoso não escondeu sua satisfação com a derrota nas eleições de caciques e representantes de oligarquias regionais. Ele considerou o fato "extraordinário". "Não quer dizer que não existam mais, mas não têm mais o mesmo peso", acrescentou.
Indiretamente, o presidente criticou a postura dos senadores José Sarney (PMDB/AP) e Antônio Carlos Magalhães (PFL/BA). "Agora vejo algumas destas forças correndo para o Lula, tentando sobreviver, o que me parece meio contraditório."
Em entrevista no Palácio da Alvorada, Fernando Henrique descartou a possibilidade de utilizar a máquina pública para apoiar o candidato de seu partido, o senador José Serra, no segundo turno.
Em busca das novas fronteiras da ciência
A área da ciência e tecnologia ganha cada vez mais espaço fora das universidades e instituições públicas, com o aumento dos investimentos do setor privado. "É uma aposta na capacidade da ciência brasileira em produzir inovação, em transformar conhecimento em tecnologia", diz Arthur Ribeiro Neto, diretor da Votorantim Ventures.
No segundo turno, o PT disputa 8 de 15 estados
O Partido dos Trabalhadores disputa o poder em oito dos 15 estados onde haverá segundo turno eleitoral - entre eles, São Paulo e Rio Grande do Sul, que reúnem 32,9 milhões de eleitores. O PT também está no páreo no Amapá, Ceará, Mato Grosso do Sul, Pará, Distrito Federal e Sergipe.
Em primeiro turno reelegeu o governador do Acre, Jorge Viana, e, com Wellington Dias, venceu também no Piauí. O partido deve ao seu líder, Luis Inácio Lula da Silva, boa parte desse êxito eleitoral, no qual se destaca a ascensão em São Paulo de José Genoíno.
Com 32,4% dos votos, Genoíno vai enfrentar o governador Geraldo Alckmin, do PSDB, que ficou com 38,3%. "Não vamos fazer uma campanha ideológica", anuncia José Genoíno.
"Saddam deve ser desarmado"
Em discurso ontem à noite, Bush diz que Saddam é ameaça à paz. O presidente George W. Bush disse ontem à noite que membros do Congresso dos Estados Unidos (EUA) e do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) concordam que Saddam Hussein "é uma ameaça à paz e deve ser desarmado".
Em discurso de 20 minutos em Ohio, terra do deputado democrata Dennis Kucinich, que lidera na Câmara dos Representantes a oposição a uma resolução autorizando o uso da força para remover o presidente iraquiano do poder, Bush afirmou: "Concordamos que ao ditador iraquiano não deve ser permitido ameaçar os EUA e o mundo com venenos terríveis, doenças, gases e armas nucleares. Uma vez que todos concordamos com esse objetivo, a questão é: como podemos conseguir isso?" Depois de descrever em detalhes a capacidade do Iraque em vários tipos de armas - químicas, biológicas e nucleares - Bush anunciou que, no final da semana, o Congresso dos EUA votará um pedido para autorizar à Casa Branca o uso da força militar contra o Iraque, se for necessário, para reforçar os requisitos do Conselho de Segurança da ONU.
"A resolução (do Congresso) dirá às Nações Unidas e a todos os países que os EUA falam uma só voz", disse o presidente. Ele acusou Saddam de ligações com grupos terroristas internacionais. "Todos sabemos que o Iraque e a Al-Qaeda têm tido contatos de alto nível que datam de uma década. Alguns líderes da Al-Qaeda que fugiram do Afeganistão foram para o Iraque", disse Bush.
Se uma ação militar for necessária, "os EUA e seus aliados ajudarão o povo iraquiano a reconstruir sua economia e a criar instituições livres num Iraque unificado e em paz com seus vizinhos", afirmou.
