Britto adotará tática agressiva









Britto adotará tática agressiva
O comitê do candidato ao governo gaúcho pelo PPS, Antônio Britto, definiu mudanças em sua estratégia para reverter a perda de terreno do presidenciável Ciro Gomes (PPS) no Rio Grande do Sul. O candidato pepessista partirá para estratégia mais agressiva, mostrando o que classifica como "as mentiras do PT" que estariam sendo espalhadas pelo interior. Além da queda de Ciro, a última pesquisa Ibope, divulgada em 30 de agosto, aponta que o próprio Britto estagnou (manteve 36% em relação a levantamento do início de agosto), assim como o petista Tarso Genro (oscilou de 29% para 30%), seu maior rival na disputa pelo governo gaúcho. O candidato que mais cresceu foi Germano Rigotto (PMDB), que subiu de 5% para 9%. A margem de erro é de 2,8 pontos percentuais. Britto está preocupado com a perda de terreno que vive Ciro, mesmo tendo intensificado sua presença no Estado.


Projeto dá verba a 83 obras suspeitas de irregularidade
Recurso de R$ 1,08 bilhão só será liberado após aprovação do Congresso

O projeto de Orçamento da União para 2003 inclui 83 obras com indícios de irregularidades graves como, por exemplo, superfaturamento de preços e falhas na licitação. A verba prevista para esses projetos é de R$ 1,08 bilhão, mas o dinheiro só será liberado se as irregularidades forem sanadas.

Entre as obras suspeitas estão a construção do Rodoanel de São Paulo, a duplicação da rodovia Regis Bittencourt (São Paulo-Curitiba), a recuperação do Porto de Santos e a construção da usina nuclear de Angra 3, em Angra dos Reis (RJ).

A lista de projetos com problemas foi incluída como um anexo da proposta orçamentária, enviada na semana passada pelo Ministério do Planejamento ao Congresso Nacional. A relação é baseada em vistoria feita pelo TCU (Tribunal de Contas da União) em 320 obras em execução que contam com recursos do governo federal.
De acordo com o Planejamento, os recursos são alocados em uma reserva específica e só podem ser liberados após a aprovação de decreto legislativo específico para cada obra pela Comissão de Orçamento e, em seguida, pelo plenário do Congresso.

A princípio, essa liberação só pode ocorrer se o TCU considerar que as suspeitas de ilegalidades foram resolvidas. Mas, como o tribunal é um órgão auxiliar do Legislativo, o Congresso pode aprovar um decreto e liberar os recursos mesmo sem o aval do TCU.

Isso ocorreu no ano passado, quando o Congresso aprovou a liberação de verbas para a ampliação do Aeroporto Luís Eduardo Magalhães, em Salvador (BA), mesmo com o TCU afirmando que as irregularidades na obra persistiam.

Nova lista de obras será enviada pelo tribunal de contas ao Legislativo até 30 de setembro. O Congresso tem até o último dia do ano para aprovar o Orçamento incluindo as obras cujos problemas tiverem sido resolvidos. Os projetos que, até lá, continuarem sob suspeita, permanecerão embargados.

O número de obras irregulares é menor no Orçamento de 2003 em relação a este ano, quando havia 121 projetos na lista.

Mas o valor total apresentado para as obras é semelhante neste ano somavam R$ 1,3 bilhão em comparação ao R$ 1,08 bilhão na proposta orçamentária de 2003.

O órgão com mais obras suspeitas é o DNIT (Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes), sucessor do DNER (Departamento Nacional de Estradas de Rodagem). O departamento tem 31 obras na lista, com valores que totalizam R$ 287 milhões, o equivalente a 26,5% do total embargado.

Entre esses casos está o Rodoanel, principal obra do governo Geraldo Alckmin (PSDB-SP), candidato à reeleição. Com isso, os R$ 33 milhões que o governo federal reservou para a obra ficarão contingenciados.
Órgãos responsáveis por obras de combate à seca como Ministério da Integração, o Departamento Nacional de Obras contra a Seca e a Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco- também apresentam um grande volume de suspeitas de irregularidades (veja quadro).

Individualmente, a obra mais cara que ficou embargada é a modernização da refinaria da Petrobras Presidente Vargas, localizada no Paraná, orçada em R$ 175,1 milhões. Em seguida, aparece a usina de Angra 3 (R$ 123,1 milhões) e a construção de linhas de transmissão de energia na região Sul do país (R$ 118,3 mi).
A construção de penitenciárias nos Estados de Goiás, Mato Grosso do Sul, Pernambuco e Santa Catarina, orçada em R$ 11,5 milhões, também foi embargada.


