Piratini apresenta projeto de ICMS no dia 6
Piratini apresenta projeto de ICMS no dia 6
A nova proposição sobre aumento de imposto será discutida com os conselheiros do OP estadual
A proposta de aumento de ICMS do governo do Estado será discutida com os conselheiros do Orçamento Participativo (OP) no dia 6 de outubro.
Diferentemente dos projetos apresentados pelo Palácio Piratini em 1999 e 2000, o novo projeto não vai vincular a arrecadação extra a aumentos salariais e investimentos.
A idéia é repassar o dinheiro proveniente do aumento seletivo de impostos para fundos que irão subsidiar setores produtivos do Estado que necessitam de incentivos para se desenvolver. O governo deverá propor aumento da alíquota de ICMS para os mesmos produtos e serviços contidos nos dois projetos anteriores, ambos rejeitados pela Assembléia Legislativa: setores de comunicação, energia (o aumento não incidia nas contas de até 300 quilowatts-hora por mês nem na iluminação pública e no consumo do setor produtivo), combustíveis (com exceção de óleo diesel e gás natural), cigarros e bebidas.
Em contrapartida, será proposta a redução da carga tributária de produtos de consumo popular e incentivos a setores produtivos, como o moveleiro, o compoteiro, o da carne e o da bacia leiteira.
Depois de analisado pelo conselho do OP, o projeto será encaminhado à Assembléia Legislativa para votação. Qualquer elevação de impostos é regida pelo princípio da anterioridade (só pode vigorar no ano seguinte ao da aprovação da lei).
Ontem à tarde o governo promoveu um ato público, com apresentações musicais na Praça da Matriz, para marcar a entrega da proposta de Orçamento para 2002 à Assembléia Legislativa.
O valor total previsto para o próximo ano, de R$ 12,1 bilhões, é 15% superior ao de 2001. O Executivo espera obter um aumento de 9% na arrecadação de ICMS – chegando a R$ 7,1 bilhões – por meio de programas de fiscalização e cobrança realizados pela Secretaria da Fazenda.
A estimativa de déficit público (despesa maior do que receita) para 2002 é de R$ 310 milhões. Apesar de o governo do Estado citar na justificativa do projeto de lei orçamentária que espera cobrir o débito com recursos provenientes de recebimentos relativos a pagamento de dívidas da União com o Estado, não há garantias de que isso ocorrerá.
Semana Farroupilha é aberta
Governo se instalará em Caçapava
A Chama Crioula foi acesa ontem em vários pontos do Estado, iniciando oficialmente as comemorações oficiais da Semana Farroupilha.
Hoje, o governo do Estado, a mesa diretora da Assembléia e do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG) serão instalados em Caçapava do Sul, uma das capitais da República Farroupilha.
Pela manhã, tradicionalistas acampados na Estância da Harmonia cavalgaram até o Palácio Piratini. O grupo foi recebido pelo governador Olívio Dutra, que acendeu a Chama Crioula no saguão de entrada do palácio. A cerimônia foi prestigiada por representantes das etnias que participaram da Revolução Farroupilha e de autoridades.
Em Santana do Livramento, a Semana Farroupilha começou quando centenas de cavalarianos chegaram à Praça General Osório com a chama crioula proveniente de Piratini, nas primeiras horas da manhã. O tradicionalista Nicolau Rodrigues, conhecido como Tio Nico, acendeu a chama oficial do município, enquanto o poeta santanense Lauro Corrêa Simões ficou com a responsabilidade de acender o fogo de chão do Galpão Crioulo da praça. Após a solenidade, patrões das 53 entidades tradicionalistas de Livramento retiraram uma centelha da Chama Crioula para levar aos seus respectivos galpões.
O desfile do dia 20 esteve a ponto de ser suspenso, devido aos focos de febre aftosa no departamento de Rivera, no Uruguai. Conforme o prefeito Guilherme Bassedas Costa (PPB), a Secretaria da Agricultura, recomendou o cancelamento. O diretor do Departamento de Produção Animal (DPA), Celso dos Anjos, sugeriu que animais uruguaios não participassem. Bassedas disse ser impossível o controle dos cavalos, porque muitos já circulam pela cidade.
No final da tarde, a comissão organizadora garantiu que está tomando as medidas necessárias e confirmaram o desfile.