O procurador geral do Reino Unido, Lorde Goldsmith, advertiu o primeiro-ministro, Tony Blair, que uma eventual invasão do Iraque seria ilegal se o objetivo específico fosse mudar o regime. A ação somente seria legal, disse Goldsmith, em autodefesa ou com mandato da ONU.
BC exige mais capital para comprar dólar
Medida derruba cotação na BM&F. O Banco Central (BC) aumentou a exigência de capital dos bancos para suas operações com dólares. A decisão foi divulgada ontem após o fechamento do mercado financeiro, mas teve efeito imediato: o dólar, que havia terminado o dia com alta de 3,31%, a R$ 3,74 para a venda, acabou caindo 1,5% no pregão eletrônico da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F).
A resolução do BC determina que o fator de ponderação dos bancos nas operações cambiais passará de 50% para 75%. Isso significa que as instituições deverão aumentar em 50% o patrimônio de referência para bancar as posições em moeda estrangeira ou reduzir as operações para se adequar à exigência.
A medida, que reduz o fôlego do dólar sem mexer nas reservas cambiais, foi justificada pela cautela. "Quanto maior a exposição líquida, em momento de volatilidade, maior o risco da instituição. Por isso, decidimos reduzir um pouco mais a alavancagem", disse o diretor de normas do BC, Sérgio Darcy.
Dados do BC mostram que os bancos reforçaram as compras de dólares nos últimos dias. A posição vendida dos bancos foi reduzida de US$ 2,683 bilhões no final de agosto para US$ 1,597 bilhão em 25 de setembro. Para o diretor de câmbio da corretora Souza Barros, Carlos Alberto Abdalla, a medida é eficaz no curto prazo.
"Muda o presidente mas não a Petrobras"
O presidente da Petrobras, Francisco Gros, disse ontem em Buenos Aires que a mudança do presidente da República não deverá provocar mudanças estratégicas na maior estatal brasileira. "Do ponto de vista da Petrobras, não me parece fundamental, nem mesmo importante, quem ganhe as eleições", disse ele a uma platéia de jornalistas e empresários.
Gros veio a Buenos Aires para inaugurar o primeiro posto de combustível com bandeira e layout da Petrobras, em lugar da marca Eg3.
O executivo disse, ainda, que a auditoria para formalização do acordo de compra da companhia argentina Perez Companc Energia (Pecom) deverá estar concluída "em poucos dias".
Concretizado o negócio, que precisará passar pelo Conselho Nacional de Defesa da Concorrência (CNDC), a Petrobras pagará US$ 1,12 bilhão - US$ 700 milhões "cash" - para ficar com 58,6% das ações da companhia.
Colunistas
Petróleo pressiona à guerra
Maria Helena Tachinardi
O secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, deixou claro, ontem, que, por trás do objetivo principal de destituir o presidente iraquiano, Saddam Hussein, existem "considerações econômicas e de estabilidade regional" que estão em jogo no Congresso dos Estados Unidos (EUA) e no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) no debate sobre a guerra ao Iraque.
Powell, segundo a agência Dow Jones Newswires, notou que as companhias russas e outras devem ter interesses financeiros na indústria de energia do Iraque, que seria a principal receita de exportações no regime pós-Saddam.
Powell destacou ao Conselho de Negócios EUA-Rússia, em Washington, que o governo Bush está consciente "dos interesses que outros países têm num futuro regime iraquiano".
Está cada vez mais claro que desarmar Saddam, isto é, retirar dele alegadas armas de destruição em massa, via ONU ou pela força militar, será de grande ajuda para o setor do petróleo.
O assunto foi colocado em Houston, Texas, nesta semana, no US-Rússia Commercial Energy Summit - reunião de cúpula dos EUA com a Rússia sobre assuntos comerciais envolvendo energia -, que juntou assessores do presidente George Bush, entre eles os secretários de Comércio e de Energia, altos executivos dos dois países, deputados e senadores.