Deputado afirma que pretende processar Celso Três
O deputado federal Inocêncio de Oliveira (PFL-PE) disse que irá processar o procurador da República no Distrito Federal, Celso Três, por causa da representação pedindo o impeachment do pefelista. "Caso ele realmente entre com o pedido, me julgo no direito de processá-lo por danos morais", afirmou Inocêncio, por meio de sua assessoria.

O deputado negou a existência de trabalho escravo na fazenda Caraíbas, que diz ter vendido, e disse que se coloca à disposição "da Corregedoria, da Ouvidoria, da Procuradoria e da Comissão de Direitos Humanos da Câmara" para dar esclarecimentos sobre o caso.

Segundo Inocêncio, os trabalhadores não eram vinculados a ele, mas aos "gatos" (intermediadores de mão-de-obra) da região.


Senado votará renegociação só após eleições
Por articulação da senadora Heloísa Helena (PT-AL), a oposição conseguiu adiar para depois das eleições a aprovação no plenário do Senado da renegociação dos títulos de Alagoas com a União, no valor de R$ 1,2 bilhão.

Não houve número suficiente de senadores para deliberar, e a oposição não concordou com votação simbólica. Pediu verificação de quórum, derrubando a sessão.

A rolagem dos títulos a um mês das eleições beneficiaria a campanha do governador de Alagoas, Ronaldo Lessa (PSB), à reeleição. A votação ficou para outubro.


Lula estreita laços com militares
A convite de amigo de Sarney, petista aceita debater com ex-ministros e oficiais de alta patente

O candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, consolidará sua aproximação com os militares em encontro no próximo dia 13 no Rio de Janeiro. Lula aceitou convite para debater com ex-ministros militares, oficiais da ativa e da reserva e diplomatas.

Os temas são o papel das Forças Armadas, a defesa nacional e a política externa. Lula atenderá a chamado da Fundação de Altos Estudos de Política e Estratégia, da Escola Superior de Guerra (ESG), presidida pelo general Leônidas Pires Gonçalves, que diz que o convite foi enviado a todos os candidatos, mas só o petista confirmou presença até agora.

Leônidas Pires Gonçalves foi ministro do Exército de 1985 a 1990, em todo o governo José Sarney. O senador maranhense anunciou há duas semanas apoio à candidatura Lula. Gonçalves nega vínculo entre uma coisa e outra. "Sou grande amigo dele, mas ninguém está optando por A, B ou C. Nunca vi Lula na minha frente. Não digo quem apóio, porque voto é secreto."

Outro integrante do alto escalão militar do governo Sarney -o general Ivan de Souza Mendes, que comandou o Serviço Nacional de Informações- já afirmou que pretende votar no petista.

O debate de Lula na ESG será mais um gesto de boas relações do petista. Na semana passada, ele havia elogiado o crescimento econômico no governo Médici (1969-1974) e nesta semana confirmou reunião com Aureliano Chaves, vice-presidente do general João Baptista Figueiredo (1979-1985).

"Temos um diálogo positivo com as Forças Armadas, sem a visão da necessidade de abrir coisas do passado. Temos com eles conversas de alto nível, que não passam apenas pela questão salarial, mas por um orçamento compatível com a missão que têm", afirma o deputado José Genoino, um dos interlocutores do PT com os integrantes das três Forças.

As dificuldades orçamentárias das Forças Armadas facilitaram a aproximação de Lula com os militares, que vem sendo costurada desde a elaboração do programa de governo do petista em maio.

No texto foi incluída a defesa do "reequipamento material" das Forças Armadas e a afirmação de que o petista "reforçará, modernizará e prestigiará" as tropas.

"As Forças Armadas encontram-se com poucos recursos, não sendo capazes de oferecer a seus contingentes a formação e os meios compatíveis com as exigências da defesa nacional. É imperativo que o novo governo proponha ao Congresso Nacional um debate sobre o papel das Forças Armadas no período", diz o programa petista.

O ministro da Defesa, Geraldo Quintão, não será convidado para os debates com os presidenciáveis, segundo a Folha apurou. O orçamento do ministério no ano passado foi de R$ 20,7 bilhões, numa despesa total dos Três Poderes de R$ 950,2 bilhões. Em 2000, o ministério tinha orçado R$ 20,1 bilhões numa despesa total de R$ 616,4 bilhões. Esse é um exemplo dos militares para queixar-se da necessidade de mais investimentos.


Pesquisa já mostra Serra com 21% e Ciro com 20%
Candidato do PPS oscila dois pontos para baixo, enquanto tucano continua estável

O último rastreamento feito pelo Datafolha entre os eleitores que possuem telefone fixo revela a persistência do empate técnico entre os presidenciáveis Ciro Gomes (PPS) e José Serra (PSDB), mas com uma inversão das posições: Ciro, que apresentava 22% no levantamento anterior, oscilou dois pontos para baixo e aparece agora com 20%, enquanto o tucano permaneceu com 21%.