Polícia não tem pista de assassino
Suspeito do crime detido na quinta-feira foi liberado ontem
Quatro dias depois do assassinato do prefeito de Campinas, Antônio da Costa Santos, o Toninho do PT, a polícia não tem pistas da autoria do crime.
Um homem conhecido como Cigano foi preso na quinta-feira à noite em Bertioga, no litoral norte de São Paulo, por suspeita de participação no assassinato. Ontem à noite, a suspeita se mostrou infundada e o detido foi liberado.
O homem usava identidade falsa. Cigano foi removido para Campinas para prestar depoimento. O documento usado por Cigano foi roubado de Marcelo Metidieri Meirelles em julho do ano passado, durante assalto à residência de férias da vítima, no Sítio São Pedro, em Guarujá. Ao ouvir seu nome nas emissoras de rádio e TV ontem pela manhã, Metidieri, que mora em Alphaville, entrou em contato com a delegacia de Bertioga a fim de esclarecer a ocorrência.
Segundo informou o delegado titular de Bertioga, Elpídio Ferrarezi, Cigano foi preso pela PM por volta das 21h de quinta-feira. Ele estava sozinho, carregava uma mochila, se assustou ao ver policiais e tentou fugir. Em seu poder, a polícia encontrou uma pistola Luger 9mm, de uso exclusivo das Forças Armadas. A arma era do tipo usado pelo assassino do prefeito. Na delegacia, o criminoso se recusou a falar e até a assinar o flagrante de porte ilegal de arma.
Uma testemunha ouvida ontem em São Paulo disse ter visto dois suspeitos numa motocicleta seguindo um Palio prata, igual ao do chefe do Executivo, no estacionamento do Shopping Iguatemi.
Segundo a testemunha – uma mulher, cuja identidade é mantida em sigilo –, os dois homens sobre a motocicleta começaram a seguir o prefeito ainda dentro do estacionamento do shopping. Um deles teria assobiado, alertando o piloto da moto, e os dois saíram atrás do Palio. Na perseguição, o motorista do Palio teria tentado fugir e entrado no terreno baldio. Foi lá que os policiais encontraram o corpo do prefeito.
Moradores indicam prioridades pelo voto
A consulta será realizada no domingo
Moradores de Canoas poderão escolher neste domingo, pelo voto, obras e serviços que consideram prioritárias.
Denominada Administração Solidária, a consulta popular indicará prioridades que deverão ser inseridas na Lei Orçamentária Anual de 2002. Para investimentos no próximo ano, serão destinados cerca de R$ 8,3 milhões.
Quem votar – entre 9h e 17h – poderá escolher uma das cinco prioridades por região. Aquela que tiver mais votos será executada. Além disso, também escolherá uma das cinco prioridades gerais para Canoas. Para participar da votação é preciso apresentar carteira de identidade e título de eleitor, cujo documento é indispensável.
Além da obra, cada uma das sete regiões receberá R$ 600 mil para aplicar na prioridade eleita. A região que tiver o maior comparecimento de eleitores receberá uma verba extra de R$ 120 mil. Cada região terá pelo menos dois pontos de votação. A apuração ocorrerá a partir das 19h, na Câmara de Vereadores. O Parque de Exposições Eduardo Gomes terá uma urna para cada região.
De autoria do Executivo, o projeto foi aprovado pela Câmara de Vereadores em janeiro. Segundo o chefe de gabinete do prefeito, Cesin Cafruni, que coordena a Administração Solidária, antes de escolher a prioridade, a comunidade conhecerá a verba destinada pelo Executivo.
– É uma obra que vai para o Orçamento. As associações criam somente as necessidades, mas quem vota é a comunidade – ressalta.
Artigos
O tsunami veio dos céus
LUÍS CARLOS EVANGELISTA
Tsunami é um termo japonês usado para expressar o aparecimento brusco de ondas marinhas gigantescas, provenientes de abalos sísmicos que causam mudanças do leito marinho. Como definição é um fenômeno natural e contra as leis da natureza nada podemos fazer.
Enquanto o mundo comentava a provável formação de um tsunami no litoral espanhol e projetava conseqüências catastróficas para as Américas, ficamos perplexos olhando para o Oceano Atlântico e perguntando a nós mesmos: que mal poderia vir de além-mar? Será que a natureza é tão perversa, a tal ponto de destruir cidades como Nova York ou fazer o sertão virar mar? Mas ainda bem que parecem ser apenas alucinações... ou não?