O governo Bush busca parceria co m os magnatas do petróleo russo para, por pressão deles, convencer o governo de Putin a apoiar no Conselho de Segurança uma ação militar.
"Se a guerra ao Iraque for iminente, as empresas petrolíferas russas - em conjunto com companhias norte-americanas - podem ajudar a assentar as bases para uma verdadeira parceria entre os EUA e a Rússia em energia", diz Eugene Rumer, categorizado membro do Instituto de Estudos Estratégicos da National Defense University, em Washington.
Em artigo no The Washington Post, na última segunda-feira, ele diz: "os 5 milhões de barris diários de petróleo russo exportados, combinados com 4 milhões de barris da capacidade projetada do Iraque, podem se aproximar da produção diária da Arábia Saudita de 8 milhões de barris diários e se tornar uma força sem precedente de estabilidade no mercado global de petróleo".
Oposição iraquiana procurada
As companhias petroleiras russas temem que as norte-americanas dominem a segunda maior reserva de petróleo do mundo, que estão no Iraque, sendo grande parte dela ainda inexplorada.
O Iraque tem reservas confirmadas de 112 bilhões de barris; perde apenas para a Arábia Saudita, que aparentemente possui o dobro disso. Com as sanções impostas pela ONU ao Iraque, a produção atual do país é de apenas 2,8 milhões de barris diários, uma capacidade que Bagdá luta para alcançar devido à deterioração de seus equipamentos.
Pelo programa da ONU "petróleo em troca de alimentos", o Iraque exporta cerca de um milhão de barris/dia. Desde 1998, segundo o jornal britânico The Independent, duas subsidiárias da Halliburton, em Houston, companhia que já foi dirigida pelo vice-presidente norte-americano, Dick Cheney, receberam US$ 24 milhões pelo serviço de conserto dos oleodutos iraquianos, no contexto do programa das Nações Unidas.
De acordo com o The Independent, especialistas da indústria petrolífera dizem que "há uma grande preocupação de que os EUA poderiam dominar a indústria de petróleo iraquiana depois de Saddam. Como resultado, várias petroleiras vêm mantendo conversas com a oposição iraquiana para assegurar que elas estarão envolvidas em negócios futuros", após uma eventual queda de Saddam Hussein.
Segundo o jornal britânico, o governo russo de Vladimir Putin - que é amigo do Iraque - recentemente despachou a Washington um diplomata para uma conversa com um alto funcionário do Congresso Nacional Iraquiano (INC), o grupo de oposição a Saddam apoiado pelos Estados Unidos.
Naquele encontro, no dia 29 de agosto, o diplomata expressou o temor de que os EUA tirem a Rússia dos mercados de petróleo, menciona The Independent, em sua edição de 26 de setembro.
James Woolsey, ex-diretor da central de inteligência dos EUA (CIA) e especialista nas relações entre segurança global e petróleo, disse que as empresas petrolíferas da França e da Rússia têm interesses no Iraque.
"Elas deveriam ser informadas de que se ajudarem a encaminhar o Iraque para um governo decente, nós faremos o melhor para assegurar que o novo governo (iraquiano) e as companhias norte-americanas vão trabalhar em conjunto com elas", destacou Woolsey, em artigo no The Washington Post.
Com o aumento de investimentos estrangeiros no Iraque, o país poderia produzir 6 milhões de barris diários em cinco anos. Isso faria do Iraque o terceiro maior produtor depois da Rússia e da Arábia Saudita.
O presidente do INC, partido de oposição a Saddam, Ahmed Chalabi, opina que os Estados Unidos deveriam liderar um consórcio para desenvolver a indústria de petróleo iraquiana.
Esse comentário, menciona The Independent, horrorizou o governo da Rússia, que, por ser o maior exportador mundial de petróleo, tem muito a perder se os EUA assumirem uma posição predominante na indústria de petróleo iraquiana.