Como a margem de erro é de três pontos percentuais, os dois continuam tecnicamente empatados em segundo lugar. O presidenciável Luiz Inácio Lula da Silva (PT) subiu quatro pontos e agora lidera com 39%, enquanto Anthony Garotinho (PSB) oscilou um ponto para baixo e soma 9%.

Na pesquisa espontânea, na qual o pesquisador não menciona o nome dos candidatos, Lula oscilou três pontos, de 29% para 32%. Ciro oscilou dois pontos para baixo, de 17% para 15%, enquanto Serra oscilou um ponto para cima, de 11% para 12%. Garotinho oscilou um ponto, de 6% para 5%.

O grau de conhecimento dos números dos candidatos oscilou dois pontos para cima, evoluindo de 37% para 39%. As taxas de conhecimento dos números de Lula (50%) e de Garotinho (33%) ficaram estáveis, enquanto as de Ciro e de Serra oscilaram três pontos: a de Ciro passou de 47% para 50%, e a de Serra, de 27% para 30%.

O rastreamento consiste em uma série de pesquisas feitas com eleitores que têm telefone fixo em casa -cerca de 54% do eleitorado brasileiro. Ele representa a opinião de uma parcela da população com mais renda e escolaridade e mais concentrada no Sudeste. Por isso não pode ser comparado com os dados da pesquisa tradicional, que representa todo o eleitorado.


Lula usa falta de diploma para criticar FHC
Em debate na UnB com 5.000 pessoas que se descaracterizou e virou comício, petista promete "consertar universidade"

O presidenciável Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse ontem na UnB (Universidade de Brasília) que "o Brasil vai precisar de uma pessoa que não tem diploma para consertar a universidade brasileira" -em alusão indireta ao presidente Fernando Henrique Cardoso, formado em sociologia, criticado pelo tratamento que concedeu ao ensino público superior.

Lula tem curso técnico de torneiro mecânico pelo Senai. O comentário foi feito em reunião com reitores de universidades federais, que entregaram ao candidato um documento com propostas para as instituições.
Num tradicional reduto petista, Lula foi recebido com festa. Ao chegar à reitoria da UnB, funcionários o impediram de subir até a sala do reitor de elevador. Lula subiu por uma rampa sob aplausos dos funcionários, muitos usando buttons e camisetas do PT.

Dois ex-reitores da UnB, Cristovam Buarque (candidato ao Senado pelo PT) e Antonio Ibañez, colaboraram na elaboração de seu programa para a educação.

Após a reunião, Lula participou do fórum "Brasil em Questão - A Universidade e a Eleição Presidencial". O que deveria ser um debate virou um comício. O evento, do qual participam alunos, professores e funcionários, foi tomado por militantes da oposição, especialmente do PT, PC do B e PSB, que portavam bandeiras.

Segundo o reitor da UnB, Lauro Morhy, cerca de 5.000 pessoas estavam no local em que já houve debates com Ciro Gomes (PPS) e Anthony Garotinho (PSB). Lula falou por 30 minutos e foi interrompido várias vezes por aplausos e palavras de ordem. Do lado de fora, três carros de som pediam votos para o petista e candidatos da oposição.

Sem perguntas
Ao contrário de Ciro e Garotinho, que tiveram de responder a perguntas, Lula só fez uma apresentação geral de seu programa. O reitor encerrou o fórum sem as perguntas, argumentando que todas haviam sido respondidas na explanação inicial.

Segundo a assessoria de imprensa da UnB, o debate foi suspenso por causa do calor no local e do grande número de pessoas. Até o governador do Acre, Jorge Vianna (PT), e a senadora Marina Silva (PT-AC), candidatos à reeleição, subiram no palco.

Lula disse que se preparara para responder às perguntas e negou que o motivo do encerramento antecipado tenha sido o comício de última hora. "Comício, mesmo que eu não tivesse falado, já tinha virado." E disse que responderá por escrito às perguntas não abordadas em seu pronunciamento.

Depois do fórum, Lula chamou o candidato José Serra (PSDB) de "chorão". "Toda e qualquer pergunta que façamos, ele [Serra] acha que é para atingi-lo, para atacá-lo. Eu não sei o que ele quer. Ele não quer que se discuta o passado, mas nós não poderemos discutir o futuro sem conhecer o passado. E o passado do governo que ele representa é desastroso."

Respondia a perguntas sobre eventual acordo entre ele e Garotinho no debate na TV Record.