O sol já se fazia alto e, num clicar no mouse de meu computador, entrei na internet para receber e-mails e notícias do mundo. A primeira imagem do portal mostrava o choque de um avião no World Trade Center, em Nova York, e logo imaginei que deveria ser algo sensacionalista, coisa de marqueteiro ou um novo filme de Steven Spielberg. Estava redondamente enganado, era a mais pura e cruel realidade que o povo norte-americano teria que enfrentar de agora em diante. O mundo ficou pasmo e incrédulo ao ver aquelas cenas diante de seus olhos, um ato covarde e de incalculáveis precedentes. Ansiosamente o mundo aguarda o voar da águia americana, enquanto ouve o choro e o ranger de dentes de um povo que, até então, desconhecia de perto a dor da guerra.
Temos que nos despir os preconceitos e analisar o porquê de tanta brutalidade
A ação fanática desses terroristas transcende ideais políticos e religiosos, mas não vai além de nossa imaginação, temos uma parcela de culpa nisto tudo. Devemos reconhecer que estes atos são frutos de uma cultura econômica e social que segrega populações. São atos como estes que nos fazem reavaliar nossa posição de cidadãos do mundo, onde se quer globalizar as fontes de renda e de alimentos, esquecendo-se de globalizar as pessoas que produzem estas riquezas. Isto ficou claro quando o presidente Bush disse, logo após o atentado: nada afetaria a economia americana. Os deputados norte-americanos, em um ato de patriotismo, cantaram Deus Salve a América, é pena, mas esqueceram-se da humanidade.
Neste momento, temos que nos despir dos mais diversos preconceitos e analisar friamente o porquê da existência de tanta brutalidade em nossa sociedade. Temos que rever os modelos que alicerçaram nossa educação, nossos sentimentos e nossos valores.
A partir de agora, a humanidade começa a temer por atos de um presidente que coloca os valores econômicos acima dos valores éticos, morais e dos valores humanos. Demonstrou isso quando negou-se a cumprir o tratado de Kyoto, retirou-se da Conferência Mundial contra o Racismo e cultuou a violência com a retomada da Guerra nas Estrelas.
E como não imaginávamos, o tsunami veio, mas não pelo mar e sim pelo ar, destruindo vidas, edifícios e economias. Talvez este triste episódio sirva para fazer o povo americano refletir sobre os valores impostos pela globalização e mais do que nunca elevar o espírito humanitário e solidário de todos os povos.
A cidade é um palco
MARGARETE MORAES
O Porto Alegre Em Cena chega hoje a sua oitava edição com o respeito de ser um dos mais importantes festivais de artes cênicas do país. Respeito que se dá não baseado em seu tamanho, apesar de que isto indique a possibilidade do vário. O Em Cena acontece por toda a Porto Alegre, dentro e fora das salas de espetáculo, mostrando espetáculos que têm a ousadia e o inconformismo como marcas.
Cada vez mais o formato do festival toma a forma do seu nome. Porto Alegre se transforma em uma grande cena, onde espaços novos, inusitados, não antes visitados, viram palco para apresentações. Acontece no Teatro Renascença e no Largo Glênio Peres, no Araújo Vianna e na Restinga, na Redenção, no Largo da Epatur, na Usina. A cidade ganha cores e luzes novas, com cenas que interrompem o cotidiano, questionam o dia-a-dia, revestindo de humor e alegria os espaços e os dias.
Esta sempre foi nossa utopia. Encontrar a arte em toda parte, para que participar não signifique apenas ir em busca, mas também receber e mostrar. Não um ato alheio ao lugar onde vivemos, mas que cada cidadão tenha a oportunidade de assumir, usufruir e participar do que se faz em toda ou qualquer outra parte do mundo.
Porto Alegre se transforma em uma grande cena até com as
ruas virando espaços de apresentações
Este ano o Porto Alegre Em Cena chega às 16 regiões do Orçamento Participativo, transformando as ruas em palco, com o Bonecos Em Cena e o Rua Em Cena, misturando artistas e público, anfitriões e visitantes; fazendo de cada cidadão um ator, de cada ator um morador.
Para que a descentralização de decisões, a pluralidade de idéias e a participação democrática estejam asseguradas, a partir desta edição, o Porto Alegre Em Cena conta com um Conselho Deliberativo que, em conjunto com a Secretaria Municipal da Cultura, define os rumos do evento. Uma decisão já implantada é, a cada ano, homenagear uma pessoa significativa da vida cultural da cidade. Leverdógil de Freitas foi o escolhido deste ano, pois, como poucos, carrega em seu nome a força da arte, como ator magnífico, com a do cidadão, presente e atuante na construção de uma nova cidade e uma nova sociedade, em que a cultura não fosse vista como bem supérfluo, mas como suporte transformador, espaço de encontro da auto-estima que afirma seu nome e seu modo de ser.