Conselho da ONU
O jornal informa ainda que Thane Gustafson, diretor sênior da consultoria Cambridge Energy Associates (Cera), disse que o assunto certamente está no centro das negociações da Rússia com os EUA acerca da resolução das Nações Unidas sobre a volta ao Iraque dos inspetores de armas. Segundo Gustafson, o petróleo preocupa o presidente russo, que provavelmente preferiria que as coisas ficassem como estão.
Rússia e EUA
Mas a Rússia, país onde o petróleo e o gás respondem por 40% das exportações, é muito importante para os EUA, levando-se em consideração a instabilidade no Oriente Médio e na América do Sul, sobretudo na Venezuela.
Segundo Sheila McNulty, no Financial Times, "os ataques terroristas aos EUA no ano passado forçaram os formuladores de política a considerar as vastas reservas russas uma prioridade".
Em julho, os EUA começaram a receber o primeiro carregamento direto de petróleo da Rússia. A Yukos Oil, a maior empresa petrolífera integrada russa, privatizada, foi a responsável pelas primeiras exportações para os EUA em bases experimentais, para avaliar a lucratividade da operação.
"A Rússia é e continuará a ser um importante fornecedor mundial de petróleo", diz Donald Evans, secretário de Comércio dos EUA.
Líderes interessadas
As companhias norte-americanas ExxonMobil e Chevron Texaco se recusam a dizer se têm conversado com a oposição iraquiana, menciona The Independent. Ambas admitem, entretanto, que estariam interessadas em operar no Iraque se as sanções econômicas fossem suspensas.
Um porta-voz da anglo-holandesa Royal Dutch Shell, que discutiu com Saddam, no passado, a possibilidade de desenvolver o campo petrolífero Ratawi, disse que não se aproximou da oposição iraquiana, mas confirmou interesse em negociar com o Iraque depois do fim das sanções.
Editorial
VITÓRIA DA DEMOCRACIA BRASILEIRA
O Brasil deu, neste domingo, uma demonstração cabal da força e do dinamismo de sua democracia. Em clima de tranqüilidade e sem nenhuma perturbação da ordem pública, cerca de 96 milhões de eleitores de um total de mais de 115 milhões compareceram às urnas para a realização do primeiro turno do pleito, calculando-se uma taxa de abstenção de 17%, inferior à das eleições de 1998, que chegou a 21%, evidenciando o grande interesse da população em participar da grande decisão nacional. Se descontarmos 10% de votos nulos ou em branco, teremos que 86 milhões de brasileiros fizeram uso do direito de escolher seus governantes, número superior ao de países com uma população maior que a do Brasil.
Pode-se afirmar que a informatização destas eleições gerais, em uma dimensão que não encontra equivalente em nenhum outro país do mundo, funcionou a contento. É verdade que, em vários estados do País, houve grande filas de eleitores, ocasionando demoras para votar, o que obrigou o prolongamento do horário de funcionamento das seções eleitorais. Mas esse atraso se deu menos por problemas técnicos - sendo substituídas apenas 1,6% das urnas eletrônicas utilizadas - do que pelas múltiplas escolhas que os eleitores tinham de fazer. Muitos se confundiram, mas cuidados foram tomados para preservar o direito de livre opção dos eleitores, por mais tempo que tomassem na cabine de votação.
O processo foi aperfeiçoado e pode sê-lo ainda mais, com o aumento de urnas e seções. Constata-se, porém, que a grande massa dos eleitores já está habituada ao uso de meios eletrônicos para votar e a proporção tende a crescer com a realização de novas eleições, como já se tornou rotina no País.
Quanto à apuração, testes foram realizados para assegurar a lisura dos resultados e afastar qualquer acusação de fraude. Ninguém pode afirmar que os resultados apurados por meios digitais não refletem a vontade legítima dos brasileiros.
Ao todo, 12 candidatos a governador foram eleitos no primeiro turno das eleições. Nas 15 demais unidades federativas, a decis
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