Serra fala em reeleição e diz que "chorão" é Lula
Nem bem subiu nas pesquisas e o candidato do PSDB, José Serra, já pensa na reeleição. Ao lançar ontem seu programa de governo para a região Nordeste, o tucano afirmou: "Nossa meta é ter 100% das crianças de seis anos até o final de nosso primeiro manda...".

Serra se deu conta do que ia dizer e tentou corrigir: "Desculpe, no final de mandato". A essa altura um riso crescente começou a tomar conta das cerca de 800 pessoas que o ouviam no clube "Blue Angel", em Recife.
"É... não, não", disse Serra, como se respondesse aos risos da platéia. "Isso realmente não foi nem ato falho. Dá azar [falar antes". Não ganhamos nem a eleição", completou o candidato, arrancando aplausos da platéia e dos integrantes da mesa na qual estavam o governador Jarbas Vasconcelos (PMDB) e o vice-presidente da República, Marco Maciel (PFL).

Jarbas considerou assunto "vencido e morto" as especulações de que poderia trocar a candidatura tucana pela de Ciro Gomes (PPS). "Serra é o candidato mais lúcido. Vamos ganhar as eleições", disse.

Em Recife, Serra fez o lançamento formal de seu programa de governo para o Nordeste. Ele disse que, se for eleito, vai chefiar pessoalmente a extinta Sudene (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste), que pretende reativar em novas bases.

Prometeu também fazer "20 anos em quatro" na região, parafraseando o plano de metas de Juscelino Kubitschek, que prometia "50 anos em cinco". O programa tem seis metas específicas, entre as quais a construção da ferrovia Transnordestina.

Em entrevista, Serra soube que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse em Brasília que o tucano era "chorão" e que não houvera tabelinha entre ele (Lula), Ciro e Anthony Garotinho (PSB) para atacar o governo no debate da TV Re cord. "Que houve tabelinha, houve. Pedi a palavra várias vezes. Quando me foram concedidos direitos de resposta, o Lula também ficou chorão, ficou reclamando o tempo inteiro", disse Serra.


Ciro pode perder mais três minutos
O presidenciável Ciro Gomes (PPS) está sob ameaça de perder três minutos e meio de seu programa eleitoral para veiculação de direitos de resposta de José Serra (PSDB), além do minuto já ocupado pelo tucano no bloco de propaganda do último sábado.

Três decisões de ministros do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) concedidas entre anteontem e ontem deram vitória a Serra em pedidos de direito de resposta contra Ciro por trechos de programa supostamente ofensivos. Os advogados do candidato do PPS tentam reverter a situação.

Um direito de resposta é relativo a uma abertura que continha a frase: "Os golpes baixos acabam aqui". Outro é sobre uma abertura do programa em que ele lamentou os ataques do tucano.

O último, concedido ontem à noite, está relacionado a um ataque de Ciro ao candidato oficial no qual um eleitor fala "é tudo mentira" depois da exibição de promessas do presidente Fernando Henrique Cardoso nas campanhas de 1994 e 1998 e de Serra neste ano sobre geração de emprego.

As decisões são dos três ministros-auxiliares do TSE, responsáveis pelo exame preliminar de representações por abuso na propaganda dos presidenciáveis: Caputo Bastos, José Gerardo Grossi e Peçanha Martins.
Tanto Ciro quanto o ex-presidente Fernando Collor pediram ao TSE direito de resposta no programa de Serra por causa de comparação entre os dois feita no programa de anteontem.

O TSE informou que Ciro também pediu direito de resposta contra trecho do programa do tucano que contesta declaração dele de que sempre teria frequentado escolas públicas.

O advogado-geral da União, José Bonifácio Borges de Andrada, negou em nota que esteja agindo em defesa de Serra por ter pedido direitos de resposta contra Ciro e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).


"Serra tenta me destruir", afirma Paulinho
Vice na chapa de Ciro, que abriu o seu sigilo bancário, chamou a chefa da controladoria de "ministra da corrupção"

Investigado por supostas irregularidades durante sua gestão na Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, acusou ontem o presidenciável José Serra (PSDB) de promover "armações políticas" para tentar "destruir" a candidatura de Ciro Gomes (PPS), de quem é vice na disputa.

Paulinho criticou duramente os responsáveis pelas investigações uma movida pelo Ministério Público Federal e outra pela Controladoria Geral da União. Disse que Anadyr de Mendonça Rodrigues, ministra-chefe da controladoria, é a "ministra da corrupção" e que o procurador Célio Vieira da Silva atua a "mando de alguma candidatura".

"O candidato do governo quer ganhar de qualquer jeito. Já destruiu outras pessoas e agora quer me destruir", disse o sindicalista, após entregar à Procuradoria da República, por iniciativa própria, cópia de seu Imposto de Renda de 2001 e declaração autorizando a quebra de seu sigilo bancário.