A cada ano, a cada novo Porto Alegre Em Cena, vivemos nosso sonho e buscamos essa utopia com mais força. Utopia que sempre está além, mas que nos leva a buscar novas ousadias, através da discussão fecunda e da troca de experiências, dentro da pluralidade de idéias e concepções.
Colunistas
JOSÉ BARRIIONUEVO – PÁGINA 10
Paz pode virar tema do Fórum Social
A série de atentados nos Estados Unidos poderá mudar o enfoque da segunda edição do Fórum Social Mundial, em Porto Alegre. Ontem à noite, durante o último debate dos candidatos a presidente estadual do PT, o deputado federal Marcos Rolim propôs que o tema de janeiro de 2002 seja “contra o terrorismo e pela paz”. A idéia do candidato da Tendência Humanista é aproveitar que o mundo estará voltado para Porto Alegre para provocar uma meditação sobre o tema.
O vice-governador do Estado, Miguel Rossetto, lembrou que a paz esteve nas discussões da primeira edição do fórum, em janeiro deste ano. Mesmo assim, ao participar da reunião preparatória do 2º Fórum Social, na próxima quarta-feira, em São Paulo, Rossetto fará exatamente esta proposta, que já estava nos planos do vice-governador.
Até o momento, o centro das discussões do fórum seria a busca de uma forma para chegar a um mundo melhor.
Seguro morreu de velho
O Congresso tem se preparado para eventuais situações de emergência. Ontem, bombeiros desceram por uma das torres do famoso prédio de Brasília num treinamento de resgate. Sempre é bom estar afiado para a necessidade de salvamentos de emergência, embora o Brasil ainda seja um país pacífico.
Apesar de estarmos distantes de ataques terroristas, ainda está na lembrança dos brasileiros a tentativa de matar o ex-presidente José Sarney, hoje senador do PMDB do Maranhão. Há 13 anos, um Boeing 737 da Vasp foi seqüestrado e por pouco não foi jogado sobre o Planalto. O autor do seqüestro foi o desempregado Raimundo Nonato, que culpava Sarney pelo desemprego.
Última cartada
O governo do Estado vai tentar mais uma vez aumentar as alíquotas de ICMS, desvinculando a arrecadação dos aumentos salariais e investimentos. Mas a idéia ainda precisa ser discutida com os conselheiros do Orçamento Participativo. Ontem, a proposta de Orçamento para o ano que vem foi levada à Assembléia pelo próprio governador Olívio Dutra, numa verdadeira festa, que se repete pelo terceiro ano consecutivo.
As mais mais
Caro sindaco,
Facendo seguito al nostro precedente scambio di leitere relativo al progetto "C15", la invito a participare alla prima riunione del Grouppo delle Città che avrà luogo a Roma il 3 novembre p.v..
Conte molto sulla presenza per dare impulso al lavori e per avviare una collaborazione che ritengo importante per le nostre Città.
Il attesa di incontrarLa presto, le invio i migliori saluti
Walter Veltroni, sindaco di Roma
A carta acima foi enviada pelo prefeito de Roma, Walter Veltroni, ao prefeito de Porto Alegre, Tarso Genro. Confirma a participação da capital gaúcha na reunião do C-15, marcada para o dia 3 de novembro, quando as 15 cidades mais importantes do planeta discutirão caminhos alternativos para a inclusão social e o desenvolvimento. Além de Tarso e Veltroni, estarão prefeitos de cidades como Paris e Barcelona.
Discurso unificado
Os tucanos do PSDB não dão nomes a suas correntes como o PT, mas têm tantas vertentes quanto os petistas. Hoje o PSDB gaúcho reúne seus filiados em encontro estadual para unificar o discurso para as eleições do ano que vem. A partir das 8h na Assembléia Legislativa.
Força do poder local
Os vereadores Jairo Santerra, do PT, e Clênia Maranhão, do PMDB, representaram bem o Rio Grande do Sul em Durban na Conferência Mundial contra o Racismo. Voltaram da África do Sul com mais certeza de que os poderes locais têm condições e devem interferir nas grande questões internacionais.
