Lando: "opositores, caciques e nova elite vão se enfrentar no Senado"



No próximo ano, o Senado deverá ser palco das mais importantes discussões em torno de um novo projeto para o país e da convivência entre o velho e novo, quando será possível sentir essa ruptura, afirmou em discurso o senador Amir Lando (PMDB-RO). O senador, que fez uma longa análise da história recente do país, disse que "os caciques voltarão, disso não há qualquer dúvida", e perguntou: "De que lado ficar nesse debate? É bem verdade que não se trata do melhor dos mundos, mas, por linhas tortas, a história já escreveu a resposta".

Analisando o quadro sucessório atual, Lando apontou a formação de uma "nova elite" a partir da década de 90 que, agora, chegará ao Senado dividindo poder com a oposição e os velhos caciques regionais. A peça chave para o surgimento dessa nova elite, afirmou, foi o maior engajamento dos bancos no financiamento de campanhas eleitorais e a criação de um candidato que simbolizasse os novos tempos, Fernando Collor de Mello. Para o senador, essas mesmas forças que criaram Collor o destruíram quando este tornou-se uma ameaça aos "esquemas" já estruturados nas esferas de poder.

- Ocorre que as sementes do novo modelo já haviam sido lançadas. O Programa Nacional de Desestatização, por exemplo, foi um dos primeiros atos do governo que se despedia. Ali se iniciou, efetivamente, o desmonte do estado brasileiro, ou a sua transferência para outras mãos, as da nova elite de poder - afirmou.

Lando recordou que Fernando Henrique Cardoso foi eleito para a Presidência da República por ter "molde, figurino e modelo perfeitos para ser o maestro" da transferência de patrimônio público para o empresariado.

- Quando Fernando Henrique tomou posse, já haviam sido privatizadas a produção de fertilizantes, a petroquímica e a siderurgia. Já era visível, plenamente, que se tratava de um novo modelo de apropriação do patrimônio público, agora mais contundente - observou.

Para o senador, era de se esperar que a velha elite - os "caciques" - se colocasse contra esse novo modelo, mas isso não aconteceu. Segundo ele, uns pouco "aproveitaram-se das rebarbas", outros decidiram adaptar-se às novas regras e outros simplesmente sucumbiram. As comissões parlamentares de inquérito que poderiam pôr em risco o desembarque dessa nova elite, continuou o senador, foram sufocadas "sob o manto do silêncio comprometedor da mídia".

O próximo passo para manter o poder da nova elite, assinalou Lando, é a manutenção de um "gerente" atrelado à nova ordem em uma nova fase, um novo presidente que seja um "mero decorador de textos, com boa aparência e neurônios suficientes para bem representar".



16/05/2002

Agência Senado


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