Segundo ele, as acusações são "mentirosas". "Para atender à candidatura oficial, querem transformar Ciro num monstro e a mim num corrupto."

Ataques
Anadyr reprovou anteontem a prestação de contas da Força, no período em que foi presidida por Paulinho, por má aplicação dos R$ 38 milhões que recebeu da União para treinar trabalhadores.

"Isso não existe", desqualificou Paulinho. "Dona Anadyr foi indicada para ser ministra da corrupção. Ela só serviu para empurrar para debaixo do tapete a corrupção do governo Fernando Henrique. Instrumento para intimidar e para criar problemas para outras candidaturas, ela está a serviço do candidato oficial."

Em uma carta à imprensa, a Frente Trabalhista (PPS-PTB-PDT) acusou Anadyr de, "de forma irresponsável e leviana, soltar ao vento "suspeitas" vagas".

Na esfera da Procuradoria, há quase um ano a Força é investigada por suposta compra superfaturada de fazenda em Piraju (interior de São Paulo). Segundo o Ministério Público, seis meses antes de vender a área por R$ 2,3 milhões, o antigo proprietário pagou R$ 173 mil por 187 alqueires.

"A Força nunca comprou fazendas", disse Paulinho, intimado a comparecer amanhã à Procuradoria para depor. A Polícia Federal foi acionada para acompanhá-lo ao órgão, caso falte.

Outro lado
O procurador Vieira da Silva não comentou as insinuações. "Só comento temas jurídicos. De política não entendo nada. Investigo a compra da fazenda há cerca de um ano e quero ouvir Paulinho." A Associação Nacional dos Procuradores da República divulgou nota repudiando as acusações.

Anadyr também as negou, em Curitiba. "Nenhuma dessas acusações têm procedência. A controladoria não tem atuação política, é um órgão técnico." Sobre a possibilidade de vir a ser questionada pela Força na Justiça, disse que "o acesso ao Judiciário é livre". Segundo ela, a fiscalização sobre as verbas destinadas a São Paulo foi planejada no início do ano, "época em que não havia qualquer indicação sobre candidaturas".


Ciro recebe passagens e adesivos em jantar
O candidato a presidente Ciro Gomes (PPS) participou ontem do quarto jantar de arrecadação de fundos para sua campanha. Saldo parcial: aluguel de 40 carros, 12 mil metros de adesivos e passagens da Varig.
A contabilidade é do organizador, Flavio Luiz Aronis, da Projeto- empresa de sistemas de inteligência e automação de prédios.

"Voto em Ciro por uma opção ideológica, sem qualquer outro interesse", disse Aronis.

As passagens foram oferecidas por Roberto Macedo, diretor comercial da Varig. A assessoria de imprensa da empresa negou a doação. A lei proíbe concessionárias de serviços públicos como as empresas de aviação- de colaborar com campanhas eleitorais.

Metade dos 87 presentes -a lista tinha 120 nomes- é da comunidade judaica de São Paulo.

Segundo o anfitrião, também houve doações em dinheiro, cujo montante ele não soube precisar. Os cheques nominais foram entregues a Lúcio Gomes, irmão do presidenciável que integra o comitê financeiro da campanha. A expectativa era arrecadar entre R$ 600 mil e R$ 700 mil.

Como não havia sistema de som nem bancada especial, Ciro falou durante quase uma hora equilibrando-se em cima de um banco. Diante de uma platéia formada basicamente por empresários do setor produtivo, disse que os juros "não cairão do dia para a noite". No entanto, comprometeu-se a fazer um governo "primordialmente parceiro da iniciativa privada" parceria cujo objetivo seria dar aos empresários condições competitivas de financiamento.

Imagem de "anti"
O construtor Paulo Kauffman pediu a Ciro esclarecimentos sobre uma carta divulgada na internet na qual o candidato teria afirmado que Israel comete "terrorismo de Estado". Ciro disse que o documento é falso e que faz parte de uma campanha visando associá-lo a imagem de "anti" negro, pobre, feminista e semita.
O deputado federal Luiz Antônio Fleury Filho (PTB-SP), que fez da segurança pública o mote de sua campanha, usou da palavra para dizer que o presidenciável José Serra (PSDB) está cometendo "desonestidade intelectual".

Segundo Fleury, ele é o autor de pelo menos duas propostas encampadas por Serra: a criação do ministério da Segurança Pública e a aplicação de pena em dobro para autores de crimes cometidos com a participação de menores.