Com a palavra, o leitor
• Claudio Shikida questiona a atitude de partidos como PSTU, PC do B, PCO e PT no dia dos atentados terroristas contra os Estados Unidos.
• Simone Bombassaro escreve de Triunfo para ampliar o rol de denúncias contra a Câmara de Vereadores local, já referidas na coluna. A leitora acrescenta que enquanto a prefeitura tem cerca de cem servidores com cargos em comissão (CCs), a Câmara tem 70.
• O jornalista Bruno Auge Ferreira critica o interino da Página 10. Segundo ele, “quando os gatos saem, os ratos tomam conta”.
• O microempresário e estudante de serviço social Jaime Lairton de Souza não concorda com avaliação da coluna de que a presença do senador Eduardo Suplicy há poucos dias em Encruzilhada Natalino tratava-se de campanha eleitoral.
• Rogério Guimarães cobra a realização de novas pesquisas de intenção de voto para o governo do Estado.
ROSANE DE OLIVEIRA
Além dos resultados
A grande curiosidade nas eleições diretas do PT não é saber quem vencerá neste domingo, porque os favoritos já largaram com vantagem ampla, mas que tipo de correlação de forças sairá desta disputa. No resultado da eleição no Rio Grande do Sul estará o esboço da chapa petista de 2002. Abertas as urnas, os partidários da candidatura do prefeito Tarso Genro ao Palácio Piratini saberão se ele tem ou não chances de derrotar o governador Olívio Dutra na prévia de março. Tarso só se inscreverá na prévia se até lá tiver construído uma rede sólida de sustentação do seu nome.
David Stival, considerado o candidato com mais chances de disputar o segundo turno, tem apoio tanto de partidários de Tarso como de Olívio. Se o PT Amplo conseguir levar Paulo Ferreira para o segundo turno e sair fortalecido da eleição, crescem as chances de Tarso disputar. A corrente chegou a marcar uma reunião para lançar a candidatura do prefeito, mas adiou o ato a pedido dele.
Na eleição para o diretório nacional, a recondução de José Dirceu é tida como certa, mas nem por isso a eleição será menos interessante do ponto de vista político. O que está em jogo é o peso de cada corrente de pensamento e que influência isso terá no programa de governo e na condução da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva.
O descontentamento com o discurso moderado de Lula e Dirceu e com o pré-programa econômico que está em discussão impulsionam a candidatura do ex-prefeito de Porto Alegre Raul Pont e do ex-presidente do PT Julio Quadros. A grande briga será entre os que tentam tornar Lula mais palatável para a classe média e os grupos mais à esquerda, defensores da volta às origens.
O esboço de programa econômico, por exemplo, é considerado muito distante das teses que o PT advogava nas campanhas anteriores. Sumiu, por exemplo, a proposta de moratória da dívida externa e nem a auditoria é admitida pelo economista Guido Mantega, assessor econômico de Lula.
Editorial
Saída de cena
Colocado contra a parede pela escalada de acusações que se erguem contra ele e os veementes indícios que envolvem seu nome em escândalos de ressonância nacional, o senador Jader Barbalho retornou à presidência do Senado e anunciou imediatamente que renunciará na próxima semana a esse cargo, mantendo no entanto o mandato parlamentar. Não lhe sobrava outra saída, depois que o Conselho de Ética daquela Casa aprovou, na quarta-feira, indicativo à Mesa Diretora recomendando que o representante paraense não reassumisse o posto enquanto permanecesse sob investigação. Mais: a própria cadeira do peemedebista estará ameaçada se o mesmo colegiado decidir-se, na próxima quinta-feira, pela instauração de processo contra ele por falta do decoro parlamentar.
Fecha-se assim mais fortemente o cerco ao detentor de uma das posições políticas mais elevadas da nação, em episódio que, seja qual for o desfecho, acabará impondo desgaste inevitável à Câmara Alta. Não foi diverso quando do rumoroso affair que culminou com o afastamento voluntário dos senhores Antonio Carlos Magalhães e José Roberto Arruda. Mesmo assim, é fundamental que não se perca de vista a circunstância de que apurações e depurações como essas, ainda que por vezes penosas, só se mostram possíveis quando a democracia deita fundas raízes na sociedade. Não faz muito, pesquisa do Ibope comprovou que a corrupção é a primeira das distorções morais que mais incomodam os brasileiros. No mesmo levantamento, foi também apontada, em quinto lugar, a impunidade que costumava protegê-la historicamente.