Ciro diz sentir vergonha de ser político
Criador de rádio comunitária critica ausência de Lula, representado pelo vice em sessão de filme

O candidato do PPS à Presidência, Ciro Gomes, afirmou ontem, após sessão especial do filme ""Uma Onda no Ar", em São Paulo, ter sentido ""muita vergonha" de ser político.

"Senti um sentimento dúbio. Senti muita vergonha de ser político no Brasil", disse sob aplausos de cerca de 200 pessoas.

"Por outro lado, entretanto, enquanto o meu nó de garganta se desfazia e eu olhava a minha filha do lado (...), aquela vergonha foi se dissipando. Porque me lembrei de que estou contra tudo isso e de que estou dando tudo o que posso para derrotar tudo isso. E vou me esforçar para colaborar para que essas coisas mudem", completou.

O filme, dirigido por Helvécio Ratton, conta a história da Rádio Favela, uma rádio comunitária criada em um morro de Belo Horizonte, e relata a perseguição ao fundador da emissora.

Adolescente na ocasião, o criador da rádio, Misael Avelino dos Santos, foi preso várias vezes. Em uma delas, foi solto, de acordo com o filme, pela pressão exercida por entidades civis durante um período eleitoral.

Acompanhado da mulher, a atriz Patrícia Pillar, e da filha, Lívia, 18, Ciro participou da sessão de divulgação social do filme, patrocinada pelo Instituto Ayrton Senna. Além dele, Anthony Garotinho (PSB), Rita Camata (PMDB) vice de José Serra (PSDB), e José Alencar (PL) vice de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), estiveram no evento.

Cada um deles recebeu uma cópia do documento ""Por uma política de juventude no Brasil", preparado a pedido do instituto.

No momento em que um dos protagonistas do filme é assassinado por engano no morro, Patrícia, depois de verificar estar sendo observada pela imprensa, franziu o rosto, preparando-se para chorar. Ciro e Garotinho levaram os dedos aos olhos, em um gesto característico de quem enxuga lágrimas.

Em pelo menos mais duas ocasiões, o pepessista e a atriz ainda ficaram com os olhos marejados. Em uma delas, quando a presidente do instituto, Viviane Senna, declarou, com a voz embargada, que, assim como aquela platéia, todos os pais deveriam ter o direito de ter os filhos vivos.

A cena se repetiu após Viviane afirmar que os jovens são a "verdadeira seleção [de futebol]" que fará "o país vitorioso".

Já Rita Camata chegou a cochilar durante a exibição.

Depois de ter cumprimentado Ciro e Patrícia duas vezes, no final do filme, Garotinho ainda se dirigiu ao pepessista e disse a ele que os dois precisavam conversar. "Claro, claro, depois vamos, sim", respondeu Ciro, fazendo um sinal positivo com o polegar. O diálogo aconteceu dois dias depois de os dois terem trocado gentilezas no debate da Record.

O candidato do PPS foi elogiado publicamente pelo criador da rádio. "Ele é parceiro. Teve a coragem de subir o morro." Apesar disso, Misael negou que essa seja sua opção de voto. "Mas não posso falar quem é porque tenho peso por estar no filme."

Ele fez questão, entretanto, de criticar indiretamente Lula. "Vou falar do candidato que diz que representa a periferia, mas não veio. Ele não gosta de pobre. Mandou um empresário. Já viu patrão representar empregado?"

Serra é obrigado a explicar declaração
O ministro do STF Celso de Mello interpelou o presidenciável José Serra (PSDB) para que ele esclareça declarações sobre o deputado estadual José Carlos Gratz (PFL-ES). O tucano tem 48 horas para prestar os esclarecimentos. A interpelação atende a pedido de Gratz, que acusa Serra de tê-lo chamado de "traficante e comandante do tráfico no Estado do Espírito Santo". A iniciativa poderá culminar em processo contra o tucano por suposto crime contra a honra. O candidato teria feito essa afirmação em Vitória, em julho, ao comentar a decisão do procurador-geral Geraldo Brindeiro de não pedir ao STF intervenção federal no Estado em razão da violência e do desrespeito a direitos humanos. A decisão, tomada depois de o Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana aprovar a intervenção, levou o então ministro Miguel Reale Júnior a deixar a pasta da Justiça.


Ex-senador quer bancada federal de 26 deputados
Antonio Carlos Magalhães não descuida da matemática eleitoral de calcular os benefícios que diz que sua volta à política local causou. Pelas projeções do ex-senador, o seu grupo político deverá chegar em Brasília com uma bancada federal de 26 parlamentares, cinco a mais do que a atual (o Estado dispõe de 39 vagas).
Na Assembléia Legislativa, ACM também planeja aumentar a sua influência. "Vou eleger pelo menos 45 dos 63 parlamentares." Atualmente, o grupo carlista conta com 41 representantes na Assembléia.

"Além de fortalecer as bancadas, vou manter a hegemonia política no Estado, com as eleições de Paulo Souto [candidato ao governo] e César Borges [que também disputa uma vaga no Senado]", acrescentou Magalhães, que apóia a candidatura de Ciro Gomes.


Artigos

O saco de cadáveres
Clóvis Rossi

SÃO PAULO - O mais acabado retrato da globalização corporativa, como a chamam seus críticos, está na capa de ontem desta Folha: é a foto de um saco branco no qual jaz um cidadão africano (de Serra Leoa), morto durante a tentativa de chegar clandestinamente a Santos.

É, rigorosamente, o fim do mundo: cidadãos do país mais miserável do planeta (um dos quatro em que a distribuição de renda é mais obscena ainda do que no Brasil) se matam para chegar à miséria brasileira.
Tem-se aí o seguinte: enquanto o Eldorado não chega nem remotamente à periferia, os habitantes dos países periféricos fogem de qualquer modo em busca do Eldorado.

Como o Eldorado principal (os países ricos ou mais ou menos ricos, como Espanha) fecha crescentemente as suas portas, o desespero empurra os africanos até para o Brasil.

Tudo somado, não há como discordar do artigo que Boaventura de Sousa Santos, catedrático da Universidade portuguesa de Coimbra, publicou ontem nesta Folha para discutir o fracasso da Rio+10, a conferência convocada justamente para enfrentar os problemas do desenvolvimento sustentado.

O problema é que Boaventura joga todas as suas esperanças no Fórum Social Mundial-2003, a realizar-se de novo em Porto Alegre, por ser "a única reunião internacional sobre temas da globalização em que as empresas multinacionais não têm poder para estabelecer a agenda e definir os critérios de ação".

É verdade, mas não basta: o problema já não é mais de agenda nem de critérios de ação, mas de ação propriamente dita. E ação depende, um pouco, de governos nacionais e, muito, de coalizões internacionais.
Porto Alegre daria as bênçãos a qualquer um dos governos recentemente eleitos (Bush, Berlusconi, Álvaro Uribe, Chirac, a democracia cristã holandesa etc. etc. etc.)?
É pena, mas a perspectiva é a de ver mais sacos cheios de cadáveres.


Colunistas

PAINEL

Ouvidos quentes
Ciro telefonou para Roseana Sarney na última sexta e pediu o apoio da pefelista. A maranhense não aceitou declarar publicamente voto no presidenciável do PPS, mas enviou a ele todo o material que acumulou sobre Serra desde que a sua candidatura foi abatida pelo caso Lunus.

Polícia contra polícia
Roseana enviou a Ciro uma cópia do livro que pretende publicar sobre a suposta participação de Serra e do Planalto na operação da PF no caso Lunus. Mandou também reportagens contra o tucano e um relatório reservado da PM do MA sobre atividades da PF em São Luís.

Quadro regional
Ao procurar Roseana, Ciro queria dividir a família Sarney. O ex-presidente já declarou apoio a Lula. Mas a pefelista disse que não tem como ficar com Ciro, já que o maior adversário de seu clã no MA, Jackson Lago (PDT), já está ao lado dele.

Tiro ao alvo
O debate do SBT, dia 15, é considerado de "alto risco" pelos presidenciáveis. Mediado por Silvio Santos, o programa terá apelo popular - serão aceitas perguntas dos telespectadores.

Tecla eleitoral
O PT apresentará nos próximos dias programa de TV para c obrar do governo que compre aviões da Embraer. Lula, assim como fez no caso das plataformas da Petrobras, defenderá que se priorize a indústria nacional para gerar empregos no país.

Empate
Um repórter disse a Pedro Malan, durante entrevista em Brasília, que no local havia jornalistas que votam nos quatro presidenciáveis. Acompanhado de três membros do governo, o ministro respondeu: "Aqui também".

Briga pela vaga
Genoino (PT) priorizará os ataques a Alckmin (PSDB) nos próximos programas de TV em SP. A avaliação é que Maluf (PPB) já está no segundo turno.

Gastos tucanos
A dupla sertaneja Chitãozinho e Xororó cobrou cerca de R$ 60 mil por cada participação nos primeiros showmícios de José Serra. O contrato foi renegociado e teria sido dado um desconto, em valor não revelado.

Custos petistas
Cada aparição da dupla Zezé di Camargo e Luciano nos eventos da campanha de Lula custa R$ 40 mil, mais as despesas com a equipe que faz a produção dos cantores. Também teria sido dado um desconto, já que o cachê normal seria de R$ 80 mil.

Pela causa
A cantora Beth Carvalho aproveitou um show patrocinado pela Petrobras em SE para pedir votos para Tânia Soares (PC do B), autora de projeto prevendo numeração de todos os livros e CDs para combater a pirataria.