É hora de que o Senado se volte unicamente ao cumprimento de
seus deveres para com a nação
No que concerne especificamente ao senhor Jader Barbalho, cumpre lembrar que já o Supremo Tribunal Federal determinara que a Polícia Federal abrisse processo criminal contra o senador, além de ampliar consideravelmente a extensão da quebra de seu sigilo bancário. Paralelamente, sondagem do jornal O Globo indicava que não tinha ele mais condições de reassumir a presidência da Câmara Alta. Ouvidos 73 dos 81 legisladores, 44 manifestaram o ponto de vista de que o colega investigado perdera todas as condições para voltar ao cargo que conquistara por expressiva maioria. Resta esperar agora que a opção pela renúncia não se transforme em uma manobra para que se retire da luz dos holofotes e, conseqüentemente, evite prestar contas ao parlamento e à sociedade.
A esse propósito é preciso recordar que tem sido notável o amadurecimento dos cidadãos brasileiros, que, exaustos de fraudes, clamam pela plena responsabilização dos envolvidos. Concorre para tanto uma imprensa livre e independente, que não dá trégua aos assaltantes do erário, e um Congresso cada vez mais disposto a revelar-se aos olhos da opinião pública. Terá o senhor Jader Barbalho amplo direito de defesa das imputações de que é alvo. Mas conviria que as apurações transcorressem com a celeridade possível para que o Senado deixe de se uma usina de crises e se volte unicamente ao cumprimento de seus deveres para com a nação. Mesmo porque, neste momento de crise mundial, o país necessita que seus poderes estejam sob o comando de lideranças fortes.
Sem face e sem lei
Um dia depois de os Estados Unidos terem identificado Osama bin Laden como o alvo do primeiro conflito armado do século 21, na definição do presidente George W. Bush, os norte-americanos transmitiam sinais de uma surpreendente demonstração de unidade e cidadania. Com o aval unânime do Congresso a uma dotação de US$ 40 bilhões para a reparação de danos do ataque suicida e a autorização presidencial para a convocação de reservistas, o clima era o do que antecede a guerra. Em conseqüência, os temores já não se relacionavam mais à possibilidade ou não de ataque, mas a aspectos como sua intensidade e durabilidade. São questões decisivas para definir até que ponto a retaliação clamada pelos norte-americanos vai impactar os destinos do mundo.
Inquietações dessa ordem transpareciam ontem tanto em cerimônias religiosas como a que contou com a presença do atual e de vários ex-presidentes norte-americanos quanto nos atos patrióticos que inundaram as ruas com a bandeira norte-americana. A reação é a previsível diante de uma ação terrorista cuja característica é o fato de não ter face e não ter lei. Em conseqüência, mesmo que se consiga identificar o organizador ou o financiador das ações terroristas, não há quartéis-generais como alvo, nem há batalhões em marcha. A organização dessas redes de poder militar se faz no interior das sociedades, anonimamente, contando com a cumplicidade ou o suporte político de entidades. Mais do que sem face, o terrorismo é também sem lei. Não precisa submeter seus orçamentos a órgãos legislativos, nem se subordina a jurisdições nacionais ou a tratados internacionais. Não hesita nem mesmo em afrontar a exigência ética fundamental de que os inocentes não podem pagar pelos culpados.
São essas duas características do terror que constituemsuas armas mais mortíferas e mais assustadoras
Mas são essas duas características do terror – a clandestinidade e a amoralidade – que constituem suas armas mais mortíferas e mais assustadoras. Foram esses sem-face e sem-lei que motivaram a ofensiva norte-americana. O poder que desafia a máquina econômica e militar nutre-se do fanatismo e se utiliza do conhecimento e da tecnologia que o engenho humano coloca à disposição de todos. Em suas mãos, um meio de transporte como o avião se converte em arsenal que diariamente coloca no ar mais de 100 mil bombas potenciais, 40 mil das quais apenas nos Estados Unidos.
Agora, o mundo prepara-se para assistir à destruição desse poder clandestino. Como ele não tem rosto, nunca se saberá se essa ofensiva terá tido sucesso. Mas se sabe desde hoje que o melhor caminho, talvez o único, para a construção de um padrão de convivência civilizada não tem nas armas seu instrumento mais eficaz: é preciso dar ao mundo condições de educação, de saúde e de justiça. E estimular a prática da tolerância.
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09/15/2001
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