Guarda-costas
Ao contrário de Lula e de Serra, Ciro dispensou a segurança da Polícia Federal -assegurada por lei- nas suas viagens pelo país. Achou mais prudente usar oito PMs da Casa Militar do CE. Um decreto baixado pelo governo cearense em junho prevê segurança para ex-governadores.

PF paulista
A segurança de Lula e de Serra é chefiada por delegados da Polícia Federal de São Paulo, um da área de Repressão a Entorpecentes e outro que participou das buscas ao juiz Nicolau em 2000. Garotinho também dispensou a PF e recorreu a policiais militares do Rio de Janeiro.

Versão paterna
A campanha de Flaviano Melo (PMDB), rival de Jorge Viana (PT) no AC, gravou depoimento do pai de Hildebrando Pascoal, Cosmo, em que ele diz que a família trabalhou para Viana na campanha de 98, embora fosse ligada ao PFL. Melo deve usar a fita no horário eleitoral.

TIROTEIO

Do economista José Roberto Afonso, que integra a equipe do presidenciável José Serra, comparando o programa de empregos do tucano ao de Lula:
- O "Projeto Segunda-Feira", que prevê a criação de 8 milhões de empregos, tem sido atacado pelos outros candidatos porque é consistente. Já o projeto do Lula, de criar 10 milhões de empregos, ninguém questiona, pois ninguém leva a sério. É puro carnaval.

CONTRAPONTO

Unidos lá fora
O debate entre os presidenciáveis na TV Record, na última segunda-feira, atraiu candidatos a outros cargos. Eles foram colocados num auditório separado.
Cada presidenciável levou também sua torcida organizada (em sua maioria "militantes" pagos), que ficaram na frente da sede da emissora, na Barra Funda, bairro de São Paulo.
José Genoino (PT), candidato ao governo de SP, chegou empolgado, embora a noite estivesse muito fria. Desceu do automóvel, na rua, já cumprimentando os "militantes" do partido. Gesticulava e fazia sinal de positivo. Cumprimentou tantas pessoas que acabou se perdendo dos assessores. Sozinho, saiu andando para encontrar a entrada da TV mas acabou indo parar bem no meio das torcidas organizadas de Ciro e de Serra. Não deu outra. As claques começaram a gritar, em coro:
- Sai daqui! Sai daqui!


Editorial

CÚPULA FRACASSADA

Um fracasso quase completo. Essa parece ser uma descrição precisa e realista da Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, que se encerrou ontem em Johannesburgo, na África do Sul. E não se pode afirmar que esse desfecho amplamente negativo tenha sido uma surpresa. As dificuldades para um entendimento mínimo entre os 191 países participantes, que já podiam ser intuídas, ficaram patentes pelo menos desde maio, quando se realizou em Bali (Indonésia) a última reunião preparatória oficial para o encontro.

O que se viu em Johannesburgo foi um esforço quase desesperado dos delegados de nações mais atentas a problemas ambientais para impedir que houvesse retrocessos marcantes em relação ao que fora acordado dez anos antes, no Rio de Janeiro, na Eco-92. E, se os ambientalistas lograram sucesso em impedir que os documentos oficiais da cúpula caminhassem para trás, dificilmente evitarão que a questão do desenvolvimento sustentável permaneça em plano inferior na ordem das grandes prioridades mundiais.

Sob esse aspecto, os maiores inimigos da causa ambiental são, sem sombra de dúvida, George W. Bush e o unilateralismo norte-americano. Essa tendência, que já era clara antes do 11 de setembro, se tornou paroxística depois dos atentados terroristas.

Mas seria injusto culpar apenas os EUA pelos reveses. Dificuldades econômicas também tiveram sua parte nos impasses. Por diferentes razões e em graus diversos, países ricos não contribuíram como haviam se comprometido para o desenvolvimento de projetos ecológicos e sociais nas nações pobres. E o simples fato de a agenda ambiental ficar ao sabor de crises conjunturais já revela que o tema não se tornou uma prioridade.

A própria concepção da ONU de organizar megarreuniões de cúpula para debater problemas de relevância global e tentar elaborar consensos sobre como abordá-los parece ter se esgotado. As discussões se tornam tão amplas que perdem seu objeto. É verdade que a questão ambiental tem a ver com pobreza, mas tentar resolver tudo ao mesmo tempo equivale a confinar-se ao imobilismo.
Resta esperar que o fracasso de Johannesburgo pelo menos sirva para que as Nações Unidas e a comunidade internacional reflitam sobre seus mecanismos de debate e atuação e procurem aprimorá-los.


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09/05/2002


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